Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Um fosso cada vez mais largo

Neste ano de 2010, que a União Europeia declarou de “Luta Contra a Pobreza e a Exclusão” vieram lembrar-nos, uma vez mais, que somos dos países europeus com maior risco de pobreza. Risco que aumentou no último ano, passando de 18 para 23 por cento nos jovens e crianças até aos 17 anos e atingindo os 22 por cento nos idosos com mais de 65 anos.
Não sendo uma novidade, continua a causar-me algum incómodo que nos últimos 20 anos de Democracia,a situação se tenha sucessivamente agravado, aumentando o risco de pobreza e o fosso entre pobres e ricos. Ora, fazendo as contas, facilmente se conclui que a entrada de Portugal na União Europeia não conseguiu diminuir esse fosso. Ou seja: apesar de diariamente entrarem em Portugal milhões de euros para ajudar o país a reduzir as assimetrias com os restantes parceiros da UE, a verdade é que não o conseguimos.
Não é razão para espanto. Além de uma megalómana rede de auto-estradas, muito desse dinheiro foi aplicado em jeeps e casas com piscina, campos de golf e infra-estruturas que apenas criaram emprego pontual. Apostámos em obras de encher o olho, mas que não enchem barriga nem ajudam a combater as assimetrias sociais. Os nossos governantes comportaram-se como pacóvios. Não é difícil perceber a quem devem ser assacadas as culpas mas, mesmo assim, os portugueses teimam em escolher, para gerir os seus destinos, os partidos responsáveis pelo estado a que chegámos.

9 comentários:

  1. Concordo com tudo o que escreve, excepto no que diz respeito à rede de autoestradas.
    As vias de comunicação são fundamentais (ainda que outros países da Europa não as possuam como nós as temos)e hoje a circulação no nosso país é extremamente rápida e eficaz. O defeito, para mim, no que toca a este ponto em particular, reside no que não se fez aos locais onde as vias chegaram, o que proporcionou, ainda com mais facilidade, que as populações se deslocassem para os centros urbanos, onde, inevitavelmente, muitos acabam por não conseguir emprego e gerar mais miséria.
    Tivessem apostado na descentralização, no desenvolvimento do turismo, da agricultura e da indústria, onde essas vias desembocam e talvez hoje se cantasse outro fado....

    ResponderEliminar
  2. Os governos a falta de fiscalização e a falta de educação para uma cidadania responsável puseram o País no estado em que está, com os pobres a sofrerem o grosso das consequências.
    Ainda havemos de trabalhar um ou dois, ou sabe-se lá quantoa dias por mês, de graça, para um qualquer governo que nos convença a tal, equilibrar o barco em que navegamos, talvez, já neste momento, sem rumo certo.

    ResponderEliminar
  3. Carlos, não retirava sequer uma virgula do seu texto.
    Quanto ao facto dos portugueses terem escolhido mais do mesmo, ainda me deixa mais desiludida!
    Beijos e obrigado pelos seus votos.

    ResponderEliminar
  4. Essa é uma das grandes questões da democracia - o poder corrompe! E depois os poderosos ficam convencidos que tudo lhes é devido, "eles comem tudo e não deixam nada" como já cantava o outro, por vezes se sobram umas migalhas distribuem-nas sem critério, a outros que tais...

    Também estou convencida que enquanto estas "elites" não marcharem do poder este problema das desigualdades sociais não se resolve, mas eles estão lá de pedra e cal, têm uma teia bem construída para impossibilitar que algum político bem intencionado, carismático e empreendedor tenha acesso ao topo. E a malta é mole para fazer alguma coisa, deixa andar...

    Enfim, é o país que temos!

    ResponderEliminar
  5. Pois é, como diz Mio Couto, os nossos ricos não são ricos, são endinheirados... Não produzem riqueza... não criam postos de trabalho... só acomulam dinheiro...

    Inflizmente nisso aproximamo-nos somos parceiros dos países subdesenvolvidos.

    É como é, e não parece que tenha havido vontede de mudança.

    ResponderEliminar
  6. Mas que batalha tão complicada...
    :))

    ResponderEliminar
  7. Todos os dias me pergunto porque se vive assim aqui em Portugal , porque é que se elegem sempre os mesmos pacóvios , os mesmos incultos , porque é que existe uma maioria tão maioria de mediocres.
    Um mistério ! Porque nunca se dá ou deu a volta por cima?????

    ResponderEliminar
  8. As causas da pobreza e da exclusão social só podem ser reduzidas se se modificarem as políticas económicas, sociais e culturais que geram a assimetrias e injustiças.
    Muito para uns e muito pouco para muitos, assim é esta sociedade, este mundo injusto e desigual.

    ResponderEliminar