Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Nas Nuvens


No sábado fui ver Nas Nuvens. Ia sem grandes expectativas e saí de lá sem grande entusiasmo. Depois comecei a pensar no filme noutra perspectiva e discuti-o com alguns amigos. Curioso que alguns deles tinham visto “o mesmo filme que eu”, mas não tinham pensado mais no assunto.
Lembrei-me das tertúlias que, quando era jovem, fazia com um grupo de amigos. Eram calorosos e prolongados debates que se arrastavam pela madrugada, nos obrigavam a pensar, discutir, reflectir e ajudavam a ver os filmes e os lvros através da cabeça de cada um.
Há anos que não particpo- a não ser esporadicamente- em tertúlias sobre filmes. Vejo mais filmes em casa do que no cinema, desde que as pipocas entraram nas salas.
Creio que, hoje em dia, a maioria dos jovens também não organiza tertúlias para discutir um livro ou um filme. Consomem-nos como um hamburguer, de forma mais ou menos passiva. Tiram as suas conclusões e ficam com elas ou, quando muito, falam com dois ou três amigos. Será que os discutem no Facebook? Talvez, mas certamente não é a mesma coisa.
Tenho saudades do tempo em que tinha dias marcados para as tertúlias. Depois de regressar a Portugal, tinha duas tertúlias semanais, com grupos diferentes. Numa discutiam-se filmes, noutra discutiam-se livros. Eram momentos muito ricos. Ambas morreram de morte natural. O mesmo que dizer, estiolaram por falta de quorum. Em minha opinião fazem falta. E vocês o que pensam das tertúlias?

PS: Como escrevi no início, o filme tem várias interpretações, merecendo por isso uma boa reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Isso não justifica, porém, a disparidade das sinopses que tenho lido na imprensa. Uma sinopse não é uma crítica nem uma reflexão sobre o filme. É apenas um resumo Os jornais deviam saber isso e deixar de inventar.

30 comentários:

  1. Isso foi chão que já deu uvas. É como diz, morreu, não sei se foi de morte natural se foi por homcídio, mesmo que involuntário. Mas que há culpas por apurar, disso não tenho dúvidas.

    Tenho saudades do Cineclube do Porto, no cinema Batalha, que acabava ele mesmo por provocar algumas dessas tertúlias.

    O filme ainda não vi, mas conto vê-lo, quanto mais não seja para perceber os diferentes olhares de quem o viu até agora.

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  2. O que penso de tertúlias? Bem, eu acho-as muito agradáveis quando se envolvem nelas pessoas inteligentes, que sabem ver para além do que se vê e do que se ouve, que sabem escutar o que os outros dizem nem que seja para tirar ilações das suas, eventualmente, precipitadas análises. Sim, porque há pormenores que nos falham, por vezes, quando vimos um bom filme e aprende-se muito com a opinião de pessoas inteligentes que gostam, lá está, para além do que se apanha numa primeira visão. Normalmente, quando vejo um filme daqueles que nunca mais se esquecem, eu faço o seguinte: vejo uma primeira vez para ter um apanhado geral da sua qualidade. Se gostei muito, vejo uma segunda para apanhar melhor detalhes desse filme e, depois, eventualmente vejo uma terceira para, aí sim, deliciar-me com o filme. Claro está que isto só acontece quando vejo, realmente, UM BOM FILME, onde excluo, por exemplo, o Titanic. Porquê? Porque tudo aquilo me parece uma telenovela dramática que não me convenceu e, quando não me convence, até a admirável técnica de reconstrução das cenas se perde em mim. A única coisa de que gostei foi, sem dúvida, a voz de Celine Dion e o toque de flauta da artista que faz parte da mesma. Espero que ninguém me ataque por este comentário, porque ouço falar maravilhas do filme, mas eu digo o que sinto, independentemente do que os outros possam pensar. Aceitaria, todavia, que numa tertúlia me convencessem de que o filme é mesmo BOM.

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  3. Ainda não fui ver e confesso que não estou muito para aí virada. Mas quem sabe?

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  4. Pois eu no sábado fui ver o Nine e amei!
    E já tertuliei sobre ele, por aqui mesmo, pelos blogs.
    Ora pense lá, se esta não é também uma nova abordagem, uma substituição das antigas tertúlias?

    Por outro lado, a vida alterou-se tanto em 15/20 anos que muitas coisas boas se perderam: os serões, as tertúlias, festas, etc. Mas tb há ainda clubes do livros, onde as pessoas se encontram e falam do livro escolhido. É só uma questão de nós quereremos, a falta de tempo não pode servir de desculpa para tudo. Se as pessoas têm tempo para ficar horas e horas seguidas ao computador, também têm para outras coisas.

    Perderam-se muitas coisas, porque também, ficamos mais comodistas; tudo está à distância de um clique, até os amigos.
    Mas sou apologista e defensora da internet, penso, mesmo apesar dos pesares, é sempre um ganho. Nós é que nos deixamos levar por ela e esquecemos que há muito mais coisas para além disto.

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  5. Há tantas coisas que ficaram para trás, Carlos! Algumas o tempo apagou, outras foram mudando com o tempo, outras ainda foram substituídas por - nem sei bem que adjetivo usar aqui - digamos, pálidas cópias do que acontece em outras partes do mundo...
    Já reparou como quase todo mundo, hoje, é dono da verdade? como alguns nem aceitam discutir seja lá o que for, pois sempre "estão certos", sempre sabem o caminho?
    É maravilhoso, sim, poder discutir um livro, um filme, falar sobre as emoções que uma música pode causar em nós, já que cada pessoa vê as coisas por um ângulo diferente e isso pode nos levar a novos enfoques.
    Tenha um bom dia.

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  6. Tertúlias!?
    Que saudades!
    Éramos ainda adolescentes, um pé a caminho da Faculdade. A noite de Sexta-Feira era tempo e espaço para os "Encontros do Pensamento", a nossa tertúlia.
    O pensamento era o sonho de um país independente e livre, onde brancos, negros e mestiços, todos caberíamos.
    Com que calor, amizade, entrega, e ingenuidade..., "tertuliávamos"!
    O tempo passou.
    Do sonho saltou a realidade, que não foi a pensada na nossa tertúlia. A História escreveu-se de modo diferente...
    Isto apenas para dizer que saudades eu tenho da minha tertúlia!
    Por cá as tertúlias foram outras, de que me retirei, exausto, por nada me dizerem.
    Um abraço
    --
    Sobre o filme já li e ouvi comentários desencontrados. Talvez o vá ver.

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  7. Tertúlias? Sou fã , de 15 em 15 dias faço parte de uma que se reune sempre no mesmo local e que permite conversar sobre tudo (excepto netos , senão o assunto ficava limitado por uma das amigas que se não fosse esta regra não falava de outra coisa).
    Escolhemos um tema , um livro , um filme , as cores que se usam na nova estação, viagens .....mas quebramos muitas vezes o programa :)
    Uma vez por mês temos um grupo de 4 que visita museus, casa, monumentos , passeia neste ou naquele bairo,mas como o programa está saturado este ano escolhemos visitar pastelarias:)
    Isto dos blogs são a versão nova de tertúlia,mas pecam pela distancia , por não nos vermos , por ninguem poder falar ao mesmo temo:) não haver risadas , em resumo um pouco solitario.No entanto uma real e boa maneira de trocar ideias.
    Não vi ainda o filme,vou esperar que esteja em CD .

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  8. Estou com a Patti: agora as tertúlias são (também) aqui, nestas caixinhas (embora, admito, se perca algum imediatismo, ficando muito por dizer).
    No sábado fui ver o Nine; no domingo Nas nuvens. Gostei dos dois e ambos me surpreenderam.
    Este último fez-me pensar em muitas coisas, desde o que carregamos nas nossas mochilas até ao medo que temos de nos envolvermos emocionalmente (quer numa perspectiva afectiva quer profissional).
    Se calhar podiamos abrir, nos nossos blogs, uma rubrica a um determinado dia da semana para falar de filmes/livros :-)

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  9. Voltei.
    Li o que fugidia escreveu.
    O bichinho da tertúlia roeu!
    Parece-me uma ideia interessante.
    Provoco o CR. Porque não abrir aqui uma tertúlia? Estou, desde já, disponível para a de livros.
    Força, ou será necessário interromper as férias da Brites?
    Um abraço

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  10. Começando pelo filme, também achei que dá que pensar. A sensação, quando acaba, é que não se passou nada de especial, mas depois pensamos na mecanização (ou desumanização?) das pessoas, naquele tratamento cada vez mais impessoal e perguntamos a nós próprios: "E se fosse connosco?" Por outro lado, há a questão da solidão: manter todos os outros à distância, basta?

    Não me espanta essa invenção jornalística baseada em sinopses, porque já li livros em que o editor/livreiro ou lá quem escreve o resumo do mesmo, nitidamente não leu o livro!!!

    Quanto às tertúlias, continuo a fazê-las (num Clube de Leitura, entre amigas), mas também converso bastante sobre livros e filmes no blog como no facebook. Claro que por vezes há convívios entre amigos que também proporcionam esse debate de ideias, outros em que o livro escolhido não é assim tão interessante e a converseta sobre ele dura 5 minutos, divergindo para outros temas. Tem dias! :)))

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  11. Concordo muito com o testemuno da Patti.

    Lembro-me que após a matiné de domingo no Batalha ou no Aguia Douro tertuliava com os amigos no trólei enquanto regressavamos a casa. Agora tertúlio às vezes quando tenho companhia após um jogo de futebol no Dragão.

    À cerca do filme, ainda não o vi mas faço copipasta do comentário que deixei, meio a brincar meio a sério no blogue da Teté: "Ora aqui está uma possibilidade de emprego para os dias que correm, despedidos de qualquer interesse, porém nada garante que também este seja um emprego seguro e como qualquer outro empregado por conta d'outrém está sempre sujeito a alistar-se no fundo do desemprego. A não ser claro que seja préselecionado para uma bolsa qualquer, via cuuriculum vitae!

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  12. Nem me fale...eu posso virar a madrugada falando de filmes e livros...embora aqui nunca tenhamos chamado à isso de tertúlias.Adorei o nome!!!
    Nestas minhas últimas férias relâmpago pude desfrutar de alguns momentos de tertúlia...e foi ótimo!
    Eu gosto das diferentes versões sobre o mesmo tema, do pensamento democrático :o)
    Podíamos pensar em criar uma sala, do tipo chat ou forum, de Tertúlias. Sempre no mesmo dia e hora...
    Presidenta, seriam possíveis as Tertúlias do Rochedo?

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  13. Ó Carlos, já várias pessoas o disseram mas reforço: nós temos tertúlias praticamente todos os dias, por aqui. Ah pois é! chame-lhe o que quiser, mas continuam a ser tertúlias. Sentimos falta do calor humano e das discussões acaloradas, olhos nos olhos, vozes audíveis? claro que sim, mas os tempos são outros e antes ter estas tertúlias que nenhumas. Quanto ao filme, achei-o bom. Incomodou-me pelas razões que expliquei desconversando, mas é bom. Já muito se disse e escreveu sobre ele e quase sempre bem. Retive, filosoficamente, uma coisa que expressa os paradigmas e ironias da vida: o Clooney, que ganhava a vida (fazendo o que gostava) a dispensar pessoas, acabou por provar o veneno que espalhou, sendo dispensado inesperadamente... afinal, como ela lhe disse, sem pudor, ele era a modos que um parêntesis na sua vida (real). Abraço.

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  14. Salvo: eu frequentava o cineclube da Boavista, aos sábados à tarde. Depois, à noite, discutíamos o filme.

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  15. Maria Letra: Não conte comigo para a demover, porque partilho a mesma opinião.

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  16. Patti: o Nine está também na minha lista de prioridades.
    Quanto a tertúlias pela Net é que não sei, não. A atmosfera ao vivo é bem masi calorosa. E quanto a rdes sociais, nem pensar. Sinto-me melhor pela bloga.

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  17. Dulce: Não digo que tenha mudado para pior, mas custa-me muito suportar a ideia de que as pessaos se satisfaçam a discutir pela Net. Como já disse à Patti, falta calor e espontaneidade no s comentários, nas reacções, até o atropelo das palavras.

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  18. Carlos: Já bem adulto, participei em saborosas tertúlias, como disse. E tão boas como as da minha juventude, embora diferentes.

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  19. Annie: É xactamente isso. Usou as palavras certas. Tertúlia é movimento, a Net é muito passiva, não nos podemos atropelar(rsrsrs). Isso também faz parte do espírito tertuliano.

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  20. Fugidia: A sua ideia é excelente, não quer tomar a iniciativa? Já tem por aqui apoiantes da deia. Não sei se resultará, mas nada como tentar.
    Seja bem aparecida!

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  21. Carlos: Permita-me que o remeta para o comentário que fiz ao comentário da Fugidia.
    Quanto à Brites, constou-me que está a preparar-se para outros voos antes de voltar ao Rochedo, mas são só rumores...

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  22. Teté:Há ali também algo que indicia uma mudança de paradigma social. Uma inversão de papéis na detenção do poder. Há várias pontas por onde pegar e por isso é que o filme me pareceu interessante, depois de reflectir mais sobre ele.

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  23. Vou ver e a seguir logo o Nine. Tenho a mania de ver os filmes todos dos Óscares antes dos ditos.
    Veremos qual a minha interpretação.
    Veludinhos

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  24. Paulo: essas tertúias pós futeboleiras, por vezes dão para o torto, não?

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  25. Turmalina: de vez em quando também tertulio. Coisas espontâneas, mas saborosas, como a que aconteceu na sequência deste filme.
    Quanto à sua ideia, parece que há por aqui seguidores, mas como já disse à Fugidia e ao Carlos, é uma boa idea, mas não sei se resulta, não...

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  26. Mike: Pois é, as reticências que coloco quanto às tertúlias virtuais, são as que aponta e outros também já enunciaram.
    Quanto ao filme, já desconversei lá na sua caixa de comentários.
    Com diz, ele provou o seu veneno sim, em dose dupla.

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  27. Bluevelvet: ico então à espera. Também tenho a mania de ver os flmes todos dos Óscares. Ano passado foi uma excelente colheita e o vncdor (Slumdog Millionaire), continua a ser um filme que me marcou.

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  28. Carlos, vou ver o filme para o «tertuliar» consigo. De qualquer modo, queria deixar aqui um esclarecimento prévio de que a juventude de hoje também analisa os filmes. Ainda há dias vi o outro «Up» (o da Disney, muito bonito, comovente e relativamente pouco infantil) com a minha filha, e estivemos, depois, as duas a discutir o sentido ligeiro, profundo, directo e enviesado de tudo aquilo até não sei que horas da madrugada. É um grande prazer que tenho, o de especular sobre filmes, livros, viagens, ou sobre tudo o que me emociona positiva ou negativamente. E encontro na minha filha uma excelente interlocutora.

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