Não faltará quem venha criticar a Justiça e pôr em causa a seriedade da Procuradora Cândida Almeida e dos dois Procuradores do Ministério Público que investigaram o caso. Tornou-se habitual, neste país, dizer que a justiça não funciona, sempre que decide no sentido contrário aos interesses de cada um.
Não vale a pena bater mais no ceguinho. Importa é reflectir sobre algum jornalismo que se anda a fazer em Portugal. Confundir jornalismo de investigação, com “vendetta”, só desacredita o bom jornalismo. Todos sabem que já aqui critiquei muitas vezes o PM e continuo a criticá-lo pelas opções políticas que toma e vão sempre em prejuízo dos mais desfavorecidos. No entanto, mantenho a lucidez suficiente para perceber a diferença entre aqueles que fazem jornalismo e os que se servem dele para atingir objectivos inconfessáveis.
Durante meses, Manuela Moura Guedes impingiu-nos insídia, calúnia e histeria, a coberto de jornalismo de investigação. Fez do jornalismo um ataque “ad hominem”. O contrário do que o jornalismo deve ser. E se querem saber a minha opinião, acredito que o PM não esteja envolvido nesta tentativa de controlo de jornais e televisões. A sua culpa é ter-se rodeado de fiéis sem escrúpulos que, tendo contribuído para a sua eleição como secretário-geral do PS, querem agora a sua recompensa, sendo nomeados para lugares para que não têm competências, onde mexem os cordelinhos de acordo com as suas conveniências.
Infelizmente, também estou cada vez mais tentado a acreditar que os interesses de algumas empresas de comunicação social levaram-nas a querer destruir a credibilidade do PM . Alguns jornalistas entraram no jogo, obedecendo aos interesses do patrão. As notícias sobre o caso “Freeport” foram apenas uma tentativa de ajuste de contas.
Estarei errado? Talvez. Mas no clima doentio que se instalou em Portugal, também me sinto no direito de ter a minha opinião e exigir que não me confundam com um apoiante do PM, só porque discordo dos que o querem assassinar politicamente, sem terem quaisquer provas palpáveis. O “feelling” nunca fez prova em Tribunal e nunca deve ser usado em jornalismo.Quando alguém faz acusações e transfere para o visado o ónus da prova, há falta de seriedade e rigor. Ora, isso, é intolerável em jornalismo.
A política não é das coisas que mais aprecie, pelo contrário. Mas ultimamente dei por mim, metido neste jogo de intriga e má fé e saí em defesa de alguém que creio, ficará na história moderna do nosso país, como o governante que mais foi perseguido e injustamente acusado de se meter onde nem sequer imaginava ser possível ver-se metido.
ResponderEliminarNão há-de ser nenhum santo, ainda bem, porque para lidar com escória, há que também saber jogar sujo se assim tiver de ser. Que jogue.
Confesso que tenho alguma admiração por José Sócrates. Pelo que já pude conhecer dele, é uma pessoa sensível, que se emociona, preocupa-se e acima de tudo, uma característica que se calhar refuta muitas das acusações que lhe fazem, diz na cara o que pensa e não manda recados.
Por isso, também acredito que muito disto que se passa, é manipulado por gente sem escrúpulos que de idóneo, tem tanto como aquilo de que o acusam.
To Zé: ao contrário do que possa parecer, também não aprecio lá muito a política mas gosto ainda menos de jornalismo "ad hominem" que se esconde sob a capa de jornalismo de investigação.
ResponderEliminarNão sou ingénuo e sei que muitos dos ataques feitos a Sócrates têm interesses políticos, mas muitos mais têm apenas escondidos interesses económicos. Ver jornalistas a avalizar isso é confrangedor.
Ora até que enfim alguém se "atreve" a opinar diferente daquilo que agora me parece ser moda: aniquilar ferozmente o nosso PM. Sinto-me perfeitamente à vontade para também dar a minha opinião - que é rigorosamente a mesma que a dos senhores - porque sou politicamente livre e um nadinha tendenciosa para a esquerda... Assim parece-me que existe de facto uma espécie de perseguição quiçá fruto de um revanchismo, (para muitos oculto) vindo de diversas àreas sendo a principal (pelo menos a mais feroz) de uma parte da classe jornalística. (Excepção feita aos muito bons jornalistas que temos no nosso país e que muito contrinuem para clarificar a opinião publica sobre temas importantes à sociedade - o seu papel é da maior importancia). Mas estes jornalistas de outro cariz e com outros interesses, têm mostrado bem o seu poder e receio mesmo que o nosso PM tenha a sua cama já feita. Não sou advogada do diabo, mas o nosso PM não é nada que se aproxime do diabo... Tem errado concerteza em algumas das suas acções, porque só não erra quem nada faz, mas a meu ver tem obra feita e os seus efeitos poderiam ser melhores, não fossem muitos interesses instalados de determinadas classes (exceção feita a alguns profissionais dentro desses classes), como a classe médica; a classe dos professores; o "mau" funcionalismo publico; empresários; juízes; etç.. Todos estes sectores precisavam e precisam de intervenções, mas a força de oposição às alterações tem sido muito grande. É realmente muito dificil governar num país onde determinadas classes são grupos bem "armados" e coesos de tal forma que são eles o poder.
ResponderEliminarComo a classe menos coesa é sempre a do mexilhão, é sempre sobre o mexilhão que recaí o peso todo e é sempre para o mexilhão que as informações, mesmo as falsas têm interesse em chegar - porque também é o mexilhão que vota em maioria.
E eu... lamento tudo isto profundamente!
Ontem à noite apanhei já a decorrer na SIC o "Sinais de Fogo", a entrevista de Miguel Sousa Tavares ao Primeiro Ministro. Pelo que vi, vi jornalismo de verdade, questões pertinentes e sensatas, contraditório quanto baste, opinião jornalística sem melindre nem ofensa, como disse MST "Nós servimos o jornalismo, não é o jornalismo que nos serve a nós".
ResponderEliminarA quantidade de especialistas em jornalismo em Portugal é fascinante. Curioso é ver como baixam as vendas de jornais e os índices de leitura são dos mais ridículos na Europa. é o país das Novas Oportunidades e do Magalhães, que mais haveria de ser?
ResponderEliminarNunca nenhum dos grandes em Portugal foi para a cadeira por corrupção. Queriam começar logo pelo Sócrates. Pelo menos é bom ver qual é o espírito, basta ver o que o Tozé diz: "há que também saber jogar sujo se assim tiver de ser. Que jogue."
Por estarmos de fora, talvez fosse mais fácil exigir transparência. Mas isto de valores democráticos e Portugal combina pouco. Já não sabemos ficar indignados quando alguém abusa do poder. Achamos normal. O país é pequeno e a mediocridade impera. Foi essa a nossa escolha democrática, que vai muito além de qualquer debate em torno de Sócrates.
Fazem muita falta opiniões desinteressadas como a sua Carlos. Não que isso demova ou permita um rebade de consciência em quem empreendeu um caminho de calunia fácil, de ódio e vingança pessoal. Mas permite que pessoas como eu se sintam mais acompanhadas e são muitas por aí. Trabalho numa empesa privada. O que posso assegurar é que para a grande maioria das pessoas com quem convivo, estes debates lhes passam ao lado, não lhes interessam e nem percebem o que está em causa. Pura e simplesmente não têm tempo nem espaço pessoal para se dedicarem a compreender toda esta trama. Dividem-se por feelings e por gostos pessoais tout court. O mal de Sócrates e de qualquer outro no lugar dele, é que para serem eleitos, têm de conviver e pagar favores a gente que, como muito bem refere " contribuiu para a sua eleição como secretário-geral do PS, querem agora a sua recompensa, sendo nomeados para lugares para que não têm competências, onde mexem os cordelinhos de acordo com as suas conveniências." Este tipo de gente é do pior que há em todos os partidos. Simplesmente nos partidos de direita a imprensa tolera-os enquanto pode e a porcaria não for muito evidente. Quando se trata do PS parecem uma matilha sobre a presa. Socrates está longe de corresponder ao perfil de político que eu gostaria de ver a governar Portugal, mas não ando a dormir na forma, tudo o que se tem passado é absolutamente pornográfico.
ResponderEliminarHá muito que suspeitava que o desfecho seria este, pois se assim não fosse com a ânsia que alguns elementos da própria PJ andavam ó mínimo índicio que fosse teria servido para automaticamente constituirem José Sócrates arguido.
ResponderEliminarClaro está que a confirmar-se o que hoje o Público noticiava, fácil será admitir que as mesmas vozes que até aqui vinham louvando os procuradores que denunciaram as pressões de Lopes da Mota, que vinham glorificando as investigações de Manuela Moura Guedes e afins irão arremessar armas contra Cândida Almeida e Pinto Monteiro.
Em Portugal agora andamos assim; só são bons enquanto as suas posições nos permitem sustentar as nossas teses. Quando assim deixa de ser, passam à condição de corruptpos!
Atena: Como já alguém disse, o grand problema deste país não são os governos, mas sim os governados.
ResponderEliminarPaulo: Pois é, infelizmente anda também por aí muito boa gente a servir-se do jornalismo...
ResponderEliminarProeza: Obrigado pela visita.
ResponderEliminarem Portugal ainda há muitos resquícios de Estado Novo e o pior, talvez seja a bufaria que impera por todo o lado.
Ariel: Toca num ponto interessante. Eupasso muito tempo a viajar pelo país e também sei que a maioria das pessoas se está marimbando para tudo isto. A macrocefalia do país não se vê apenas ba centralização do Estado em Lisboa. Vê-se também nos opnion makers que não levantam o traseiro de Lisboa, a não ser para passar um fim de semana num hotel e vêem o país à imagem de Lisboa.
ResponderEliminarDepois ficam surpreendidos com os resultados eleitorais...
Sócrates também não encaixa no meu perfil de político, mas quando comparo com as possíveis alternativas que se alinham no PSD quase morro de susto...
Ferreira- Pinto: Muitos destes opinion makers assumem, face á política, posições meramente clubísticasm desprovidas de racionalidade. Por isso fazem os julgamentos que o meu amigo refere. Mas o que mais me encanita são aqueles que se dizem isentos e estão enfeudados a candidaturas partidárias...
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