Quinta-feira, 4 de Março de 2010

Jornalismo de "causas"

Uma notícia ontem publicada no DN sobre o julgamento da claque ( não oficial)do SLB, os No Name Boys, é um bom exemplo da forma como a comunicação social pode, de forma mais ou menos subtil, influenciar a opinião pública.
A notícia não está on line, pelo que não pude linkar, mas o que justifica este post é uma caixa que passo a transcrever:
Um destaque a vermelho, (CURIOSIDADES), chamava a atenção, em título, para uma caixa a bold:
Juiz Renato Barroso é sócio do FC Porto
“ O juiz Renato Barroso, que preside ao colectivo de juízes que está a julgar vários membros dos No Name, é sócio do FC Porto e já presidiu à Assembleia Geral da Casa do Porto em Lisboa. As suas preferências em nada influenciam na sua decisão ( sublinhado meu). Foi ele quem considerou que Vale e Azevedo, ex-presidente do clube, não reunia condições para beneficiar de liberdade condicional e que a sua condenação, em cúmulo jurídico, podia chegar aos 18 anos de cadeia, num despacho em 2008.No caso dos No Name o juiz tem em mãos casos de agressão crime de incêndio ( Nota minha: de um autocarro do FC Porto), tráfico de droga, armas e asociação criminosa.”
A frase que destaco, metida a martelo no meio do texto, procura dar a sensação de que o jornalista está a defender que o juiz é isento, mas o que se escreve, antes e depois, deixa o leitor na dúvida acerca da sua vulnerabilidade, face às simpatias clubísticas.
Notícias assim, não prestigiam o jornalismo mas, infelizmente, estão a torna-se cada vez mais comuns. Lançar suspeições e dar opinião não é jornalismo, é conversa de café.

3 comentários:

  1. Um mau serviço que é prestado e desprestigia a profissão. O que dizer da pseudo entrevista de MST a Gonçalo Amaral na sic?

    ResponderEliminar
  2. Também concordo. Se não fazia parte da notícia porque publicá-la? O que aparece como um interessante facto paralelo, ou mera curiosidade, não é inocentemente apresentado. Induz a possibilidade de não ser tão isento assim... e lança duvidas no leitor. Muitas vezes, os jornalistas, na tentativa de tornar a leitura mais interessante ou espirituosa, juntam detalhes destes propositadamente, esquecendo a suspeição a que votam os implicados na notícia. Abraço

    ResponderEliminar