domingo, 25 de abril de 2010

O 25 de Abril da Martinha

Eu sei que não apareço por aqui há muito tempo, mas quem me conhece também sabe que sou tímida e escrevo mal e ambas as coisas me impedem de vir cá mais vezes dizer o que me vai na alma, mas neste dia 25 de Abril não podia deixar de vos vir dizer que celebro esse dia com a minha mamã como se fossemos portuguesas.
Se não fosse o 25 de Abril nunca teríamos podido vir viver para Portugal onde apesar de alguns problemas somos felizes vocês sabem que é difícil a duas mulheres chinesas com uma modesta loja na Lapa serem respeitadas neste país, já muitas vezes foram antipáticos connosco e nos mandaram para a nossa terra, acusaram-nos de andar a explorar os chineses e a enganar os portugueses, fomos acusadas de criminosas e prostitutas, chorámos muitas lágrimas à noite agarradas uma à outra, mas esta é a nossa terra desde que o Carlos nos trouxe para cá, não pude recusar o pedido que ele me fez para escrever neste dia aqui no Rochedo.
O que vos quero dizer é que apesar de continuar a enviar currículos para tudo quanto é sítio continuo desempregada com uma licenciatura que não me serve para nada nem me dá o dinheiro para comprar o pão de que preciso para comer se não fosse a loja não sei o que seria de nós.Eu já um dia vos disse que há um provérbo chinês que diz "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
É por isso que continuamos a teimar ficar na Europa e especialmente em Portugal onde, apesar das excepções de que já vos falei, a maioria das pessoas nos trata bem. Desde que para cá viemos aumentou muito o número de imigrantes e nós sentimo-nos aqui muito bem, muito melhor até do que alguns nossos amigos que escolheram outros países europeus mais ricos e civilizados, como a França ou a Alemanha, pelo menos aqui sabemos que ninguém nos vai expulsar. Devo dizer-vos que para nós a crise de que todos falam até tem sido benéfica porque com falta de dinheiro as pessoas vão lá agora comprar mais coisas até estamos a pensar abrir outra loja nos arredores, mas o que eu queria mesmo era poder trabalhar no curso que tanto me custou a tirar mas não me serve para nada, porque só querem chinesas para trabalhos não qualificados. Mesmo assim, quero que saibam que continuo a sentir-me muito bem em Portugal, não quero sair daqui nunca mais e gostei muito de saber hoje um bocadinho mais sobre a história do 25 de Abril, que foi uma coisa muito bonita que vos aconteceu e que eu penso vocês deviam dar mais valor. Desculpem este atrevimento mas vocês sabem que não tenho papas na língua e quem não souber o melhor é ir ler os outros posts que aqui escrevi, basta carregar na etiqueta Intromissões e está lá tudo.
Pronto, fico por aqui, vou fazer os possíveis para voltar mais vezes, mas agora vou-me embora, porque o arroz de lingueirão que vim aqui comer com o Carlos e a minha mamã, depois do desfile, está a arrefecer e eu não posso perder um petisco daqueles.
Beijinhos e até à próxima. A vossa amiga de sempre.
Martinha

5 comentários:

  1. Esta duplicidade de escrita está engraçadíssima.
    Lendo coisas sérias com humor, dá-me algum alento
    A Martinha é um Papalagui chinês...ou pelo menos tem algumas semelhanças:):):)
    Abracinho

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  2. Que espectáculo de post!
    Venham mais intromissões como esta!
    Um beijo.

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  3. Martinha... adoro suas intromissões e estou torcendo por você. Ah...se tiver um tempinho, depois traduza para outras estrangeiras como eu, o que é arroz de lingueirão, por favor.
    Ainda no assunto gastronomia, diga ao Carlos que deixei uma resposta para ele sobre o comentário do iogurte lá no meu blog. Apareça!!!

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  4. Turmalina: Lingueirão é um marisco que só é possível comer em algumas épocas do ano. Faz um excelente arroz.
    Já vou ver do iogurte

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  5. Ah...deve ser muito bom. Aqui gostamos muito de um prato conhecido como Lambe-lambe.São mariscos feitos com casca num molho que tem por base a cebola, o tomate e o vinho branco.

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