Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Gozar com o pagode

“Luís Sepúlveda tem um novo livro e confessa que é um optimista” , leio hoje na primeira página de um diário. Como não falho um livro do autor chileno, corri para a página 14. Aí chegado a decepção ao ler a entrada da notícia .“ A sombra do que fomos”, o novo livro do escritor chileno Luís Sepúlveda, já chegou a Portugal”.
Novo? Já chegou? Mas eu li-o em Outubro , comprei-o em Lisboa e vêm agora dizer-me que o livro é novo e já chegou a Portugal?Se queriam fazer publicidade encapotada ao livro, ou apenas chamar a atenção para uma mini entrevista com Luís Sepúlveda, não precisavam de enganar os leitores, bastava que escrevessem “ O último livro…”.
Esta “pérola” vem no jornal gratuito “Metro” e é um insulto ao jornalismo e aos jornalistas. Chamar para primeira página uma notícia com três meses, num jornal diário (mesmo gratuito) não cabe na cabeça de ninguém. É verdade que não me devia espantar. Os jornais gratuitos vendem mais publicidade do que notícias e é essa a razão da sua existência. Devia era preocupar-me com o que uma camarada ( sim, ainda sou do tempo em que os jornalistas se tratavam por camaradas) me contou há uns dias.
Numa acção de formação perguntou a jovens jornalistas se liam jornais diariamente. Todos disseram que sim, mas a maioria deles lê apenas um jornal gratuito, para passar o tempo nos transportes públicos.
Belo retrato do jornalismo do futuro, sem dúvida. Depois queixam-se que os jornais não se vendem. Pudera!

8 comentários:

  1. Enganaram-se...ai este jornalismo de trazer por casa.Não vi, nem ouvi mas parece JRS na RTP,ontem, fez mais uma das suas ao dizer que se tinha batido o record de amputações no Haiti.Era bom que os jornalistas se centrassem na noticia e não no espectáculo que gravita á volta da mesma.
    abr

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  2. Amigo Carlos, compreendo e subscrevo a sua indignação mas isso por agora é o pão nosso de cada dia.
    Repare que até no pequeno ecrã nos mostram imagens de arquivo sem dizer "água vai".

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  3. Sarava!

    Pena os jornais gratuitos se prestarem a esses erros....

    beijinhos

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  4. Olá Carlos,
    Jornais e jornalistas andam a pisar o risco...e depois digam que os jornais não vendem!...
    Já postei no meu blogue o desafio das manias, se quiser ver...apareça.
    Um abraço,
    Manuela

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  5. E depois queixam-se que os jovens jornalistas mal sabem escrever! (a generalização é injusta, é óbvio) Mas se eles não lêem, ou só lêem esses pasquins, estão à espera de quê? Já para não falar na desinformação...

    Não li todos os livros do Sepúlveda (só cerca de meia dúzia), mas também sou fã! Este está em lista de espera... :)

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  6. Realmente! Grande novidade!
    Na mesma altura eu comprei esse livro aqui em Famalicão (uma cidade do Distrito de Braga, para quem não saiba), o que quer dizer que estava, pelo menos nessa data, à venda em todo o país.

    Mas, como tudo, não se pode fazer generalizações. Há jornais gratuitos que não são assim - temos por aqui alguns locais que, embora não possam ser incluidos nos jornais de excelente qualidade, não podemos dizer que sejam fracos. Pelo menos dão noticias semanais daqui da terra que não cheiram a mofo!

    Quanto ao resto... como em todas as profissões, há quem seja bom, interessado e esforçado e quem não seja.

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  7. Não deixa de ser irónico: jovens jornalistas não lêem jornais...

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  8. Carlos,
    Infelizmente o jornalismo hoje em dia é mais sensionalismo, desgraças, inventonas, porque tem que se vender.
    Há mais leitores do Recorde, do Crime, das revistas fofoqueiras, do que do Expresso, Público ou I.
    O povo adora o drama, o crime de faca e alguidar, as vidinhas das vedetas das telenovelas.
    Que tristeza e frustação deve sentir um jornalista a sério...
    Já respondi ao seu desafio.
    Beijo

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