Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Viagem de terror ao "Portugal dos Pequeninos"


Há mais de dois meses que isto não me sai da cabeça. Tenho resistido a escrever um post, porque receio ser mal interpretado e não quero que a Sónia Morais Santos, uma jornalista que muito admiro, pense que é uma crítica ao seu magnífico trabalho. No entanto, não gosto de viver com espinhas cravadas na garganta, nem de reprimir desabafos, por isso aqui vai.
A Sónia tem um programa na Antena 1 intitulado “Portugal dos Pequeninos” onde entrevista crianças sobre determinados temas. Em virtude da hora a que é transmitido ( por volta das 18) não costumo ouvir mas, num dia em que regressava a Lisboa, depois de mais uma dessas viagens de trabalho pelo país, liguei o rádio do carro no momento em que o programa ia começar. O tema, salvo erro, era o dinheiro e a Sónia perguntava à criança ( creio que de 11 ou 12 anos) o que faria se fosse rica.
- Comprava uma metralhadora e uma shot gun- respondeu o miúdo descontraidamente
- E para que é que tu querias a metralhadora?- perguntou a Sónia
A resposta veio pronta e atingiu-me como um punhal
-Para matar todas as pessoas de que não gosto.
Ainda não tinha sequer começado a digerir a resposta quando a Sónia faz nova pergunta:
- E quem é que tu matavas primeiro?
- O Sócrates
- Porque é que não gostas do Sócrates?
-Porque ele me obriga a estudar e eu detesto…
(Admito que alguma palavra do diálogo possa não ser exactamente a que reproduzo, mas não tenho dúvida de ter mantido a fidelidade ao espírito da conversa).
Vim todo o caminho ( mais de 200 quilómetros) a matutar no assunto. Que levará uma criança a formular tais desejos? Ainda por cima, como afiançou a Sónia, trata-se de uma criança super-inteligente e muito bom aluno, o que me deixou ainda mais preocupado.
Outra coisa que me ocorreu foi a audiência. Quem estaria a ouvir o programa àquela hora? Haveria miúdos a ouvir? E se havia, quais terão sido as suas reacções? De aprovação ou repúdio? Tenho a sensação que sei a resposta, mas prefiro ficar com ela para mim.
Talvez os meus temores sejam desajustados, mas não me sai isto da cabeça. Adoro ler a Sónia, mas gostava de nunca ter ouvido esta entrevista. Digam-me, por favor, que os meus receios são fruto da idade, a reacção da criança é normal, eu é que sou um “cota”.
Sei que a Sónia lê o CR e vai certamente desculpar-me por ter trazido esta questão para aqui, mas o blog para mim também funciona como uma espécie de catarse e eu tinha de desabafar convosco. Esta porra não me sai da cabeça! Como será este miúdo quando chegar à idade adulta?

29 comentários:

  1. Como mãe, avó e professora (actualmente reformada) fico literalmente abatida quando oiço "mimos" como estes. Sou sexagenária já vi muita violência, não entendo como a sociedade não "acorda"...

    Escrevi um pouco sobre este assunto em

    http://www.beijinhosembrulhados.blogspot.com/2009/08/pais-de-hoje_24.html

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  2. Pois! Boa pergunta e que muitos que estarão agora também a fazer. Eu julgo ser um pai moderno mas às vezes recordo-me do que diziam da minha geração: "Ai, esta juventude está perdida..."! Quando era um jovem adolescente eu achava este comentário muito injusto, hoje dou por mim a dizer o mesmo da actual juventude.

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  3. Sobre este programa em concreto já ouvi há dias um comentário do Dr. Daniel Sampaio e que foi claramente contra as perguntas que a jornalista foi fazendo depois da 1ªresposta dada pelo miúdo. Segundo ele, a jornalista devia ter impedido que o miúdo desenvolvesse a conversa, criticando logo no início os seus propósitos. Creio que até foi na rubrica do provedor do ouvinte a propósito de uma queixa com os mesmos argumentos que aqui expressa. Temos todos que estar atentos a estas manifestações de violência, agora verbais mas que podem infelizmente ser concretizadas. Tenho dois filhos e sempre recusei dar-lhes por brinquedos quaisquer objectos que pudessem apelar à violência.
    Parabéns pelo artigo
    Maria

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  4. É assustador!
    Para onde caminham os "pequeninos"?

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  5. Bom, quando comeceí a ler este post, penseí tratar-se de uma piada ou anedota de humor negro... esperava no fim da conversa, outro "desfecho" para a postagem (juro)! Fiqueí por isso, meio atordoada, a sentir que também eu - nos meus 37 anos - devo estar a ficar desactualizada!
    Ainda na duvida (não seja isto para os apanhados),digo que acho que o Dr. Daniel Sampaio afirma bem quando diz que temos de "criticar" imediata e frontalmente estas ideias, porque o grave não é tanto que as "ideias" lhes passem pela cabeça (considerando o tipo de estimulos na sociedade actual), o gravíssimo é que não haja ninguém a valorizar estes sinais, tentando perceber porque ocorrem e repudiá-los. Às vezes penso que as nossas crianças e jovens andam muito por sua conta, e definitivamente não têm maturidade capaz para distinguir determinadas acções e pensamentos porque ainda estão a formar a sua personalidade, têm de ser orientados. São peças de barro em modelagem... julgo que os "oleiros" de hoje devem parar um pouco para analisar sobre a forma como se têm vindo a criar estas peças para que não hajam grandes surpresas num futuro próximo.

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  6. "e quem é que tu matavas primeiro?" é de uma insensibilidade chocante. Não percebo sequer como é que se permite que a abordagem feita desta forma tenha sido difundida via rádio mas deve certamente ser ao abrigo da tal "liberdade de expressão".

    Anyway, Carlos, à sua última pergunta, eu espero que o futuro adulto seja, por exemplo, completamente contra perguntas idiotas.

    Abraço

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  7. Mas se os filmes e as séries na televisão, e toda a comunicação social em geral nao fazem senão viecular a violência, gratuita e impune, não nos podemos admirar com tais respostas. Como podemos nós dar a volta a isto?? É para reflectir, muito...

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  8. Quando era adolescente sonhei, que tinha morto o Presidente dos Estados Unidos da América.
    Claro, que foi apenas um sonho, mas se tivesse dito isso numa entrevista, qualquer um me dava por uma deliquente com energia criminosa... eu, que não sou capaz de matar uma mosca!
    O rapaz queria matar o Sócrates, pior era se quisesse matar os pais ou irmãos, porque a meu ver, o Sócrates representa apenas o símbolo de um governo mal governado... ou talvez o rapaz não tenha gostado da cor do Magalhães.
    Desde sempre se diz: "Ai, esta juventude está perdida..." Já ouvi isso na minha geração, e os meus pais e avós ouviram a mesma coisa.
    Há violência desde o começo do mundo (para quem acreditar) com Abel e Caim. E a Eva violentou o Adão ao obrigá-lo a comer a maçã!
    Summa summarum: a juventude actual nem é melhor nem pior do que as juventudes anteriores, nem mais violenta.

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  9. Meu caro, a isso chama-se falta de educação emocional.

    Neste momento, as agressões e as situações problemáticas em sala - ou fora - não t~em como protagonistas crianças, adolescentes, jovens com problemas intelectuais, não.

    Os protagonistas são, de modo geral inteligentes- alguns até acima da média.

    Fez muito bem em trazer o tema, sim.

    Porque é nas mãos desta gente que o futuro se encontra...e não me parece feliz, não!

    Fique bem.

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  10. Espero bem que seja crise de idade ... mas a criança jamais deveria ter sido confrontada com a pergunta...
    Espero que daí advenha um acto pedagógico para a entrevistadora...
    Fui prof.33 anos e ultimamente as atitudes dos miúdos estavam a ser desconcertantes...
    São mais friotes... é ao adulto que compete ajudar a fazer o caminho...
    Àquela hora , não deveria haver crianças a ouvir o progrma ele será para adultos com as ilações a tirar...
    Abraço e cumprimentos à D. Brites que nada tem a ver com a "dolce Paola"...

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  11. Não ouvi a entrevista, pelo que desconhecendo o contexto total em que tais afirmações foram proferidas. Assim sendo é muito elevado o risco de errar na minha opinião. A entoação da resposta do miúdo, toda a sucessão anterior e posterior a este pequeno trecho de conversa, podem fornecer pistas que permitem uma interpretação mais fidedigna. No post não se apresenta essa informação... O próprio histórico comportamental e enquadramento social do miúdo poderia dar-nos ainda mais sinais.

    A resposta pode ter sido dita em tom de provocação, em tom de bazófia, ou até de forma aparentemente séria, na tentativa de desafiar a figura de uma jornalista adulta. O que se diz da boca para fora, muitas vezes não corresponde ao sentimento verdadeiro. Isto é, pode dizer-se um disparate qualquer, sem que, quem o diga, tenha verdadeira intenção, de algum dia, colocar em prática tal disparate...

    A juventude será sempre irreverente e desafiadora. Penso eu de quê…


    VJB

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  12. Sabe Carlos, concordei com muito do comentário da "ematejoca".Não acredito que o menino seja um deliqüente e nem que vá chegar às vias de fato.
    Mais importante do que o que as pessoas falam é o que fazemos com o que nos é dito.
    Sou muito mais este guri que só expressa de uma maneira um tanto violenta o que sente do que os muitos meninos que matam sem nem saber porque estão matando como é o caso dos meninos aliciados por traficantes, terroristas e guerrilheiros, que infelizmente, são muitos.

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  13. Concordo consigo Carlos, mas confesso que também me assusta esta coisa de o Sócrates tb ser culpado de ele ter que estudar.
    O homem é mau, politicamente falando, mas é um cidadão.Não gosto dele, mas está na hora de ensinarmos a separar o trigo do joio

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  14. Eu também tive o infeliz encontro imediato de 1º grau com este programa num dia em que regressava de Lisboa à minha alegre casinha e fiquei triste.
    O tema do dia era:

    O que pensas sobre a lei agora aprovada do casamento entre homossexuais?

    Logo aí fiquei em choque. Não porque seja contra a lei, aí, tal como a lei do aborto, acho que devem ser aprovadas para que cada um faça o que muito bem entender com o seu corpo.
    Achei que as idades das crianças - uma de 10 e outra de 8 anos - deviam estar longe de solicitadas a manifestarem-se a favor ou contra a aprovação da lei.
    A esta distância não me lembro do diálogo mas a de 10 manifestou-se a favor do casamento e da adopção de crianças por estes. Já a de 8 era contra porque os casais do mesmo sexo não podiam fazer filhos.

    Acho que tudo deve ser explicado às crianças desde a mais tenra idade desde que as informações sejam dadas à medida das suas solicitações. A jornalista, no entanto, pergunta como se de adultos se tratasse e isso provoca-me uma revolta que me impede de aceitar a existência sequer de tal programa pelo menos nos moldes em que se encontra.

    Se a tal da Sónia passar por aqui, sugeria-lhe que não obrigasse as crianças a crescer antes de tempo.

    Perdoa-me Carlos se me excedi mas só pode ser mesmo um filme de terror o que se passa neste programa.

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  15. A sua confusão também é a minha. Porquê, para quê e a troco de quê se faz eco deste tipo de situações?
    Porque é que se cria a notícia e se atribuem causas e efeitos?
    E se a criança teve este tipo de resposta por ser um vivaço que apanha aqui e ali os comentários dos adultos e já houve tantos jovens que não foram entrevistados nem deram estas respostas a ninguém e foram capazes de cometer massacres?
    Não entendo, Carlos, juro que não entendo...

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  16. Medo...a criança já tem 11 ou 12 anos, não é brincadeira. Deve ser uma daquelas crianças que está habituada a ter tudo e quando contrariam o menino, mata-se...simples. Gosto muito da SMS e do blog dela e nunca ouvi o programa em questão. Bjs.

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  17. Considero que a única coisa que é caso para preocupação é a total falta de preparação da jornalista para lidar com esta realidade. Não indica nada de grave e não quer dizer que este miúdo ou a geração dele, venham a ser piores por absorverem o mundo e responderem dessa forma. As perguntas, logo a partir da primeira resposta é que deveriam ter sido diferentes. Em apoio do que diz o Daniel Sampaio eu penso que quem se mete a fazer este tipo de trabalho com crianças deveria preparar-se um pouco melhor, consultar pessoas que sabem algo sobre as etapas e as características do desenvolvimento psico-afectivo de crianças e adolescentes... Não faria mal a ninguém. Sobretudo não feriria as nossas sensibilidades sexagenárias que têm todo o direito a ser respeitadas :)
    E felicito-o Carlos, por usar tão bem este seu espaço

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  18. Oportuno este post, porque hoje também me perguntei, ao ver nas notícias as manifestações de estudantes, qual a lógica das reivindicações.
    Não percebi o que eles queriam.
    Aliás, os entrevistados, alguns dos revoltosos, também não sabiam ao que estavam.
    Se calhar muitos deles também queriam matar o Sócrates.
    Porque os obriga a ter aulas de substituição, a fazer exames no final do ano, porque os obriga a estudar portanto. Mas é mentira, eles nem estudam.
    E passam de ano, mesmo com muitas negativas.
    Também gostava de ter uma metralhadora.....

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  19. Carlos

    O que relata é horroroso e a continuação da entrevista mostra, pelo menos à primeira vista, uma falta de segurança relativamente aos contornos éticos que uma entrevista destas deve ter.
    A Sónia, que eu não conheço, tem de saber que entrevistar miúdos não é entrevistar adultos em ponto pequeno.

    :)

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  20. O prometido é devido... aqui estou. E sobre o assunto, é engraçado, falei dele, de uma outra forma, lá no meu cantinho. Começo por dizer-te que ou somos os dois muitos cotas ( e eu ainda só(?) conto 40...)ou temos todos os motivos para ficar com pele de galinha quando ouvimos este tipo de testemunhos. Não, claro que não é normal, mas é fruto da sociedade em que vivemos actualmente... o que não faz disso uma coisa normal.
    Estou desde há um mês a trabalhar numa escola primária, aqui em Braga, e digo-te que tenho assistido às maiores atrocidades, perpretadas por crianças entre os 6 e os 11 anos, e acredita que não estou a exagerar... o que fazem, o que dizem, é digno de ser avaliado por todos nós, pais e educadores, e reavaliada a forma como os educamos e o futuro que estamos a contruir. Mas nem tudo são espinhos, e por isso, para te(me) sossegar a alma, deixo-te o post que ontem escrevi quase sobre este mesmo assunto, mas numa perspectiva diferente...
    http://oslivrosqueninguemquisdaraler.wordpress.com/2010/02/04/nao-ha-rapazes-maus/
    Beijo grande (Quando vens ao norte? Gostava de te conhecer pessoalmente.O convite para um café, no Astória, aqui em Braga, fica feito.)

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  21. Estou atordoada com a resposta do miúdo, e com a insensibilidade da jornalista. Pergunto-me, quem serão os pais do miúdo, que formação lhe dão, que valores lhe transmitem..., isto de colocar um microfone nas mãos de uma criança não é para qualquer um.

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  22. Se forem dar uma olhadela, no facebook, aos fãs do jornalista Mário Crespo e ao que eles dizem do Sócrates, verão como é natural e expontanea a resposta de um miudo que tem por paí (ou mãe) um daqueles senhores (ou senhoras). O combate político é uma coisa, aquilo é outra. Com isso sim, devem preocupar-se. Os ódios estúpidos e cegos, despejados à hora do jantar, em frente das crianças, pode gerar esses comportamentos...Mas não dramatize, na escola ainda há putos bem formados e professores a sério.

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  23. Prefiro nem dizer o que me vai na alma ao ler este 'post'! Ainda assim, tenho que referir que desculpo a criança mas não gostaria de conhecer os seus pais e tenho grandes dificuldades em entender a jornalista.

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  24. Carlos, vocês Portugueses estão em vantagem. As crianças daí estão dizendo que se tivessem dinheiro, comprariam armas para matar educadores e sua sociedade não estará à mercê delas. Seus representantes políticos não tem esta origem.
    Nas grandes cidades Brasileiras, meninos de 12 anos são traficantes de armas, matam para roubar e são analfabetos.O pior é que a elite de nossos políticos tem esta classe como origem. são bandidos por tradição natural.Aqui, roubar e mentir rende votos. A melhor maneira de prever o futuro, é criá-lo.Nós já conhecemos o nosso.

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  25. Caro Carlos,
    O puto tem 12 anos e é tontinho.
    Pode ser muito inteligente, mas diz umas barbaridades que eu sei bem como resolvia.....
    Quem lhe faz essas perguntas também precisa de reflectir bem nas patetices que está a perguntar.

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  26. Sabe Carlos, não me choca tanto a resposta do miúdo. Provalvelmente, até disse o que disse, para se armar em esperto. Sabia que os amigos os estariam a ouvir, tinha noção que para aquele programa só eram convidados miúdos 'despachados' e com tiradas engraçadas e aquilo saiu-lhe.
    De contrário, se ele disse aquilo mesmo de caso pensado, então o assunto é muito mais grave, e faz-nos a todos ponderar sobre onde irão parar as nossas crianças. Mas como disse, penso que n foi o caso.

    Agora, grave, grave para mim, foi a jornalista não ter sabido parar, disfarçar, conduzir imediatamente a conversa para outro caminho, mal o miúdo falou em metralhadoras e shot gun. Pior, ainda alimentou a questão com mais perguntas, indo mesmo ao pormenor da questão.

    Isso sim, é preocupante.

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  27. Carlos,
    Embora tivesse estudado Psicologia Infantil, a minha experiência sobre a criança, tem uma base mais sólida no facto de ter criado 6 filhos e hoje ter 11 netos com quem convivi muito de perto.
    Há aqui duas questões sôbre as quais gostaria de dizer o seguinte: À partida, um programa desses deveria ser transmitido a uma tal hora que evitasse ser escutado por crianças. Deve(?) ser um programa que terá o objectivo de alertar os adultos para os sentimentos/conflictos da criança e, portanto, só aos adultos interessará. Se transmitido a outra hora e o tipo de perguntas fôr analizado, previamente, por um técnico em psicologia infantil, acho muito útil, para sabermos onde estão eventuais erros, quando educamos.
    Relativamente à resposta da criança, não há muito com o que possamos surpreendermo-nos, quando a criança, sobretudo hoje, quase todo o tempo que tem, disponível, passa-o em frente dum televisor com uma playstation a jogar, entusiasmadíssimo, matando isto e aquilo a torto e a direito, ou a excitar-se com corridas que incitam à velocidade e queimam o seu sistema nervoso. Se repararem, sempre que uma criança esteve a jogar este tipo de jogos, fica incontrolável, nervosa e muitas vezes agressiva com os irmãos. Para agravar ainda mais os elementos destabilizadores da serenidade que deveria ser apanágio da criança, estes jogos são acompanhados duma música massacrante, enervante e altamente cáustica para quem assiste sem poder deslocar-se para outro canto da casa, provavelmente porque não dispõe de outro sítio para estar, já que as televisões estão, normalmente, na sala de convívio familiar. Tanto pior se estiverem no quarto deles. São relativamente poucos os pais que, para poderem dedicar-se a coisas que terão de fazer quando chegam a casa, encontram nesta ocupação dos tempos livres dos seus filhos o seu "alívio" e não se apercebem que, nesta sua libertação da tarefa de ocuparem-se deles, está implícita - pela forma como eles estão "ocupados" - a referida destabilização emocional das suas crianças. E depois, também, a resistência nervosa da criança tem os seus limites e, no tempo, pode começar a reflectir distúrbios emocionais mais ou menos graves.
    Admito esteja errada, mas quer-me parecer que não estarei, de todo, errada.

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  28. O que eu ia dizer, a Patti disse. Tenho dito!

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  29. Olá este post tem um erro a meu ver grave a criança só tinha 5/6 anos

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