Terça-feira, 16 de Março de 2010

Spínola e o PREC



Terá passado despercebida a muita gente, uma discreta notícia divulgada pela Lusa na última quinta-feira (11 de Março).
Em declarações à agência, o jornalista alemão Guenter Wallraff ( famoso pelas suas reportagens undercover) revela ter-se encontrado em 1976 com o general Spínola, disfarçado de traficante de armas.
Não se tratou de um encontro casual. Já se conheciam, porque Wallraff infiltrara-se no MDLP, (partido liderado por Spínola) disfarçado de nacionalista germânico que se propunha fornecer armas ao partido. Na sequência do 11 de Março de 1975, o ex- Presidente da República foi obrigado a sair do país e, chegado à Alemanha, terá recuperado o contacto com o jornalista.
Durante o encontro - que decorreu em Dusseldorf- Spínola terá manifestado a Wallraff interesse em adquirir armas para regressar a Portugal, retomar o poder e exterminar fisicamente os seus adversários. Perante os factos, Wallraff entregou as provas às autoridades, o que resultaria na extradição de Spínola para o Brasil.
Recordo esta notícia porque, quando se fala do período pós 25 de Abril, a maioria das pessoas só fala do PREC, do perigo comunista , dos desvarios de Otelo e da extrema esquerda, ameaçando com execuções no Campo Pequeno, mas esquece sistematicamente os episódios envolvendo a direita e a extrema-direita, não menos ameaçadores para a instabilidade do país antes e durante o PREC.
Pergunto-me ( e gostaria de saber a vossa opinião) se alguma este episódio seria tornado público, no caso de as agências de notícias serem privadas.

6 comentários:

  1. olá

    a "coisa" não passa por uma agência de comunicação ser pública ou privada, tem de ser analisado de uma maneira mais ampla, os donos/directores/administradores da agência noticiosa são simpatizantes de que cor política?

    embora hoje o conceito de esquerda e de direita é completamente diferente de à 33 anos atrás, e cada vez mais esse conceito irá desaparecer.

    portanto diria eu que este tipo de noticias ficaria acima de tudo dependente de quem manda num jornal

    assim diria que por essa altura um jornal como o CM não publicaria uma noticia dessas e o jornal como o Diário publicaria.

    tudo dependerá da linha politica orientadora do jornal

    hoje, a noticia que venda mais é a que seria publicada sem qualquer tipo de problema.

    ResponderEliminar
  2. Há anos soube do encontro do Günter Wallraff com o general Spínola. O Wallraff também esteve em Braga e encontrou-se com outras pessoas, até mesmo com membros do clérigo.

    Na minha opinião o perigo comunista ou o perigo da extrema-direita tem a mesma raíz -
    são AMBOS ameaçadores da LIBERDADE do indivíduo!!!

    ResponderEliminar
  3. Penso que não seria tornado público.
    Julgo que os jornais (e seus donos) estão cada vez mais limitados pelos poderes das agências e estas cada vez mais associadas a interesses económicos e menos a linhas políticas (partidárias) que as poderiam orientar. Estas, penso, são olhadas cada vez com mais reserva por parte desses interesses. No que toca ao funcionamento do 4º poder o sistema é mais complexo.

    ResponderEliminar
  4. Uma nota:
    Sobre isto a Bertrand publicou em 1976 "A descoberta de uma conspiração - a acção de Spínola" por Günter Wallraf em colaboração co Hella Schlumberger. Interessantes 244 páginas.
    F.Dias

    ResponderEliminar
  5. É preciso ter uma memória muito curta, para as pessoas se esquecerem dos vandalismos perpetrados nas sedes dos partidos comunistas, especialmente no norte, ou a morte do padre Max, por exemplo.

    Mas concordo com a Teresa: extrema direita ou esquerda actuam do mesmo modo, sem respeito pela liberdade individual de cada um!

    ResponderEliminar
  6. Quem o conhecia bem era o cónego Melo.

    ResponderEliminar