
Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necesitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.
( publiquei este post em Setembro de 2008. Republico-o por duas razões. Muitos dos leitores do CR nunca o leram e mantém-se tão actual como no dia em que, no quarto daquele hotel, o escrevi.)
Carlos, é para esse cenário apocalíptico, que tenho que desenvolver o argumento que o Kevin Coster me encomendou. Se me der uma ajuda...Agradeço
ResponderEliminarmuito actual, de facto.
ResponderEliminarabraço
Já estamos em 2010 a cena mantém-se. Durante um curto período, campanha eleitoral, atiraram-nos poeira para os olhos, após isso mais do mesmo. Interrogo-me porque aceitamos com tanta passividade a mentira e a incompetência. A razão estará na dose cavalar de "informação isenta" que nos vende a inevitabilidade, que tem que ser mesmo assim, até já não restar mais nada para destruirem...
ResponderEliminarE cada vez mais actual.
ResponderEliminarBom domingo!
Olá Carlos,
ResponderEliminarDe facto está actualíssimo!...Algo de apocalíptico nos espera...O mais interessante é ler textos fins do séc. XIX, princípios do XX, que continuam com uma actualidade impressionante!...
Um abraço,
Manuela
Dejà vu!!!
ResponderEliminarO pior é que cai como castelo de cartas, mas tratam logo de o reconstruir, nem que para isso se agravem problemas como a fome ou a miséria.
ResponderEliminarPercebem-se assim as prioridades dos políticos que nos governam...
E ainda bem que o fez. Não o conhecia, achei-o muitíssimo bem concebido e tal como diz, actualíssimo.
ResponderEliminarAbracinho
E da ficção à realidade nem é preciso dar um passo!
ResponderEliminarMagnífico argumento.