quarta-feira, 31 de março de 2010

Aprender com os outros

Há uma semana, Sarkozy sofreu uma pesada derrota nas eleições regionais francesas. Alguma esquerda leu - em minha opinião erradamente- o ressurgimento da esquerda em França.
Este fim de semana, nas regionais italianas, o execrável Berlusconni manteve-se confortável no poder, porque a xenófoba Liga Norte, sua aliada circunstancial alcançou vitórias importantes no Norte, onde a esquerda quase desapareceu. No sul, as duas províncias italianas mais pobres -que eram bastiões da esquerda- foram "conquistadas pelo partido de Berlusconni

Era bom que a esquerda portuguesa percebesse o que se está a passar em Itália. A começar pelo próprio PS- o partido que mais terá a perder com a mais que provável aliança entre oPSD de Passos Coelho e o CDS de Portas

2001- Odisseia no Espaço

Desde que iniciei esta aventura espacial em território blogonáutico já “gravei” nas escarpas deste Rochedo 2000 posts. Este é o nº 2001.
Durante esta viagem, iniciada há 30 meses, recebi mais de 140 mil visitas ( sendo que cerca de 91 mil se registaram nos últimos 16 meses) a que correspondem quase 250 mil page views. Curiosidade adicional: desde Agosto do ano passado que o número de visitas vem aumentando todos os meses.
Muito obrigado a todos os que se tornaram fiéis leitores deste espaço, aportando com frequência a este Rochedo. Espero poder retribuir a vossa confiança e amizade internáutica.
Acabado de regressar a Lisboa, vou agora aproveitar o fim de semana prolongado para vos visitar e desejar uma Boa Páscoa.
Entrtanto, no CR, não haverá fim de semana prolongado. Quem cá quiser vir continuará a encontrar posts diários.

O lado oculto de uma boa notícia


Há dias conversava com duas pessoas ligadas à indústria automóvel. Inevitavelmente veio à conversa o tema dos carros eléctricos, cujo aparecimento em força a partir de 2012 encaro como uma boa notícia para o ambiente e para os consumidores. Fiquei no entanto um pouco perplexo quando os dois me chamaram a atenção para o outro lado da notícia. Porque esse não é nada agradável.
Com efeito, a opinião partilhada por ambos é que a venda dos automóveis tradicionais vai continuar a desacelerar porque, quem comprar agora um automóvel a gasolina ou gasóleo, sabe que irá sofrer uma forte penalização na altura de trocar por um carro eléctrico. Ou seja: para além da crise com que se debate, a indústria automóvel – que está a apostar na nova tecnologia- enfrenta também a retracção dos consumidores, que preferem manter os seus carros actuais mais um ou dois anos, evitando correr o risco de perder muito dinheiro.
Há, porém, uma outra situação ainda mais preocupante. Uma vez que os automóveis eléctricos não precisam de manutenção, vislumbra-se um elevado desemprego em todo o sector a juzante da indústria automóvel, nomeadamente no sector de reparações. É certo que a tecnologia do automóvel eléctrico vai criar outro tipo de empregos, mas a maioria das pessoas que actualmente trabalha na área da manutenção e reparação dificilmente poderá ser reconvertida. Não posso confirmar até que ponto esta visão é catastrofista ( não domino minimamente este ramo de actividade) mas, a ser verdade, adivinham-se alguns problemas sociais, resultantes de uma evolução tecnológica ímpar numa indústria que emprega milhões de pessoas e, segundo creio, é a segunda maior empregadora a nível mundial.
Como tenho afirmado aqui diversas vezes todas as notícias têm um lado B. E este- a confirmarem-se as informações que me foram dadas- poderá ter consequências gravosas no futuro de muitas famílias e gerar convulsões sociais preocupantes.

Portugal no feminino (23)

Catarina Eufémia
(1928-1954)
Era uma “simples” e anónima ceifeira portuguesa, cuja história não podia deixar de ser aqui lembrada. Foi assassinada de forma cobarde pela GNR quando reclamava ao feitor de um latifúndio, juntamente com outras ceifeiras, um aumento de dois escudos na jorna.
Catarina Eufémia ficou na História como um símbolo das vítimas do Estado Novo que ignorava a miséria dos trabalhadores assalariados do Alentejo, lutando pela subsistência trabalhando à jorna nos latifúndios. Inclementes, as autoridades agrediam quem lutava pelo seu ganha pão.
Sophia, Zeca, ou Ary, foram apenas alguns dos muitos poetas e compositores portugueses que lhe dedicaram poemas e canções.
Ao escolher Catarina Eufémia para encerrar esta rubrica, pretendo também homenagear todas as mulheres portuguesas que continuam a ser vítimas de desigualdades laborais, ou alvo dos maus tratos domésticos que, não raras vezes, terminam com a sua morte às mãos dos companheiros que escolheram para partilhar o futuro. Só em 2009, quase meia centena de mulheres portuguesas foram assassinadas nestas circunstâncias. Centenas ou mesmo milhares continuam a ser alvo de maus tratos no seio familiara. Retrato triste de de um país que progrediu em riqueza, mas parece apostado em manter-se na cauda da Europa no respeito pelos direitos das mulheres.

Blogs no feminino (23)

Com o TiMamaRiso termino a rubrica Blogs no feminino. A partir da próxima segunda-feira regressará a "Sugestão do dia" onde, diariamente, darei a conhecer blogs que aportam ao Rochedo. Peço desde já desculpa aos cavalheiros por esta interrupção de um mês, mas o Mês da Mulher que aqui pretendi celebrar justifica a preferênciadada aos blogs femininos. De forma inermitente- dependendo da minha disponibilidade de tempo- regressará também a rubrica "Pelo país dos blogs", onde darei destaque a posts que gostei de ler.
Para além da já anunciada série "Cidades da Minha Vida", Abril trará mais novidades a este Rochedo. É a Primavera a desabrochar...

terça-feira, 30 de março de 2010

Publicidade feita pelo consumidor

A propósito da fibra óptica pergunta um consumidor:
Qual a vossa opinião sobre o serviço de apoio ao cliente?
O meo é péssimo e o seu?

Mudam-se os tempos...

Nos anos 80, quando um ocidental viajava entre Lisboa e Roma, numa companhia aérea europeia, era-lhe servida uma refeição com entrada, prato e sobremesa, que podia acompanhar com vinho. Na mesma época, o mesmo ocidental que viajasse na China Airlines entre Cantão e Pequim ( viagem aproximadamente com a mesma duração ) escarnecia dos chineses, por servirem uma refeição composta por uma sandocha e um sumo.
Vinte anos depois, numa viagem entre Cantão e Pequim os passageiros têm uma refeição completa que pode ser acompanhada com vinho. No entanto, se o msmo passageiro fizer a viagem entre Lisboa e Roma, ao final da tarde ( hora de jantar) recebe apenas uma sandocha e um sumo. Como reage hoje o ocidental? Critica a opulência do serviço da China Airlines!
Seria uma prova de inteligência aceitar que o mundo mudou…

Portugal no feminino (22)

Beatriz Costa- actriz
( 1907-1996)


Foi no teatro de revista que alcançou os seus grandes êxitos, mas foi através da televisão que a conheci. No tempo em que todos os domingos a RTP exibia um filme português e deu a conhecer ao país inteiro nomes como António Silva, Vasco Santana, Ribeirinho, Milú ( que também por aqui passou) e Beatriz Costa, a "menina da franjinha". Perdi a conta às vezes que vi "A Canção de Lisboa" , mas ainda hoje rebento a rir, só de recordar certas cenas por ela protagonizadas.

Pouco tempo depois do 25 de Abril, entrou no bar que eu tinha em sociedade com um dos meus irmãos,uma senhora cuja cara não me era estranha, mas que não reconheci. O meu irmão aproveitou logo para me chamar ignorante, claro. Como era possível o "puto" não conhecer a Beatriz?

Ao contrário do meu irmão, não me tornei amigo de Beatriz Costa a partir desse dia, mas visitava-a com alguma frequência. Vi-a pela última vez nas vésperas de Natal de 1995, numa escala que fiz em Lisboa, entre Macau e Buenos Aires. Faleceu em Abril do ano seguinte. Soube da notícia em Buenos Aires, dias depois. Ao pequeno almoço,enquanto lia o suplemento cultural do"Clarín".

Esta rubrica termina amanhã com a homenagem a uma mulher de que talvez muitos dos leitores mais jovens do CR nunca tenham ouvido falar.

Foram várias as leitoras do Rochedo que pediram a sua continuidade. Fica prometido que voltará lá mais para diante mas, nos próximos meses, vou dar espaço a outras séries que espero sejam igualmente do vosso agrado.

Para este peditório não dou...

Recebo periodicamente a “newsletter” Petição Pública on Line. Embora saiba a forma como são tratadas e discutidas as petições públicas, interessa-me perceber as causas que motivam os portugueses e os levam a subscrever petições à AR.
Fiquei no entanto descoroçoado quando, há semanas, recebi um mail remetido por aquele serviço, cuja única mensagem era uma campanha promocional da DECO.Compreendo perfeitamente que, para suportar os custos deste serviço, os seus promotores recorram a mensagens comerciais. Custa-me mais aceitar que uma associação de defesa de consumidores continue a utilizar técnicas de marketing agressivo para nos convidar a assinar as suas revistas, oferecendo em troca um leitor MP 4, um leitor de DVD ou uma estação meteorológica digital ( que não faço a mínima ideia do que seja, nem para que serve).
Depois disto, disto, e ainda disto, que mais surpresas me reservará a DECO?

Blogs no feminino (22)

A Rosa Carioca expressa Pensamentos eSentimentos, num blog que ainda não tive oportunidade de explorar como gostaria.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Que fazer com a vitória?

Como sabem estou há uns dias fora de Lisboa, o que equivale a dizer que estou fora do país. Na verdade, estar na China, nas Astúrias ou nos arredores de Bragança é a mesma coisa. As notícias sobre a política portuguesa são pouco estimulantes e têm um peso diminuto na vida das pessoas que vivem nessas paragens. Daí, que só ontem à noite tenha ido à Internet para saber quem ganhou as eleições no PSD.
Não fiquei surpreendido com a vitória de Pedro Passos Coelho. Para desgosto de MFL, os militantes do PSD desta vez escolheram mesmo pela aparência e presumo que alguma blogosfera tenha exultado com o feito. Como a escolha do novo líder do PSD me é (quase) tão indiferente como a um chinês, um asturiano ou um bragantino, não fui aos blogs dos apoiantes de PPC ( nem aos outros) ler as reacções que, presumo, terão sido disfarçadamente eufóricas. Estava na hora de ir dormir e por isso apenas tive tempo para tentar reflectir um pouco sobre a importância da vitória de PPC para o país. As conclusões que tirei não foram brilhantes, mas aqui ficam em jeito de resumo:
1- Os portugueses viram-se livres da política de maledicência protagonizada por MFL- o que em termos de higiene mental não deixa de ser uma boa notícia- mas parece-me parco consolo para um país em crise.
2- A vitória de PPC terminou com o cavaquismo no PSD, sendo por isso uma derrota do PR. Continua a ser pouco, porque o novo líder do PSD, para assegurar a sua manutenção à frente do partido, não terá outra solução que não seja apoiar a candidatura de Cavaco às presidenciais de Janeiro próximo.Como reagirão então os seus apoiantes?
3- Pedro Passos Coelho é o candidato que Sócrates mais temia, mas será uma alternativa credível a Sócrates? Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, em tempos, que PPC era uma nova versão de Sócrates, mas para pior, o que não pode deixar nenhum português tranquilo.
4- Pedro Passos Coelho é ultra –liberal e, se um dia vier a ser PM, os portugueses podem contar ainda com mais privatizações e o aniquilamento do que resta do Estado Social.
5- Pedro Passos Coelho cresceu na JSD, a mesma escola política de Sócrates, que como se viu ( e pode ser confirmado em alguma blogosfera) não é uma escola muito recomendável. Irá fazer ao PSD o que Sócrates fez ao PS? Ora aí está uma questão em que vale a pena pensar um pouco…mas que apenas preocupará os militantes do PSD.
6- PPC não vai ter vida fácil para chegar a PM. Cavaco não morre de amores por ele e não lhe irá dar de mão beijada a oportunidade de chegar ao poder, através de eleições antecipadas. Assim sendo, se Sócrates não continuar a persistir nos seus erros, o mais provável é que tenha de esperar até 2013. Resta saber se, até essa data, PPC conseguirá criar uma imagem de confiança, junto dos portugueses, que lhe confira a força de uma alternativa credível a Sócrates.
7- PPC não é deputado, a maioria do grupo parlamentar do PSD não lhe é afecta e vai ser interessante verificar se tem estaleca para dominar os barões do seu partido.
8- Tendo-lhe sido recusada por MFL a possibilidade de ser eleito deputado, como é que PPC vai conseguir fazer passar a sua mensagem, fora do principal palco de debate da política portuguesa? É certo que não lhe faltam apoios na comunicação social e na blogosfera, mas serão suficientes para lhe garantir uma vitória eleitoral?
9- Que irá fazer PPC para tentar apaziguar as hostes rangelistas que não deixarão de conspirar contra ele nos bastidores?
10- PPC não tem muito espaço de manobra. Por um lado precisa de tempo para se afirmar no país ( a vitória esmagadora nas eleições internas não deverá colocar em causa a liderança do PSD para já), mas se esperar até final da legislatura para se apresentar ao sufrágio dos portugueses, corre o risco de ser apeado pelos seus opositores internos.
11- Quais são as propostas alternativas de PPC ao famigerado PEC? E quais são as suas propostas para fazer o país sair desta crise? Qual irá ser a sua relação com o CDS que vê na sua vitória um travão ao crescimento que vinha conseguindo graças à liderança desastrosa de MFL?
Nada sabemos, sobre as respostas a estas questões, mas é sobre uma eventual alternativa que os portugueses se irão pronunciar em futuras eleições. Seria conveniente que começasse desde já a esclarecer os portugueses sobre as dúvidas que justamente colocam.
12- Por tudo isto, não me parece que a blogosfera que apoia PPC com alguns laivos de misticismo do Salvador da Pátria tenha grandes razões para sorrir. Mas na quarta-feira, de regresso a Lisboa, vou confirmar.

Os "negócios" de Blair


Tony Blair, o ideólogo da Terceira Via - agora "vendedor" da Vuitton- compincha de Bush com quem combinou a invasão do Iraque baseado em provas falsas, é um trapaceiro profissional.
Soube-se há dias, que o ex–primeiro ministro inglês, cujo nome chegou a ser ventilado para presidente da Comissão Europeia, recebeu comissões milionárias de investidores do Kuwait e da Coreia do Sul, a quem forneceu informação estratégica sobre exploração petrolífera, obtida graças ao cargo que exercia.
Embora não seja novidade esta promiscuidade entre poder político e interesses económicos ( Dick Cheeney, Frank Carlucci ou Gerard Schroeder também constam da lista de políticos que acumulam as funções governativas com a de informadores de grandes empresas) fica a perceber-se melhor que os interesses dos políticos que elegemos democraticamente não é a defesa dos interesses dos seus povos, mas sim os das empresas que lhes pagam principescamente, para obterem informação privilegiada para os seus negócios.

Portugal no feminino (21)

Teresa Ricou
( "mulher-palhaço")


O nome de Teresa Ricou é indissociável de "Chapitô". Foi ela que criou esse espaço de magia e de sonho, que é também um espaço de solidariedade que deu a Lisboa uma nova dimensão.

Foi durante muito tempo conhecida apenas como a "mulher-palhaço", mas a paixão de Teresa Ricou sempre foi o circo. E foi pelo amor ao circo que na encosta do Castelo decidiu criar o "Chapitô", um exemplo marcante do que de bom nos trouxe o 25 de Abril.

Numa época marcada por movimentos artísticos inovadores e criativos, com uma forte componente de intervenção sócio-cultural, o "Chapitô" começou por ser ( 1981) uma colectividade cultural e recreativa como tantas outras. Só mais tarde surgiria a Escola de Circo Mariano Franco, cujos objectivos se foram alargando e estiveram na origem da Escola de Artes e Ofícios do Espectáculo.

Da intervenção social junto de centros educativos resultou a criação da Casa do Castelo que acolhe jovens necessitados de apoio que a instituição ajuda a construir um futuro. Hoje, o Chapitô é um polvo de solidariedade, que estende os seus tentáculos a diversas áreas de apoio social e educativo. Mas a sua actividade não pára e já estão em marcha novos projectos que darão ao Chapitô ainda maior dimensão.

Tudo isto nasceu da ideia desta mulher, filha de boas famílias, que não se aconchegou ao berço de ouro onde nasceu. Tinha um projecto diferente do que aquele que o destino aparentemente lhe tinha traçado e fez questão de o concretizar. Rodeou-se das pessoas certas e embarcou no projecto de concretizar sonhos. O dela e os de muitas crianças que,sem o Chapitô, teriam mais dificuldade em contrariar o destino.

Blogs no feminino (21)

A Helena e Cátia juntaram-se e fizeram A Conspirata

domingo, 28 de março de 2010

Humor só para adultos

O dono de um circo colocou um anúncio procurando um domador de leão.Apareceram 2 pessoas: um senhor de boa aparência, aposentado, cerca de 70 anos, e uma loura espetacular de 25 anos.O dono do circo fala com os 2 candidatos e diz :
- Eu vou direto ao ponto . Meu leão é extremamente feroz, e matou os meus dois últimos domadores.Ou vocês são realmente bons, ou não vão durar 1 minuto !Aqui está o equipamento - banquinho, chicote, pistola. Quem quer entrar primeiro ?
A loura fala :
- Eu vou !Ignora o banquinho, chicote e pistola e entra rapidamente na jaula.O leão ruge e começa a correr na direção da loura. Quando falta um metro para ela ser alcançada, abre o seu vestido e fica pelada, mostrando todo o esplendor do seu corpo.O leão pára como se tivesse sido fulminado por um raio!Deita-se na frente da loura e começa a lamber os seus pés!Pouco a pouco vai subindo e lambe o corpo inteiro da loura durante longos minutos!
O dono do circo, com o queixo caído até o chão diz:
- Eu nunca vi algo assim na minha vida!Vira-se para o velhinho e pergunta:
- Você consegue fazer a mesma coisa ?
- Claro ! É só tirar o leão...

sábado, 27 de março de 2010

Como um castelo de cartas (rewind)


Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necesitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta.Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.

( publiquei este post em Setembro de 2008. Republico-o por duas razões. Muitos dos leitores do CR nunca o leram e mantém-se tão actual como no dia em que, no quarto daquele hotel, o escrevi.)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Portugal no feminino (20)

Ivone Silva- actriz
(1935-1987)

"Com um simples vestido preto, nunca me comprometo" , foi uma frase criada por Ivone Silva que rapidamente foi adoptada e repetida à exaustão pelos portugueses.

Quem ficaria comprometido seria eu se terminasse esta rubrica sem uma homenagem à mais talentosa e versátil actriz de revista que os portugueses conheceram. "Manicure" em França, Ivone estreou-se no teatro apenas em 1963, na revista "Vamos à festa", que esteve em exibição no ABC ( Parque Mayer).

Morreu pematuramente, deixando um vazio que nunca mais foi preenchido, mas permanecem vivos na memória de todos, alguns dos momentos mais marcantes do teatro de revista, ou o célebre dueto que protagonizava com Camilo de Oliveira na RTP1, no programa "Sabadabadu"

A greve da TAP


Fernando Pinto disse que as greves são do século passado. Atendendo a que uma afirmação deste jaez é própria de um troglodita, lembro ao administrador delegado da TAP (que tivemos de ir buscar ao Brasil, por razões que ultrapassam a minha capacidade de raciocínio),que a greve é a única forma de protesto que resta aos trabalhadores, antes de entrarem na via do desespero que pode conduzir a convulsões sociais que ninguém deseja. Quer isto dizer que compreendo a greve dos pilotos da TAP? Nem de longe, nem de perto… mas aceito-a como um direito inalienável dos trabalhadores. Mas se alguém me conseguir explicar, muito bem explicadinho, por que razão uma das classes profissionais mais bem pagas deste país ( salários mensais a rondar os 8500 euros, acrescidos de uma série de regalias pessoais e familiares) se prepara para fazer uma greve de seis dias, talvez mude de opinião.Até lá, proponho-vos uma reflexão: justifica-se a existência de um sindicato dos pilotos?
Dou desde já a minha opinião sincera e frontal. Não!A génese dos sindicatos radica na luta de classes, quando hordas de trabalhadores explorados perceberam que era chegado o momento de dizer basta a um patronato que pagava salários de miséria e exigia horários laborais indignos. Dir-me-ão que retrocedemos e voltamos a esses tempos. Certo! Mas isso não se aplica aos pilotos. Têm salários principescos e não se pode dizer que o horário de trabalho seja muito exigente. Como se justifica que exijam aumentos salariais de 7,9%, quando a maioria dos trabalhadores portugueses tem os seus salários congelados e os restantes trabalhadores da TAP vão ter um aumento ( acordado entre administração e sindicatos) de 1,8%? A resposta é simples: os pilotos são profissionais privilegiados , sem consciência de classe, que utilizam o sindicato como arma de arremesso. Marcar uma greve de seis dias para um período em que a TAP mais factura, é contribuir para a destruição da empresa – que é uma das marcas portuguesas de maior prestígio além fronteiras- e pôr em causa os postos de trabalho de milhares de trabalhadores. É falta de consciência política e social.
Chamem-me o que quiserem, mas não posso deixar de dizer isto: a legislação que permite a classes privilegiadas organizar-se em sindicatos para boicotar e destruir uma empresa, equivale a oferecer uma arma a um bandido que pretende assaltar um banco. Há certas classes profissionais a quem o sindicalismo deveria estar vedado. Urge alterar a legislação e proceder à higienização da democracia que o ultraliberalismo selvagem reduziu a um conceito balofo. A greve da TAP não é luta de trabalhadores. É luta de um grupo de privilegiados que conspurcam a democracia, aproveitando de forma ignóbil ( e oportunista)os mecanismos que ela criou para defender os mais desfavorecidos.
Adenda: Este post foi pré agendado e pode acontecer que entretanto a greve da TAP tenha sido cancelada. De qualquer modo, a questão de fundo aqui abordada continua a ser pertinente. Sindicatos dos pilotos: sim ou não?

Blogs no feminino (20)

Embora esta série seja dedicada a blogs femininos que descobri recentemente, hoje abro uma excepção e indico-vos um que já conheço há bastante tempo, cuja autora vive numa das mais belas cidades portuguesas, de que guardo maravilhosas recordações. Da minha juventude, mas também de momentos bem recentes. Para quem ainda não conhece, aqui fica a sugestão de uma ida até Viana do Castelo, onde está a bacouca

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo?


Está a decorrer no Rio de Janeiro, desde segunda-feira, o Fórum Urbano Mundial das Nações Unidas. Durante toda a semana a ( qualidade de) vida na cidade estará no centro das discussões. Desde que a ONU Habitat criou este Fórum, o debate tem sido feito em torno dos princípios da Carta de Aaalborg, também conhecida como Carta da Sustentabilidade das Cidades Europeias de que reproduzo este parágrafo:
"Nós, cidades, compreendemos que o conceito de desenvolvimento sustentável nos ajuda a adoptar um modo de vida baseado no capital da natureza. Esforçamo-nos para alcançar a justiça social, economias sustentáveis e sustentabilidade ambiental. A justiça social terá que assentar, necessariamente, na sustentabilidade económica e na equidade que, por sua vez,requerem sustentabilidade ambiental”
Ao longo dos anos, têm surgido novos temas como a segurança, a cidadania ou a igualdade do género.
O debate sobre a vida na cidade já há muito que me atrai particularmente, porque o modo de desenvolvimento urbano permite aquilatar a qualidade de vida de um povo e o seu civismo. Poluição.Qualidade dos transportes. Disciplina do tráfego. Planeamento urbanístico. Ruídos. Lixos. Espaços verdes. Peões. Equipamentos de lazer. Todos são actores da vida citadina.
Se viver na cidade já não é o que era, porque os engarrafamentos, os transportes caóticos, ou a poluição, estão a transformar a vida na cidade um autêntico inferno, a verdade é que todos a procuram em busca de melhores condições de vida.Vamo-nos lamentando e apontamos o dedo acusador para aquilo que está mal e deveria estar melhor. Queremos que a vida na cidade seja mais apetecível...Mas será que fazemos tudo para isso?
Pensava sobre estas questões enquanto lia notícias e mails que me chegavam do Rio de Janeiro na segunda-feira, quando tive uma ideia que não prometo concretizar, mas vou fazer um esforço…Em Abril iniciarei no CR a série " Cidades da Minha Vida" e, simultaneamente,gostaria de lançar um debate no CR, sobre a vida nas cidades, lançando pistas sobre situações que degradam a vida das cidades e o que cada um de nós pode fazer para evitar essa degradação. Por agora, deixo-vos aqui um desafio:
- Qual é a vossa cidade preferida ( portuguesa ou estrangeira) e porquê?E já agora, porque não contam, nos vossos blogs, uma história sobre a vossa cidade preferida, ou um episódio interessante que tenham vivido durante uma visita a essa cidade? Se aceitarem o desafio e me comunicarem ( a partir do dia 5 de Abril) o que escreveram, farei aqui o link para a vossa história. Valeu?

Portugal no feminino (19)

Amália Rodrigues
(1920-1999)


Sobre Amália Rodrigues não há nada a acrescentar a tudo quanto já foi dito. No entanto, queria nesta homenagem às mulheres portuguesas, que se aproxima do fim, incluir outros nomes de fadistas que mereceriam destaque nesta rubrica. Fadistas que aprecio ( devo confessar que embora reconheça a Amália o estatuto de "diva" não é uma figura que considere particularmente simpática) e com as quais aprendi a amar o Fado: Hermínia Silva, Ada de Castro, Argentina Santos, Lucília do Carmo, Maria da Fé, Teresa Noronha, Teresa Silva Carvalho ou, mais recentemente, Marisa, Mafalda Arnauth, Katia Guerreiro, Cristina Branco, Ana Moura e aquela que para mim é, hoje em dia, a melhor fadista portuguesa ( vão lá ver..)

Blogs no feminino (19)

Quem és tu de novo? Tentem encontrar a resposta seguindo a pista da minha sugestão de hoje

quarta-feira, 24 de março de 2010

Memórias do padre Frederico



Os recentes pedidos de desculpas do Papa trouxeram-me à memória um caso ocorrido em Portugal em 1993.
Embora na altura vivesse em Macau, a notícia do padre Frederico, acusado, julgado e condenado, por ter matado um jovem de quem terá abusado( ou tentado abusar?) sexualmente, foi por lá bastante discutida e levantou discussões acesas, com intervenientes que agora prefiro não recordar.
Lembro-me que, na altura da hilariante - para não dizer degradante - “fuga” do Padre Frederico para o Brasil (dias depois entrevistado em Copacabana por um canal de televisão português) foram várias as vozes que se levantaram contra a justiça portuguesa, acusando-a de estar a querer enxovalhar a Igreja Católica.
Alguns órgãos de comunicação social alimentaram esta tese, favorável às pretensões do clero. Da Igreja Católica, não me recordo de ter ouvido qualquer condenação.Neste momento, com a descoberta dos inúmeros casos de pedofilia em todo o mundo- a que não falta um proxeneta que, no Vaticano, arranjava miúdos com que alimentava os vícios privados de alguns- consta que em Portugal haverá 10 padres sob suspeita . Não me surpreenderei se o número vier a aumentar substancialmente. Apenas me surpreende o silêncio de algumas vozes tão exaltadas que saíram em defesa do padre Frederico.

O Horror Económico

Viviane Forrester tornou-se conhecida dos portugueses, no início da década de 90, depois da publicação do seu livro “O Horror Económico”,no qual tecia duras críticas e lançava diversos alertas sobre a globalização.
Quatro anos depois,o seu novo livro “Uma estranha ditadura” ( tradução directa do original) onde o ultraliberalismo voltou a ser alvo das suas críticas, foi outro sucesso de vendas. A mensagem que Viviane Forrester procura veicular nos seus livros é a de que o actual sistema funciona como uma fábrica de excluídos onde, em última análise, se encara o ser humano como mero receptor de produtos e serviços. Tece várias críticas à forma como os imigrantes são tratados nos países receptores, lamenta a indiferença dos políticos face aos problemas do sub-emprego, (forma de empregabilidade precária que dá muito jeito às estatísticas) e afirma que vivemos num sistema ditatorial que alastra à escala mundial.
Ao ler os livros de Viviane Forrester,os menos atentos poderão pensar que estão perante uma feroz adversária da globalização que aproveita a sua boa capacidade de escrita para denegrir, em livros, o ultraliberalismo que caracteriza a nova economia. É possível que alguns pensem mesmo que a autora é uma “gauchiste”, com toda a carga negativa que, para alguns, a palavra encerra.Puro engano!
De origem burguesa, filha de banqueiros e sem acção política conhecida, esta crítica literária do prestigiado jornal francês “Le Monde” afirma ser grande defensora da globalização e até foi convidada para participar no “Forum de Davos” onde os mais poderosos discutem o futuro do planeta à escala económica. Aí chamou a atenção para aquilo que considera dois grandes erros:Em primeiro lugar, a confusão que se estabeleceu entre globalização ( cujas vantagens enaltece) e “ultraliberalismo” que condena veementemente por considerar uma forma de destruição do ser humano e da própria economia.Em segundo lugar, advertiu que a globalização, enquanto “gerida pelo ultraliberalismo” está a conduzir a uma ditadura de tipo estalinista, muito bem camuflada, para que não pareça uma ideologia. Ou seja: como defende em “Uma Estranha Ditadura”, Viviane Forrester afirma que vivemos numa ditadura, mas não conhecemos o rosto do ditador, o que torna muito mais difícil combatê-lo. A ser assim, pergunto: afinal a profecia de Georges Orwell em 1984 cumpriu-se...apenas não demos por ela?
A posição de Viviane Forrester, face à globalização, não difere muito da que foi defendida pela maioria dos participantes no “Forum Social Mundial” que decorreu há meses em Porto Alegre. Nesta manifestação paralela à “Cimeira de Davos”, associações ambientalistas, de consumidores, ou de defesa dos direitos humanos, parecem estar de acordo com as vantagens da globalização. O que une todos aqueles que protestaram em Seattle, Praga, Copenhague, Londres, Génova ou Porto Alegre, e prometem continuar a fazê-lo ao longo dos próximos tempos nos mais variados pontos do Globo, é a face desumana da globalização que, aliada ao ultraliberalismo, está a gerar por todo o Mundo uma onda imparável de pobreza e exclusão e a permitir a concentração da riqueza e do Poder num cada vez mais reduzido número de pessoas.Tal como aconteceu no mundo do consumo, onde os consumidores se foram progressivamente afastando do produtor ou fornecedor de serviços, também neste mundo global os cidadãos se vêem cada vez mais afastados dos instrumentos de decisão e sabem que o voto que o regime democrático lhes confere está a perder significado.
É altura de pararmos para pensar e compreender que o centro da discussão não está em ser a favor ou contra a globalização, mas sim sobre a forma de a implantar. Quando todos compreendermos isso, talvez tudo recomece de novo. Parafraseando o Padre Vítor Melícias, numa conversa televisiva, talvez seja então chegada a altura de percebermos que temos dois olhos (um para ver o bem e outro para ver o mal) e verificar que temos andado com um deles tapado.
É que, se custa a compreender que paguemos num restaurante de Lisboa 3 euros por uma chávena de café da Papua, cuja colheita é paga aos trabalhadores daquele país a três cêntimos /hora, logo perceberemos, destapando o outro olho, porque razão no Perú as plantações de café estão a ser substituídas por plantações de coca. É que enquanto no mercado mundial o preço do café desceu aos níveis mais baixos desde 1994, o preço da folha de coca aumentou substancialmente...

Portugal no feminino (18)


Embora tenha nascido em Itália, em 1930, Anna Mascolo veio viver para Portugal com 10 anos O importante papel que desempenhou no desenvolvimento do bailado em Portugal, justificam a sua inclusão nesta galeria de grandes mulheres portuguesas.
Fundou em 1958 a Escola de Dança Clássica Anna Mascolo, cuja criação se ficou a dever ao facto de ter sido impedida de integrar o American Ballet Theatre por…ser casada!
Dez anos mais tarde funda, conjuntamente com alguns dos seus alunos, o “Grupo de Bailado Anna Mascolo”. O forte desejo de aprender e ensinar levaram- na a permanecer durante longos períodos fora do país, nomedamente na sua Itália natal e, nos anos 80, esteve durante algum tempo em Macau. O sucesso do bailado que apresentou com o bailarino chinês Cheog Son Seng, motiva o convite para criação de uma escola de Dança Clássica naquele território mas, tal como sempre acontecera desde 1960, o governo português negou-lhe qualquer apoio.

Blogs no feminino (18)

Hoje aconselho-vos uma ida até à Planície da Memória

terça-feira, 23 de março de 2010

Caridadezinhas...

No refeitório da ANACOM ( Autoridade Nacional de Comunicações) foram encontrados alimentos destinados ao Programa Comunitário de Ajuda Alimentar aos Carenciados. Ou seja, alimentos oferecidos por pessoas que pretenderam ajudar os mais desfavorecidos, estavam a ser utilizados pela empresa que fornece refeições aos funcionários daquele organismo.
Este caso só vem corroborar a minha opinião sobre a desconfiança que me merecem algumas acções de solidariedade protagonizadas por algumas empresas. Já aqui escrevi que não aderi à iniciativa de empresas, como a Worten, que pedem aos clientes para arredondar o preço das suas compras, declarando que esses “excedentes” se destinam a apoiar causas humanitárias. Não ponho em causa as boas intenções dessas empresas mas, como defendi na altura, seria mais transparente as empresas que pretendam ajudar outras instituições, deduzirem uma percentagem da venda dos seus produtos para esse fim, em vez de pedirem aos consumidores o “arredondamento” dos preços das suas compras. Não é que esse método não possa estar ferido de alguma falta de transparência, mas é mais fácil fiscalizar a sua veracidade. Voltarei ao assunto…
Por agora, apenas saliento que a ANACOM tomou a medida mais sensata: cancelou o contrato com a empresa que lhe fornecia as refeições. Quanto à empresa, tomou a atitude habitual nestas circunstâncias. Acusou um funcionário de negligência. É sempre o caminho mais fácil….

Portugal no feminino (17)

Maria de Lurdes Lemos (Milú)- actriz
( 1926-2008)
Milu está ligada à época áurea do cinema português. Apesar de ser uma voz da rádio, foi o cinema que a notabilizou, principalmente entre os jovens da minha geração que, graças à RTP, puderam conhecer os filmes da década de 40, exibidos aos domingos.
Quem não se lembra da Luisinha do “Costa do Castelo”, da Jujú do “Leão da Estrela” ou da Ana Maria de “O Grande Elias”?
A sua rara beleza e os papéis de boazinha bem comportada que desempenhava, ajudaram a criar uma forte empatia, sendo hoje algumas das suas canções como “ A Minha Casinha” ou “Cantigas da Rua” clássicos da música portuguesa.
Em 1981 participou em “Kilas o Mau da Fita”, um estrondoso êxito de bilheteira que foi a sua última aparição no grande ecrã.
Poucos meses antes da sua morte, Cavaco Silva atribuiu-lhe a Ordem Militar de Santiago de Espada.

Libertem-me desta angústia!



Vou estar fora de Lisboa durante uns dias mas, ao contrário do que é habitual, desta vez não vou eufórico. Levo uma enorme angústia comigo. A culpa é do “Público”, que tive a infeliz ideia de comprar no sábado. Uma pequena notícia no topo da página 12, convenientemente escrita a vermelho para chamar a atenção dos leitores, lançava uma dúvida que me deixou neste estado ansioso que já não experimentava desde que deixei de ler os livros da Agatha Christie.
E qual é a dúvida? perguntarão os leitores- já tão angustiados como eu- aos vossos botões, também eles em vias de se desprenderem das vossas peças de vestuário, desejosos de partir à descoberta da resposta que sacie a vossa curiosidade.
Pois não vos farei sofrer mais, caros leitores. A dúvida que me deixou suspenso e desejoso de adiar a minha viagem, é sobre o nosso Presidente da República e a sua resposta é fundamental para o êxito do PEC, a desconvocação da greve da TAP, a redução do défice e a diminuição do desemprego.
“Afinal, Cavaco Silva nasceu na fonte, ou no poço de Boliqueime?”
Estais agora a compreender as razões da minha angústia? Como é possível abandonar o país com esta dúvida? Por que razão o “Público” não nos deu de imediato a resposta a esta questão tão premente para a felicidade de todos os portugueses?
Só não cancelei os meus compromissos laborais, porque o “Público” garante que no próximo sábado todos saberemos a resposta. Será nesse dia, durante a inauguração da exposição biográfica do PR, que a país ficará a conhecer toda a verdade. Assim sendo, caros leitores, antes de regressar a Lisboa, estou tentado a ir até Loulé para poder saber a resposta, muito provavelmente documentada com imagens.
Até lá, porém, não vos privarei de alguns posts pré-agendados que, estou certo, vos ajudarão a distrair até ao momento da “Revelação”.
(Foto roubada na Net)

Blogs no feminino (17)

Depois do dia Da Floresta e do Dia da Água, a minha sugestão de hoje vai para o blog Sustentabilidade é Acção. É um blog colectivo mas, ao que me parece a grande animadora é a Fada do Bosque que tem também uma Oficina que merece uma visita atenta

segunda-feira, 22 de março de 2010

Portugal no feminino (16)

D. Antónia Ferreira ("Ferreirinha")
( 1811-1896)
Foi a primeira grande empresária portuguesa. Registada na História com o nome de “Ferreirinha”, enviuvou aos 33 anos tendo, a partir desse momento, dedicado toda a sua vida na promoção do Vinho do Porto.
Mulher de grande ousadia e coragem inabalável , introduziu significativas inovações no cultivo da vinha, contra a opinião da maioria dos homens que a rodeavam e lutou contra a falta de apoios dos governos, que por várias vezes confrontou , acusando-os de inépcia, falta de visão e amor a Portugal.
Dona de uma considerável fortuna, D. Antónia era de uma grande bondade e preocupava-se com as condições de vida daqueles que para ela trabalhavam.Um exemplo de empresária que, muito antes do tempo, aplicava nas suas empresas os princípios da Responsabilidade Social. O seu nome ficou para sempre ligado à indústria vinícola em geral e ao Vinho do Porto em particular.

E se a água não brotar das torneiras?


Habituados que estamos ao gesto quase automático de abrir a torneira várias vezes ao dia, irritamo-nos quando delas não jorra nem uma pinga, porque alguma avaria, ou deficiência no abastecimento, a impede de circular livremente, mas não nos passa pela cabeça que um dia a água deixe definitivamente de chegar a nossas casas e das torneiras não brote nem uma pinga. Mas a ameaça é real!
Já em 1995 o INAG ( Instituto da Água) alertava para a necessidade de os portugueses pouparem água, “ corrigindo os maus hábitos de desperdício”. Apesar da meritória intenção da campanha então realizada, os portugueses parecem nem ter perdido os maus hábitos de gastar água desenfreadamente, nem adquirido o bom hábito de beber diariamente em doses regulares cerca de 2 litros de água, quantidade necessária para restabelecer a que perdemos nas nossas actividades quotidianas.O assunto, repito, é demasiado sério para que continuemos a ignorar os sucessivos avisos que nos são transmitidos para pouparmos água.
Na Cimeira sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em Joanesburgo, em 2002, os Governos presentes comprometeram-se a diminuir, até 2015, o número de pessoas sem acesso a água potável e saneamento básico. Apagados os holofotes da Cimeira, os Governos parecem ter-se esquecido das suas promessas e, alegando problemas financeiros ou apenas questões políticas, esmoreceram o seu entusiasmo em fazer campanhas para alertar os cidadãos.
A comunicação social, por sua vez, quase sempre apenas preocupada com “os assuntos do momento”, raras vezes trata do tema e demite-se do seu dever de informar sobre questões essenciais à vida, contribuindo assim para que temas que de quando em vez afloram como candentes, caiam no esquecimento.
O problema da escassez de água é demasiado grave para ser remetido “para debaixo do tapete”, ou para fazermos como a avestruz. Mesmo nos países onde o abastecimento de água é abundante, a discussão do assunto é relevante mas, por norma, encarado como uma competência dos técnicos e dos políticos. No entanto, a sociedade civil não pode eximir-se ao debate ou tomar posição sobre temas tão importantes como a propriedade das redes de distribuição ( pública ou privada?), a regulação, o livre acesso, o preço, as políticas públicas ou o impacto de algumas infra estruturas no meio ambiente, susceptíveis não só de destruírem espécies, mas também de acelerarem a desertificação e contribuírem para aumentar a escassez de água. E é bom que todos nos vamos preparando não só para o aumento do custo da água, mas também para a possibilidade ( cada vez menos remota) de a breve prazo sermos confrontados com a imposição de racionamentos.

A propósito do Dia Mundial da Água

Não vale a pena fazer como a avestruz e ignorar que a água constitui um dos problemas candentes das sociedades hodiernas. Escassez e falta de qualidade são ameaças sérias que não podem ser escamoteadas.
Há tempos, alertei aqui para o problema da escassez de água e a necessidade de sermos mais parcimoniosos no seu consumo já que o risco de, num futuro não muito longínquo, das torneiras não brotar uma gota de água potável é bem mais real do que muitos pensam.De uma forma geral pode dizer-se que qualidade da água na origem é satisfatória mas, por vezes, a água que sai das nossas torneiras não se apresenta nas melhores condições.Isso deve-se ao facto de os sistemas de abastecimento de menor dimensão ( responsáveis pela distribuição da água em 18 % dos lares portugueses) apresentarem algumas deficiências, a que a empresa distribuidora é alheia.
Vale a pena referir que nem todos os portugueses são servidos por sistemas públicos de abastecimento. Esta situação é preocupante em termos de saúde pública, mas convém lembrar que a indústria química cria, todos os anos, milhares de produtos novos que não são biodegradáveis, aumentando a necessidade de uma maior vigilância. Acresce, ainda, que o tratamento das águas residuais é deficiente e que muitos rios e outros recursos hídricos estão em degradação evidente, o que já levou a Comissão Europeia a fazer algumas advertências ao nosso País.Torna-se por isso necessária a adopção de medidas tendentes a minorar as fontes poluidoras dos recursos aquíferos, que não raras vezes é provocado pela intervenção do Homem.
O problema, refira-se, não é exclusivamente português e constitui uma preocupação a nível mundial. Melhor distribuição ( mais de dois biliões de pessoas em todo mundo não têm aceso a água potável...), mais qualidade e melhor preservação dos recursos, são questões que urge resolver, sob pena de a água, um recurso natural essencial à vida (e causa de muitas guerras) se transformar num bem escasso, ameaçando a própria vida no Planeta.

Blogs no feminino (16)

São imperdíveis as Fantasias da Natália, mas aconselho-vos também uma visita ao seu blog "Tout sur Nathalie".
Num registo diferente, especilamente aconselhado para quem gosta de culinária, descubra as receitas que ela e as suas companheiras nos oferecem em Histórias e Sabores.
Aviso: a partir de amanhã, por razões que explicarei mais logo, "Blogs no Feminino" poderá ter algumas intermitências.

domingo, 21 de março de 2010

Brites no Congresso do PSD

Não tenho aparecido por aqui, porque nos últimos tempos tornei-me fã de um espectáculo de circo que está montado ali em S. Bento.
Nem imaginam o que me tenho divertido com uns tipos que por lá aparecem! Um dia apareceu um senhor a fazer propaganda a uma t-shirt feiota ( não gosto de t-shirts brancas) e a distribuir uns papéis pela assistência enquanto rezava uma oração que devia ser muito engraçada, porque havia muita gente a rir-se. Eu não me ri, porque só percebi a parte final em que ele dizia que não o deixavam escrever nos jornais e andava a ser perseguido porque não havia liberdade de expressão.
No dia seguinte apareceu outro senhor a dizer que o homem da t-shirt se fartava de lhe telefonar a meter cunhas e depois veio outro muito gabarolas que só dizia: " O Sócrates esteve a falar comigo ao telefone durante uma hora". Vi logo que era tanga, porque no tempo do Sócrates não havia telefones, mas ri-me bastante, porque a ideia me pareceu muito original.
Também vi por lá uma senhora com uma boca muito grande e olhos esbugalhados ( que eu até ja conhecia das revistas cor de rosa e me parece muito fixe, porque gosta tanto da noite, que até meteu atestado médico para a poder gozar melhor). Durante duas horas contou anedotas muito engraçadas. Uma delas metia o Rei de Espanha, mas não vou contar aqui, porque a achei um bocado ordinarota ( a anedota, não a senhora, coitada).Nos últimos dias aquilo ficou mais aborrecido, mas quando eu pensava voltar a aparecer por aqui, veio o congresso do PSD e lá fui eu para Mafra.
Confesso que não estive lá muito tempo porque, depois de tantos dias de chuva, passar aquele fim de semana de sol fechada num pavilhão, não me pareceu boa ideia. Fui para a Ericeira onde encontrei muita gente que devia estar no congresso, pelo que não notei grande diferença.
Tive pena de não ver aquele momento em que a MFL foi ao encontro de uma câmara de televisão, com a intenção óbvia de manipular a informação, mas felizmente estava no pavilhão quando foi aprovada aquela coisa da "Lei da Rolha". Digo-vos uma coisa... na altura não me pareceu nada estranho, mas quando comecei a ouvir os candidatos à liderança do PSD a protestar e a falar de "liberdade de expressão" pisguei-me logo dali e fui procurar um computador, para me ligar à Internet. É que imaginei que, naquele preciso momento, alguém deveria estar a redigir uma petição em defesa da liberdade de expressão e a convocar uma manifestação para a sede do PSD. Ora eu, que sou contra qualquer tipo de Censura, queria ser a primeira subscritora da petição.
Como sabem, foi tempo perdido... já lá vai uma semana e ainda ninguém convocou nehuma manif de protesto. O melhor, se calhar, é telefonar àqueles jeitosos que organizaram a outra "manif" a favor da liberdade de expressão, porque desta vez deviam estar todos distraídos e ninguém se deve ter apercebido da "Lei da Rolha". Às tantas, até houve algum deles que a aprovou... mas com aquele solzinho bom do fim de semana quem é que ia prestar atenção aos detalhes dos Estatutos?

Hoje é Dia Mundial da Floresta*

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Floresta. Aproveitando o facto de ser domingo, convido-vos a reflectir um pouco sobre a relação que cada um de nós mantém com a floresta.
Não interessa agora discutir se a opção do Estado Novo pelo pinheiro bravo foi um erro, por ser uma resinosa altamente combustível, contribuindo para que, depois da emigração dos anos 50, 60 e 70, essas áreas deixadas ao abandono, tenham feito aumentar o risco de incêndios florestais.
Também não vou agora pôr em causa a opção pelo eucaliptal que trouxe outro tipo de problemas.
Importa é que nos centremos na realidade portuguesa. E a realidade é esta:
Em Portugal, 8 por cento da área florestal é constituída por baldios na posse do Estado e mais de 90 por cento está nas mãos de proprietários individuais ( são cerca de 500 mil!), muitos dos quais não têm qualquer interesse na sua exploração. Há parcelas tão pequenas, que a sua exploração pelos proprietários não é rentável, mas se um conjunto de pequenos proprietários se organizar ou entregar a gestão das suas parcelas a cooperativas, há maior racionalidade e rentabilidade, porque se reduzem os custos de exploração e manutenção. Dir-me-ão que estou a esquecer o individualismo dos portugueses e não deixo de vos dar alguma razão.
No entanto, uma boa campanha de sensibilização pode levar muitos pequenos proprietários a organizarem-se em cooperativas, em vez de deixarem as suas parcelas ao abandono. Caso não o façam voluntariamente, devem ser obrigados a ceder os seus terrenos para o domínio público, ou a entregar a sua gestão a cooperativas. Neste caso, manteriam a posse dos terrenos, mas a gestão seria assegurada pela cooperativa. Cada associado ficaria com uma conta corrente com a cooperativa e poderia pagar a prazo as despesas efectuadas, através da venda dos produtos. Isso, porém, exigiria que o Estado garantisse às cooperativas o financiamento necessário. No caso de o Estado optar por ficar com a posse administrativa dos terrenos, entregaria a sua gestão às cooperativas e seria ele a pagar as despesas...Esta proposta não é minha… foi-me avançada pelo presidente da Fenaflorestas ( Federação Nacional das Cooperativas Florestais) durante uma entrevista que lhe fiz sobre os problemas da floresta portuguesa. Parece-me uma boa ideia… E vocês que têm a dizer sobre este assunto?
* Também se asinala hoje o Dia Mundial da Poesia. Se tiver tempo, engenho e arte, mais logo venho aqui falar-vos de poesia

sábado, 20 de março de 2010

Limpar Portugal

A floresta é demasiado importante nas nossa vidas...
Quando a temperatura sobe e os incêndios começam a deflagrar por todo o País, a floresta salta para as primeiras páginas dos jornais, torna-se notícia de abertura de noticiários e assume o papel de protagonista em programas de televisão preparados à pressa. Depois, com a chegada do Outono e o aparecimento das primeiras chuvas, a floresta volta ao anonimato, refugiada num recanto esconso dos camarins dos serviços informativos. É assim há anos. Há demasiados anos...
Este ano, porém, foi diferente. Três jovens lançaram uma iniciativa pioneira, convidando os portugueses a limpar as lixeiras florestais. Mais de 50 mil voluntários responderam à chamada e, na véspera da celebração do Dia Mundial da Floresta, foram limpar lixeiras e baldios.
A floresta esteve no centro das atenções mas, infelizmente, não vi ninguém falar , na comunicação social, sobre a importância desta acção na prevenção dos incêndios. E teria sido importante fazê-lo, como forma de alertar os portugueses para a necessidade de alterarem a sua relação com a floresta.
Os devastadores incêndios de Verão, pela sua violência e extensão, não deixam ninguém indiferente. Vemos um País - de súbito apiedado e atónito perante os cenários dantescos que as televisões lhe oferecem em exaustivos directos- responder de forma solidária aos incansáveis apelos da comunicação social, para apoiarem as vítimas que, no curto espaço de umas horas, vêem destruído o labor de muitos anos. Terminada “oficialmente” a época dos fogos, não vale a pena perder-nos em querelas inúteis, tentando apontar a dedo os responsáveis, ou discutindo a forma como tudo poderia ter sido evitado. O importante, na fase de rescaldo das consciências, é não deixar apagar das nossas memórias o rasto de desolação que se estende pelo País . O que vale a pena é tudo fazermos para evitar que no próximo Verão o cenário se repita, pensando na floresta como um bem comum e cuja destruição a todos afecta.
A floresta é responsável pela criação de mais de 250 mil empregos em Portugal e representa uma percentagem significativa do PIB nacional e do PIB industrial. Razões mais que suficientes para investir em acções de sensibilização que contribuam para esclarecer os portugueses sobre a importância da floresta nas nossas vidas.

...não podemos deixar que a nossa incúria a reduza a cinzas.

Papa pede desculpa...

...pelos abusos sexuais cometidos pelo clero. Tudo bem, mas o que eu gostava de saber, era a penitência que vai aplicar aos pedófilos. É que isto não vai lá com Avé Marias ...

As sandálias chinesas

Um casal está de férias em Macau. Passeando pela zona do mercado, passam por uma pequena loja de calçado e ouvem uma voz lá de dentro num linguajar meio por meio, a dizer:
- Vocês, estlangeilos! Entlem, entlem na minha humilde loja!
O casal entra na loja e o chinês diz-lhes:
- Tenho aqui umas sandálias especiais que penso que estalão intelessados. Elas fazem ficale selvagem no sexo que nem um glande camelo do deselto, quem as calçal ficalá maluco.
A esposa, mostra-se curiosa e interessada. O marido não se interessa nada por elas, mas por descargo de consciência pergunta ao homem:
- Como é que estas sandálias nos tornam muito mais activos sexualmente?
O Chinês explica:
- É só explimentale...
O marido depois de discutir um pouco com a mulher, cede e displicentemente experimenta-as.
Imediatamente ganha um olhar selvagem, algo que a mulher não via há muitos anos.Era o poder sexual cru e nu! Num piscar de olhos, o marido corre parao Chinês, atira-o para cima da mesa rasga-lhe as calças e... o Chinês começa a berrar:
- Calçou ao contlálio!!! ... Calçou ao contlálio!! ! ... Calçou ao contlááááááliio!!!!!!

Nunca lhe ofereceram um espelho?

Manuela Ferreira Leite disse hoje, na Antena 1, que espera que os militantes do PSD não escolhamo novo líder pela aparência. Em minha opinião, pode estar descansada. Se os militantes do PSD ligassem às aparências, ela nunca teria sido presidente.

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sexta-feira, 19 de março de 2010

Portugal ao espelho


Portugal não é apenas esse país exótico que inventou os PIN para viabilizar projectos turísticos, comerciais ou industriais em áreas protegidas, ou altera um PDM num piscar de olhos, para proteger a actividade de um sucateiro cuja influência pode ser importante no resultado eleitoral de um concelho recôndito.
Portugal é o país do “jeitinho”, do “empenho”, (“ ó sr doutor, se me arranjasse qualquer coisa ao miúdo que anda há dois anos ao alto sem conseguir trabalhar… Obrigado stôr), onde (quase) ninguém já acredita ser capaz de mostrar o seu valor se não tiver um encosto, um padrinho, uma “cunha”.
Mas Portugal é, também, um dos países europeus onde os cidadãos mais fogem ao cumprimento dos seus deveres fiscais, utilizando as mais imaginativas artimanhas para iludir o Fisco.
Em Portugal, não é só o merceeiro que rouba no peso do fiambre. Também o médico ou o advogado evitam passar recibo sobre os seus serviços e, quando lho exigem , vai de carregar sobre o preço da consulta.
No final de uma refeição num restaurante, há sempre um empregado solícito que pergunta: "deseja factura?"
Quando pedimos a um electricista, um canalizador, ou um carpinteiro, algum serviço em nossas casas, a pergunta sacramental, antes de fazerem o orçamento é: "quer recibo?" Ou seja, quer que lhe ponha mais 20 por cento de IVA na conta?
Claro que o português não quer, por isso responde logo: "não, deixe lá isso!"
Portugal é o país onde a Segurança Social detectou, nos últimos meses, 80 mil infractores. Ou seja, 80 mil cidadãos que se locupletaram indevidamente com quantias que não lhe eram devidas, pagas por todos nós. Baixas fraudulentas, gente a receber subsídio de desemprego, enquanto trabalha noutro local, ou está a gerir o seu boteco.
Portugal é o país onde a alta finança se move tranquilamente em off shores, a banca está sempre sob suspeita e as gasolineiras aumentam o preço dos combustíveis quando desce o preço do petróleo.
Resumindo: somos um país de vigaristas!
Perante este panorama, espanto-me quando vejo os portugueses obcecados e deprimidos com a ideia de um conselheiro de Estado ser um troca tintas ou de um PM ter metido a mão na massa de um “outlet”. Mas afinal não são os nossos governantes portugueses? Não pertencem eles à oligarquia de interesses de um Centrão que governa o pais há mais de 30 anos , retribuindo-se favores e prebendas, partilhando salomonicamente os cargos decisórios?
O Centrão lembra-me, com inusitada frequência, o comportamento de duas famílias que lutam pelo poder de uma região. Convivem alegremente nas festas de casamento entre membros dos clãs, fazem discursos elogiando o significado daquela união, mas vão ao funeral dos membros da família adversária com aquela doce sensação de que ganharam mais poder com o seu enfraquecimento. Perdem a compostura e sacam de naifas ou revólveres, para eliminar o adversário, no momento em que a conquista de uma posição favorável no tabuleiro de xadrez depende de uma ida às urnas. Encarniçam-se, fazem jogo sujo, mas unem-se para alertar os seus súbditos que a luta se limita aos dois clãs.
Sinceramente, não tenho pachorra para tanta mesquinhez. Estou fora deste filme, porque quando se trata de lutas de “famiglia”, prefiro o recurso ao DVD, para ver os requentados episódios de “La Piovra”! Ao menos, aquilo é ( aparentemente) apenas ficção.
Parafraseando aquele “graffitti” na cidade do México, onde se podia ler “Basta de realismo, queremos promessas!”, apetece-me dizer:Basta de telenovelas noticiosas, queremos saber o fim da história!

Portugal no feminino (15)

Palmira Bastos
(1875-1967)
Filha de espanhóis, nasceu em Portugal ( Alenquer) porque os seus pais faziam parte de uma “trupe” que apresentava peças de teatro de terra em terra.
Nasceu no teatro e representou quase até ao fim da vida. Não terá sido a maior actriz portuguesa de todos os tempos ( embora se encontre indiscutivelmente entre as maiores), mas trago-a aqui porque ela era a figura principal da primeira peça de teatro "adulto" a que assisti ao vivo. Foi no teatro Monumental, e a peça era “As Árvores Morrem de Pé”.
Ainda hoje sinto um arrepio percorrer-me de alto a baixo quando lembro aquela noite.No momento em que Palmira Bastos, batendo vigorosamente com a bengala no chão, diz “ As árvores morrem de pé!”, todo o público se levantou, empolgado, numa estrondosa salva de palmas. Percebi, pela primeira vez, a grande força do teatro. Arrepiante!
Palmira Bastos trabalhou no teatro até Dezembro de 1966, falecendo no ano seguinte.

A ficção socialista

São cada vez mais as vozes, dentro do Partido Socialista, que se insurgem contra o PEC . Considero uma reacção natural, pois nenhum socialista pode apoiar medidas que penalizam fortemente quem vive do seu trabalho e beneficiam os especuladores.
O PEC é insustentável, mas já há muito se sabia que Sócrates vive num mundo de ficção, de que ele é o epicentro e que sempre governou favorecendo a direita, esquecendo-se que é secretário-geral do PS e não do PSD ou do CDS. Esta reacção peca, por isso, por tardia. Se na altura própria os verdadeiros socialistas se tivessem insurgido contra a política de direita prosseguida pelo governo de Sócrates, talvez nunca tivéssemos chegado a uma situação tão difícil como a que vivemos. Agora, é tarde. O Partido Socialista - que na prática está arredado do poder desde 2001- vai continuar fora da governação durante muitos anos, porque aqueles que tinham a obrigação de ter denunciado em tempo oportuno que Sócrates era um logro, mantiveram-se demasiado tempo calados, pactuando com uma ficção.

Blogs no feminino (15)

Hoje, a minha sugestão é que vejam o mundo através dos óculos da Teresa. Em Os meus óculos do mundo a autora dá-nos algumas perspectivas que valem a pena. Não percam, por exemplo, um video sobre o dia do Pai que hoje se assinala.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Portugal no feminino (14)

Rosa Mota
( atleta maratonista)
Não poderia faltar, nesta homenagem à mulher portuguesa, uma figura do desporto. Optei por uma atleta que escolheu uma prova reservada a eleitos, onde o espírito de sacrifício é determinante para triunfar.
Já está fora de competição, mas foi a primeira mulher a trazer para Portugal uma medalha nos Jogos Olímpicos: a de bronze em Los Angeles, 1984 ( na foto, logo após ter cortado a meta) e depois a de Ouro em Seul, 1988.
Ao longo da sua carreira venceu as principais Maratonas que se disputam a nível mundial, foi campeã do mundo e tri-campeã europeia. À sua enorme vontade de vencer, Rosa Mota alia uma simpatia transbordante e uma grande simplicidade. É a nossa "Rosinha" e não é preciso dizer mais nada, pois não?

Pandemias

Durante meses andaram a intimidar-nos com a pandemia da Gripe A. Os resultados são os que se conhecem : um grande negócio para aindústria farmaceutica . Afinal, sabe-se hoje, a pandemia era outra. Chama-se pedofilia e tem sido prática banal na Igreja Católica há décadas. Os escândalos começaram na Irlanda e nos Estados Unidos, mas estão a alastrar por todo o mundo, de um modo incontrolável. Esta é uma pandemia que já fez milhares de vítimas, mas para a qual ainda não se encontrou antídoto. Benza-os Deus!

Blogs no feminino (14)

A autora diz que são Notas ao Acaso. Não custa a acreditar, mas a verdade é que, normalmente, os posts que por lá se lêem são acasos felizes.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Humor regressa à RTP


Estafado o modelo do "Dança Comigo" ( em quase todas as posições) e de uns pindéricos concursos de famílias que pretendiam reavivar - sem qualquer hipótese de sucesso, obviamente- "A Visita da Cornélia", a RTP vai regressar ao humor nas noites de fim de semana.
Ainda sem datas de início anunciadas, sabe-se que as noites de sábado irão ser preenchidas com um " talk show" de Bruno Nogueira ( um dos Contemporâneos) e as de domingo com Hermann José.
Depois da decepção que foi a sua passagem pela SIC, Hermann terá agora oportunidade de mostrar que ainda não está acabado e continua a ser capaz de fazer humor sem recorrrer à ordinarice vulgar e ao palavrão fácil. Será capaz de recriar figuras como Tony Silva ou Serafim Saudade e as suas "yes girls", tão actuais agora, como na época em que Herman as concebeu?

O Bordel

Bordel ( Nadir Afonso)

Um destes dias penso escrever sobre o PEC. Hoje, apenas queria dizer que lamento viver num país onde um governo socialista obriga os mais pobres a pagar a crise.
Lamento viver num país onde o governo, que se proclama socialista, permite que os gestores públicos recebam vencimentos e prémios pornográficos, que são um insulto a quem trabalha, e reduza drasticamente as pensões, os subsídios de desemprego e as despesas sociais.
Lamento viver num país onde o governo se proclama socialista, mas despreza as crianças e os velhos.
Lamento tudo isto, mas também lamento viver num país onde um “speaker” de serviço, numa cerimónia oficial, apresenta o PM com o nome por que é conhecido num programa televisivo de sátira política. Se o “speaker” estivesse no palco até lhe louvaria a coragem mas, como se protegeu pela “voz off”, considero um acto de cobardia cujas motivações poderão ter tido origem, por exemplo, numa aposta. Pode também tratar-se de uma pessoa com sede de protagonismo que, sabedora da curiosidade mórbida da nossa comunicação social, estará agora à espera que alguém sopre para um jornal a sua identidade, para depois atender os telefonemas com pedidos de entrevistas. Com sorte, um destes dias está a fazer um “talk show” e tem duas ou três colunas de opinião nos jornais.
Isto está a precisar de uma grande volta. Não tenho saudades dos tempos onde o temor reverencial nos obrigava a ser demasiadamente contidos, falar em surdina com medo de sermos ouvidos por um "bufo" que nos denunciasse, nas salas de aulas se podia ouvir o zumbido de uma mosca, cada vez que o professor fazia uma pausa na sua "prelecção".
Não gostava desse tempo e sempre o manifestei, mas também não aprecio estes tempos onde se perdeu a noção de respeito e o anonimato se tornou prática comum para quem pretende insultar outro, mas não tem coragem de dar a cara. Não gosto de cobardes.
Uma sociedade saudável não pode confundir a irreverência com falta de respeito aos professores, à Justiça e às instituições.Poderão dizer-me ( e concordo) que quando os exemplos de falta de respeito e decoro provêm de uma putativa candidata a Primeiro- Ministro que faz uma campanha eleitoral onde não apresenta uma única proposta para governar, mas chama mentiroso ao PM em exercício dez vezes por dia diante das câmaras de televisão, no que é secundada pelo mais respeitado comentador político, se está a legitimar (e até incitar) as pessoas a seguirem o seu exemplo. Tudo bem, mas não digam que isto é um país. Muito menos um país democrático. A linguagem e os comportamentos são mais próprios de um bordel rasca onde o cliente, que se recusa a pagar a conta porque foi "mal servido", arma uma zaragata.

Pior a emenda...


Morais Sarmento afirma que os militantes do PSD não estão preocupados com a “Lei da Rolha”. Terá toda a razão o ex-ministro da propaganda de Durão Barroso. Afinal a medida foi aprovada por larga maioria, nenhum dos candidatos à liderança, mesmo votando contra, levantou quaisquer objecções durante o Congresso, o assunto em termos de discussão interna morreu aí. Há , no entanto, um ”porém”. Assim que a blogosfera e a opinião pública começaram a criticar a “Lei da Rolha” todos os candidatos vieram para a praça pública fazer coro com os críticos. Se repudiam a medida do “ fecho éclair” , por que razão não manifestaram a sua repulsa perante os congressistas?
Só se justificam estas reacções “a posteriori” por cobardia ou hipocrisia. Ou tiveram medo de enfrentar as reacções dos congressistas, ou estão-se nas tintas ( e cada um deles até terá visto algumas vantagens, no caso de vir a ser o futuro presidente do PSD, o que os levou a votar contra, mas desejando, interiormente, que a medida fosse aprovada).
A conclusão a tirar desta postura dos candidatos à liderança do PSD é muito preocupante. Ficou demonstrado que, seja qual for o vencedor ( e eventualmente o próximo PM de Portugal) não escapará à pergunta: “ Se aceitam isto dentro do partido sem refilar, como vão comportar-se se um dia chegarem a PM?”
Antevendo esta hipótese, logo houve quem viesse defender que norma idêntica existe no PS. Mentira. A norma dos estatutos do PS não proibe os militantes de criticar os líderes, caso contrário, já Ana Gomes, João Cravinho e muitos outros teriam sido expulsos. Lançar esta atoarda dá jeito. Pelo menos, serve para calar alguns militantes que reagiram timidamente na blogosfera, com críticas fouxas e envergonhadas.
Estes episódios protagonizado pelo principal partido da oposição revelam que, à força de querer ser diferente, o PSD cada vez mais se assemelha ao PS de Sócrates. Os seus putativos futuros líderes evidenciam, porém,alguns defeitos ( hipocrisia e cobardia) a que o actual PM parece estar imune. Podem fazer-se muitas acusações a Sócrates ( eu próprio já aqui as tenho feito) mas ninguém o pode acusar de falta de coragem.
O que o país precisa é de alguém capaz de enfrentar com coragem os problemas, de impor a sua opinião nas instâncias internacionais e não de alguém que nem no interior do seu partido é capaz de levantar a voz e manifestar a sua indignação. A esta hora, os fervorosos apoiantes de Passo Coelho que acreditavam na renovação, devem estar um pouco descoroçoados. A não ser aqueles que, embora dando uma imagem exterior de coerência, se comportam exactamente como o seu amado líder.

Portugal no feminino (13)

Natália Correia
(1923-1993)
Tive o enorme privilégio de conviver de perto com esta mulher, que chegou a ser considerada a mais bela de Lisboa. Quantas noites saí do seuBotequim” já os primeiros raios solares dardejavam as janelas da Graça, depois de uma animada noite de tertúlia! Quantas histórias, quantas recordações, dos tempos em que as noites bem regadas a álcool e nubladas pelo fumo do tabaco, eram momentos de aprendizagem e enriquecimento que me faziam regressar a casa com uma extraordinária sensação de ter valido a pena.
Não há palavras para a descrever, mas deixo aqui como prova do seu indesmentível talento e da sua perspicácia, a célebre resposta poemada que Natália improvisou na AR ( 1982), como resposta a um deputado do CDS, cujas posições contra o aborto o levaram a afirmar que o acto sexual era apenas para procriar.
“Já que o coito -diz Morgado-
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca truca…
sendo só pai de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou -parca ração- uma vez!
E se a função faz o órgão, diz o ditado,
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado”.
( Natália Correia, 1982)

Blogs no feminino (13)

Os conteúdos deste blog têm a dimensão do seu nome: Peso dos sentidos. Vão lá e vejam se não tenho razão...

terça-feira, 16 de março de 2010

The Special One: A vingança serve-se fria


Mourinho ganhou, no Chelsea, seis ou sete títuos. Dois campeonatos, Taças de Inglaterra e FA Cup. No entanto, como não conseguiu levar o Chelsea à final da Liga dos Campeões. Esteve quase lá, mas um erro do árbitro , (numa meia final validou um golo do Liverpool numa bola que não entrou na baliza) impediu que o objectivo fosse alcançado. No ano seguinte, quase no início da época, Abramovitch aproveitou um empate em casa com o Rosenborg, para o despedir, pagando-lhe uma indemnização milionária. Substituiu-o por um israelita cujo nome nem me lembro e que apenas veceu a FA Cup. Depois veio Scolari que nada ganhou e foi substituído ao fim de seis meses por Ancelotti, cujo ódio visceral por Mourinho é sobejamente conhecido. Até agora, nada ganhou.

Na primeira oportunidade, Mourinho desforrou-se. Foi esta noite. Com uma equipa fraquinha, montou uma táctica venenosa, conseguiu uma exibição soberba em Londres, durante a segunda parte, e eliminou o Chelsea. Em 90 minutos, Mourinho ajustou contas com o magnata russo e com o rival Ancelotti. A vingança serve-se fria.

Odiado em Itália, perseguido pelos árbitros, obrigado a enfrentar uma imprensa que lhe faz a vida negra e torcia pela eliminação do Inter, Mourinho manteve-se imperturbável. Soube esperar a sua hora para se poder vingar dos seus detractores. O momento chegou e em dose dupla. A paciência é uma grande virtude. Por isso é que gosto de Mourinho.

Spínola e o PREC



Terá passado despercebida a muita gente, uma discreta notícia divulgada pela Lusa na última quinta-feira (11 de Março).
Em declarações à agência, o jornalista alemão Guenter Wallraff ( famoso pelas suas reportagens undercover) revela ter-se encontrado em 1976 com o general Spínola, disfarçado de traficante de armas.
Não se tratou de um encontro casual. Já se conheciam, porque Wallraff infiltrara-se no MDLP, (partido liderado por Spínola) disfarçado de nacionalista germânico que se propunha fornecer armas ao partido. Na sequência do 11 de Março de 1975, o ex- Presidente da República foi obrigado a sair do país e, chegado à Alemanha, terá recuperado o contacto com o jornalista.
Durante o encontro - que decorreu em Dusseldorf- Spínola terá manifestado a Wallraff interesse em adquirir armas para regressar a Portugal, retomar o poder e exterminar fisicamente os seus adversários. Perante os factos, Wallraff entregou as provas às autoridades, o que resultaria na extradição de Spínola para o Brasil.
Recordo esta notícia porque, quando se fala do período pós 25 de Abril, a maioria das pessoas só fala do PREC, do perigo comunista , dos desvarios de Otelo e da extrema esquerda, ameaçando com execuções no Campo Pequeno, mas esquece sistematicamente os episódios envolvendo a direita e a extrema-direita, não menos ameaçadores para a instabilidade do país antes e durante o PREC.
Pergunto-me ( e gostaria de saber a vossa opinião) se alguma este episódio seria tornado público, no caso de as agências de notícias serem privadas.

Portugal no feminino (12)

Simone de Oliveira
( cantora e actriz)
Talvez muitos leitores se admirem e até torçam o nariz a esta escolha mas, como avisei logo no início desta rubrica, não escaparia à subjectividade.
Tenho uma enorme admiração por Simone de Oliveira, intérprete de uma das mais belas canções que Portugal um dia apresentou no Festival da Eurovisão- "A Desfolhada".
Para se impor teve de lutar contra inúmeros tabus, numa época onde a sua firmeza de carácter lhe valeu inúmeras críticas. Um dos maiores elogios que lhe pode ser feito é que muitos dos seus detractores de então, são hoje seus fiéis admiradores. Só uma mulher de muita fibra seria capaz de resistir aos ataques de que foi alvo.
Simone é um exemplo que deveria ser seguido por muitas mulheres portuguesas que nunca passarão de "majorettes". Perante um macho que lhes sirva de guia, abdicam dos seus valores e anulam a sua personalidade.
Simone nunca precisou de protectores. Foi ( e é ainda hoje) mulher íntegra a tempo inteiro, fiel aos seus valores e nunca abdicou daquilo em que acreditava,num tempo de Estado Novo em que as mulheres que quisessem ser independentes, não tinham vida fácil. Um grande beijo, Simone!

Blogs no feminino (12)

Doce ou Travessura faz lembrar o Dia das Bruxas, mas o que por ali há é uma boa reflexão sobre temas sérios do quotidiano feita,muitas vezes, com um sorriso nos lábios.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Santana Lopes supeito de favorecimento a Américo Amorim

Santana Lopes, no final do Congresso, depois da aprovação da "Lei da Rolha".
(foto gentilmente cedida pela Internet)
Causou estranheza em alguns meios jornalísticos a presença de Belmiro Azevedo, hoje, em Belém.
Mário Crespo terá dito a Nuno Santos que alguém da sua confiança lhe tinha dito que, durante a conversa, o patrão da Sonae pediu o apoio de Cavaco para convencer Balsemão a despedi-lo da SIC, porque Belmiro estará interessado em contratá-lo como palhaço residente para animar festas de crianças. Mário Crespo já anunciou que vai apresentar queixa à ERC.
Diferente é a opinião de Manuela Moura Guedes. Contando com o apoio de José Eduardo Moniz, a ex-dona do Jornal da Sexta afirma que Belmiro de Azevedo foi a Belém para acusar Santana Lopes de estar a favorecer de Américo Amorim, concorrente da Sonae na área das grandes superfícies.
Manuela Moura Guedes afirma ter em sua posse documentos que comprovam que a proposta apresentada no domingo em Mafra por Santana Lopes, visando cortar o pio aos militantes do PSD - já conhecida por “Lei da Rolha”- tem como único propósito favorecer os negócios corticeiros de Américo Amorim.
Entretanto, Santana Lopes critica o silêncio dos candidatos durante o Congresso. Será que eles sabiam de tudo, mas não quiseram afrontar o Rei da Cortiça, com medo de perder o seu apoio em eleições legislativas?

Método anti- abordagens na rua

Está farto de ser abordado na rua por gente que lhe quer vender cartões de crédito, oferecer brindes ou fazer inquéritos? Se não está para perder tempo ( nem que seja só para explicar que não está interessado) nem quer parecer antipático estugando o passo e fazendo sinal que está com pressa, aqui deixo o meu método. Assim que os avisto ao longe, afivelo a minha cara nº 5 de pessoa compungida ou preocupada com um grande problema e fixo os olhos no chão. O método é quase infalível. A excepção são os vendedores de time-share, insensíveis ao que quer que seja.

A propósito do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor


A sociedade de consumo não se faz só do prazer de consumir. Faz-se, também, de horrores que nos atormentam desde o século passado. Foram as guerras, a bomba atómica e a ameaça nuclear. Foram epidemias como a pneumónica, a tuberculose, e mais recentemente a Sida. E agora são as angústias com o endividameno que se pode ou não deve comer, com a doença das vacas loucas, as dioxinas nas aves, as dúvidas sobre o excesso de metais pesados no peixe ou os alimentos transgénicos. São os temores provocados pelo crescimento demográfico e as ameaças de fome. São as preocupações com o ambiente, o trabalho infantil e as novas formas de escravatura adoptadas pelas multinacionais, como forma de garantir produção a custos reduzido. São as secas e as cheias, a ameaça de desertificação e as marés negras que ficam por explicar convenientemente. É a pedofilia, a escravatura, o tráfico e o turismo sexual. São os meninos soldados a morrer, e os meninos roubados à escola para trabalhar em grandes multinacionais, contribuindo, em troca de salários de miséria, para encher as montras de produtos que ajudam a construir as nossas vaidades, ou a satisfazer os nossos prazeres.
Perceber isto demorou algum tempo. Só quando alguns países do Terceiro Mundo começaram a colocar questões sobre o valor das pessoas na sociedade de consumo e a alertar para o facto de não ser possível aos consumidors exercer o tão proclamado direito à escolha, (que as associações americanas, consubstanciavam na realização de testes comparativos) quando vivem em países onde nem sequer as necessidades básicas da maioria da população estão satisfeitas, é que o movimento dos consumidores começa a pensar à escala global e a colocar outro tipo de questões. Estávamos no final da década de 70 e Anwar Fazal- Presidente da IOCU ( Organização Internacional das Associações de Consumidores, actualmente CI) - afirmava:
"O acto de compra é um voto num determinado modelo económico e social, num modo particular de produção de bens. Preocupamo-nos com a qualidade dos bens e com a satisfação que dels extraimos. Contudo, não podemos ignorar as condições em que os produtos são feitos- o impacto ambiental e as condições de trabalho."
É nessa altura que, no seio do movimento de consumidores, se começa a olhar para o mercado como um esbanjador, capaz de criar desigualdades profundas e delapidar os recursos do planeta.Os movimentos ambientalistas estavam então em grande expansão, tendo contribuído, de forma significativa, para que o movimento consumerista se tornasse menos influenciado pela vertente material do consumo e passasse a dar mais importância às implicações de um modelo económico depradador.
Que dizer de um mundo onde morrem diariamente 50 mil pessoas por falta de água potável e cuidados de higiene, ou um quarto da população está impossibilitada de satisfazer as suas necessidades básicas, enquanto se gasta um milhão de dólares por dia em armamento?
Como se pode admitir que sejam exportados para países do Terceiro Mundo pesticidas e medicamentos que foram proibidos nos países de origem?
Que benefícios resultam para o consumidor, da existência de 30 marcas de detergentes, uma centena de cosméticos, 50 variedades de colas ou 75 marcas de sabonetes?
Porque razão se hão-de produzir dezenas de medicamentos com o mesmo efeito terapêutico? Que custos tem para o ambiente o fabrico de determinados produtos? É lícito que as multinacionais estejam a enriquecer à custa do trabalho infantil e do trabalho escravo?
E que dizer de um mercado que, em vez de funcionar a favor do ser humano, satisfazendo-lhe as necessidades básicas, se serve da sua máquina geradora de ilusões para incitar ao endividamento, de que resultou uma crise económica e financeira que está a deixar milhões de pessoas à míngua?
O desemprego aumentou de forma assustadora nos primeiros anos da década de 90, o poder de compra desceu de forma drástica. Enquanto a fome e a pobreza alastram (um terço da população mundial vive com um dólar por dia) morre de fome uma criança em cada oito segundos, e 80 países (em África, na Ásia e na América Latina) não têm dinheiro para comprar alimentos que supram as carências alimentares das suas populações, há um pequeno número de nababos que controlam o mundo, substituindo-se aos governos democraticamente eleitos. Haverá alguma coisa para comemorar, enquanto a defesa do consumidor não se preocupar com estes problemas?