Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

A tragédia da Madeira: algumas reflexões (2)

Ainda não é conhecido o número total de mortos na tragédia da Madeira, mas sabe-se que algumas poderiam ser evitadas se, por exemplo, houvesse um Radar Meteorológico que permitisse alertar a população para o que se avizinhava.
No post anterior, já referi que a incúria das pessoas também foi co-responsável pelas dimensões que a tragédia atingiu em termos de vítimas mortais. Li há pouco, no DN, uma notícia elucidativa.
Apesar da intempérie, um casal decidiu deslocar-se ao Funchal, para ver "in loco", aproveitando assim o seu dia de folga. Durante viagem o carro começou a deslizar e o conduor não conseguiu controlá-lo. Mandou a mulher e o filho, de cinco anos, abandonarem a viatura. A criança morreu e a mulher e um homem que tentou salvá-los desapareceram.
A curiosidade mórbida das pessoas que decidiram arrostar a tempestade, para ver o "espectáculo", contrariando todas as indicações da Protecção Civil, motivou a morte de uma criança e o desaparecimento de dois adultos. Calculo a dor do chefe de família que sobreviveu.

11 comentários:

  1. Infelizmente, esta curiosidade doentia e a irresponsabilidade de se construir onde nem pensar em tal é possível, agravam as catástrofes inevitáveis.

    Boa semana.

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  2. Muda o país, mas continuam os problemas...e nem toda a culpa é da natureza...que até parece que numa fúria incontrolável resolveu se vingar dos homens.
    Quando é que vão entender que todo ser humano é responsável pelo planeta aonde vive,héin?
    Sinto pelas vítimas, ainda mais porque desconfio que algumas tragédias poderiam ser evitadas.

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  3. O que mais me impressionou foi a calma como depois falava ao jornalista descrevendo o que acontecera, pronunciando-se até sobre outros incidentes...

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  4. Eu não consigo calcular a dor deste chefe de familia Carlos, simplesmente porque considero que há gente cujo nível de primarismo e insensibilidade é tão grande que não resistem ao voyeurismo, mesmo pondo em risco e neste caso matando os seus próprios entes queridos. Infelizmente a natureza humana é tambem isto.

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  5. Carlos,
    Ainda estou "aparvalhada" com o que aconteceu na Madeira. Os meus melhores amigos vivem no Funchal e eu nem consegui reconhecer, pelas imagens, sítios por onde passava. Mais uma vez dá para pensar que nada somos perante a Mãe Natureza.
    Beijo

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  6. Tragédia mesmo! Que poderia ter sido menor, se os homens não insistissem em destruir, apenas com a finalidade do lucro, este mundo onde vivem...

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  7. Concerteza que foi a ignorancia a trabalhar e uma avaliação errada da situação. Nunca se pensa que as situações ocorrem e podem sempre bater à nossa porta... Neste caso, foi lamentavelmente fatal.
    O que é que será mais preciso, para chamar realmente a atenção dos homens, aos sinais de alerta que a natureza nos vai enviando, um pouco por todo o Mundo!?

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  8. Subestimamos a natureza, pensamos ser donos de algo que nos foi emprestado e não dado.
    Depois é que lamentamos e a história infelizmente vai-se repetindo!
    Um abraço

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  9. Porque será que tanta gente tem esta necessidade?

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  10. Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, ouvi na tv um casal com a filharada adolescente, tudo metido dentro de um carro: "Viemos de Setúbal, para ver tirar os mortos." Perante a estupecção verbalizada pelo reporter da RTP (até me apeteceu dar-lhe um beijo), o pater familias esclareceu: "Ver pela televisão não é a mesma coisa."
    Era uma sexta-feira, chovia desalmadamente, e estes cidadãos exemplares fizeram fim-de-semana prolongado para assistir in loco ao espectáculo macabro.

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  11. Quantos curiosos de máquina fotográfica em punho não se viam in loco, ainda as coisas não tinham estabilizado?
    Eu desde que vi um acidente na auto-estrada mesmo atrás de mim,que aconteceu porque o condutor de um jipe quase o parou na faixa mais à esquerda, para ver o mega acidente que se tinha dado do outro lado do separador, já acredito em tudo...

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