sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cidades da minha vida (15)

Hong Kong
Se ao regressar a Macau tive uma enorme decepção, muito diferente foi o que senti ao voltar a Hong – Kong. Central District e Kowloon não sofreram grandes mudanças nestes últimos anos e foi-me mais fácil reencontrar locais, do que em Macau.
Ali redescobri as emoções de uma viagem até Stanley, ou o prazer da travessia entre Kowloon e Central, num barco ao fim da tarde. Recuperei os encantos das noites turbulentas de Lan Kwai Fong, a calma de Cheung Chao, o bucolismo exótico de Hong Kong Park . Voltei a sentir aquela sensação estranha de subir a Vitória Peak para contemplar a cidade aos meus pés- como uma oferenda.
Consegui revisitar “ aquela esplanada secreta” em Vitória , “aquele minúsculo jardim” de Admiral, entre edifícios majestáticos, as tendinhas e a loja onde ia comprar máquinas fotográficas e “lap tops” em Wanchai, aquele bar de “karaoke” e o vendedor de “cloisonets” em Causeway Bay.
Pude constatar- sem muita surpresa- que continuam a viver lá muitos ingleses e que os chineses de Hong –Kong estão cada vez mais ocidentalizados- os bares de Lan Kwai Fong demonstram-no à saciedade.
Para muitos, Hong-Kong é uma Nova Iorque asiática, mas o melhor epíteto que já ouvi, foi o de “velha concubina”: feia durante o dia, de uma beleza artificial pela noite, quando as luzes lhe servem de maquilhagem, para disfarçar as rugas.

Talvez como nenhum outro local na China, Hong –Kong é o espelho das sociedades ocidentais. Um dos exemplos mais marcantes é a febre anti-tabágica. Não se pode fumar em edifícios públicos, restaurantes, centros comerciais, nem... na rua! As excepções estão devidamente assinaladas por cinzeiros à volta dos quais se reúnem funcionários “topo de gama” numa escapadela do local de trabalho.
No regresso a HK voltei a sentir o prazer do Oriente fervilhante, a ter a certeza que estava a viver no futuro. Os contrastes que a cidade nos proporciona apenas reforçam essa ideia.
Aviso: Continuo a fazer batota com os posts sobre as cidades da minha vida. Com uma ou outra alteração, fui obrigado a recuperar um post de Novembro de 2007, escrito pouco tempo depois de ter regressado a HK. O Mc Affee continua a impedir-me de publicar os posts previamente escritos para esta rubrica, que guardei noutro computador. Dizem-me os técnicos que lá para segunda ou terça- feira talvez os possa recuperar.


3 comentários:

  1. Uma cidade fantástica, Carlos.
    Mas com níveis de poluição assustadores,e cada vez maiores.
    Aquela concentração brutal de prédios, com alturas descomunais, funciona como uma enorme parede que impede a circulação do ar e o torna, tantas vezes, irrespirável.
    Algo que também começa a suceder, infelizmente, aqui em Macau.
    Há quem lhe chame progresso....
    Um abraço

    ResponderEliminar