Quando Gorbatchev, depois de dar por concluída a sua missão na ex-URSS, deu o nome a uma pizza, muitas pessoas se escandalizaram e criticaram a ligação espúria entre o poder e o grande capital. Só que, como acontece com muitas outras coisas na vida, certas relações no início estranham-se, mas depois entranham-se. Por isso se explica, por exemplo, que ninguém tenha estranhado o facto de o vice-presidente americano, Dick Cheeney, estar intimamente ligado ao Carlyle Group, um dos maiores produtores americanos de armamento.
Bem, isto era o que eu pensava até ontem…mas descobri que estava enganado. Afinal as pessoas também se escandalizaram quando souberam que Tony Blair - o ideólogo da Terceira Via e destacado membro da banda "War Boys” que nos Açores acordou a invasão do Iraque, que haveria de incendiar o mundo e conduzir-nos a esta triste situação- virou vendedor de malas da Vuitton. Curiosamente, também se escandalizaram quando souberam que o primeiro-ministro da Letónia, Valdis Dombrovskis, foi consultar uma adivinha, para tentar saber o futuro do país, mas saiu de lá muito desiludido, porque a mulher falou como uma pitonisa.
Resumindo: continuamos a ficar com aquele olhar pasmado, cada vez que um político estrangeiro manifesta o seu apoio à iniciativa privada. Só não nos espantamos quando os nossos ministros, assim que abandonam os cargos, se tornam consultores, administradores, ou CEOs de uma qualquer empresa que estava sob a sua tutela, porque se tornou tão banal e corriqueiro que deixou até de ser notícia. Só nos voltaremos a espantar quando Sócrates ( ou Cavaco) chamar a S. Bento ( ou a Belém) o professor Bambo, pedindo notícias sobre o futuro do país.
Cá por mim o professor Bambo bem poderia ter lugar cativo no governo ou na casa civil da presidência. Bambo por Bambo, sempre ficava o original, não eram necessárias tantas cópias.
ResponderEliminarEu sempre pensei que para se ser gestor, consultor ou afim, se tinha que passar primeiro por ministro. Estarei errada? :):):)
ResponderEliminarAbracinho
Ai, Carlos, não me fale no Prof. Bambo e naquele horripilante francês que ele fala quando analisa casos 'em directo'!
ResponderEliminarQuase que prefiro notre Marriô Soárrez........:D
Parece que o professor karamba é melhor!!
ResponderEliminarSalvo: enquanto não vai para lá o Bambo, o lugar é ocupado pelo Bimbo!
ResponderEliminarMaria teresa: Eh, eh eh!
ResponderEliminarSi: sem dúvida pefiro Marocas...
ResponderEliminarSuponho que as pessoas se escandalizam, mas como entretanto as atenções são desviadas para referendos sobre casamentos gay, acordos-ortográficos e outros assuntos muito mais "prementes" (?!), as coisas acabam por cair no esquecimento.
ResponderEliminarSomos um povo de má memória, isso sim!
Já aqui não vinha há muito tempo. Sobriedade, rigor e bom humor...a s razões para continuar a seguir e fruir dum espaço mais-que-perfeito...
ResponderEliminarO seu post é, infelizmente, o espelho da realidade: aceitamos com espantosa serenidade e ligeireza esta promiscuidade de interesses entre os ´financeiros cada vez mais fortes e os políticos cada vez mais fracos...
Seguindo o raciocínio sobre os ex-lideres, qual será o negócio do norte irlandês Robinson depois de deixar a política? Consultor matrimonial?
ResponderEliminarMil vezes o Marocas et Mr.le Prrésident!
ResponderEliminarVeludinhos
Luís Bento: Muito obrigado pela sua visita e pelas suas palavras. É sempre com enorme prazer que o "vejo" por aqui.
ResponderEliminarProcurarei manter a postura equidistante e qualidade que lhe deve ser subjacente, mas nem sempre é possível.
Viagens Lacoste: Boa sugestão, meu caro.
ResponderEliminarBluevelvet: Je suis d'accord!
ResponderEliminarNo caso de Sócrates não me parece que necessite das previsões do sr. Bambo. Entre ter um futuro garantido como vendedor de computadores, uma ou outra comissãozita no Freeport ou até, quiçá, lugar marcado na mesa da assembleia geral do BPN, pois que não venha o bruxo que não é preciso.
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