Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Gosto de pessoas assim

Apresenta, há sete anos, um dos programas de maior audiência na televisão portuguesa. É uma figura simpática, mas são muitos os que não o suportam, pela vacuidade do seu discurso, pela sua postura apalhaçada, pelo estilo repetitivo, pela ignorância que revela.

Há dias veio parar-me acidentalmente às mãos uma revista onde era entrevistado. Comecei por ler as gordas e detive-me numa das chamadas: “ Nunca na minha vida li um livro. E agora?”.
Uma pessoa que assume publicamente nunca ter lido um livro é merecedora do meu maior respeito. Num mundo onde o politicamente correcto obriga muitas pessoas a darem de si uma imagem diferente da real, onde toda a gente garante ter pelo menos cinco livros na mesa de cabeceira e não falta quem armazene uma colecção de “pensamentos de ilustres” para citar durante uma entrevista, só posso louvar quem tem a coragem de assumir a sua aversão aos livros.

A única vez que falei com Fernando Mendes foi em 1993. Estava de passagem por Lisboa, fui convidado para uma festa num lugar “in” e ele meteu conversa comigo, porque me confundiu com outra pessoa. Desfeito o equívoco conversámos durante alguns minutos. Pareceu-me uma pessoa simpática e afável. As conversas de circunstância não dão para tirar mais ilações.
Anos mais tarde, já em Portugal, vi-o numa série televisiva “ Nós os Ricos” (???) que segui com pouca atenção. Talvez um pouco mais do que a que dispenso ao “Preço Certo”( que é nula), pelo que não tenho opinião formada sobre as suas qualidades artísticas. Percebo apenas, em conversas que ouço no Metro, ou circunstancialmente em grupos de amigos, que as opiniões se dividem. Nunca tomei partido nessas conversas, precisamente porque não tenho opinião. Depois de ler a entrevista tenho pelo menos uma (aparente) certeza: Fernando Mendes é uma pessoa genuína e descomplexada que não alinha pelo pensamento e discurso politicamente correcto. Não se embrulha em papel de celofane, para vender a imagem. Assume-se. Diz que não gosta de ler e ponto final. Gosto de pessoas assim.
Enquanto escrevia este post, lembrei-me do que escrevi há uns tempos sobre Tony Carreira.

13 comentários:

  1. Ah, eu também gosto, Carlos. Mas são tão raras essas pessoas!...

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  2. Gosto do Fernando Mendes sim senhor, dele como pessoa que aparenta ser (porque não o conheço para poder dizer mais). A sua forma simples de estar, de comunicar, os principios que revela... e a bem dizer, também tem uma carreira considerável no teatro. Gosto sobretudo de pessoas simples, "desfardadas" e sem máscaras
    P.S.: O meu filho não perde um programa dele e ri-se imenso... Aquela boa disposição parece contagiá-lo.
    Bjos

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  3. ...hilos
    hilan
    golondrinas
    sin mas
    simas
    que
    van
    ven
    noches
    de
    retina
    alejandrinas
    que
    dejan
    alejan
    una
    queja
    sortija
    del
    nido
    ido
    para
    no
    volver
    chispas
    tomando
    champan
    al
    verlas
    en su
    cielo
    de
    hielo
    audaces
    revolver...

    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    TE SIGO TU BLOG




    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...


    AFECTUOSAMENTE:
    CRONICASDOROCHEDO


    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE CABALLO, LA CONQUISTA DE AMERICA CRISOL Y EL DE CREPUSCULO.

    José
    ramón...

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  4. Não gosto de ouvir o Tony Carreira, porque não gosto do género de música, que ele canta.
    Quanto ao Fernando Mendes vi-o na TV várias vezes, enquanto esperava pelas notícias da RTP1.
    O Mendes assume, que nunca leu um livro (gostei tanto desta sincera afirmação, que escrevi logo um comentário tão longo, que resolvi eliminá-lo e publicá-lo amanhã no "ematejoca azul".
    Eu também assumo aqui, que sou uma mulher bastante superficial e para mim só a BELEZA conta.
    O valor interior está sempre tanto no fundo, que pouco me interessa.
    O que tem esta minha confissão a ver com o seu artigo?
    O Carlos refere-se aqui a dois homens, ambos insentos de qualquer intelectualidade, mas há uma diferença muito importante para mim: um é bonitinho (nada de Brad Pitt, mas mesmo assim...); o outro é feio e gordíssimo.
    O problema do Fernando não são os livros. Há momentos, que mandamos os livros para o diabo.
    Não lhe aconteceu já isso?

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  5. Eu acho que o sucesso dele vem exactamente daí...ser genuíno, simples, sem preconceitos!
    Eu também gosto de pessoas assim!
    Um abraço

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  6. Já sabe que quando se trata de pessoa assim, eu assino por baixo.

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  7. Totalmente de acordo.

    O homem é tão simples e genuíno que diz: pela saúde devo emagrecer mas, e depois... quem me vai achar graça se eu for magro?

    Quanto ao Tony Carreira... não tenho nada contra como não tinha contra Marco Paulo. São ambos bons cantores. Não são os meus favoritos "ponto"

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  8. Nós somos um país de pessoas simples. Quando as queremos sofisticar não sai bem. Fernando Mendes representa um pouco do que não queremos admitir e Tony Carreira exactamente o mesmo. Os dois são famosos por serem básicos e basicamente iguais a si e a uma grande percentagem de portugueses. Mesmo que isso custe a muita gente, eles são genuínos e fazem parte do bolo nacional.

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  9. Há pessoas que já leram e vão continuar a ler muiiiiitos livros e não percebem nenhum!!!!
    Há os papagaios que por tudo e por nada citam Livros e escritores quando muitas vezes só leram as capas...
    Há outros que lêem livros e nunca conseguem lembrar-se de quem os escreveu...
    Sendo assim, para mim é totalmente irrelevante saber se estou com uma pessoa que lê ou que não lê, o que interessa é o que essa pessoa me faz sentir.
    Não gosto das canções nem da voz de Tony Carreira, mas valorizo o seu percurso e "é-me" simpático.
    Do Fernando Mendes, prefiro o actor ao apresentador.
    As pessoas simples são sempre as minhas preferidas!

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  10. Ematejoca: Já não sou o leitor compulsivo de outros tempos, por isso os livros se amontoam numa secretária à espera de ser lidos, como já expliquei numa CG sobre o tema.

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  11. Eu que ...
    Eu que...
    Eu que...

    Concordo consigo e acrescento: é simpático, simples e delicado nomeadamente com os idosos. E mais não acrescento.

    :)))

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