
Há dias conversava com duas pessoas ligadas à indústria automóvel. Inevitavelmente veio à conversa o tema dos carros eléctricos, cujo aparecimento em força a partir de 2012 encaro como uma boa notícia para o ambiente e para os consumidores. Fiquei no entanto um pouco perplexo quando os dois me chamaram a atenção para o outro lado da notícia. Porque esse não é nada agradável.
Com efeito, a opinião partilhada por ambos é que a venda dos automóveis tradicionais vai continuar a desacelerar porque, quem comprar agora um automóvel a gasolina ou gasóleo, sabe que irá sofrer uma forte penalização na altura de trocar por um carro eléctrico. Ou seja: para além da crise com que se debate, a indústria automóvel – que está a apostar na nova tecnologia- enfrenta também a retracção dos consumidores, que preferem manter os seus carros actuais mais um ou dois anos, evitando correr o risco de perder muito dinheiro.
Há, porém, uma outra situação ainda mais preocupante. Uma vez que os automóveis eléctricos não precisam de manutenção, vislumbra-se um elevado desemprego em todo o sector a juzante da indústria automóvel, nomeadamente no sector de reparações. É certo que a tecnologia do automóvel eléctrico vai criar outro tipo de empregos, mas a maioria das pessoas que actualmente trabalha na área da manutenção e reparação dificilmente poderá ser reconvertida. Não posso confirmar até que ponto esta visão é catastrofista ( não domino minimamente este ramo de actividade) mas, a ser verdade, adivinham-se alguns problemas sociais, resultantes de uma evolução tecnológica ímpar numa indústria que emprega milhões de pessoas e, segundo creio, é a segunda maior empregadora a nível mundial.
Como tenho afirmado aqui diversas vezes todas as notícias têm um lado B. E este- a confirmarem-se as informações que me foram dadas- poderá ter consequências gravosas no futuro de muitas famílias e gerar convulsões sociais preocupantes.
4 comentários:
Olá Carlos.
Os carros vão continuar a precisar de reparação... continua a ter circuitos eléctricos, travões, pneus e por isso não vejo risco para a industria empregadora de quem faz reparações/manutenções.
Pode é requerer outro tipo de especialização, o que vai gerar a necessidade de formação de novos especialistas...
O carro electrico para já, e mesmo daqui a 2 anos será mais um segundo carro ou o carro de quem só usa o pequeno utilitário dentro e na periferia da cidade. Como esses carros acabam pro ter grande desgaste e serem de pessoas que tem plamnos de troca definidos ( empresas e leasings), penso que as pessoas trocarão na mesma e optarão por deixar estabilizar a qualidade e os preços dos eléctricos e investir um pouco mais tarde na mudança.
Penso que não será assim tão alarmante, só memso a consequencia da mudança...que traz sempre inseguranças
Eu tenho os mesmos "Reflexos". Julgo até que a mudança não estará tanto no veículo mas sim na rede electrica necessária para "abastecer" milhões de veículos. Mas tb aí, não haverá problemas. Aliás o progresso técnico só tem problemas por não ser acompanhado pelo progresso moral, designadamente na moralização do acesso à tecnologia.
Segundo tenho lido os carros eléctricos que serão introduzidos no mercado em 2012 serão os utilitários, segundo vejo na imprensa serão carros com potencias a rondar os 90 cv, ou seja que quiser uma "máquina" com maior potencia vai ter de comprar o tradicional automóvel com motor de combustão.
Não estou de acordo com esses seus amigos, porque já hoje em dia as manutenções dos motores de combustão interna são minimas e as manutenções "periféricas" vão-se manter.
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