Viver em conjunto precisa de conflito, de polémica, de emoção. E da construção de um elo plural, com valores que desenvolvam o sentimento de pertença e de diferença. Todos estes padrões têm sido desprezados, com proficiência, por políticos manifestamente de segunda ordem e por jornalistas de adiantada mediocridade, agigantado ego e gramática fugaz.
O escabroso espectáculo no Parlamento, fornecido por Mário Crespo, José Manuel Fernandes e Felícia Cabrita, tidos como apreciáveis jornalistas (enfim: a estimativa não é generalizada, bem pelo contrário) desacreditou, ainda mais, o já azarento ambiente em que vive a Imprensa(...)"
(Misérias portuguesas: Baptista Bastos, DN hoje)
Gostava- como certamente muitos outros jornalistas da minha geração, de poder discordar destas palavras, mas não posso.Nasci no tempo em que um jornalista tinha de driblar a Censura e apurar a escrita para se fazer entender nas entrelinhas. Hoje em dia não há Censura, nem é preciso apurar a escrita. Basta uma mente criativa que invente uma manchete capaz de vender jornais. Não é preciso que seja verdadeira,o essencial é que gere polémica e atraia leitores. O desmentido virá depois em nota de rodapé.
Não me espanto, por isso, que jornalistas mais ou menos responsáveis confundam a publicação de escutas em segredo de justiça com liberdade de imprensa;
Que comparem uma providência cautelar com "exame prévio"; Que aplaudam um director de jornal que usou diversas artimanhas para não ser notificado de uma previdência cautelar, depois de terem criticado uma viagem de Pinto da Costa a Vigo, para se eximir a receber uma notificação;
Que se curvem reverencialmente perante o espectáculo circense protagonizado por Mário Crespo na AR;
Que se remetam ao silêncio quando, depois daquele espectáculo, Mário Crespo aparece na SIC Notícias a moderar um debate onde vários jornalistas faziam a análise à entrevista de MST ao Primeiro- Ministro;
Que haja jornalistas que estejam mais interessados em fazer política do que jornalismo.
A única coisa que me surpreende é que ainda haja gente a comprar jornais.
Eu já não compro. Até esta bandalheira acalmar, não compro.
ResponderEliminarE os jornalistas com J maiúsculo não se queixam de censura, não é?
ResponderEliminarenfom! Eu ainda compro, de vez em quando, certos jornais, por apreciar os cronistas.
PS.: Já consegui blogar ...sou muito teimosa. :)
Parece que até o jornalismo virou moeda, seja de troca, escambo ou compra.Cadê a Ética?
ResponderEliminarVou parar por aqui porque ando meio engasgada...
Bjos
Pois Carlos, cada vez que ouvirmos certos jornalistas é caso para perguntar onde estavas e que idade tinhas no 25 de abril. Pelo menos uma deve ter relevância. :-)
ResponderEliminarOlá Carlos,
ResponderEliminarDe facto o jornalismo já não é mais o que era e piorou...se compararmos com o jornalismo da «censura» até se vendem mais jornais, as pessoas vão comprando, mesmo dizendo que estão cheias de jornais!...
Mas de jornalismo percebe o meu amigo, eu tive um familiar jornalista, que naqueles tempos do PREC até passou por muitas vicissitudes, trabalhou nos três jornais importantes, naquela altura, no Porto: Notícias, Janeiro e Comércio.
Anda muito fugitivo!...Deve ser muito selectivo!...Nem sequer segue o meu blogue, não tem assim nada que preste? rsrsrsrs...
Um abraço,
Manuela
E por isso deixei de comprar o Sol e recuso-me a ver programas onde entrem esses brilhantes jornalistas como Mário Crespo...
ResponderEliminarÉ radical! pois é; mas o espectáculo na AR mais tudo o resto e já antes o seu artigo Palhaço, foram coisas que me fizerem desacreditar neste senhor.
Pode ser uma análise incorrecta da minha parte mas penso estarmos a viver momentos de “terrorismo” político. Onde todas as armas são válidas para demonstrar as falhas do partido que estiver no Governo, mal este esteja debilitado. Estão como que “guardadas” até ao momento certo para a sua divulgação pública. Os jornalistas, sérios e profissionais, são tentados a procurar algo que possa dar primeiras páginas e não recusam ofertas do género.
ResponderEliminarGostei bastante da lucidez do texto, uma excelente análise, como já nos habituou.
Carlos,
ResponderEliminarclap, clap, clap!
Estou sem pavravas para o saudar e para o congratular!
É por causa dessa clareza de ideias que eu gosto de cá vir ler o que escreve.
Subscrevo todas as linhas que escreveu, uma por uma, sem excepção!
E viva os jornalistas que fazem JORNALISMO!
Não podia concordar mais com esta análise!! Inteiramente de acordo.É de facto lamentável que uma profissão tão nobre como é a de jornalista, esteja a ser desacreditada... por de jornalistas que não sabem o que é liberdade de imprensa... Gostei do Blogue(vim recomendada pelo Sam Seaborn). Já há muitos anos que não compro jornais!(mas leio-os, :)Cumprimentos
ResponderEliminarManuela:Ainda bem que apareceu. Já vou lá ao seu cantinho explicar-lhe o que aconteceu...
ResponderEliminarEva: Muito obrigado pela visita e os meus agradecimetos ao Sam Seaborn pela recomendação
ResponderEliminarBom, Baptista-Bastos também tem que se lhe diga, não é? Um apartamento que a CML lhe cedeu - nada contra - em tempos de "vacas magras", mas com a qual pretendeu ficar como segunda, quando começou a viver melhor...
ResponderEliminarMas ainda há jornalistas e cronistas que admiro bastante, que leio sempre que posso! E não é por concordar com tudo o que dizem, como é óbvio! Mas enfim, suponho que o tempo fará com que só permaneçam no activo os verdadeiros jornalistas sérios, os restantes acabarão por ser varridos ou por arranjar cargos de assessores de políticos... ;)
Pois.
ResponderEliminar:))
Completamente de acordo com o que escreveu.
ResponderEliminarVamos caminhando de perplexidade em perplexidade. Como é possível o director de informação da SIC-N entregar a Mário Crespo a condução de um debate sobre a entrevista do PM a MST, sabendo-se, como se sabe, que o “jornalista” apresentou (não sei se já o fez, mas anunciou que o faria) uma queixa na ERC contra o PM?
Porque sou (e não gostaria de o ser!) guardador de um imenso rebanho de memórias (como diria Pessoa), confronto-me, a cada dia que passa, com novo choque.
Agora, a intervenção do director do Expresso, Henrique Monteiro, na Comissão de Ética do Parlamento. Conheci-o. Não lhe reconheço atributos morais e lisura ética para ter dito, como o fez, o que disse na comissão parlamentar: a história do telefonema (que se prolongou por uma hora, segundo ele) do PM a pedir-lhe “por tudo”, para não publicar a notícia sobre a sua licenciatura. Tem telhados de vidro de que, agora, não falarei, por respeito à minha saúde mental.
Choca-me, igualmente, a intervenção de alguns deputados naquela comissão. Mais parecem inquiridores de polícia política do que legisladores eleitos pelo povo! A Pide deixou escola.
Jornalistas? Cada vez mais se contam pelos dedos de uma mão.
Um abraço
E a mim o que também me espanta é ouvir pessoas ,que considero muito inteligentes, defenderem histórias da "carochinha", sem o mínimo de lógica...Ficam como os "três macacos", numa nova versão: surdos, cegos e falantes.
ResponderEliminarAbracinho