Ontem, a RTP 1 e a Antena 1 provaram a razão daqueles que defendem a existência de uma televisão e de uma rádio públicas. Durante muitas horas, foram as únicas fontes de informação nacionais sobre a tragédia que assolou a Madeira na madrugada de sexta para sábado. A SIC e a TVI só “acordaram” para as dimensões da catástrofe a meio da tarde, através dos seus canais de cabo.
Enquanto já se podiam ver muitas imagens no You Tube e a CNN dava grande destaque à tragédia, nos seus noticiários, os jornais on line portugueses continuavam silenciosos, demonstrando a sua quase inutilidade.
À mesma hora em que a CNN e a RTP-N estimavam o número de mortos em cerca de rês dezenas, os jornais on line anunciavam apenas 8 e a TVI – essa fábrica de bom jornalismo estava remetida ao silêncio.
O que aconteceu na Madeira foi, infelizmente, uma tragédia anunciada, a que muitos ambientalistas cépticos nunca deram importância. Deveria ser uma oportunidade para pensarmos nos atentados que , diariamente, se estão a cometer contra a Natureza, ao abrigo de PIN’s ( Projectos de Interesse Nacional) e do sôfrego apetite pelo lucro a qualquer preço.
O que aconteceu na Madeira foi, infelizmente, uma tragédia anunciada, a que muitos ambientalistas cépticos nunca deram importância. Deveria ser uma oportunidade para pensarmos nos atentados que , diariamente, se estão a cometer contra a Natureza, ao abrigo de PIN’s ( Projectos de Interesse Nacional) e do sôfrego apetite pelo lucro a qualquer preço.
Se não aprendemos nada com o que aconteceu na Região Oeste, em vésperas de Natal, ou a semana passada no Algarve, que ao menos aprendamos alguma coisa com a terrível tragédia da Madeira, que vá um pouco mais longe, do que o mero aproveitamento político. Isso é hipocrisia de gente obcecada, que não perde uma oportunidade para criticar o PM.
Pensar que as mortes ocorridas na Madeira foram culpa da chuva é fácil, mas primário. Importante, neste momento, é reflectir sobre as causas desta tragédia e evitar que, no futuro, ocorram situações semelhantes.
Adenda: Uma semana depois de lhe ter chamado repetidas vezes mentiroso, Marcelo Rebelo de Sousa enalteceu o sentido de Estado do PM. Como não acredito que MRS se tivesse repentinamente transformado num apoiante de Sócrates, esta afirmação devia ser bem digerida por quem aproveitou a tragédia para fazer ataques políticos completamente descabidos. Nas próximas vezes que me disserem que defendo Sócrates, vou exibir esta declaração do Professor.
O problema é que de uma forma ou de outra, quem vai pagar aquela desgraça toda vão ser os camelos do costume, a desgraça bate sempre à porta dos mais desafortunados.
ResponderEliminarUma desgraça, Carlos.
ResponderEliminarcomo estou sem televisão, acompanhei a tragédia na Madeira,pela Antena 1 e pela Internet.Ainda não percebi se era ou não uma tragédia evitável, e se sim, como.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarestamos de acordo. Mas continua-se a construir em leitos de rio, artificializa-se, artificializa-se...e consequentemente impermeabiliza-se. tudo em nome de uma pobreza de espírito a que chama, interesse e desenvolvimento da região.
O resultado aí está.
É comum em Portugal construir-se em qualquer lugar, desde que dê lucro, não se estuda o solo, o clima, o sentido das escorrências, o sentido das camadas,...
ResponderEliminarSe um dia ocorrer um terramoto na zona de Lisboa, como até é relativamente fácil acontecer, não faço ideia das dimensões que tal "acidente" pode tomar, constrói-se em qualquer lado, de qualquer maneira...
Por vezes a Natureza vinga-se, mas muitas outras o homem é o culpado porque não a ouve.
Abracinho
Por muito que tentemos culpabilizar a acção humana pela imensidão trágica que assolou a Madeira nunca seremos capazes de entender, controlar e dominar o que a natureza nos impõe. Em poucos minutos uma implacável força destruidora roubou vidas e semeou a devastação em toda a ilha. Certamente houve muitos erros urbanísticos e construções selvagens que levaram ao entupimento dos cursos naturais de escoamento de água e potencializaram a tragédia mas mais uma vez a Natureza reclama do Homem o devido respeito.
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