Assinala-se hoje o Dia Mundial da Floresta. Aproveitando o facto de ser domingo, convido-vos a reflectir um pouco sobre a relação que cada um de nós mantém com a floresta.Não interessa agora discutir se a opção do Estado Novo pelo pinheiro bravo foi um erro, por ser uma resinosa altamente combustível, contribuindo para que, depois da emigração dos anos 50, 60 e 70, essas áreas deixadas ao abandono, tenham feito aumentar o risco de incêndios florestais.
Também não vou agora pôr em causa a opção pelo eucaliptal que trouxe outro tipo de problemas.
Importa é que nos centremos na realidade portuguesa. E a realidade é esta:
Em Portugal, 8 por cento da área florestal é constituída por baldios na posse do Estado e mais de 90 por cento está nas mãos de proprietários individuais ( são cerca de 500 mil!), muitos dos quais não têm qualquer interesse na sua exploração. Há parcelas tão pequenas, que a sua exploração pelos proprietários não é rentável, mas se um conjunto de pequenos proprietários se organizar ou entregar a gestão das suas parcelas a cooperativas, há maior racionalidade e rentabilidade, porque se reduzem os custos de exploração e manutenção. Dir-me-ão que estou a esquecer o individualismo dos portugueses e não deixo de vos dar alguma razão.
Em Portugal, 8 por cento da área florestal é constituída por baldios na posse do Estado e mais de 90 por cento está nas mãos de proprietários individuais ( são cerca de 500 mil!), muitos dos quais não têm qualquer interesse na sua exploração. Há parcelas tão pequenas, que a sua exploração pelos proprietários não é rentável, mas se um conjunto de pequenos proprietários se organizar ou entregar a gestão das suas parcelas a cooperativas, há maior racionalidade e rentabilidade, porque se reduzem os custos de exploração e manutenção. Dir-me-ão que estou a esquecer o individualismo dos portugueses e não deixo de vos dar alguma razão.
No entanto, uma boa campanha de sensibilização pode levar muitos pequenos proprietários a organizarem-se em cooperativas, em vez de deixarem as suas parcelas ao abandono. Caso não o façam voluntariamente, devem ser obrigados a ceder os seus terrenos para o domínio público, ou a entregar a sua gestão a cooperativas. Neste caso, manteriam a posse dos terrenos, mas a gestão seria assegurada pela cooperativa. Cada associado ficaria com uma conta corrente com a cooperativa e poderia pagar a prazo as despesas efectuadas, através da venda dos produtos. Isso, porém, exigiria que o Estado garantisse às cooperativas o financiamento necessário. No caso de o Estado optar por ficar com a posse administrativa dos terrenos, entregaria a sua gestão às cooperativas e seria ele a pagar as despesas...Esta proposta não é minha… foi-me avançada pelo presidente da Fenaflorestas ( Federação Nacional das Cooperativas Florestais) durante uma entrevista que lhe fiz sobre os problemas da floresta portuguesa. Parece-me uma boa ideia… E vocês que têm a dizer sobre este assunto?
* Também se asinala hoje o Dia Mundial da Poesia. Se tiver tempo, engenho e arte, mais logo venho aqui falar-vos de poesia
E a floresta seria uma grande fonte de riqueza.
ResponderEliminarEm Portugal deveria comemorar-se o dia Nacional da Floresta em Outubro. Aí sim seria uma boa data para plantar árvores. Muitas das que se plantam na Primavera (dia Mundial da Floresta) não resistem às Primaveras quentes e Verões secos.
No "ematejoca azul" assinalei o Dia Mundial da Poesia, todavia, a minha grande paixão são as florestas - vivo no país delas!
ResponderEliminarNão sabia, nem posso compreender, que as florestas portuguesas não pertençam ao Estado.
Sabia sim, que não se pode caminhar nelas como aqui.
Que alegria a minha, se num futuro próximo, pudesse dar as minhas caminhadas pelas florestas portuguesas. Infelizmente, penso que nunca verei esse sonho realizado.
Fico à espera, Carlos. Estou certo que encontrará o tempo para juntar ao que já lhe reconheço ter(engenho e arte).
ResponderEliminarO minha relação com a floresta é de amor. Posso ouví-la e sentí-la quando sorri e mais ainda quando chora.
ResponderEliminarEu quero acreditar que há portugueses com soluções bastante válidas para muitos dos problemas que nos afectam. O busílis está nas entidades competentes aceitarem-nas...
ResponderEliminarAbracinho
Para não falar ao calhas, pois não sei nada sobre este assunto, primeiro vou ler algumas coisas
ResponderEliminarParece bem, mas antes, gosto de saber, todos os prós e todos os contras e só depois poderei fazer meu próprio juízo :-)
Acho que está a chegar a altura de pôr de lado as politiquices e fazer o que tem de ser feito, independentemente de ser popular ou não. Isto aplica-se também à gestão florestal. A ideia que expôs parece-me válida. E também acho que a limpeza das florestas podia ser gerida pelas Câmaras Municipais, com recurso à mão-de-obra disponível dos utentes de rendimentos mínimos, etc.
ResponderEliminarBoa Carlos
ResponderEliminarA ideia da cooperativa é muito interessante, mas para além do individualismo dos portugueses temos de contar também com a resistência a ideias novas e a desconfiança também, eles acham que está sempre alguém pronto a enganá-los, e digo eles, até parece que não faço parte do grupo...
eu e o meu PC estamos de volta, mas aceitaria de bom grado a sua recomendação de uma boa bruxa...
cumprimentos
zoe
Ui o que para aqui vai! Só a palavra cooperativa provoca insónias a muita gente, tanto que julgo que preferiam pegar-lhes o fogo...
ResponderEliminarJá tive a minha/nossa "floresta", era lá que guardávamos os nossos tesouros e iniciávamos as nossas aventuras, melhor, muito melhor do que a de Sherwood.
Uma boa iniciativa, porque tem que se fazer algo e urgentemente pela floresta.
ResponderEliminarAssistimos todos os anos à sua destruição pelos fogos e nunca sabemos bem o que fazem para evitar que o cenário se repita.
Acho que já é tempo de se tomarem medidas drásticas sob pena de nos tornarmos um país desertificado.
Um abraço