( Chico Buarque)
A Comissão para a Igualdade do Género (CIG) teve de esperar pelas conclusões de um estudo da Universidade do Minho, para perceber que “ entre a população mais jovem se aceita a violência” ( até com alguma naturalidade, diria eu…)
Pronto, mas mais vale tarde do que nunca e por isso a CIG decidiu agir. Como? Reforçando o esforço em “educar para a cidadania”. Entre as medidas tomadas, vai estender a campanha sobre a violência entre os casais mais jovens a todos os níveis de ensino, incluindo as crianças mais pequenas. Até aqui parece-me bem… mas quando leio que no âmbito da campanha vai ser produzido material pedagógico destinado a ensinar s crianças a reflectirem sobre “ a construção dos afectos " e a promover as “relações saudáveis”, não deixo de me questionar sobre o papel dos pais.
Foram os meus pais - e não a escola - que me ensinaram o valor dos afectos e a importância das relações saudáveis. Talvez porque tive a sorte de não me deixarem abusar disto.
Agora, diz a DECO,70% das crianças começam a ver televisão logo nas creches, para se irem habituando.
No fundo é mais um sinal sobre o assunto que já abordou anteriormente, o modelo social em que vivemos e que tende a piorar, será crescer sem os pais e sem avós (aumento da idade de reforma), não será?
ResponderEliminarFico com vontade de comentar todos os seus posts, tal a minha identificação com o que escreve, infelizmente o tempo é sempre pouco.
ResponderEliminarCada vez os pais trabalham mais horas, cada vez mais as nossas crianças são entregues ao sistema que nem sempre corresponde da melhor maneira, logo o resultado tende a ser este.
Ainda ontem vi um programa em que falavam da Dinamarca e o porquê de serem considerados o povo mais feliz.
Eles trabalham só até às 16 horas para poderem dedicar o resto do seu tempo à família...não é óbvio donde advém a felicidade.
Um beijinho
O lema "Educar para a cidadania" já tem uns aninhos, agora é que deram por ele? E deveria ser um "educar" num enquadramento escolar, que não é exactamente o mesmo que um familiar...
ResponderEliminarAbracinho
Carlos,
ResponderEliminarAs crianças, vão para longe dos pais aos três meses...a partir d'aí, vigilantes, educadoras, amas, professoras, tios, avós,e pais todos contribuem para a sua "educação", muitas vezes, os pais são os mais ausentes pelos motivos que se sabem (excesso de trabalho ou ignorância, etc,etc), ora o tempo VOA e quando dão conta e querem ter uma "conversinha" com os filhotes....já pode ser tarde.
Tarde, porque os filhos não lhes reconhecem autoridade, tarde porque já não sabem como comunicar, enfim TARDE.
a
Acho que a maioria das crianças cresce muito SÓ.
Carlos, as criança não começam a ver televisão na creche para se "irem habituando", são obrigados a ver para estarem calados e não darem trabalho às educadoras ou auxiliares, Infelizmente em muitas é assim. Claro que isso não desculpa o papel dos pais, mas será possível que pais que todos os dias são violentados consigam educar de outra forma os seus filhos? Quem são os pais destas crianças que agora se guerreiam na escola, na rua e em casa? Que formação tiveram, que trabalho executam, que horizontes adivinham? Creio que um grande número, serão, salvo muitas honrosas excepções, os que aprenderam que a vida será sempre a luta do mais forte sobre o mais pequeno, sem emprego, ou dependentes dos rendimentos mínimos, os "espertos". O que me preocupa mais é a possibilidade de que os miúdos que agora crescem sem certos princípios morais, serão os pais dos que hão-de crescer sem moral alguma.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarPois, aparte todas as considerações que fez, com as quais concordo, só um acrescento: De qualquer forma, sempre me parece mais proveitoso isso, que nada! Pior ainda é o alheamento total, que muitas vezes existe.
Um abraço