No refeitório da ANACOM ( Autoridade Nacional de Comunicações) foram encontrados alimentos destinados ao Programa Comunitário de Ajuda Alimentar aos Carenciados. Ou seja, alimentos oferecidos por pessoas que pretenderam ajudar os mais desfavorecidos, estavam a ser utilizados pela empresa que fornece refeições aos funcionários daquele organismo.
Este caso só vem corroborar a minha opinião sobre a desconfiança que me merecem algumas acções de solidariedade protagonizadas por algumas empresas. Já aqui escrevi que não aderi à iniciativa de empresas, como a Worten, que pedem aos clientes para arredondar o preço das suas compras, declarando que esses “excedentes” se destinam a apoiar causas humanitárias. Não ponho em causa as boas intenções dessas empresas mas, como defendi na altura, seria mais transparente as empresas que pretendam ajudar outras instituições, deduzirem uma percentagem da venda dos seus produtos para esse fim, em vez de pedirem aos consumidores o “arredondamento” dos preços das suas compras. Não é que esse método não possa estar ferido de alguma falta de transparência, mas é mais fácil fiscalizar a sua veracidade. Voltarei ao assunto…
Por agora, apenas saliento que a ANACOM tomou a medida mais sensata: cancelou o contrato com a empresa que lhe fornecia as refeições. Quanto à empresa, tomou a atitude habitual nestas circunstâncias. Acusou um funcionário de negligência. É sempre o caminho mais fácil….
É, Carlos, é sempre o caminho mais fácil...
ResponderEliminarE quanto às acções de solidariedade... têm muito que se lhe diga... muitos bolsos para encher antes de chegar ao destino.
Eu cá por mim, prefiro a solidariedade directa. Ou seja, quando a roupa já não serve (não quando a roupa já está velha) aos meus filhos, junto tudo e entrego-a a uma senhora que eu conheço que vive perto de uma instituição, cá do concelho, que a usa nos seus meninos. O mesmo faço com os brinquedos.
É fartar vilanagem!
ResponderEliminarSim, o caminho mais fácil é sempre responsabilizar alguém pelos nossos erros. Típico! Mas nem é isso o mais grave, quanto a mim, nesta situação, mas sim a falta de credibilidade que transparece destes casos e que apenas prejudica quem precisa. Muita gente tem vontade de ajudar, mas provavelmente não o faz precisamente por achar que ao fazê-lo, está a ser enganado. Pessoalmente desde que tive conhecimento que os alimentos apodreciam nos armazéns e não chegavam ao destino, fiquei muito mais céptica nessas questões humanitárias. O que é pena, pois há muita gente a precisar da nossa ajuda e nem sempre o podemos fazer pessoalmente através de um voluntariado.
ResponderEliminarBeijinhos :)
Por coincidência ainda ontem numa loja me perguntaram se queria fazer o arredondamento para ajudar a Ilha da Madeira e eu acedi prontamente.
ResponderEliminarTudo isto me faz sentir uma grande tristeza e revolta porque eu que estou desempregada e que faço uma enorme ginástica todos os meses, se tiver alguma coisa na carteira sou incapaz de negar. Penso sempre nos meus filhos...
Um mundo cada vez mais "doente", este em que vivemos.
Beijinhos Carlos.