Quarta-feira, 31 de Março de 2010

O lado oculto de uma boa notícia


Há dias conversava com duas pessoas ligadas à indústria automóvel. Inevitavelmente veio à conversa o tema dos carros eléctricos, cujo aparecimento em força a partir de 2012 encaro como uma boa notícia para o ambiente e para os consumidores. Fiquei no entanto um pouco perplexo quando os dois me chamaram a atenção para o outro lado da notícia. Porque esse não é nada agradável.
Com efeito, a opinião partilhada por ambos é que a venda dos automóveis tradicionais vai continuar a desacelerar porque, quem comprar agora um automóvel a gasolina ou gasóleo, sabe que irá sofrer uma forte penalização na altura de trocar por um carro eléctrico. Ou seja: para além da crise com que se debate, a indústria automóvel – que está a apostar na nova tecnologia- enfrenta também a retracção dos consumidores, que preferem manter os seus carros actuais mais um ou dois anos, evitando correr o risco de perder muito dinheiro.
Há, porém, uma outra situação ainda mais preocupante. Uma vez que os automóveis eléctricos não precisam de manutenção, vislumbra-se um elevado desemprego em todo o sector a juzante da indústria automóvel, nomeadamente no sector de reparações. É certo que a tecnologia do automóvel eléctrico vai criar outro tipo de empregos, mas a maioria das pessoas que actualmente trabalha na área da manutenção e reparação dificilmente poderá ser reconvertida. Não posso confirmar até que ponto esta visão é catastrofista ( não domino minimamente este ramo de actividade) mas, a ser verdade, adivinham-se alguns problemas sociais, resultantes de uma evolução tecnológica ímpar numa indústria que emprega milhões de pessoas e, segundo creio, é a segunda maior empregadora a nível mundial.
Como tenho afirmado aqui diversas vezes todas as notícias têm um lado B. E este- a confirmarem-se as informações que me foram dadas- poderá ter consequências gravosas no futuro de muitas famílias e gerar convulsões sociais preocupantes.

4 comentários:

Reflexos disse...

Olá Carlos.
Os carros vão continuar a precisar de reparação... continua a ter circuitos eléctricos, travões, pneus e por isso não vejo risco para a industria empregadora de quem faz reparações/manutenções.
Pode é requerer outro tipo de especialização, o que vai gerar a necessidade de formação de novos especialistas...

O carro electrico para já, e mesmo daqui a 2 anos será mais um segundo carro ou o carro de quem só usa o pequeno utilitário dentro e na periferia da cidade. Como esses carros acabam pro ter grande desgaste e serem de pessoas que tem plamnos de troca definidos ( empresas e leasings), penso que as pessoas trocarão na mesma e optarão por deixar estabilizar a qualidade e os preços dos eléctricos e investir um pouco mais tarde na mudança.

Penso que não será assim tão alarmante, só memso a consequencia da mudança...que traz sempre inseguranças

Rogério Pereira disse...

Eu tenho os mesmos "Reflexos". Julgo até que a mudança não estará tanto no veículo mas sim na rede electrica necessária para "abastecer" milhões de veículos. Mas tb aí, não haverá problemas. Aliás o progresso técnico só tem problemas por não ser acompanhado pelo progresso moral, designadamente na moralização do acesso à tecnologia.

Elisiário Figueiredo disse...

Segundo tenho lido os carros eléctricos que serão introduzidos no mercado em 2012 serão os utilitários, segundo vejo na imprensa serão carros com potencias a rondar os 90 cv, ou seja que quiser uma "máquina" com maior potencia vai ter de comprar o tradicional automóvel com motor de combustão.

pedro oliveira disse...

Não estou de acordo com esses seus amigos, porque já hoje em dia as manutenções dos motores de combustão interna são minimas e as manutenções "periféricas" vão-se manter.