Tem-me faltado a coragem para escrever sobre o terramoto no Chile, que devastou uma larga área do país, ceifando centenas de vidas e deixando milhares de pessoas desalojadas. Ao longo deste Inverno cinzento e húmido que ficará na memória de todos pelos piores motivos, têm sido várias as tragédias que têm assolado este planeta e sobre elas pensava já ter escrito o suficiente. O Chile está longe de ser um dos meus países de eleição. Apaixonado que sou pela América do Sul e apesar dede guardar na retina paisagens belíssimas da Patagónia chilena, do Chile retenho as piores lembranças.
Não é só a sangrenta e hedionda ditadura de Pinochet que me provoca uma profunda náusea. Na verdade, apesar de por lá ter bons amigos e de ter mantido até final de 2009 relações profissionais com o Chile, a semelhança dos chilenos com os portugueses, provoca-me algum mal estar. Cada vez que lá fui, pareceu-me ver Portugal retratado no espelho.
Já anteriormente tinha aqui aludido às semelhanças entre Portugal e o Chile. Ontem, ao ver na televisão as imagens das pilhagens a supermercados e a forma bruta e violenta como a polícia tratava os assaltantes, veio-me à memória um passado não muito distante. Mas foi quando vi alguns chilenos ufanos diante das câmaras, exibindo os frutos das pilhagens, que comecei a sentir um grande desconforto. Alegavam estar a pilhar por não terem em casa nada para comer e tardarem os abastecimentos mas, na verdade, roubavam por mero prazer e oportunismo. Ou não será oportunismo assaltar supermercados para roubar desde a garrafa de whiskey à máquina de lavar e ao frigorífico?
Nesse momento, lembrei-me que se um dia acontecer uma tragédia semelhante em Portugal, imagens com cenas idênticas correrão o mundo, dando uma pobre imagem do povo que somos. Não porque não seja verdadeira mas, precisamente, por isso.
E meu amigo acha que por aqui seria diferente? Olha... tenho certeza que não. Vejo tudo isso com imensa tristeza, não só pelos que perderam tudo, até a vida, mas por ver, também, num momento de tragédia como esse, parte da população que deveria estar prestando socorros aos que mais precisam, sair a tirar proveito da desgraça de seus semelhantes...
ResponderEliminarÉ imensamente triste...
Também eu me senti incomodado com tais imagens. Quase tanto quanto me incomodam as pilhagens que estão fazendo ao nosso bom povo. Refiro-me às que são mais sofisticadas, com menos visibilidade e, assim, sem que possam ser traduzidas em imagens chocantes. Mas que estão acontecendo...
ResponderEliminarcomo ouvi alguem dizer ontem : " a terra está a falar e ninguem a percebe"...
ResponderEliminarÉ isso aí, Carlos... por ser essa a verdade mais triste mas tão verdadeira!
ResponderEliminarPartilho o seu desconforto. Só se compara a este outro desconforto de sermos pilhados, continuamente, sem que tal seja objecto de imagens. Aliás, esta pilhagem a que me refiro, é sofisticada e faz-se com a complacência dos poderes instituídos. Insurja-se poe essas, também.
ResponderEliminarNão conheço nenhum chileno (para o efeito, Sepúlveda e Isabel Allende não contam!), nem nunca visitei o Chile, de modo que não me posso pronunciar sobre a parecença.
ResponderEliminarContudo, o retrato aqui descrito de aproveitar uma tragédia para os chico-espertismos do costume, de fanar umas coisas tão úteis lá na casinha, aproveitando a confusão, parece-me muito semelhante ao espírito mesquinho do tuga, infelizmente!
E essa parte de todos quererem ser ricos e JÁ, também me parece enquadrar-se dentro do estilo! Enfim, é o povo que temos!
Pois... Mas não é preciso nenhum terramoto para "o lá fora" mostrar tristes imagens lusas. Quando eu era pequena lá na Alemanha aquilo era pavoroso: Portugal era um país de velhas de lenços pretos e homens desdentados, um horror!
ResponderEliminarCarlos em todos os países há pobres e os oportunistas. Temo que em Portugal a segunda categoria se evidencie.
ResponderEliminarJá voltei ao meu canto espero por uma espreitadela em http://gostodetiassim.blogspot.com/
Um abraço
O caos gera o caos, não é? Tudo pode acontecer, lá como cá,é chocante realmente!...
ResponderEliminarNão conheço a América do Sul, a não ser pelo que leio ou vejo, comecei a gostar do Chile, quando vi o filme «CHOVE EM SANTIAGO», e depois há os poetas, os escritores, os cantores, mas claro que ir lá é outra coisa!...
Tem sido realmente um caos de tragédias, neste Inverno muito agreste.
Um abraço,
Manuela
Victor Cardoso: Que bela notícia vê-lo de volta! Vou assinalar condignamente o seu regresso à nossa companhia.
ResponderEliminarBasta-me ver o nosso comportamento no trânsito para imaginar o pior - e não brinco.
ResponderEliminarCBO. Desculpe lá, mas é igual para qualquer povo do Mundo. Vá por mim! Espero não ter que vir aqui mostrar isso.;)
ResponderEliminarA ocasião faz o ladrão e isto é universal.