sexta-feira, 30 de abril de 2010

Upgrade, ou downgrade?

O significado de um recorte labial, na sua Plenitude

Pedro Passos Coelho é um bom exemplo da aplicação das tecnologias do mundo virtual ao ser humano. Começou por fazer um upgrade de líder da JSD para candidato à liderança dos seniores laranjas. Depois do acto falhado da eleição de MFL, os militantes laranjas viram nele o salvador do partido e elegeram-no com mais de 60 por cento dos votos.
Conquistado o lugar, com o slogan “Mudar”, que fez Passos Coelho? O número de mulheres nos órgãos decisórios do partido é uma prova eloquente : 8 em 89 , sendo que só uma mulher tem assento no Conselho Nacional do PSD. Pedro Passos Coelho mudou, sim, mas regredindo, o que não é um bom sinal.
O passo seguinte de Passos foi fazer um upgrade para Salvador da Pátria. Não teve de se esforçar muito. Os blogs de direita que o apoiam incensaram-no de tal forma, que a sua popularidade disparou. Passos Coelho precisava, porém, de mostrar ao país que a imagem dele criada na blogosfera tinha raízes mais fortes e âmbito nacional. As telecomunicações facilitaram-lhe o trabalho. Pegou no telefone e pediu uma reunião com Sócrates, no dia em que a Standard & Poors baixou o rating da dívida portuguesa.
A blogosfera servilista enalteceu o seu nobre acto, com alguns jornalistas a tecerem-lhe loas pelo arrojo. A avaliar pelas sondagens e pela euforia que paira num certo prédio da Av da Liberdade, onde se publicam notícias à medida das conveniências laranja, a táctica parece ter resultado. Pedro Passos Coelho aparece hoje como vencedor nas sondagens eleitorais, sem que nada tenha feito para o justificar.
Quais foram os resultados da reunião com Sócrates? A persistência da teimosia do PM em avançar com a construção de um novo aeroporto e a ratificação de medidas agendadas no PEC pelo PS. Alguma das medidas propostas por Passos Coelho foi aprovada pelo governo? Não! Mas também não era isso que PPC pretendia. Apenas queria visibilidade.
O encontro com Sócrates foi um beijo de Judas, para gáudio da populaça que vê diariamente escassear-lhe o dinheiro para a gasolina, para o telemóvel, para o pagamento das dívidas da casa, do automóvel, para o televisor e Box do quarto dos catraios, ou para as férias na República Dominicana. O povo gosta de viver de ilusões e Sócrates já não tem credibilidade para as alimentar. Era preciso encontrar, rapidamente, um novo ídolo. Já está. Feito à pressa na feira de Carcavelos, vendido como produto de contrafacção à imagem do Sócrates original.
Reconheça-se, pois, que Passos Coelho soube escolher o momento oportuno para aparecer na fotografia ao lado de Sócrates. Sem nada fazer,mas respaldado na figura sinistra de MFL que deve ter sido a lider mais odiada pelos portugueses depois do 25 de Abril, , emerge ao lado do PM , a viver um momento difícil, disposto a apoiá-lo neste momento de crise, que exige consensos. O discurso é vazio, as ideias são velhas, mas têm um elo comum com a política de Sócrates : os trabalhadores que paguem a crise.
Aparentemente rendidos ao discurso deste vendedor de ilusões, os portugueses parecem decididos a apostar na mudança. Será uma mudança para pior, que os trabalhadores irão sentir na pele, mas que interessa isso agora, se o rapaz até tem aquele ar jovial de dandy da Porcalhota, a aparência de trabalhador e resoluto, aquele ar doce dos beatos e aposta na mudança? O que os portugueses recusam é ter mais do mesmo. Se for para pior, cá estarão para o criticar e punir, quatro anos depois de o terem eleito e verem os seus direitos regredir ao século XVIII. Pelo menos vão apostar na mudança. Mesmo que seja para pior, como avisava Marcelo Rebelo de Sousa. Na ilusão de um upgrade, vão votar no downgrade, cavando a sua sepultura.

Expo 2010 abriu hoje


Foi hoje inaugurada, em Xangai, a Expo-2010. Depois dos Jogos Olímpicos de 2008, este será o maior evento alguma vez realizado na China. A presença de quase 200 países neste certame, atesta a importância que o mundo inteiro lhe confere. A Expo-2010 é, também, a confirmação do aumento da influência da China a nível mundial, que muitos continuam a querer ignorar. Nunca nenhum país investiu tanto como a China na realização de uma Exposição Mundial.
O tema da Expo-2010, que encerrará a 31 de Outubro, é a qualidade de vida nas cidades ( Better City, Better Life) , devendo os diversos países presentes apresentar soluções para o combate às doenças que estão a colocar em perigo a qualidade de vida urbana.
Portugal estará presente com um pavilhão reciclável e ecológico, revestido a cortiça, que simbolizará uma praça, local privilegiado de troca de ideias dentro de uma cidade, onde o papel das energias renováveis nas cidades modernas será o centro do debate. ( Mais uma vez se prova que somos um país poetas cheios de ideais, mas incapaz de os concretizar...)
Depois da série “Cidades da Minha Vida”, o CR irá, ao longo do próximo mês, dar especial destaque às questões da vida urbana e à História do Desenvolvimento das Cidades, associando-se assim a este fantástico evento que, a exemplo do que aconteceu durante a Expo-98 em Portugal, em relação aos Oceanos, contribuirá para a evolução do conceito de vida urbana no século XXI.
Entretanto, para os interessados, aqui fica o link oficial da Expo-2010: http://en.expo2010.cn/

Cidades da minha vida ( 20)

Medina de Alhambra ( Granada)
Termino a série "Cidades da Minha Vida" - que talvez volte a retomar em breve- com uma cidade bem próxima de nós.
Chegar a Granada num final de tarde de estio, proveniente de Málaga, pela velha e sinuosa estrada montanhosa é um espectáculo deslumbrante. Mas Granada oferece outro cenário imperdível: um pôr do sol nos jardins da Medina de Alhambra. Naquele imensa quietude, tendo por companhia "As Cruzadas vistas pelos Árabes" do Amin Malouff, regressei ao século VIII, e "vivi" a conquista da Península Ibérica, sob o comando de Tarik. Foi tão penosa a ideia de regressar a Granada, que procurei alojamento junto ao Palácio, na expectativa de "participar" num daqueles faustosos serões do Califado de Córdoba ou... da Corte de Carlos V.

Falta imperdoável da RTP

Os defensores da privatização da RTP 1 ganharam novos aliados. Zangados com a televisão pública por não ter transmitido a final de uma taça europeia de futsal , vencida pelo seu clube do coração, os benfiquistas com assento nas colunas de alguns jornais, vieram manifestar a sua repulsa pelo desprezo a que a RTP votou tão relevante modalidade. Entre outras coisas, os militantes encarnados da imprensa lusa esqueceram que a final se realizou no dia 25 de Abril , dia em que a RTP 2 dedicou toda a sua programação ao filme documental português ( como aliás já se tornou hábito).

Esperemos que o SLB não vença uma qualquer taça europeia de berlinde, caso contrário, lá teremos os mesmos fãs a acusar a RTP de desrespeito pela nação benfiquista e por essa nobre modalidade que é o "carolo", engrossando o coro dos que exigem a privatização do canal público. A propósito... houve algum canal privado que tivesse transmitido a prova? Ai não? Então qual é a vantagem de a RTP ser privatizada?

Foi bonita a festa, pá?

Referindo-se ao fim dos tempos do crédito fácil e barato, Santos Ferreira- presidente do Millenium BCP- veio dizer que "Terminou a Festa". Fiquei sem saber se ele se referia à festa dos consumidores que durante quase duas décadas foram aliciados para o endividamento fácil e barato, se ao regabofe dos bancos que, à custa de consumidores incautos, enriqueceram de forma fácil. Creio, porém, que Santos Ferreira se deveria referir aos consumidores que, convidados para a orgia consumista, não se fizeram rogados.

Se esta interpretação estiver correcta, convém lembrar ao presidente do BCP que a festa deveria ter terminado com o alvorecer do século XXI, quando a taxa de endividamento dos consumidores portugueses tinha ultrapassado os 90 por cento. Nessa altura, porém, os bancos em vez de lançarem o alerta para os perigos do endividamento excessivo, convidaram os consumidores a prolongar a festa jogando na roleta dos créditos acumulados que apenas serviu para adiar o problema e ´provocar a insolvência de milhares de famílias portuguesas. Agora, reconfortados com os milhões que o Estado lhes concedeu,usando dinheiro dos contribuintes, os bancos vêm com discursos moralistas, falar de boas práticas. Tá bem abelha!

As cidades dos outros (20)

O Hugo - que tem o melhor blog de viagens que conheço - deu-me a honra de participar no desafio. Na verdade não escolheu uma cidade, mas duvido que haja alguém, neste país, capaz de discordar das suas palavras.
Aviso: Abril chegou ao fim mas, como o desafio ultrapassou todas as minhas expectativas, houve mais inscrições do que dias úteis do mês, pelo que continuarei a publicar em Maio os posts de leitores que aqui chegarem até à meia noite de hoje.
Obrigado a todos pela participação. Vocês são os melhores leitores do mundo!

Sugestão do dia

Pshhht...ó menina!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Democracia do caraças

Aquela malta que anda tão enxofrada com a iniciativa de três juristas que se propõem distribuir preservativos ao Papa, a ponto de lhes chamar arruaceiros e pedir a sua prisão não são por acaso os mesmos que se indignaram com a reacção dos muçulmanos à publicação das caricaturas sobre Maomé, e criticaram a sua intolerância?
E entre esses indignados, não estarão também uns patuscos que convocaram uma manifestação em defesa da liberdade de expressão? Por acaso até me parece que estão. Estes democratas são uns gajos do caraças!
( Via Jugular)

Eu só queria entender...

Na Praça do Saldanha, onde é preciso pagar à EMEL para estacionar, andam moedinhas a pedir dinheiro e a incentivar quem por lá aparece a não pagar o parquímetro. O negócio é rentável. Há quem lhes pague uma "mensalidade" para evitar o pagamento dos parquímetros. Deixam-lhes a chave da viatura e, quando aparece um fiscal da EMEL, eles encarregam-se de meter uma moedinha, evitando assim a multa.

Um destes dias, uma frequentadora diária deste espaço dizia-me, orgulhosa da sua esperteza, que assim o parqueamento lhe sai muito mais barato.

Eu gostava de perceber a mentalidade de gente que age assim. É que a pessoa que me contou esta história é uma crítica feroz da classe política que frequentemente apelida de "cambada de gatunos e corruptos". No próximo Natal vou-lhe oferecer um espelho.

Façam um esforço e acordem!


Eu sei que as fofocas, a má língua, as crises financeiras, as comissões de (falta de) ética ou de inquérito, as palavras proferidas por um político em "off", a divulgação de escutas telefónicas e todas as calhandrices que possam denegrir a classe política interessam mais à blogosfera do que um desastre ecológico de proporções gigantescas, provocado pela explosão de uma plataforma petrolífera. No entanto, não resisto a lembrar que este desastre , para além de ter um impacto ecológicode consequências imprevisíveis na biodiversidade, pondo em risco milhares de espécies, se reflectirá, mais tarde ou mais cedo na economia mundial e no mercado financeiro ( o que não deixará de afectar os bolsos de todos nós, incluindo alguns jornalistas) pelo que talvez valesse a pena a comunicação social prestar um pouco mais de atenção a esta notícia que, na generalidade da imprensa se reduz a uma menção de pé de página.

Cidades da minha vida (19)

Cape Town
Na verdade, não tenho nenhum episódio interessante para vos contar sobre Cape Town. Apenas o deslumbramento que senti quando lá cheguei justifica que a escolha para esta série que está a chegar ao fim e onde ficam por referenciar muitas cidades onde vivi momentos alegres ou tristes, que guardo na memória e fazem parte da minha vida.
Não podia deixar de referenciar Cape Town por ser o exemplo de uma daquelas cidades que apenas nos marca pela sua beleza. Aconteceu-me o mesmo com muitas outras, mas escolhi esta cidade sul-africana, por estar ligada aos Descobrimentos e, para mim, viajar ser uma constante descoberta. Dos outros, mas também de mim próprio.

O melhor Portugal de sempre?

Há por aí muita gente que continua a incensar Scolari e a dizer mal de Carlos Queiroz. Não vou voltar a lembrar que com Queiroz os miúdos portugueses ( sub-21)foram duas vezes campeões do mundo e que com Scolari Portugal não só não ganhou nada, como se deu ao luxo de perder a final de um Campeonato da Europa, realizado em Portugal, frente à...Grécia!
Não resisto, porém, a relembrar que quando Scolari chegou à selecção nacional Portugal ocupava o 7º lugar do ranking mundial e, quando ele foi embora, deixou-nos em 12º!
Não sei como são elaborados os rankings da FIFA, mas a verdade é que apesar dos maus resultados, Portugal aparece agora num inédito 3º lugar, atrás de Brasil e Espanha.Com Carlos Queiroz à frente da nossa selecção, claro.

As cidades dos outros (19)

O Carlos escreve sobre uma cidade que eu adorava conhecer. Creio que muitos dos leitores do Rochedo também partilharão esse desejo.

Sugestão do dia

Floresta do Sul

quarta-feira, 28 de abril de 2010

10 medidas de combate à crise

Sócrates e Passos Coelho chegaram hoje a um acordo para combater a crise provocada pela acção especulativa dos mercados financeiros, que contempla cortes em prestações sociais como o subsídio de desemprego e as pensões. Já há por aí quem fale em cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, agravamento das condições de reforma e congelamento do 13º mês.
Também tenho umas propostas a fazer, que aliviam os cofres do Estado, cortando apenas nos privilégios dos mais favorecidos:
1- Reduzir o número de deputados a metade e acabar com as suas mordomias sumptuárias.
2- Reduzir os gastos dos gabinetes, cortando 25% no número de assessores, secretárias, consultores, etc.
3- Acabar com as boleias, em carros do Estado, às esposas e restantes familiares. As criancinhas podem ir para a escola de transportes públicos e quando for necessário levar o cão ou o gato ao veterinário, podem ir de táxi.
4- Fiscalizar os consultórios de médicos , advogados e outras profissões liberais.
5- Controlar de forma mais eficiente as fugas ao IVA e a facturação das empresas.
6- Obrigar os bancos a pagar tributação idêntica à das restantes empresas.
7- Taxar a 70% os prémios de gestores.
8- Taxar a 45% as despesas com jantares, festas, férias e similares, apresentadas pelas empresas.
9- Acabar com o forró da compra de carros e outros bens imobiliários, em nome das empresas, quando toda a gente sabe que servem, na maioria das vezes, para outros fins.
10- Reduzir o outsourcing na Administração Pública.
Convido os leitores do CR a acrescentar mais propostas a esta lista.

A coisa está a ficar preta...


A única coisa boa que aconteceu a Portugal, nos últimos dois anos, foi o desaparecimento de MFL da cena política. A eleição de Pedro Passos Coelho permite o entendimento entre Sócrates e o novo líder do PSD, essencial neste momento de crise que os movimentos especulativos internacionais agravaram.
Para o futuro dos portugueses que vivem da labuta diária, no entanto, a grande preocupação reside na facilidade de entendimento entre os líderes dos dois maiores partidos portugueses. Quando um diz mata, o outro grita esfola , sendo que o alvo de ambos é a penalização de quem trabalha.
O resultado da primeira reunião entre os dois foi sintomático: a antecipação das medidas do PEC propostas por PPC e de imediato aceites por Sócrates, têm a ver com as prestações sociais. Agravamento da carga fiscal sobre os prémios dos gestores públicos ou taxação das mais valias bolsistas,são coisas em que nenhum deles quer ouvir falar, porque , provavelmente não acalmam os mercados. Os vampiros que infestam o sistema financeiro só se satisfazem com o sangue de quem trabalha.
Não custa nada perceber que os ataques especulativos dos mercados, materializados pelas agências de "rating", só terminarão quando o governo fizer exactamente o que eles exigem: degradação da qualidade de vida dos trabalhadores e mais apoios para a alta finança.
Já em 1992 eu anunciava, nas páginas da "Tribuna" de Macau, o meu temor sobre as consequências de uma globalização assente na defesa dos interesses dos mercados e não das pessoas. Não faltou quem me chamasse catastrofista ou "esquerdalho", mas a prova de que tinha razão está aí aos olhos de todos.
Não sei até quando o governo - agora com o apoio do PSD que em próximas eleições irá cobrar este entendimento, apresentando-se ao eleitorado como o Salvador da Pátria- conseguirá esticar a corda, sem que os trabalhadores reajam de forma violenta. Infelizmente, a estratégia dos governos de Sócrates tem sido mesmo essa. Ir esticando a corda, testando a paciência dos trabalhadores e dando uma mãozinha aos senhores da alta finança, enchendo-os de mordomias. Um dia a corda vai partir, só não é possível saber quando. Espero não estar por cá quando isso acontecer, porque já foi para mim suficientemente penoso ter assistido ao “Corralito” na Argentina, no início deste século.
Não imaginam o que senti ao ver o desespero das pessoas que, depois de terem festejado efusivamente o fim da ditadura e o regresso da Democracia, perceberam que tinham caído no logro da dupla de vigaristas Menem /Caballo, que os levou à ruína. A reacção foi violenta, como alguns leitores estarão lembrados.
A coisa aqui em Portugal está preta, como diria o Chico, mas a última coisa que desejaria era assistir a um remake do que se passou na Argentina e de que vos sugiro a leitura deste breve retrato . Será possível?

Assim nasce um boato



No metro, duas senhoras sentadas à minha frente discutem uma notícia de jornal
-Já viste esta pouca vergonha?
-Este país está cada vez pior.
- E é para isto que a gente lhes paga. Ao menos podiam saber comportar-se.
-Olha, eu já deixei de votar há muito tempo. Pelo menos ninguém me culpa de os pôr lá.
- Pois, são todos iguais. Ouvi ontem na rádio que foi por causa das greves. Os comunas é que provocaram tudo, como sempre.
-Ó mulher, aqueles do padreca armam-se em sonsos, mas ainda são piores…
- Quem? Os do Bloco, ou lá como lhe chamam?
-Sei lá como se chamam! São os daquele padreca de óculos, ‘tás a ver?
Logo que comecei a ouvir a conversa percebi qual a notícia que estavam a comentar. É que de manhã, quando a minha empregada chegou e lhe perguntei como estava, respondeu-me:
-Eu estou bom o nosso Portugal é que está cada vez pior
-Então porquê?
-Andaram todos à pancada no Parlamento.Já viu que vergonha?
- Onde é que você ouviu isso?
-Está aqui no jornal, ora veja lá…
Tirou da carteira o Global Notícias e estendeu-mo, ufana, por me estar a dar uma grande notícia em primeira mão.Nem precisei de ler a legenda, que identificava a foto com o Parlamento ucraniano. Bastou-me olhar para a foto da primeira página, para perceber que não podia ser cá.
- Ó mulher, mas isto não é cá?
-Não é cá? Então o Parlamento não é cá?
-Você não leu o que está escrito por baixo da fotografia?
-Não. Só li “Pancadaria no Parlamento” que é o que vem escrito na fotografia e pensei que fosse cá.
-Ó senhora mas há parlamentos em todo o mundo!
-Mas este jornal é português e se fala de Parlamento devia ser o nosso, não é?
-Valha-me Santa Engrácia. Então você vê uma fotografia , não lê o que está escrito por baixo e começa por aí a dizer que o nosso país está uma vergonha? É assim que se lançam boatos, já viu?
- Eu, não!!!! Olhe que as minhas colegas na camioneta hoje vinham todas a falar da mesma coisa e a dizer que "o nosso Portugal" está uma vergonha.
-Porquê? Porque os deputados andaram à pancada no Parlamento?
-Pois… Eu acho que foi por causa disso.
Suspirei fundo e comecei a tomar o pequeno almoço. Podia responsabilizar o analfabetismo dos portugueses pela boataria e pela crise, mas seria injusto. Não só a Dona Manuela - que tem curso superior- se fartou de lançar boatos, quando era líder do PSD, como também as agências de “rating” fazem a mesma coisa, lançando ataques especulativos contra Portugal.
Assim, penso que é mais justo culpar os economistas e o sector financeiro pela desgraça em que estamos a mergulhar. São eles os verdadeiros culpados pelos dias negros que se avizinham para todos nós. Espero é que tudo não passe de um boato...

Cidades da minha vida (18)

Como a maioria dos leitores já terá reparado, sou um bocado anarca. Ou, como diria o Jorge Coelho, referindo-se aos independentes que militavam à época no Partido Socialista, sou imprevisível. Por outras palavras, tomo decisões que são irracionais aos olhos dos outros, mas para mim são a escolha acertada. É assim que decido as minhas férias e não me tenho dado nada mal.
Raras foram as vezes em que planeei férias com mais de duas semanas de antecedência. Não se espantem, por isso, se vos disser que a minha decisão de entrar o ano de 2002 na Sardenha foi tomada a 23 de Dezembro. A primeira escolha tinha sido Dubrovnik, mas a dificuldade em arranjar voos até lá e as memórias ainda frescas das guerras que durante quase uma década assolaram a região balcânica fizeram-me mudar de ideias. No fundo, tive medo de ver em ruínas uma cidade que me galvanizara quando vivera na ex-Jugoslávia, pelo que adiei o regresso a Dubrovnik por dois anos e apontei à Sardenha.
Ir à Sardenha em pleno Inverno não é a escolha mais sensata e perder três dias em Cagliari uma perfeita estupidez, porque é das cidades mais feias e porcas que vi em dias da minha vida. O problema é que fui para a Sardenha “às escuras”, sem previamente me documentar sobre a ilha e achei que o mais sensato seria reservar hotel em Cagliari para a véspera e dia de Ano Novo.
Cheguei num dia 27 de Dezembro tenebrosamente cinzento, mas sem chuva. Ao fim de duas ou três horas estava farto e decidi iniciar, logo no dia seguinte, a volta de reconhecimento à ilha.
Às oito da manhã já eu estava na Avis a alugar um carro e, abençoado por um sol límpido que se manteria até ao dia do regresso, comecei o meu périplo sardo. Paisagens bonitas, praias de areais extensos a prometer verões para mais tarde recordar, mas dias curtos que obrigavam a encurtar as paragens mais do que o desejado.
Em três dias tinha percorrido a ilha quase toda e preparava o regresso a Cagliari, no dia 31, para passar a noite de fim de ano, descendo pela costa Oeste. De tudo o que até então vira nada me deixou de “água na boca”. Nem a badaladíssima Costa Esmeralda, com luxuosos “aldeamentos” turísticos de gosto mais ou menos duvidoso onde coabitam vedetas do espectáculo e jogadores de futebol ( Luís Figo incluído) me deixou roído de inveja.
É certo que a Sardenha tem praias belíssimas, cabos escarpados de grande imponência, e baías largas abrigando extensos areais mas em pleno Inverno, com tudo fechado e deserto, senti-me personagem de um filme de ficção, desempenhando o papel de único sobrevivente de uma qualquer catástrofe. Apenas o sol me transmitia algum alento e, por diversas vezes, dei por mim a lamentar a opção de celebrar a entrada no Euro - a mirífica moeda que nos havia de salvar a todos da bancarrota, transformando a abóbora tuga num coche de cristal puxado por cavalos brancos “puros sangue”- naquela paradisíaca ilha italiana.

(A História está sempre a dar provas de que os contos de fadas são muitas vezes traiçoeiros e quase sempre ilusórios. O coche de cristal tuga está transformado numa carcaça velha que a qualquer momento pode ser abatida por um qualquer sucateiro cotado nas bolsas de Tóquio ou Nova Iorque e dos “puro sangue” nem sinais. Quanto aos passageiros tugas, depois de viverem durante algum tempo a ilusão do fausto, estão agora a desfazer-se ao longo do caminho das jóias com que a sociedade da hiperescolha os embelezou, a troco de promessas de endividamento fácil e barato.
Mas que é que isto tem a ver com Alghero e a Sardenha? perguntará, com carradas de razão, qualquer leitor já cansado de tanta prosa inútil.Reconheço , humildemente, que rigorosamente nada… mas eu não avisei logo de início que sou imprevisível? Retomemos então o fio à meada…)
Abandonei a Costa Esmeralda e iniciei a descida para Cagliari pela costa Oeste. Ao longo da viagem a Sardenha parecia ter começado a ganhar vida, dando a sensação de toda a população se ter concentrado naquela zona da ilha. Já começava a anoitecer quando chego a uma cidade a fervilhar. Nas suas ruas profusamente decoradas e iluminadas, as pessoas acotovelavam-se numa azáfama que ainda não tinha visto na Sardenha. As esplanadas regurgitavam de gente encasacada e de turistas do Norte da Europa, a quem os 15 graus despertavam o apetite da cerveja de lúpulo ( preciosidade local) e convidavam a despojar-se da roupa.
Alghero fez-me sentir como se tivesse acabado de chegar a um oásis. Passeei-me pelas suas ruas estreitas dos tempos medievais, onde ainda são visíveis alguns traços da ocupação catalã durante a Idade Média. Vagueei pelo porto, beberiquei mirtos, limoncellos e vernaccias e, seguindo a máxima “se conduzir não beba”, deixei-me ficar por lá até ao dia seguinte.


Quando acordei percebi que as liras já não serviam para nada e os escudos ainda menos, fiz fila para levantar os primeiros euros numa caixa multibanco e de seguida pensei em dar um mergulho naquela água de cores convidativas mas, como animal de climas quentes, afastei a ideia logo que pisei a areia e senti uma leve brisa marítima anavalhar-me o nariz.
Almocei numa esplanada gozando um sol tímido. Comi o queijo local com pane carasau. Apesar de estaladiço, pareceu – me seco mas, perante a minha reclamação, o proprietário respondeu, indignado, que aquele era o melhor pão do mundo e que podia ser comido até um ano depois de ser confeccionado. Pensei que fosse “tanga de italiano”, mas a consulta do guia que comprara em Cagliari confirmou que era mesmo verdade.
Esfomeado, atirei-me ao churrasco variado servido em buffet, cuja principal estrela era um leitão que – não tenho quaisquer dúvidas - devia ter enviuvado umas três vezes antes de ser atirado para uma grelha, como petisco para turistas incautos.
Nesse dia 1 de Janeiro de 2002, em Alghero, nasci como cidadão europeu de pleno direito. Fiquei desobrigado de complexas operações cambiais onde o escudo era sempre a parte mais fraca, servindo de idiota e bombo de festa nos bacanais dos mercados financeiros. Finalmente passava a integrar o clube dos ricos, pagava em euros como qualquer espanhol ou grego, companheiros de infortúnio habituados a viver na cauda da Europa e mandava as liras às urtigas, escarnecendo desses ricaços italianos que certamente por engano, ou graças a uma forte cunha, faziam parte desse clube de ricos que à época se chamava G-8, mas a inflação e os mercados financeiros obrigaram a rebaptizar de G-20, incluindo maltrapilhos como a China.Que interessa agora se tomei uma decisão precipitada ao escolher a Sardenha? O importante foi que naquele dia pude , pela primeira vez na minha vida, dizer a um italiano, com o peito inchado e a transbordar de orgulho “o meu dinheiro é igual ao teu. Toma e embrulha!"



Olha que dois!




Manuela Ferreira Leite passou seis meses a chamar mentiroso a José Sócrates. Nunca apresentou uma prova, mas repetiu a acusação até à exaustão. Esperava que na Comissão de Inquérito da AR a ex-líder do PSD explicasse, finalmente,com um caso concreto, quais os fundamentos das suas acusações.Ao fim de hora e meia de interrogatório, o país ficou a saber que as provas de MFL assentam na “experiência com crianças” e no seu raciocínio.
Seria hilariante, não se desse o caso de MFL ter sido durante quase dois anos líder do principal partido da oposição e candidata a chefe de governo.Não sei qual a experiência que MFL terá com crianças, mas quanto ao seu raciocínio deve andar pelas ruas da amargura.
Entretanto, Cavaco Silva, no seu discurso do 25 de Abril “aconselhou” o governo a investir na cultura. Quem não se lembra do forte investimento de Cavaco Silva nesta área, quando era primeiro-ministro, com a nomeação de dois vultos da cultura portuguesa, como Santana Lopes e Sousa Lara?
Estas atoardas do par que sonhou dirigir os destinos do país serão efeito do calor, ou da eleição de Passos Coelho?

Não é novidade, mas...

Não é propriamente uma novidade, mas é preocupante. Principalmente porque isso se passa não só a nível de colaboradores, mas também de jornalistas que ocupam lugares de responsabilidade.

As cidades dos outros (18)

A ematejoca conta um episódio interessantísssimo sobre uma cidade europeia. Ao contrário dela, esta também é uma das cidades da minha vida e não esqueço o deslumbramento que senti quando lá cheguei pela primeira vez, de barco, num esplendoroso pôr do sol que parecia incendiar a cidade.

Sugestão do dia

Der Terrorist Vão até lá sem receio, porque as únicas bombas que por lá aparecem são de bom humor.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Venham mais greves de transportes!


Deixem-me ser um bocadinho egoísta. Só um bocadinho, prometo. Quero mais greves de transportes públicos, mas não parem o Metro, por favor!
Graças à greve dos transportes e a ser um devoto frequentador do Metro, hoje o dia correu-me muito bem. Andava há uns tempos a adiar a ida a alguns serviços públicos, para tratar de assuntos pessoais, mas quando soube que hoje os transportes estariam em greve, pensei que seria o dia certo. Não me enganei. Numa manhã, resolvi os problemas todos e ainda me sobrou tempo. Num dia normal – sei por experiência própria – perderia uma manhã inteira só num desses serviços. Hoje, em menos de 20 minutos, tratei do que precisava. Talvez houvesse menos funcionários a atender do que é habitual, mas também não havia utentes e, assim que lá cheguei, fui logo atendido.
Neste meu périplo pelos serviços públicos constatei uma vez mais que, na generalidade, o pessoal de “front desk” do sexo masculino é mais simpático, calmo e eficiente do que o feminino. No entanto, há excepções. E uma delas encontrei-a onde menos esperava: no Ministério da Defesa. Em vez de um tipo forte e espadaúdo, parco nas palavras, quiçá um pouco lerdo, deparei com uma jovem militar que, benza-a Deus, era um verdadeiro colosso de beleza, boas maneiras e eficiência.
Se, quando cumpri o serviço militar, tivesse encontrado uma camarada de armas com aquela competência, teria jurado fidelidade eterna ao camuflado. Aquela praça é um autêntico míssil apontado aos corações masculinos. Espero que não seja destruída por nenhum anti-míssil ou arma nuclear...
Amanhã, vou ver se me aceitam de novo no serviço militar, mas só me alisto se me prometerem que vou trabalhar ao lado daquela praça.
Esta noite vou sonhar com guerras de secretaria…

Objecção de consciência e casamento


A objecção de consciência é um direito fundamental dos cidadãos, constitucionalmente consagrado, que substitui o serviço militar pelo cumprimento de um serviço cívico, quando forem invocadas razões de ordem religiosa, moral, humanística ou filosófica.
Por razões profissionais, estive em contacto com muitos objectores de consciência que, na sua esmagadora maioria, invocavam o facto de serem Testemunhas de Jeová, para obterem o estatuto de objectores. Foi então que percebi a grande implantação daquela crença na sociedade portuguesa, especialmente nas camadas mais jovens, em idade de cumprir o serviço militar…
Em 2007, a Lei da interrupção voluntária da gravidez alargou o âmbito da objecção de consciência aos médicos e restantes técnicos de saúde.
Agora, com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, alguns Conservadores querem saber se podem invocar a objecção de consciência para recusar o casamento entre homossexuais. Tal estatuto dependerá do que a lei vier a definir mas, se consagrar o direito dos Conservadores à objecção de consciência, ocorre-me perguntar se o próximo passo de alguns Conservadores será, por exemplo, a recusa em casar pretos. Ou imigrantes, sei lá…
Ironias à parte, penso que vale a pena reflectir bastante antes de alargar a objecção de consciência aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. É um assunto demasiado sério, que aconselha alguma prudência, caso contrário poderemos vir a assistir a situações bizarras como as que referi.
Os Conservadores têm o dever de obediência e- apesar das notícias veiculadas por alguma imprensa- não me parece razoável que pretendam obter o estatuto de objectores de consciência, que lhes permita recusar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se esse estatuto lhes for concedido, colocará situações de difícil compreensão. A singularidade do estatuto de objector de consciência não pode ser banalizada, sob o risco de criar conflitos na sociedade portuguesa, cada vez menos tolerante.
Fiquemo-nos pelo vínculo público que obriga os funcionários ao cumprimento da Lei e imaginemos a situação de um funcionário que, depois de se converter ao islamismo, alegue a objecção de consciência e recuse trabalhar à sexta –feira, ou exija pausa para fazer as suas orações diárias. Em que medida é que esse direito lhe pode ser recusado, à luz de uma alargada aplicação do estatuto de objector? Qual a razão que pode ser invocada para legitimar a aplicação do estatuto de objector de consciência a um Conservador que não quer celebrar casamentos entre homossexuais e recusar esse estatuto a um muçulmano, se em Portugal a Constituição consagra a liberdade religiosa? Já imaginaram onde poderia levar este tipo de raciocínio? O melhor é ficar por aqui…

Estavas linda Inês posta em sossego...


O Parlamento vai pagar as viagens semanais de Inês Medeiros entre Paris e Lisboa, bem como ajudas de custo diárias.O assunto já fez correr muita tinta. Os indignados do costume acusaram Inês Medeiros de forma serôdia, como se a deputada estivesse a cometer algum crime, exigindo o pagamento a que, legitimamente, julga ter direito. Obviamente que ela não teria aceite o cargo se, quando a convidaram, lhe tivessem dito que teria de pagar as despesas de deslocação semanais do seu próprio bolso.
Este caso, no entanto, ilustra bem a forma como os partidos ( não apenas o PS, como alguns nos querem fazer crer) se preocupam com as finanças públicas. Inês Medeiros irá custar um balúrdio aos contribuintes e teria sido uma atitude de bom senso poupar-nos a mais este encargo. Não sei se Inês Medeiros é uma boa deputada que justifique o esforço, mas penso que se fez justiça com esta decisão de Jaime Gama, assente em pareceres jurídicos por ele solicitados. De qualquer modo, o presidente da AR fez questão em deixar claro que esta decisão resulta de uma lacuna da Lei.
Urge, então, modificar a legislação, para evitar que casos destes se repitam, porque em nada contribuem para dignificar a AR. Para caixeiros-viajantes já nos chegam os exemplos dos deputados europeus que passam mais tempo em Portugal do que em Estrasburgo. Ou será que o caso de Paulo Rangel – ausente do Parlamento Europeu durante todo o período de campanha do PSD – ou de Nuno Melo, que todas as quintas-feiras vem a Lisboa para participar num debate na RTP 1, não são já exemplos suficientes de dinheiro mal gasto? E não me venham com o argumento de que essas despesas são suportadas por Bruxelas, porque somos cidadãos europeus e , como tal, também somos nós a suportar estas mordomias.

Cidades da minha vida (17)

Maputo

Tinha apenas oito anos quando me apaixonei por Lourenço Marques. A culpa foi do meu cunhado que, tendo lá vivido durante alguns anos, nos mostrava a cidade em inúmeros filmes Super 8 a preto e branco. Não sei porquê, mas percebi de imediato que aquilo era um mundo totalmente diferente da cidade do Porto onde vivia. Cada vez que o meu cunhado ia com a minha irmã ao Porto ficava deliciado a ouvi-lo contar episódios das suas peripécias em Lourenço Marques e a minha imaginação voava até lá.
Nunca conheci Lourenço Marques. Em 1969 estive quase a ir lá mas, por razões que já aqui contei, a viagem não se concretizou. Foi já nos anos 80 que o trabalho me levou a Maputo. Uma cidade provavelmente muito diferente da Lourenço Marques com que sonhava em miúdo, mas mesmo assim uma cidade que me encantou e onde voltaria em 2000, numa escala entre Durban e Lisboa.
Tenho imensa vontade de lá voltar como turista mas, por razões que agora não interessam, creio que Maputo ficará na história da minha vida, como a cidade encantada que nunca cheguei a conhecer como queria.

As cidades dos outros (17)

A Fê Blue Bird escolheu uma cidade alentejana onde eu também já fui muito feliz.

Sugestão do dia

Visitar o Deserto do Mundo. Depois de uma breve ausência, voltamos a poder desfrutar deste belíssimo oásis.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A insensibilidade liberal

É quando leio notícias como esta que percebo ainda melhor a insensibilidade da direita liberal para a questão dos desempregados.
Não nego que haja pessoas que preferem viver com o subsídio de desemprego, a ter de trabalhar, mas isso não invalida que a ideia de obrigar os desempregados a "trabalhar para a comunidade" seja um rotundo disparate. Não é com demagogia, ou fazendo como a avestruz ,que se resolvem os problemas do desemprego. E muito menos fomentando os salários de miséria.

Cidades da minha vida (16)

USHUAIA
Apreciador de paraísos distantes, cedendo com facilidade aos prazeres de uma vida nómada que me arranque do turbilhão da urbe, “perdi-me” durante meses a explorar a Patagónia e foi com dificuldade que resisti ao apelo de por ali ficar “perdido para sempre”.
A Terra do Fogo foi a escala que escolhi para ponto de partida e não consigo descrever a emoção quando o pequeno avião aterrou em Ushuaia, a “Terra do Fim do Mundo”, colónia prisional para onde eram enviados presos políticos e perigosos bandidos, presos sem grades, porque dali ninguém pode fugir.
Eram quase vinte e três horas (ia a escrever onze da noite!) e um sol pálido espreitando de um céu esplendorosamente azul, esforçava-se por atenuar a temperatura gélida que se fazia sentir, apesar de estarmos em Fevereiro, pleno Verão argentino. À memória vieram-me as crónicas de Fernão de Magalhães quando atravessou o estreito que ainda hoje tem o seu nome e separa a Terra do Fogo do Continente. Nelas expressava o medo dos navegadores em demandar aquelas paragens , “habitadas por caçadores nómadas e salteadores” que descrevia como “criaturas quase repelentes”, opinião que seria secundada por Charles Darwin ao descrever os indígenas como “as criaturas mais abjectas que já vi”.
Confesso que de abjecto, na Terra do Fogo, apenas vi projectos de atentados ecológicos perpetrados por seres pretensamente evoluídos,ligados à indústria farmacêutica e petrolífera, que em nome do progresso ameaçam destruir em poucos anos imensas extensões de líquenes que demoraram milhares de anos a crescer.
Apesar da numerosa população de esquilos, não é a saga destruidora destes roedores que ameaça a Terra do Fogo, mas sim a cobiça das indústrias (especialmente a farmacêutica) e a incúria dos turistas que começavam, embora ainda em reduzido número, a procurar aquelas paragens, onde se desfrutam paisagens de rara beleza e de onde se pode demandar Cape Horn e a Antártida.
Quase senti necessidade de pedir desculpa de pisar terra tão imaculada e foi com um misto de pena e satisfação que, chegado a Cape Horn, decidi desistir da minha viagem até à Antártida, em nome do pudor, pois ao saber as condições em que a visita ia decorrer, achei por bem não engrossar o grupo de turistas(maioritariamente italianos e asiáticos) que aí se deslocavam como autênticos predadores.
Senti -me rapidamente recompensado quando, deixada para trás Ushuaia e a Terra do Fogo, com a beleza do seu Parque Natural e do Lago Fagnano, “desaguei” em pleno Parque Nacional de Los Glaciares, em cujo epicentro se ergue, majestática, essa maravilha do mundo que é o Perito Moreno, glaciar de enormes dimensões e beleza,capaz de provocar cortes de respiração.

Gente gira...

Há gente gira girando por aí . Mas há outra gente…
Há gente que se julga importante não pelo que é, ou pelo que faz, mas pelo cargo ocupado por um dos seus familiares. Gente que dorme descansada depois da sacanice da véspera. Gente capaz de ofender, desrespeitar e humilhar outra gente, porque sente a protecção de quem o guindou ao patamar da impunidade.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente capaz e vender a alma ao diabo, por meia dúzia de patacos e um lugarzito de chefia.Gente capaz de acusar pessoas sem lhe dar oportunidade de se defender e depois aliviar a consciência correndo para a Igreja a rezar 3 Avé Marias.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que teima em dizer que só quer ver os outros felizes, mas pratica a sacanice diária, protegendo-se atrás da imagem pública que conseguiu criar.Gente incapaz de respeitar quem ouse fazer-lhe frente e denuncie a sua hipocrisia.Gente que usa amigos como arma de defesa ou trampolim para subir na vida e depois os ignora.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que cultiva uma imagem de imparcialidade, esconde as suas opções políticas, mas vai fazendo fretes a um qualquer líder que lhe prometa uma recompensa.Gente que traiu quem nela confiou, mas não tem vergonha de se ver ao espelho todas as manhãs.Gente que se serve da imagem de credibilidade que criou em saraus de mentira, para acusar pessoas que ponham em causa a sua honestidade.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que esgrime o seu passado impoluto, para justificar actuações vergonhosas no presente, com as quais pretende garantir o seu futuro.Gente que para tudo tem dois pesos e duas medidas. Gente oportunista, que se refugia nos mails e sms porque é incapaz de olhar a outra gente olhos nos olhos e ouvir as verdades duras que a despertam do seu mundo de fantasia.
Há gente gira girando por aí. Mas há outra gente…
Gente que se esqueceu que é gente ou é incapaz de o ser, porque vendeu a alma ao Diabo. Gente que da noite para o dia renega as suas ideologias, em troca de uma migalha de poder.Gente sem vida própria que se comporta como majorette de quem lhe der alguma visibilidade na vida.
Há gente gira girando por aí. Mas Portugal seria bem melhor se o 25 de Abril tivesse acabado com outra gente…

Cuidado com os abutres de 26 de Abril!

Ontem à noite a RTP1 transmitiu - em colaboração com a Associação 25 de Abril-um espectáculo alusivo ao 25 de Abril e ao centenário da República, onde o elo condutor foi a mulher. Ao longo de duas horas e meia, Sílvia Alberto e Júlio Isidro recordaram algumas mulheres que lutaram contra a discriminação ao longo deste século, conjugando episódios dessa luta com canções interpretadas por vozes ligadas a Abril.
Enquanto via o programa lembrei-me frequentes vezes que a sua realização só foi possível, porque ainda há serviço público de televisão. Como muitos já sabem, sou acérrimo defensor da televisão pública, como garante da nossa memória enquanto povo. Quando só houver televisão privada, não teremos a possibilidade de ver programas deste género que, independentemente das críticas de que possa ser alvo, foi um momento simultaneamente lúdico e educativo que contribuiu para preservar a nossa memória e lembrar a forma como evoluiram os direitos da mulher no último século.
Ontem, os canais privados remeteram o 25 de Abril a uma nota de rodapé nos serviços informativos. Uma vergonha! Mas também um susto…
Quando me lembro que o próximo PM de Portugal pode muito bem ser Pedro Passos Coelho, defensor da privatização da RTP e de tudo quanto é público, arrepio-me. O argumento de que quem quiser recordar estes episódios pode sempre ir à Internet (que já vi defendido por jornalistas apoiantes de Passos Coelho) é tão pífio como as mentes que o esgrimem.
Eu sei que a RTP é muito apetecível para os operadores privados – principalmente agora, que as audiências têm subido e, com frequência, ocupa primeiro lugar diário nos shares. Mas, por favor, tenham respeito por quem paga impostos e não quer ver as televisões entregues a interesses corporativos e empresariais de abutres sem escrúpulos, cujo único objectivo é o lucro ganancioso. Para destruir a informação e descredibilizar o jornalismo, já chega alguma imprensa que por aí temos, onde os princípios deontológicos e o dever de informar são mandados às malvas em nome de interesse empresariais, apresentados aos leitores em embrulhos demagógicos de interesse público.
Adenda: a privatização da RTP coloca também a questão de saber qual o destino dos riquíssimos arquivos da estação pública. Será legítimo que esses arquivos vão parar a uma epresa privada?
Este é um assunto demasiado sério, que merece profunda reflexão.Sobre ele me debruçarei oportunamente.

As cidades dos outros (16)

A esta belíssima cidade escolhida pela Zoe, espero ir mais uma vez dentro de poucas semanas. Neste ano é de visita obrigatória

Sugestão do dia

Hoje há Homem ao Mar.

domingo, 25 de abril de 2010

Contradições de Abril

Temos um PR que recusou uma pensão a Salgueiro Maia mas ofereceu-a a dois ex-Pides.
Temos um PM que escarnece dos direitos dos trabalhadores e bajula o grande capital.
Temos um líder da oposição (Pedro Passos Coelho) que, apesar de ser tão liberal, se candidata a um cargo público para poder dar aos senhores do dinheiro aquilo que ainda lhes falta conquistar.
Vivemos num país obnubilado pela conquista de um título de futebol pelo SL Benfica que, a confirmar-se hoje, incentivará alguns jornais a escrever títulos do género:
“Benfica campeão de Abril”.
Vivemos num país tão emocionado com a visita a Portugal de um Papa que protegeu pedófilos, que decreta tolerância de ponto para celebrar a data, mas se indigna quando o governo dá tolerância de ponto no dia 24 de Dezembro.
Vivemos num país onde emerge uma nova geração de fadistas, restituindo ao Fado a sua insígnia de canção nacional.
Continuamos a viver sob o signo do 3 Efes.
Mesmo assim, valeu a pena ter havido o 25 de Abril. Por isso continuo a celebrá-lo com o mesmo sentimento de sempre.
Não quero outro 25 de Abril... apenas peço que me devolvam o 25 de Abril que me roubaram!

O 25 de Abril da Martinha

Eu sei que não apareço por aqui há muito tempo, mas quem me conhece também sabe que sou tímida e escrevo mal e ambas as coisas me impedem de vir cá mais vezes dizer o que me vai na alma, mas neste dia 25 de Abril não podia deixar de vos vir dizer que celebro esse dia com a minha mamã como se fossemos portuguesas.
Se não fosse o 25 de Abril nunca teríamos podido vir viver para Portugal onde apesar de alguns problemas somos felizes vocês sabem que é difícil a duas mulheres chinesas com uma modesta loja na Lapa serem respeitadas neste país, já muitas vezes foram antipáticos connosco e nos mandaram para a nossa terra, acusaram-nos de andar a explorar os chineses e a enganar os portugueses, fomos acusadas de criminosas e prostitutas, chorámos muitas lágrimas à noite agarradas uma à outra, mas esta é a nossa terra desde que o Carlos nos trouxe para cá, não pude recusar o pedido que ele me fez para escrever neste dia aqui no Rochedo.
O que vos quero dizer é que apesar de continuar a enviar currículos para tudo quanto é sítio continuo desempregada com uma licenciatura que não me serve para nada nem me dá o dinheiro para comprar o pão de que preciso para comer se não fosse a loja não sei o que seria de nós.Eu já um dia vos disse que há um provérbo chinês que diz "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
É por isso que continuamos a teimar ficar na Europa e especialmente em Portugal onde, apesar das excepções de que já vos falei, a maioria das pessoas nos trata bem. Desde que para cá viemos aumentou muito o número de imigrantes e nós sentimo-nos aqui muito bem, muito melhor até do que alguns nossos amigos que escolheram outros países europeus mais ricos e civilizados, como a França ou a Alemanha, pelo menos aqui sabemos que ninguém nos vai expulsar. Devo dizer-vos que para nós a crise de que todos falam até tem sido benéfica porque com falta de dinheiro as pessoas vão lá agora comprar mais coisas até estamos a pensar abrir outra loja nos arredores, mas o que eu queria mesmo era poder trabalhar no curso que tanto me custou a tirar mas não me serve para nada, porque só querem chinesas para trabalhos não qualificados. Mesmo assim, quero que saibam que continuo a sentir-me muito bem em Portugal, não quero sair daqui nunca mais e gostei muito de saber hoje um bocadinho mais sobre a história do 25 de Abril, que foi uma coisa muito bonita que vos aconteceu e que eu penso vocês deviam dar mais valor. Desculpem este atrevimento mas vocês sabem que não tenho papas na língua e quem não souber o melhor é ir ler os outros posts que aqui escrevi, basta carregar na etiqueta Intromissões e está lá tudo.
Pronto, fico por aqui, vou fazer os possíveis para voltar mais vezes, mas agora vou-me embora, porque o arroz de lingueirão que vim aqui comer com o Carlos e a minha mamã, depois do desfile, está a arrefecer e eu não posso perder um petisco daqueles.
Beijinhos e até à próxima. A vossa amiga de sempre.
Martinha

Sebastião e o 25 de Abril

Talvez ainda haja muita gente que se comporta de forma pouco civilizada em relação às questões ambientais.
Talvez ainda haja muita gente que duvide das alterações climáticas, ou encolha os ombros face aos avisos dos perigos resultantes da escassez de água.
Talvez ainda haja quem acredite que o homem não tem qualquer responsabilidade na degradação ambiental e que tudo se deve a causas naturais.
Talvez ainda haja quem considere uma bizantinice separar os lixos domésticos, ou poupar os recursos naturais- nomeadamente água e energia.No entanto...
Ninguém pode hoje em dia dizer que não está informado sobre estas questões e a forma de contribuir, individual e colectivamente, para a preservação ambiental.
Ninguém pode dizer que desconhece as desigualdades, a pobreza e a exclusão social.
Ninguém pode dizer “ não sabia”.
Quem persistir em comportamentos anti-cívicos, ou não respeitar o outro, tem de assumir que o faz por decisão própria e não por ignorância.
Só por isso, já valeu a pena o 25 de Abril.

Brites e o 25 de Abril

Se não tivesse havido 25 de Abril eu nunca teria tido a oportunidade de conhecer essa maravilha da literatura e do jornalismo que são as revistas cor de rosa.
No tempo do Estado Novo ninguém sabia nada das pessoas ilustres deste país. Agora sabemos tudo. Mesmo que a maioria das vezes aquilo que se escreve nessa revistas seja mentira, fico muito entusiasmada quando tenho a possibilidade de partilhar a vida dos ilustres portugueses. São fofocas? Quero lá saber! O importante é poder descobrir os segredos dessa gente que vive em mundos de ilusão que nós acreditamos serem reais.
Longa vida às revistas cor de rosa que nos transportam a um mundo de ficção. É que a realidade é muito dura!

Figurões de Abril


O 25 de Abril não acabou com os tiques do Estado Novo. Nem mudou mentalidades. Voltaram a emergir os lambe botas, os bajuladores, os que estão sempre prontos a vender a dignidade por um prato de lentilhas. Este homem é a prova de que o 25 de Abril ficou por cumprir. Os energúmenos não têm emenda.Mais uma estátua para ele. E para todos os lambe botas que têm lugar reservado na festa dos patrões.

Rua da Saudade

Quatro mulheres prestaram homenagem a José Carlos Ary dos Santos, um dos grandes poetas de Abril, nos 25 anos da sua morte. Asim nasceu este belíssimocom Rua da Saudade. Escolhi, para começar o dia, este tema alegre e bem disposto muito apropriado às majorettes que vamos encontrando ao longo da vida.

Recordações de Abril

Há 36 anos estava preso aqui. Depois de umas horas sofridas, encontrei finalmente a Liberdade. Vivi 19 meses a acreditar na Utopia. Num país melhor, mais justo, mais atento aos problemas dos mais desfavorecidos. Sim, acreditei no PREC, na sinceridade das pessoas que nos prometiam um futuro melhor.
O despertar do 25 de Novembro foi, por isso, doloroso. Parti. Não consegui continuar a viver num país inventado e fui procurar a felicidade para outras paragens. Fui feliz em muitos lugares onde encontrei gente com esperança. Gente abnegada e disposta a ajudar os outros.Passaram vinte anos, até regressar a Portugal. Voltei a ter esperança.
Como acontece sempre, faço um balanço neste dia. Mãos vazias. Ou cheias de nada, porque já não acredito nos cravos que algumas mãos teimam em empunhar.É doloroso perder a Esperança, mas assim me sinto diante destes cravos que mão gentil teima em oferecer-me neste dia. A dona dessas mãos ainda não perdeu a Esperança. Invejo-a por isso. Agradeço-lhe com um sorriso, quando ao bater das badaladas da meia noite ela deposita os cravos numa jarra, na vã esperança de que eles voltem a desabrochar viçosos e me devolvam a alegria.
Mostro-lhe os jornais. Um deles, transformado em sacristia para promoção de beatos, oferece “O Grande Livro dos Papas”. Fosga-se! Num país pretensamente laico, um dos jornais mais carismáticos oferece-me o Papa em fascículos? Será que lá vêm descritos os crimes contra a Humanidade perpetrados pela Igreja Católica, que não se cansa de invocar o nome de Deus em vão?
Outro afiança que Cavaco vai vetar “Lei dos casamentos gay” (sic). Porra! Que é que esta fornada de jornalistas de merda aprendeu em escolas superiores de jornalismo? Se não aprenderam a fazer títulos, nem notícias, pelo menos podiam ter aprendido a pensar!
Outros não dizem nada. São folhas mortas de notícias, que vivem à custa da publicidade e opinadores profissionais, cuja credibilidade é, no mínimo, suspeita.
De seguida mostro-lhe um blog onde um conceituado (????) jornalista chama terrorista a Otelo Saraiva de Carvalho, numa demonstração exuberante de ignorância e imbecilidade. Estamos conversados…Pressinto a desilusão naqueles olhos azuis cor de mar em límpido dia de Verão.
Hesito antes de lhe perguntar se o 25 de Abril foi feito para termos Cavaco como presidente, Sócrates primeiro ministro ou Passos Coelho líder da oposição.Ela reage. Aponta-me os exemplos de alguns miseráveis líderes europeus como querendo desculpabilizar a mediocridade dos nossos líderes políticos que copiam aqueles exemplos para defender o grande capital, o regresso às práticas laborais do século XIX, a redução dos trabalhadores a meros instrumentos, que o capital explora para assegurar o seu enriquecimento. Sou obrigado a concordar e, num assomo de clarividência reconheço a dura realidade da mentira global. No entanto...
É verdade que aumentaram as desigualdades, as prestações sociais, a preocupação com o próximo. A corrupção é mais visível e descarada, o dinheiro nunca teve tanto poder como agora, a comunicação social nunca foi tão oca e imbecil, a justiça continua a proteger os ricos e influentes e a desprezar o cidadão comum, mas uma coisa ganhámos: a liberdade de expressão.
Hoje posso exprimir livremente a minha opinião sobre Sócrates, Cavaco ou seja quem for. Não tenho de falar em surdina à mesa dos cafés, com medo de ser escutado por um PIDE que me engavete e submeta a um rigoroso interrogatório, onde a tortura também tinha o seu lugar. Hoje, o único medo que tenho é dizer abertamente aquilo que penso sobre algumas pessoas que me rodeiam, porque se torna cada vez mas difícil descortinar a diferença entre um “amigo” e um filho da puta travestido de democrata.
Se alguns dos patuscos ( jornalistas incluídos) que convocaram manifs em defesa da liberdade de expressão, fizessem a mínima ideia do que foi a Censura, ter-se-iam poupado ao ridículo da indigência moral e intelectual a que se prestaram. Para eles a Liberdade não tem qualquer valor. A única coisa que lhes interessa é um lugar à mesa do poder. Para mim, é a prova de que o 25 de Abril, apesar de tudo, valeu a pena. Obrigado, Salgueiro Maia!


sábado, 24 de abril de 2010

Esta noite a Liberdade

Há 36 anos, por esta hora, os capitães de Abril ultimavam os preparativos para a Revolução que nos restituiu a Liberdade. Estarei eternamente grato a esses homens, especialmente a esse eternamente esquecido capitão Salgueiro Maia. Poderíamos ( e merecíamos) estar melhor e ter melhores governantes, mas também todos tínhamos a obrigação de ser melhores pessoas.

Ao 25 de Abril estão ligadas diversas canções. Sugiro-vos uma visita aos blogs A Carta a Garcia e Abril, Abril, que ao longo deste mês nos têm recordado algumas das mais belas canções daquela época em que tivemos o direito ao sonho e alcançámos a Liberdade.

( volto pouco depois da meia noite, para vos falar do meu 25 de Abril)

Pelo país dos blogs (49)

Celebra hoje o primeiro aniversário o Conversas daqui e dali. Dupla razão para celebrar, porque a data coincide com o regresso do Carlos à blogosfera, depois de um período de convalescença.
Esta semana também a Gi e a Ematejoca celebraram o aniversário dos seus blogs. Parabenizei-as na altura própria, mas hoje,queria partilhar convosco a satisfação de ter na blogosfera a companhia e amizade destas três flores de Abril.
Aviso: A partir das 22 horas , o CR assinala o 36º aniversário do 25 de Abril.

Funcionário exemplar

Joaquim era auxiliar de serviço médico de uma Unidade de Cuidados Intensivos tratava de uma mulher internada em estado de paralisia total.Nove meses depois ela aparece grávida, para espanto de todos.
A Direcção do Hospital reportou o incidente ao Ministério Público.
A PJ começou por interrogar o Joaquim:
- O senhor era o auxiliar de serviço médico da paciente grávida?
- Sim, Senhor...
- E foi o senhor então quem engravidou a moça?!
- Foi sim, senhor, mas só fiz por ordem do Hospital e cumpri rigorosamente o que estava escrito na prancheta da paciente.
- Como? O que é que estava escrito no boletim médico?
Joaquim retirou uma cópia do relatório e leu:
"Mulher, 32 anos, inconsciente, não reage a nenhum estímulo - COMA"

Pérolas sem brilho

Gostava de saber a vossa opinião sobre esta pérola:
"Não te caíram os parentes na lama por andares a trabalhar de concelho em concelho"
( Judite de Sousa na entrevista a Herman José)

Sugestão do dia

Ontem foi Dia Mundial do Livro, por isso, a minha sugestão de hoje vai para Leituras ( do outro lado do Atlântico)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quem se lixa é o...


Num país onde a culpa morre sempre solteira, àsvezes é preciso encontrar uns bodes expiatórios que sirvam de oferenda ao povo faminto de fazer justiça pelas próprias mãos. O que se passou com o inquérito à escola de Mirandela, onde estudava o pequeno Leonardo, supostamente vítima de bullying , que se terá suicidado nas águas do Tua, é bem elucidativo. Quando é preciso desesperadamente encontrar um culpado, acusa-se o elo mais fraco. Neste caso, foi o contínuo a pagar as favas. e servir de mexilhão. Era caso para rir, se não fosse tão revoltante.

Direito ao silêncio


Sendo Rui Pedro Soares arguido no processo TVI, creio ter todo o direito de não prestar declarações na Comissão de Inquérito da AR. Deveria, porém, em minha opinião, ter tido outro procedimento, apresentando a justificação para o seu silêncio na sequência das perguntas que lhe iam sendo formuladas e abstendo-se de fazer aquela declaração prévia.
Recuso-me, pois, a engrossar o coro de vozes das virgens ofendidas que se mostram muito indignadas com o silêncio de Rui Pedro Soares e se apressam a tirar conclusões. Gostaria de ter ouvido essas mesmas vozes indignarem-se quando Oliveira e Costa- principal arguido do caso BPN- apresentou os mesmos argumentos para não falar perante a comissão de inquérito criada para analisar o caso. E gostaria também de perceber a razão que levou os deputados a acatarem o silêncio do patrão do BPN, não lhe fazendo quaisquer perguntas, nem ameaças. Comeram e calaram.
Tenho, porém, as minhas suspeitas e são elas que realmente me preocupam, porque me levam a acreditar que os deputados se curvam perante o capital, mas adoram arranjar casos políticos para se entreterem a brincar aos polícias e ladrões.
Indigna-me, outrossim, a postura de alguns deputados da Nação, nomeadamente João Semedo ( BE) e Pedro Duarte (PSD). O deputado bloquista tinha obrigação de ser mais comedido nas conclusões que tirou do silêncio de RPS e Pedro Duarte devia evitar o ridículo, ao transmitir o desejo do PSD em chamar a depor na comissão o procurador Marques Vidal, titular do processo Face Oculta. Os deputados têm de perceber que uma comissão de inquérito não é um tribunal, os deputados não são juízes nem polícias e que é perigoso misturar justiça com política. Estar a pagar com os meus impostos a gente que não sabe desempenhar as suas funções, desconhece os limites da sua intervenção e baixa a grimpa quando os senhores do capital os afrontam, é uma coisa que me encanita.

Cidades da minha vida (15)

Hong Kong
Se ao regressar a Macau tive uma enorme decepção, muito diferente foi o que senti ao voltar a Hong – Kong. Central District e Kowloon não sofreram grandes mudanças nestes últimos anos e foi-me mais fácil reencontrar locais, do que em Macau.
Ali redescobri as emoções de uma viagem até Stanley, ou o prazer da travessia entre Kowloon e Central, num barco ao fim da tarde. Recuperei os encantos das noites turbulentas de Lan Kwai Fong, a calma de Cheung Chao, o bucolismo exótico de Hong Kong Park . Voltei a sentir aquela sensação estranha de subir a Vitória Peak para contemplar a cidade aos meus pés- como uma oferenda.
Consegui revisitar “ aquela esplanada secreta” em Vitória , “aquele minúsculo jardim” de Admiral, entre edifícios majestáticos, as tendinhas e a loja onde ia comprar máquinas fotográficas e “lap tops” em Wanchai, aquele bar de “karaoke” e o vendedor de “cloisonets” em Causeway Bay.
Pude constatar- sem muita surpresa- que continuam a viver lá muitos ingleses e que os chineses de Hong –Kong estão cada vez mais ocidentalizados- os bares de Lan Kwai Fong demonstram-no à saciedade.
Para muitos, Hong-Kong é uma Nova Iorque asiática, mas o melhor epíteto que já ouvi, foi o de “velha concubina”: feia durante o dia, de uma beleza artificial pela noite, quando as luzes lhe servem de maquilhagem, para disfarçar as rugas.

Talvez como nenhum outro local na China, Hong –Kong é o espelho das sociedades ocidentais. Um dos exemplos mais marcantes é a febre anti-tabágica. Não se pode fumar em edifícios públicos, restaurantes, centros comerciais, nem... na rua! As excepções estão devidamente assinaladas por cinzeiros à volta dos quais se reúnem funcionários “topo de gama” numa escapadela do local de trabalho.
No regresso a HK voltei a sentir o prazer do Oriente fervilhante, a ter a certeza que estava a viver no futuro. Os contrastes que a cidade nos proporciona apenas reforçam essa ideia.
Aviso: Continuo a fazer batota com os posts sobre as cidades da minha vida. Com uma ou outra alteração, fui obrigado a recuperar um post de Novembro de 2007, escrito pouco tempo depois de ter regressado a HK. O Mc Affee continua a impedir-me de publicar os posts previamente escritos para esta rubrica, que guardei noutro computador. Dizem-me os técnicos que lá para segunda ou terça- feira talvez os possa recuperar.


Portugal ao espelho

Toda a gente na blogosfera faz chacota do discurso de Evo Morales sobre a relação entre o consumo de frangos e a homossexualidade, mas só no Jugular vi alguém insurgir-se contra esta indignidade de um Professor da Faculdade de Direito. Os portugueses gostam muito de se rir dos outros, mas incapazes de se ver ao espelho.

As cidades dos outros (15)

O Paulo escolheu uma cidade que devia ser de visita obrigatória para todos os portugueses. Por incrível que pareça, há muitos que a não conhecem e por isso o Paulo acoplou ao post um belo filme que deverá desempedernir os mais cépticos quanto à urgência de a conhecer.

Sugestão do dia

Conhecer uma loira muito especial. É uma Blondewithaphd.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vulcão: notícia de última hora

Especialistas decidiram mandar abrir de imediato os aeroportos de toda a Europa, depois de terem confirmado que a nuvem de pó cinzenta que tem provocado o caos no transporte aéreo não é, afinal, proveniente do vulcão islandês. Trata-se apenas de uma nuvem de pó, provocada pelos cachecóis dos benfiquistas há cinco anos arrumados nas gavetas.

Sebastião e o Dia da Terra

Não me esqueci que hoje é o Dia da Terra e devia ter escrito um post logo pela manhã, mas acontece que o meu computador foi atacado pelo Mc Affee. Não sabem quem é? Então eu explico. É um anti-vírus que ao fazer a actualização, infectou os computadores com um …vírus! Coisas das novas tecnologias. Parece que o problema já está resolvido, mas como agora já não tenho tempo para escrever, remeto-vos, com um pedido de desculpas, para um post que escrevi há quase dois anos, mas que poucos leitores terão lido.

A Viagem do Elefante (2)


Os jornalistas também deram um forte contributo para a associação .que estabeleci entre a viagem presidencial a Praga e o livro de Saramago.
Ana Sá Lopes, por exemplo, terá dito ao entrar para o autocarro, que quando chegassem a Estrasburgo os jornalistas se estariam a odiar uns aos outros. Nas páginas do “Público”, Maria José Oliveira corroborava a opinião, mas contrapnha, afirmando que provavelmente isso aconteceria muito antes. Talvez quando parassem numa estação de serviço para abastecer.
Relatos posteriores, permitiram perceber que a viagem terá sido realmente atribulada, Diálogos do género “ queres parar para fazer xixi? Aguenta que eu estou mas é cheio de fome” terão contribuído para animar os autocarros da comunicação social.
Ao ler as peripécias da viagem, não pude deixar de recordar os tempos em que as redacções eram locais onde se cultivava a camaradagem entre jornalistas, prolongadas noite dentro, até à hora do fecho do jornal, momento que era festejado à volta de um bitoque, ou algo mais… Jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social não eram concorrentes. Eram “camaradas” que se respeitavam confraternizavam e auxiliavam mutuamente.
Não quero dizer que hoje esse espírito tenha desaparecido totalmente mas, como os relatos deste episódio evidenciam, já não são a regra, mas sim a excepção.
Ah, já me esquecia! Parece que o presidente Vaclav Klaus insultou os portugueses ( ou pelo menos escarneceu) perante a passividade comprometida de Cavaco Silva. Mas disto, a comunicação social portuguesa pouco falou. Talvez o efeito da nuvem de cinzas tenha contribuído colapsar a memória de alguns jornalistas ou, então, os tenha levado a inverter as prioridades das notícias.

Cidades da minha vida (14)

Mumbai
O computador onde tenho arquivados os posts sobre esta série pifou, ou está a fazer birra, ( espero que os técnicos descubram) e como o tempo para escrever estes posts escasseia, não tive outro remédio senão apresentar uma solução de recurso.
Bombaim ( actualmente Mumbai) é uma das cidades da minha vida e consta desde o início desta lista, mas não é uma cidade onde tenha sido particularmente feliz.
No entanto, como muito bem escrevia ontem a Turmalina num comentário ao post sobre os 50 anos de Brasília, nem sempre é a beleza de uma cidade que nos marca. Muitas das cidades que conheci também me impressionaram pelos seus aspectos mais negativos e por vezes degradantes.
É o caso de Mumbai, cidade sobre a qual já escrevi vários posts aqui no Rochedo. É para a leitura de dois deles que vos remeto, pois dão uma pálida ideia das emoções que por lá vivi.

A Viagem do Elefante (1)


A erupção daquele vulcão islandês cujo nome nem sequer me atrevo a escrever, tem-me suscitado diversas associações.
Durante o fim de semana, por exemplo, a descrição da viagem de regresso de Cavaco Silva e sua extensa comitiva , desde Praga, trouxe-me à memória um magnífico livro de Saramago: A Viagem do Elefante.
Quem leu o livro e ouviu ( ou leu) a descrição das peripécias da viagem presidencial, não terá deixado, certamente, de estabelecer um paralelismo entre a ficção de Saramago e a realidade que nos foi descrita pelos jornalistas ou relatada na rádio e televisão. Desde a preparação da viagem de regresso- ainda em Praga- onde não faltou uma conferência de imprensa improvisada, à pernoita em Estrasburgo ou ao delicioso pormenor do piquenique na beira da estrada ( que acabou por não se concretizar), passando por outros episódios picarescos envolvendo os diálogos da primeira dama com alguns membros da comitiva, a imaginação de cada um terá certamente levado a estabelecer a comparação. Apenas o pormenor de o trajecto entre Barcelona e Lisboa ter sido feito a bordo de um Falcon e de um C-130 da Força Aérea, terá escapado à imaginação prodigiosa de Saramago.
Parece que também houve um pequeno incidente diplomático, provocado pela arrogância e falta de sentido de Estado do presidente checo, perante a passividade de Aníbal Cavaco Silva. Não era necessário o PR fazeruma declaração de guerra ou responder com a mesma grossrria a Vaclav Klaus mas, que diabo, como português teria gostado de ver Cavaco Silva responder “à letra” e meter o impertinente checo na ordem!

As cidades dos outros (14)

A São escolheu uma cidade fantástica do país vizinho e fez-me sentir saudades.

Sugestão do dia

Sentir este Cheiro a Pólvora

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Conversas com o Papalagui (46)

- Eu sei que tu não gostas dele, tuga, mas Berlusconni é o máximo.
- Então porquê?
- Agora decidiu gozar com a Igreja Católica e foi comungar, nas cerimónias fúnebres de um actor qualquer
- Mas o que é que o impedia de comungar?
- Então não sabes que os divorciados que voltam a casar-se não podem comungar?
- Olha que essa é boa! Os padres pedófilos comungam todos os dias, porque é que o Berlusconni não pode?
- Não achas que foi uma afronta?
- Eu não! Se ele comungou é porque o padre que estava a rezar a missa lhe deu a hóstia
- E que querias que ele fizesse? Que se recusasse a dar a comunhão ao PM italiano? Já viste a bronca ?
- Olha lá e se fosse um cidadão comum a ir comungar e o padre se recusasse a dar-lhe a comunhão? Se a Igreja diz que somos todos iguais perante Deus, não pode infringir as regras só porque quem as viola é um primeiro-ministro.
- Já estou a ver que se estivesses na assistência ainda começavas a cantar “Come a papa, Berlusco, come a papa!”...

O último ditador


Reynaldo Bignone foi o último presidente da miserável ditadura militar argentina, tendo exercido o cargo entre 1976/1983.
Quase 30 anos depois, um tribunal de Buenos Aires condenou Bignone ( actualmente com 82 anos) a 25 anos de prisão efectiva, por crimes contra a Humanidade A mesma pena foi aplicada a dois generais que lhe irão fazer companhia numa cela onde se espera que apodreçam como as suas vítimas.
A Argentina continua a condenar os seus algozes e os argentinos a aplaudir de pé as decisões dos tribunais.
Por cá,incensam-se os ditadores e o seu séquito de bandidos. Nem Rosa Casaco, assassino confesso de Humberto Delgado, foi incomodado pela justiça portuguesa. Antes da sua morte ainda se deu ao luxo de se passear em Lisboa como herói, dar entrevistas e ser fotografado no Parque das Nações. Um país incapaz de fazer justiça é um país sem futuro.
Na Argentina, pelo contrário, os tribunais julgam e condenam os ditadores e seus agentes, sem invocar a sua provecta idade para os desculpabilizar. Embora ainda esteja a lamber as feridas daquele período sangrento da sua História, a Argentina está a dar um exemplo ao mundo. Através da Justiça e da perseverança do seu povo que honra a memória dos seus mortos.

Cidades da minha vida (13)

Viana do Castelo
Viana do Castelo é, para mim, uma espécie de Escola de Sagres da vida. Por lá vivi amores adolescentes e quando subia a Santa Luzia e via Viana a meus pés, tinha a sensação de que podia dominar o mundo e o meu destino seria partir à sua descoberta.
Em Viana desaguaram fins de semana vindos de Ponte de Lima ou Barcelos, onde igualmente fui feliz. Viana é também as festas da Senhora da Agonia, o arroz de sarrabulho, o “Três Potes” de outros tempos, os arraiais de Santoinho ( também de outros tempos), a presença de espanhóis animando as noites da cidade e muitas, muitas, outras coisas…
No Verão passado, um reencontro fortuito em Viana, devolveu-me as recordações que, prudentemente, mantive guardadas num baú durante décadas. É possível vivê-las duas vezes?Por agora, restam as fotos de outros tempos...

Parabéns, Brasília!


Não é uma das cidades da minha vida mas. neste mês dedicado às cidades, não podia deixar de aqui falar de Brasília, que hoje comemora 50 anos.
Lembro-me, ainda miúdo, do orgulho dos meus familiares brasileiros com a nova capital, sonhada por Jucelino Kubitscheck e concretizada com a assinatura de Óscar Niemeyer- um dos maiores prodígios da arquitectura mundial.
Conheço mal Brasília, mas na retina ficaram-me a Catedral e a Praça dos Três Poderes, com o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Concebida como cidade do futuro, que simbolizaria a pujança de um país jovem e democrático, Brasília não viria a desmerecer essa esperança mas, por ironia do destino, poucos anos depois do seu "nascimento", o Brasil viveria, durante vinte anos, sob uma ditadura militar.
Hoje em dia, apesar das desigualdades gritantes, o Brasil é um país moderno e voltado para o futuro, tendo a sua capital como símbolo dessa modernidade. Parabéns, por isso, a uma cidade que, pelo menos em termos de planeamento, é ainda hoje uma cidade exemplar.

As cidades dos outros (13)

A Tété recorda uma viagem de finalistas. Ai que saudades desses tempos!!!!!

Sugestão do dia

Visitar uma Outsider que anda há sete anos de blogosfera. É obra!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Emoções

Amanhã estou de regresso a Lisboa e com acesso normal à Internet ( pelo menos assim o espero), mas hoje consegui vir aqui para vos dizer que estou muito emocionado com as declarações de Alberto oão Jardim sobre Sócrates. Num ápice, Sócrates passou de mentiroso a professor de ética. Qualquer dia ainda vamos ver AJJ a dizer aos madeirenses para votarem Sócrates.

Cidades da minha vida (12)

Macau

Nunca alinhei naquela história de que não se deve voltar a um lugar onde fomos felizes. Diz-me a experiência que isso é uma grande mentira. Macau é a excepção que confirma a regra. Durante os anos que lá vivi fui muito feliz, mas na minha última ida a Macau , fiquei decepcionado. Como estou com pouco tempo,remeto-vos para este post que escrevi quando regressei da minha última visita a Macau.

Empresários à portuguesa, concerteza...

Todos sabemos as dificuldades com que se debatem muitas empresas nestes tempos de crise. Ninguém ignora também que algumas empresas, à boleia da crise e de um Código do Trabalho permissivo, aproveitam a oportunidade para se “desfazerem” de alguns trabalhadores com contrato, para os substituir por trabalhadores a recibo verde, mais jovens, mais qualificados e … mais baratos. O verdadeiro 3 em 1, a que se devem acrescentar os apoios que o Estado tem dado às empresas.
No entanto, há muitos empresários que, não satisfeitos com estas janelas de oportunidade que a crise e a legislação laboral- aprovada pelo governo com o apoio do PSD e do CDS - se comportam como verdadeiros crápulas. Para que se faça uma pequena ideia da selva em que se transformou o mundo laboral, aqui deixo alguns números:
- A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) recebeu, em 2009, 11 mil pedidos de intervenção por parte dos trabalhadores ( o dobro de 2008) grande parte dos quais ( cerca de três mil) se queixava de estar privado do subsídio de desemprego, porque as empresas não participaram os despedimentos ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).
- Cerca de duas mil queixas denunciavam situações de incumprimento salarial
- Cerca de mil acusavam a empresa de não ter feito seguros de acidentes de trabalho ( situação muito comum nas empresas de construção civil, que têm por hábito só fazer seguro para um em cada quatro trabalhadores.
- A ACT estima que as dívidas salariais aos trabalhadores, durante o ano de 2009, ronde os 15 milhões de euros.
A crise não justifica estes números. Não comunicar os despedimentos de 2700 trabalhadores ao IEFP nada tem a ver com a crise, mas sim com um aviltante desrespeito pelos trabalhadores, por parte de muitos empresários. Como também não se justificam os despedimentos colectivos feitos em 24 horas, sem cumprimento dos requisitos exigidos pela lei.
Mais do que a crise, estes números explicam o comportamento do empresário português, cujo perfil coincide, em muitos casos, com o de um explorador de vão de escada. Gente sem formação ( lembro que mais de 80 por cento dos empresários tem a 4ª classe e a maioria do patrões tem formação académica inferior à dos trabalhadores que contrata) sem princípios e sem moral, que sabe que estes processos se arrastarão na justiça, sem que sejam alvo de qualquer punição. Duvidam? Então aqui fica a confirmação dada pela própria ACT: desde 2008 o Ministério Público apenas deduziu duas acusações. Mais palavras para quê?