
Durante cinco anos, este estaleiro (foto) das obras da estação do Metro Saldanha II, cortou ao meio a Av. Duque d’ Ávila, no cruzamento com a Av. da República. Uma barreira quase intransponível, impediu a circulação automóvel naquela artéria e dificultou a vida de moradores e transeunte.
Para qualquer peão, atravessar a Av. da República, entre o Saldanha e a João Crisóstomo, tornou-se tarefa ( quase) impossível. Os mais afoitos atravessavam à superfície, correndo o risco de atropelamento, outros iam até à João Crisóstomo, ou atravessavam pelos túneis do metro do Saldanha, única passagem em funcionamento. No entanto, chegados ao outro lado, deparavam com autênticos labirintos que os obrigavam a percorrer enormes distâncias (só para atravessar a Duque d’Ávila de um passeio para o outro, era necessário ir até à Defensor de Chaves e voltar a percorrer o caminho inverso).
Os mais prejudicados com estas obras foram os comerciantes, que viram fugir-lhes uma boa parte da clientela, cansada de tantos trajectos labirínticos para ir aos estabelecimentos aí existentes. É verdade que não me apercebi do encerramento de nenhum dos estabelecimentos mais emblemáticos da zona, mas ouvi muitas vezes os lamentos dos comerciantes, receando o seu futuro. Apesar dos incómodos e prejuízos provocados pelas obras, todos concordavam que, com a abertura da estação Saldanha II, a zona seria revitalizada. Só que…
Em Agosto de 2009, com quase três anos de atraso em relação ao previsto, foi inaugurada finalmente a Saldanha II, cujos benefícios já aqui salientei. Acontece, porém, que o muro continua a existir, impedindo a circulação de peões e automóveis, entre as duas margens da Av. da República . Muitos comerciantes não calam a sua revolta. Continuam encerrados numa espécie de “guetto”, separados por um muro que lhes prolonga a agonia. Os transeuntes continuam a ter de atravessar a Avenida pelas passagens subterrâneas do metro , embora disponham agora de mais escolhas e tenham sido derrubados os taipais que os obrigavam a percursos labirínticos. Os automobilistas é que devem estar satisfeitos pois, com a retirada dos estaleiros, surgiram muitos novos lugares de estacionamento gratuitos, avidamente disputados ao longo do dia.
Perguntei a vários comerciantes o que está projectado para a zona, mas ninguém sabe. Alguns afiançaram-me que estão fartos de telefonar e enviar exposições para a Câmara, mas não obtêm qualquer resposta. Não sabem quanto tempo mais vai durar este inferno, nem se o muro da vergonha que divide a Duque d’Ávila, algum dia será derrubado. Continuam a penar, perante o silêncio da autarquia que se comporta de uma forma vil, desprezando o direito dos munícipes à informação. Até que alguém se digne dar explicações, Lisboa continuará a ter os seus “Muros da Vergonha”. No plural, para lembrar que na mesma Avenida, junto ao "El Corte Inglês", existe uma situação idêntica. Apenas com uma diferença. O Plano de Requalificação da zona é conhecido e está em marcha.O que torna ainda mais estranho o silêncio sobre este trecho da Duque d'Ávila.
Junte a essa Duque de Ávila esventrada o estaleiro que permanece na Alameda e que quase aposto não paga renda e aí tem...
ResponderEliminarCumpts.
Sim a Alameda está esventrada há anos! Muitos Lisboetas não se lembram e outros nunca chegaram a ver como eram bonito e repousante o relvado rodeado de empedrado em diagonal.
ResponderEliminarQuanto ao que se passa no cruzamento que refere, não existem palavras para descrever o espanto e desgosto ao ver como a cidade é destruída.
Custa a acreditar no que vemos.
As árvores foram arrancadas, o lado do passeio em frente da pastelaria Versailles apresenta-se com a calçada desnivelada, por vezes sem empedrado, as bordas dos passeios não têm pedras de cantaria.
Tudo revela um desmazelo incompreensível.
Uns visionários é o que são os presidentes da Câmara de Lisboa que têm por lá passado ultimamente, é que hoje em dia um dos pontos mais visitados do Mosteiro da Batalha são as capelas inacabadas...
ResponderEliminarboa noite Carlos,
ResponderEliminarConheço bem esse muro, trabalho no Saldanha, mas para o lado da Fontes Pereira de Melo, tanks God!
cumprimentos
Zoe
Bom, concordo que a situação é escandalosa, no mínimo a CML devia informar a população sobre o que se passa ali. Mas, como de costume, eles só se lembram da população em vésperas de eleições... estão-se a borrifar para o resto!
ResponderEliminarEu, como peáo que trabalho nas proximidades, considero a situação atual muito vantajosa, pois que fez diminuir substancialmente o tráfego na Duque de Ávila. Embora seja mais fácil atravessar a avenida da República, isso é mais do que compensado pela facilidade extra com que se anda a pé na Duque de Ávila, sem a ameaça constante dos automóveis.
ResponderEliminarLuís Lavoura