
A eventual censura do artigo de Mário Crespo é, aparentemente, condenável. No entanto, há qualquer coisa nesta história que não me parece bater certo e pode justificar a atitude de José Leite Pereira ( declaração de interesses: sou amigo do director do JN, mas não falei com ele sobre o assunto).
Não pondo em causa a veracidade do relato de Mário Crespo, há algo que me escapa e gostava de ver esclarecido. Por que razão não menciona o jornalista o local onde a cena se passou, nem indica o nome do executivo de televisão ( nem tão pouco o canal a que pertence), quando é tão expedito a mencionar os nomes dos membros do governo? Porque não aceitou a prova do contraditório e de imediato decidiu retirar o artigo?
Se eu fosse director do JN ( ou de qualquer outra publicação) e me visse perante um artigo daquele teor, de imediato colocaria essas questões ao articulista. Se as suas respostas respondessem de forma clara às minhas dúvidas, publicá-lo-ia. Caso contrário, agiria como José Leite Pereira. E porquê? Por duas razões.
Em primeiro lugar, porque o conteúdo é demasiado delicado e, não havendo provas da sua veracidade, o director do jornal corre o risco de ser processado ( solidariamente com o colunista) por difamação. Ora, a obrigação de um director de jornal é, antes de mais, garantir a credibilidade da publicação e evitar conflitos que a desacreditem. É certo que Mário Crespo invoca ter testemunho fidedigno (por escrito) dessa conversa – a que ele próprio não assistiu. Mas terá comunicado isso ao director do JN? Ter-se-á prontificado a apresentar-lhe as provas e sujeitar-se ao contraditório? Tudo indica que não.
Em segundo lugar, porque continuo a acreditar que o jornalismo só faz sentido quando é credível , rigoroso e responsável .Não escolheria, NUNCA, um espaço de opinião, num jornal, para me vitimizar( principalmente, em vésperas de lançar um livro com as minhas crónicas).
Os espaços de opinião são um espaço de liberdade, onde deve existir reciprocidade entre articulista e director. O director deve confiar no articulista e este deve ser responsável, não colocando em causa a credibilidade do jornal. Quando alguém falha nesta reciprocidade, a única solução é pôr termo à relação. Foi isso que aconteceu.
Quanto às reacções inflamadas que tenho lido na blogosfera, entristece-me que ponham em causa a honestidade profissional de JLP e o estejam a acusar de estar a fazer favores ao governo. Quanto a MC, temos de reconhecer que em vésperas de lançar um livro com as suas crónicas, esta história veio mesmo a calhar. Pelo menos, publicidade ao livro não lhe vai faltar.
Considero Mário Crespo um bom profissional. Mas concordo inteiramente com as suas reflexões. E também me faz muita confusão tanta gente a tomar partido sem que as coisas estejam esclarecidas.
ResponderEliminarConcordo consigo há assuntos que devem ser muito bem dissecados antes de virem a "lume", infelizmente, isto não acontece demasiadas vezes... A nossa "sociedade" dedica-se cada vez mais à falta de ponderação.
ResponderEliminarAbracinho
Será que o homem é assim tão burro, para se deixar apanhar constantemente em cenas destas?
ResponderEliminarNão acredito!
Gosto de MCrespo. Mas neste caso andou mal.
ResponderEliminarAna Lima: Não ponho em causa o profissionalismo de MC, como é óbvio. Tal como a si, o que me custa, acima de tudo, é ver a forma displicente como as pessoas tomam partido e exprimem opiniões sobre situações pouco claras. Ptreocupa-me tanto maniqueísmo.
ResponderEliminarObrigado pela visita.
Maria Teresa: pois é, a falta de ponderação nas análises é preocupante.
ResponderEliminarToZé: eu também não...
ResponderEliminarSobre este assunto tenho muito pouca informação. Tenho em grande conta o brio profissional de Mário Crespo e o JN é o meu jornal de referência. A simples existência de diferenças ideológicas nos profissionais de comunicação social colocam muitas vezes em causa a validade ética dos factos e faz com que o critério editorial venha a ser aquele que o poder político pretenda.
ResponderEliminarTens alguma razão... mas o espaço é dele, deveria poder escrevê-lo. :)
ResponderEliminarPara quebrar a quase unanimidade acho o Mário Crespo um péssimo profissional. No jornal das 9 da SICN confunde o papel de mediador da notícia, com o de opinador.
ResponderEliminarQuanto à historieta de que é autor e personagem principal não tem ponta por onde se lhe pegue.
E quanto ao carácter deixar e contribuir para que o Leite Pereira seja frito em lume brando, diz tudo sobre a personagem. Mas parece que com isto o Sindicato dos Jornalistas não está minimamente preocupado.
Pois a mim , que desconhecia por completo a existência do tal livro, me fez desde logo alguma confusão a situação. Começo a perceber a razão.
ResponderEliminarUma boa tarde.
Ultimamenet têm surgido histórias a que o meu pai chama de 'mal contadas'.
ResponderEliminarNunca se envolveu tanto o governo nestas histórias como agora. Sempre que surge um 'escandalo',o governo está lá!
Depois fica tudo em 'oremos' e entretanto oq ue era importante passou para segundo plano e as histórias ficam-se pelo meio ou com um happy end para todos.
Amigo:
ResponderEliminarVim aqui por indicação da maria teresa... e gostei!
Identifico-me totalmente com o seu ponto de vista: maduro, sensato, clarividente, lúcido.
Não alinha pelo histerismo rasteiro de alguma blogosfera sem profundidade analítica...
Também comentei este assunto no meu blog:
www.amarjunqueira.blogspot.com
cmpts
A situação não está de facto límpida, como tu tão bem comentas. Há algo nebuloso - ou não???
ResponderEliminarSó não entendo uma coisa: uma crónica é um artigo de opinião, certo? MC tem a opinião (ele diz que baseada em factos concretos) que Sócrates e Companhia lhe andam a "fazer a cama". O director do jornal recusa a publicação da crónica.
ResponderEliminarAlguém recusou publicar a entrevista de Belmiro de Azevedo, que, ao contrário, foi amplamente divulgada em vários programas televisivos? A insultar Cavaco, Sócrates e quase todos os políticos cá do burgo? Sim, porque chamar incompetente, ditador, mentiroso, etc. e tal, não me parece propriamente um elogio. Era opinião dele, tem direito a ela, certamente. Mas a dele pode ser publicada e a de MC não?
Pois, parecem-me existir duas bitolas...
Carlos,
ResponderEliminarPrefiro aguardar mais uns dias...
Decidi mudar o rumo da conversa que travava, comigo mesma, no meu simples blogue Letras-Sem-Tretas. Feito o texto, leio este seu sobre o "Caso Mário Crespo", bem assim como recebo o e:mail dum caro amigo comunicando-me a notícia. Costumo ler o que os jornais Portugueses colocam na internet, mas ainda não tinha visto esse artigo, por falta de tempo.
ResponderEliminarDepois de ter sabido deste caso, surgiu uma tal raiva em mim, que me apeteceu escancarar de novo as portas do meu blogue e gritar, desabafar o que penso. Estou revoltada com as vergonhas a que assisto de longe. Mas o que é que está a passar-se no nosso País? Já não se mede consequências de actos irreflectidos por causa de fobias estúpidas que ninguém de boa-fé pode entender? Estamos a entrar por uma via perigosíssima para o futuro da nossa democracia,
Carlos. Entendo, perfeitamente, a sua razão, mas nunca acreditei que Mário Crespo fosse capaz de assumir a publicação dum artigo daqueles se não estivesse seguríssimo do que afirmava nele. Peço compreenda a minha opinião. Se estiver enganada, serei a primeira a dar a mão à palmatória.
Isto tudo para dizer que, depois de ter mudado o rumo da conversa do meu blogue, "quase" me arrependi, mas tenho de controlar-me, enquanto não tiver recuperado aquele estado de saúde que me permita, depois, continuar a "desabafar" a meu jeito.
esta historia faz-me lembrar Saramago e a venda do livro de Caim.
ResponderEliminarPois é, faltam alguns esclarecimentos.
ResponderEliminarEste assunto ainda vai dar muito que falar.
Nunca achei o MC um grande jornalista, Acho-o enfatuado e dono único da verdade.
ResponderEliminarQuanto ao "incidente" estou mesmo a ver o JSócrates em gritaria no restaurante a debitar acusações a tudo e todos.
Está-se mesmo a ver...não tá-se...
Não sei quem é o Mário Crespo, por conseguinte a minha opinião é absolutamente imparcial.
ResponderEliminarSe eu fosse directora dum jornal garantia sempre a credibilidade da publicação, quer o conteúdo fosse demasiado delicado ou não. A veracidade das notícias é o A e O de um jornalismo sério... e todos nós queremos um jornalismo sério, não é verdade?!
Independentemente do "caso MC", quero dizer-lhe que concordo em absoluto com a forma como coloca a questão do ponto de vista do jornal.
ResponderEliminarVim aqui parar a partir do seu link no "Delitos de opinião". Subscrevo o seu post e junto-me aos seus comentadores, neste carpir de máguas sobre o estado a que chegou o "4º poder" (talvez para não destoar dos outros...). Desculpem, mas pego no que a Maria Teresa comenta para fazer um pouco de ironia: Há jornalistas que não dissecam nada antes de virem a lume pois a sua intenção é incendiar a opinião pública. Será o caso?
ResponderEliminarPaulo: Não nego que assim, seja, mas estou certo que não foi este o caso
ResponderEliminarS- Peço desculpa, mas o espaço não é dele... Há um jornal que lhe paga para ele escrever naquele espaço, o que é diferente. Se os colunistas começarem a escrever tudo o que lhes apetece, insultando A, B, ou C, ou relatando casos (mesmo verídicos) sem apresentarem provas, estaremos uito mal. Um jornal não é um blog...
ResponderEliminarMaloud: tocas num ponto importantíssimo. A falta de lealdade de MC com JLP parece notória. Se ele tinha mais dados, por que razão não os forneceu?
ResponderEliminarSão: Não serei tão peremptório...
ResponderEliminarreflexos: Tem razão. Como tudo em Portugal, não se vai ao fundo das questões e depois criam-se estes imbr´glios.
ResponderEliminarRouxinol: Obrigado pela visita e pelo comentário. Já lhe etribuo a visita.
ResponderEliminarJustine: Em minha opinião, há...
ResponderEliminarTeté: desculpe, mas são duas coisas totalmente diferentes. Numa entrevista a pessoa assume-se. No caso do artigo de opinião, acusavam-se terceiros.
ResponderEliminarrecmendo-lhe a leitura do comentário da maloud e a resposta que lhe dei.
Maria Letra: Fez bem. A blogosfera é para nos divertir, não para nos irritar...
ResponderEliminarDaniel: Não direi tanto...
ResponderEliminarRogério: Quem sabe? Obrigado pela visita. Já retribuí, espero que nos leiamos mais vezes.
ResponderEliminarcá para mim parece-me parece estratégia muito oportuna, em vésperas de lançamento do livro de MC!
ResponderEliminarNão tenho qualquer tipo de simpatia pelo profissional por ele.
Escuso de repetir, a maloud já disse tudo o que eu também penso.
ResponderEliminarCaro Carlos,
ResponderEliminarObviamente Mário Crespo não é um anjinho e esta estratégia de vitimização é óptima.
Manuela Moura Guedes já tinha feito algo semelhante.
O que é preocupante é esta obsessão dos nossos governantes em "tratar os assuntos".
A opção editorial do JN é perfeitamente compreensível e eu não a ponho em causa.
Isso equivalia a fazer exactamente o mesmo que é criticado, ou seja, indicar ao jornal o que deve ou não publicar.
Um abraço
Não me soa bem o termo "irritar". Não sou propriamente esse tipo de pessoa, Carlos. O que se passa é que o miserável comportamento de certas pessoas que ocupam lugares de grande responsabilidade no nosso país choca-me profundamente e eu pergunto a mim mesma se, na minha nada significativa posição de emigrante e, ainda por cima, de pouco peso, deverei magoar-me constantemente, em vez de deixar que pessoas como o Carlos e tantos outros bem esclarecidos, escrevam coisas muito mais construtivas do que aquelas que eu tinha proposto escrever no meu espaço "Letras-Sem-Tretas", inicialmente criado para eu desabafar sobre o que penso do que vai mal. Prefiro aproveitar esse mesmo espaço que ocupei na blogosfera para outros temas mais leves, continuando, porém, se tal me fôr permitido, a comentar. Foi só isso que quis passar-lhe.
ResponderEliminarVítima ou publicidade gratuita? Talvez se saiba daqui a uns tempos na blogosfera.
ResponderEliminarNão conheço o Sr. Mario Crespo, nem posso julgar sua conduta.Mas me parece que seu erro não foi um mero caso de inocência.Todo jornalista sabe de cor o compromisso com a veracidade das informações expressas de forma geral ou particular.E ele deve ter uma relação de responsabilidade e ética com o veículo que representa.Só posso pensar que sua atitude foi proposital...
ResponderEliminarSinceramente Carlos, este primeiro-minstro é tão velhaco, senão o mais velhaco que Portugal já teve na sua relação com os jornalistas, que o que menos importa é o MC nisto tudo.
ResponderEliminarConfesso-me surpreendido, mais uma vez uma história rocambolesca centrada numa senhora que ouviu na roda de um restaurante, umas frases assassinas. Um jornalista que faz métier das suas dores, um livro no prelo, fontes ocultas, participação em encontro do PP, publicações no I. Sá Carneiro, enfim, uma salganhada de grelos com cheiro a evidente esturro.
ResponderEliminarConcordo completamente com a Patti, o que menos importa é o MC nesta história.E sem querer o malhador, agora ministro da defesa, confirmou que a conversa existiu, ao dizer que eram conversas particulares...
ResponderEliminarPodem ser calhandrices, mas ao menos ficamos, mais uma vez, com a certeza do carácter do nosso PM.
Zoe: começo a acreditar nessaa hipótese...
ResponderEliminarPedro Coimbra: Estamos de acordo
ResponderEliminarMaria Letra: Já sabe que leio sempre os seus comentários com o mesmo prazer com que leio " Os Contos da Avó Mizita", ou nos ´"Caminhso de Cristal". Por isso volte sempre, comente e desabafe ( se lhe apetecer)porquea sua presença no CR é muito enriquecedora para todos nós.
ResponderEliminarViagens Lacoste: Ou talvez caia no esquecimento, como outros casos
ResponderEliminarTurmalina: Sem querer fazer juízos de valor sobre MC, limitar-me-ei, por cortesia para com ele, a dizer que foi uma atitude pouco digna de um jornalista para com um camarada de profissão.
ResponderEliminarPatti: Neste caso,que anlisei pela vertente jornalística, é mesmo a atitude de MC que me importa. Aliás, o desmentido de Nuno Santos sobre o teor da conversa é bem esclarecedor.
ResponderEliminarPQ: uma crónica de jornal, transformada numa conversa de alcoviteiras.
ResponderEliminarPedro Oliveira: E como o Nuno Santos já veio confirmar, afinal a conversa foi diferente da relatada por MC
ResponderEliminarO MC é um jornalista? E eu a pensar que era um comentador e que nos seus vários programas o que fazia eram perguntas que continham a resposta...invariavelmente!
ResponderEliminarE, quanto ao que escrevia....
A falta de ética não é só profissional, é cívica e grosseira, na forma e no conteúdo.
Se queria fazer de mártir e de servir a outros senhores, como parece, deve ter a consideração que se reserva aos fundamentalistas religiosos e bombistas suicidas.
Carlos,
ResponderEliminarPensei que o seu comentário carregava uma certa dose de ironia. Fiquei mais feliz. Já lhe disse que leio o que escreve com muito prazer e não fui falsa quando o referi (não sei sê-lo!). A forma como escreve revela um autor honesto e imparcial.
Obrigada.
MFerrer:Não discuto a qualidade jornalística de MC, mas quanto ao comportamento subscrevo o que escreve.
ResponderEliminarMaria Letra: Nunca seria irónico com uma pessoa que sempre tem sido tão simpática e amável. Mais uma vez, muito obrigado pelas suas palavras.
ResponderEliminarQuem matava os seus adversarios, era LENINE e ESTALINE,
ResponderEliminaros verdadeiros, e os que pareciam ser.
KRUTCHOV, prendia-os (depois de matar beria),
no entanto evoluiu essa panoplia de "atitude",
para uma perseguição mais moderada.
BREJNEV, deu o 1º passo na "invenção" do asilo psiquiatrico
para todos aqueles que "não lhe agradassem".
Não era possivel que houvesse alguem nas suas plenas capacidades
mentais, capaz de negar a excelencia do socialismo sovietico,
e a superior sabedoria dos seus lideres. SÓ LOUCOS!!!!
Nunca a pide teve tantos delatores e simpatizantes como nos tempos
que agora correm.
O que interessa é subir, subir na carreira (SÓ), doa a quem doer,
independentemente, da competencia e/ou capacidade para se ter
sequer uma carreira. Vai-se vivendo á conta do contribuinte
(os antigos escravos), porque esses nunca acabam.
MARIO CRESPO:
a coluna para a qual escrevia há cerca de 2 anos no jornal
de noticias, foi dada como problema resolvido na noite do
dia de 31 de janeiro de 2010.
O canal de tv SIC deu o seu apoio incondicional a Mario Crespo.
Dr. Oliveira Salazar, criou um ministério para a censura.
Socrates cria todo um governo practicamente com o mesmo fim.
Isto são factos, num estado de direito como o nosso, esta e
outras particulares situações que se vêm repetindo deviam de
dar lugar a uma dissolução da assembleia.
Infelizmente no nosso país a taxa de ignorantes e mal formados
vem á distancia de um voto.
A conduta de um politico É, PODE, e DEVE sempre ser escrutinavél
pelo publico. por outro lado a de um jornalista, já não tem a mesma
importancia.
Quem ataca Socrates só pode estar louco, senil, provavelmente
terá de ser internado, como é que se pode, não reverenciar,
louvar, aplaudir, admirar, um 1º ministro de tal excelencia,
talvez o melhor desde o 25 de abril.
SÓ LOUCOS!!!!!!!!!