Morais Sarmento afirma que os militantes do PSD não estão preocupados com a “Lei da Rolha”. Terá toda a razão o ex-ministro da propaganda de Durão Barroso. Afinal a medida foi aprovada por larga maioria, nenhum dos candidatos à liderança, mesmo votando contra, levantou quaisquer objecções durante o Congresso, o assunto em termos de discussão interna morreu aí. Há , no entanto, um ”porém”. Assim que a blogosfera e a opinião pública começaram a criticar a “Lei da Rolha” todos os candidatos vieram para a praça pública fazer coro com os críticos. Se repudiam a medida do “ fecho éclair” , por que razão não manifestaram a sua repulsa perante os congressistas?
Só se justificam estas reacções “a posteriori” por cobardia ou hipocrisia. Ou tiveram medo de enfrentar as reacções dos congressistas, ou estão-se nas tintas ( e cada um deles até terá visto algumas vantagens, no caso de vir a ser o futuro presidente do PSD, o que os levou a votar contra, mas desejando, interiormente, que a medida fosse aprovada).
A conclusão a tirar desta postura dos candidatos à liderança do PSD é muito preocupante. Ficou demonstrado que, seja qual for o vencedor ( e eventualmente o próximo PM de Portugal) não escapará à pergunta: “ Se aceitam isto dentro do partido sem refilar, como vão comportar-se se um dia chegarem a PM?”
Antevendo esta hipótese, logo houve quem viesse defender que norma idêntica existe no PS. Mentira. A norma dos estatutos do PS não proibe os militantes de criticar os líderes, caso contrário, já Ana Gomes, João Cravinho e muitos outros teriam sido expulsos. Lançar esta atoarda dá jeito. Pelo menos, serve para calar alguns militantes que reagiram timidamente na blogosfera, com críticas fouxas e envergonhadas.
Estes episódios protagonizado pelo principal partido da oposição revelam que, à força de querer ser diferente, o PSD cada vez mais se assemelha ao PS de Sócrates. Os seus putativos futuros líderes evidenciam, porém,alguns defeitos ( hipocrisia e cobardia) a que o actual PM parece estar imune. Podem fazer-se muitas acusações a Sócrates ( eu próprio já aqui as tenho feito) mas ninguém o pode acusar de falta de coragem.
O que o país precisa é de alguém capaz de enfrentar com coragem os problemas, de impor a sua opinião nas instâncias internacionais e não de alguém que nem no interior do seu partido é capaz de levantar a voz e manifestar a sua indignação. A esta hora, os fervorosos apoiantes de Passo Coelho que acreditavam na renovação, devem estar um pouco descoroçoados. A não ser aqueles que, embora dando uma imagem exterior de coerência, se comportam exactamente como o seu amado líder.
Este post não resisto a comentar, eu acho que já começo a acreditar, no tanto faz, pois quem realmente governa este país, não são os políticos, eles são apenas e só uns testas de ferro ou então, teríamos de supor que são, simplesmente, estúpidos e incompetentes.
ResponderEliminarConcordo com quase tudo, mas não sei se chamaria coragem ao que Sócrates tem revelado. Diria antes que é o resultado de uma enorme teimosia associada à falta de opções. Afinal, à excepção da possibilidade - inverosímil - de assumir os seus erros, que resta a Sócrates senão a fuga para a frente?
ResponderEliminarMeu Caro,
ResponderEliminarMuito bom,fiz link para "A Carta a Garcia"
Obrigado.
Osvaldo Castro
Apoio as palavras da Isa GT que não conheço.
ResponderEliminarQuem manda mesmo neste país é aquele pessoal que manda dinheiro para as off-shores, não paga impostos, descapitaliza as suas empresas, despede pessoal sem indemnizações e, volta mais tarde já perdoado do pagamento dos impostos devidos, abrindo novas empresas e contratando agora o pessoal despedido por metade do preço e ainda beneficiando de isenção de outros impostos por contratar pessoal desempregado.
Não é um circo/circulo maravilhoso/vicioso?
Os políticos são só uns paus mandados que aproveitam e se aproveitam mais ou menos de acordo com a sua falta de escrúpulos.
O Zé (colectivo no qual me incluo) vai sofrendo mais ou menos de acordo com a sua ignorância ou falta dela.
Que cansaço!!!!!!
Carlos, ainda falta muito para Dezº de 2012?
Num bordel, que episódios esperava que acontecessem? (ou será que a sua conclusão, de que tudo isto é um bordel, só surge depois disto?)
ResponderEliminarIsa GT: Não tenho dúvidas disso. É o poder económico que governa e os políticos são os seus mandantes. E não é só em Portugal
ResponderEliminarCarlos: Também há ( ou houve, para ser mais preciso) muita teimosia, mas a verdade é que ele combateu alguns tabus. O problema é que acabou po ficar a meio do caminho.
ResponderEliminarOsvaldo: Obrigado pela visita. Já sou cliente da Carta que nasceu em muito boa hora.
ResponderEliminarTite: Não se iluda... Quando chegarmos a 2013 poderemos ter um anito de folga, mas depois vai voltra tudo ao mesmo, porque os males do país e do mundo que nos conduziram a esta situação não foram erradicados.
ResponderEliminarRogério:Ainda acredito que não vivemos no tal bordel, mas caminhamos para lá a passos largos.
ResponderEliminarCarlos B.O.,
ResponderEliminarFalei em Dezembro de 2012 devido à alteração no eixo da terra.
Não achas que esse facto pode bem meter as coisas no "eixo"?
Bom FdS