Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Arca de Noé


Imagem roubada ao Blog do Rebolinho


Como a maioria dos leitores do Rochedo saberá adoro animais, particularmente cães e gatos. Tenho lido, nos blogs de alguma vizinhança, histórias deliciosas, comoventes ou bem humoradas sobre animais e tenho guardadas, num recanto da minha memória, algumas histórias sobre cães que fizeram parte da minha história de vida, que um dia começarei a compartilhar convosco.
Serve este preâmbulo de aviso a quem pensar que o relato que se segue resulta de uma eventual animosidade da minha parte para com os animais. Nada disso... No entanto, aAesar de gostar muito de animais, dispensava a sua companhia numa viagem de avião, como me aconteceu na última ida a Paris.
À minha volta ( fila dianteira e traseira) viajavam quatro simpáticos exemplares da raça canina. Três deles viajavam em sacos com rede. Assim que o avião começou as manobras para levantar voo, os animais iniciaram um incomodativo concerto de gemidos mas, pelo menos duas das proprietárias dos cachorros, foram lestas acomodá-los de forma conveniente, tendo de imediato terminado os queixumes. Atrás de mim, no entanto, uma senhora- perante a complacência das hospedeiras- recusou-se a acondicionar o seu cão na casota improvisada e iniciou um diálogo com o seu “Bobby”, tentando acalmá-lo.Durante toda a viagem tive de suportar diálogos tão ridículos, que me fizeram suspeitar da sanidade mental da senhora.
Não vou criticar o transporte de animais em aviões, nem exigir a sua proibição mas, caramba, não viajei numa low cost, por isso sinto-me no direito de exigir uma viagem tranquila. Nunca tinha tido experiência semelhante mas agora, que a vivi, chegou a altura de a repudiar de forma veemente. Não está em causa o direito de os animais viajarem em aviões ( embora ninguém me convença que perante tantas medidas sanitárias de mau gosto decretadas pela União Europeia, seja aceitável que os animais viajem livremente ao lado dos passageiros, farejando-os durante toda a viagem, ameaçando uma chichizada espontânea). Sinto-me, porém, no direito de exigir às transportadoras aéreas que juntem as pessoas que viajam com animais numa determinada zona do avião, evitando assim incómodos a todos os passageiros.
Já agora, seria também oportuno estabelecer quotas para animais, caso contrário, um dia ainda entro num avião e penso que vou viajar na Arca de Noé.
Talvez tenha ficado sugestionado pelo facto de ter escolhido para livro de leitura, durante a viagem, o Caim, do Saramago ( leitura diversas vezes interrompida pelas investidas do Bobby e pelos monó(diá)logos espasmódicos da sua proprietária) mas vai ser difícil convencerem-me a voar novamente na Aigle Azur.

10 comentários:

  1. Espero ansiosa que chegue ao fim de Caim, que eu ainda não li.
    Eu amo cães e gatos como muita gente já sabe, mas fui alvo de críticas porque questionei a forma como algumas pessoas tratam seus amados animais. E justamente por amor à eles é que não podemos humanizá-los tanto, eles precisam continuar sendo o que são e não o que queremos que sejam.

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  2. Turmalina: Li o Caim e gostei. Vale a pena reflectir sobre o que Saramago escreve, malgré tout.
    Partilho inteiramente o seu gosto pelos animais e a sua opinião sobre a sua humanização. Creio que não é essa a forma de demonstrar que lhes temos amor. Mas isso dava agora para uma longa dissertação...

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  3. Cães, gatos e outros animais de quatro e até de duas patas não nasceram para voar. Os animais domesticados são muitas vezes o reflexo da personalidade dos donos... e já agora uma questão, será que também sujeitam os bichos ao rx corporal nos aeroportos!?

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  4. Partilho consigo o "amor" por animais (cães e gatos) e já fui incomodada com umas cenas parecidas.
    Mas mais me incomodaram já algumas crianças (não me batam, porque ninguém respeita e ama mais as crianças do que eu, pode fazê-lo em quantidade e qualidade de sentimentos)em restaurantes .... Nunca as crianças foram as culpadas, mas sim os respectivos responsáveis, que as "soltam", as deixam gritar, as deixam "tirar" comida da mesa de outros comensais... e em locais não propriamente tipo "casas de pasto".
    Escola de pais, de donos de animais, de..., de... precisam-se urgentemente.
    Abracinho

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  5. Paulo:Ora aí está uma excelente questão que vou averiguar. Sinceramente, essa não me tinha ocorrido, mas é bem perguntado, sim senhor!

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  6. Maria Teresa: Sinto-me sua alma gémea. Nem imagina as vezes que me apeteceu dar umas chapadas nos paizinhos.Aliás, já em tempos escrevi aqui sobre isso.
    A situação mais dramática foi numa Pousada para onde tinha decidido ir durante cinco dias descansar. A pousada estva quase vazia, como é habitual à semana, mas quatro ou cinco criancinhas obrigaram-me a regressar mais cedo, porque os paizinhos deviam pensar que aquilo estav por conta deles e era um fartar vilanagem.

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  7. Nem sabia que os animais de estimação podiam voar junto dos passageiros. Pelo menos, nunca tinha visto.

    Imagino que a conversa da senhora com o seu Bobby seja idêntica à que muitos adultos utilizam para falar com bebés, intervalando gugus e dadas entre as palavras, todas acabadas em diminutivos. Não há paciência... :)

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  8. Agora que li a sua resposta ao meu comentário, digo-lhe que muitas vezes faço o mesmo, "fujo"... e vou fazê-lo no fim da próxima semana, mais uma vez...está tudo programado. Amigos não podem saber, havia quem se pendurasse e a "idade" está a tornar-me menos gregária.

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  9. Ah, apanhei-o! Pôr os canitos todos juntos lá numa zona restrita? Que discriminação! E depois a cãozoada toda a ladrar uma com a outra. Isso é que devia ser bonito!
    O i-Podzito não levou?

    Ahahahahahahah, imagino a conversa da dona do Bobby. E ahahahahahahah, a sua cara devia ser um must!!!!!!! Já o 'tou a imaginar, a deitar fumo e a queimar as letras do Caim.

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  10. Adultos, crianças e animais são muito agradáveis se Bem educados. Como as crianças e os animais são o espelho dos adultos que as acompanham...só nos resta uma atitude muito zen e não nos deixarmos aborrecer!
    Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço, pois confesso que me irrito e não consigo ficar imperturbável:):):)

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