domingo, 31 de janeiro de 2010

Respeitem-se os contratos!

Depois de meio século de matrimónio ele morreu. Pouco tempo depoistambém ela se foi para o céu ...No céu encontra o marido e corre rápidamente para o ele e diz :
Queriiiiiidoooooo!!! Que bom encontrar-te !!!!
Ao que ele responde :
Não me lixes Cristina! .............O contrato foi muito claro :
ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE !!!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Vocês conhecem-me?

Respondendo ao desafio que me foi lançado pela ematejoca, aqui fica uma proposta de para pasatempo de fim de semana. Quem quiser responder, será muito aplaudido. Quem apensa quiser levar para o seu blog, esteja à vontade. As respostas serão aqui dadas durante a próxima semana.

1) A minha escova de dentes é branca e...
a — Laranja
b — Vermelha
c — Azul
d — Roxa
e — Verde

2) Qual destas era a minha personagem favorita das revistas Disney?
a — Tio Patinhas
b — Zé Carioca
c — Minie
d —Pato Donald
e — Pateta
3) Não me convidem para uma refeição de...
a — Sushi
b — Cozido à portuguesa
c — Sardinhas assadas
d — Caldeirada à fragateiro
e — Lampreia

4) Que cidade que não conheço,mais gostaria de visitar?
a — Tegucigalpa
b — Riga
c — S. Petersburgo
d — Rejkiavik
e — Palermo

5) De qual destes filmes gostei mais?
a — Casablanca
b — Gone with the wind
c — Slumdog Milionaire
d — Ma nuit chez Maud
e — O Leitor

6) Sonho com...
a — Angelina Jolie
b — Nada de especial
c — Viver até aos 100 anos
d — Viajar pelo mundo fora
e — Tornar-me famoso

7) Os meus piores pesadelos são com:
a — Cobras, lagartos ou crocodilos
b — Aranhas
c — Acidentes
d — Precipícios
e — Monstros

8) Nos canteiros dos jardins gosto de ver...
a — Hortênsias
b — Margaridas
c — Violetas
d — Rosas vermelhas
e — Amores perfeitos

9) Dos escritores que se seguem, de quem li toda a obra?
a — Agatha Christie
b — Richard Zimmler
c — Günter Grass
d — Émile Zola
e — José Saramago

10) A minha música preferida é...
a — Blues e jazz
b — Gospel
c — Eletrónica
d — Rock and roll
e — Heavy metal

11) Qual é o meu jogo de cartas favorito?
a — King
b — Canasta
c — Sueca
d — Poker
e — Bridge

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pelo país dos blogs

Querem dar uma boa gargalhada? Então leiam isto.

Blair, ou B.liar?


Num mundo justo, Blair estaria neste momento a ser julgado, ao lado de Bush, no Tribunal de Haia. A mentira que ambos engendraram para justificar a invasão do Iraque, com o conluio de Durão Barroso e Aznar ( é bom não esquecer) não contribuiu para a paz, como prometeram, mas sim para o recrudescer do terrorismo, o aumento da insegurança mundial e a morte de centenas de milhar de inocentes.
Se Bush, com as mãos sujas de sangue, continua a dormir descansado e a gozar uma reforma dourada, Durão Barroso foi recompensado, pela sua conivência ,com o mais elevado cargo da União Europeia e Aznar se eclipsou da cena política mundial, Blair está a ser alvo de um inquérito, em Londres. Os ingleses querem saber qual é o seu grau de responsabilidade na morte de soldados ingleses, numa guerra que o povo inglês nunca apoiou.
É isto que distingue um povo e um país. Os ingleses reconhecerão o papel desempenhado por Blair num dos períodos mais prósperos do seu país e até lhe perdoarão os caminhos ínvios de uma “Terceira Via” que destruiu o Labour e vai entregar de mão beijada ( provavelmente por muitos anos) os destinos da Inglaterra à oposição conservadora, nas legislativas deste ano. Não lhe perdoam é a mentira que ajudou a construir para justificar uma guerra insana.
Num clima de grande tensão, Blair começou esta manhã a responder ao inquérito. E começou mal, com esta afirmação: “Foi-nos dito que utilizariam armas químicas ou biológicas se as conseguissem obter. E isto mudou por completo a nossa avaliação dos riscos"
Ora, se bem se lembram, Blair disse, na altura, que tinha visto provas de que o Iraque tinha armas de destruição maciça. (No que foi secundado por Barroso- é bom não esquecer). Esta afirmação deve contribuir para aumentar o número de ingleses que o apelidam de B.Liar( mentiroso) e justificar os pedidos do número crescente de ingleses que querem ver o ex-primeiro ministro acusado por crimes de guerra. Na realidade, só nessa altura se começará a fazer justiça. Mas para que a justiça realmente seja feita, Blair não poderá sentar-se sozinho no banco dos réus.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

É tudo gente séria!

Há vários anos que Mguel Sousa Tavares vinha chamando a atenção para este caso. A imprensa, enfeudada que está a um deus das nicas, nunca lhe deu importância, claro. Abafou mesmo o assunto, porque há pessoas intocáveis. Os maus, os vigaristas, estão todos a norte. Cá por baixo é tudo gente séria, ninguém mistura futebol com política, gritava o guru dos pneus. Agora, a realidade está aí. Foram só 65 milhões de cambalacho.
No pasquim do Bairro Alto, nem uma linha sobre o assunto ( pelo menos na edição on line, não gasto dinheiro a comprar aquilo).

Parabéns(2)

Comecei o dia a dar os parabéns ao Viagens Lacoste e termino-o a fazer o mesmo à Marta, cujo blog completa hoje um ano. Não a conhecem? Então vão lá, porque naquele blog há vida
Parabéns, Marta!

CR 7, porque o CR 9 é mais caro


“Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz.
Que andais pelo universo há mil e tantos anos
Exibindo, explorando o corpo de Jesus”.
(Guerra Junqueiro- A velhice do Padre Eterno)
Ontem escrevi aqui sobre o Saul. Hoje, volto ao “30 Minutos” a propósito de outra história de exploração. Diferente, porque tem a ver com o aproveitamento da crendice dos portugueses. A segunda história do “30 minutos” - que poderão ver no link que coloquei no post abaixo sobre o Saul- , fala de uma fábrica de Ourém que faz terços iguais aos do Cristiano Ronaldo. Vende-se como pãezinhos quentes e é, actualmente, o maior êxito de vendas em Fátima. Explicação? O gosto dos portugueses pelo mimetismo. Neste caso com a vantagem de não se tratar de contrafacção, mas com o inconveniente de ser um adereço desactualizado, pois o miúdo agora é CR9 e aimagem dos terços exibe o CR 7. Compreende-se. CR 7 já não deve pagar royalties, mas comprar um terço daqueles é mais ou menos como comparar o Benfica de hoje, àquele que somou êxitos na Taça dos Campeões Europeus.
Em tempos de crise, a imaginação é fértil . Embora a irmã de Cristiano Ronaldo torça o nariz à ideia, já há quem esteja a trabalhar na produção de terços para o verão, em cores mais adequadas à época, como o lilás e o vermelho. ( E que tal um rosa e laranja, para adeptos do Bloco Central?)
O terço com o logo CR7, igual ao que mãe lhe ofereceu um dia, como prova de fé, virou adereço de moda. A preços exorbitantes para o custo de produção, como esclarece a fábrica. Mas o negócio não se fica por aqui. O Papa é que está a dar.

Parabéns!

Comemora hoje o segundo aniversário aquele que é, em minha opinião, o melhor blog de viagens da blogosfera portuguesa. Imprescindível a qualquer viajante pela abundante e variada informação que disponibiliza, o Viagens Lacoste tornou-se, para mim, um local de paragem obrigatória. Seja para recolher informações, seja por puro deleite. Muitos parabéns e que tenha uma longa vida.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O mundo mudou hoje?

Será que hoje é mesmo o dia em que o mundo vai mudar? São tantas e tão promissoras as expectativas, que custa acreditar. Espero para ver, mas a revolução na forma de consumir informação pode ter começado hoje. Voltarei ao assunto com mais tempo.

30 Minutos

Vejo pouca televisão. No entanto, sempre que posso, não perco o "30 Minutos", um programa de reportagens curtas da RTP 1,que contam pequenas histórias de vida.
Ontem, duas histórias distintas, relatavam casos de exploração, mas hoje só vos vou falar de uma. A primeira.
É a história de uma criança pobre, que nasceu e viveu os primeiros anos de vida numa roulotte. Aos seis anos a vida mudou. Com as canções de Quim Barreiros na ponta da língua, ar reguila e resposta pronta, começou a actuar em feiras encantando as audiências.
Rapidamente, a sua presença assídua na televisão conferiu-lhe enorme popularidade. Este miúdo chamava-se Saul e muitos certamente o recordarão, como o pequeno Quim Barreiros, porque só cantava músicas do cantautor de Vila Praia de Âncora.
O pequeno Saul era o sustento da família. Ganhou imenso dinheiro, suficiente para viver uma vida desafogada. Só que a vida reservara-lhe uma surpresa. No dia em que completou 18 anos, quando pensava poder utilizar o dinheiro que ganhara, descobriu que a sua conta bancária tinha apenas 14 euros. Na altura acusou os pais de serem os autores do desfalque e terem fugido para Inglaterra com o dinheiro. Hoje, recusa-se a falar do assunto.
Já aqui contei algumas histórias de crianças exploradas pelos pais, mas lembram-se qual era o sonho de Saul , quando tinha 10 anos?

Nas Nuvens


No sábado fui ver Nas Nuvens. Ia sem grandes expectativas e saí de lá sem grande entusiasmo. Depois comecei a pensar no filme noutra perspectiva e discuti-o com alguns amigos. Curioso que alguns deles tinham visto “o mesmo filme que eu”, mas não tinham pensado mais no assunto.
Lembrei-me das tertúlias que, quando era jovem, fazia com um grupo de amigos. Eram calorosos e prolongados debates que se arrastavam pela madrugada, nos obrigavam a pensar, discutir, reflectir e ajudavam a ver os filmes e os lvros através da cabeça de cada um.
Há anos que não particpo- a não ser esporadicamente- em tertúlias sobre filmes. Vejo mais filmes em casa do que no cinema, desde que as pipocas entraram nas salas.
Creio que, hoje em dia, a maioria dos jovens também não organiza tertúlias para discutir um livro ou um filme. Consomem-nos como um hamburguer, de forma mais ou menos passiva. Tiram as suas conclusões e ficam com elas ou, quando muito, falam com dois ou três amigos. Será que os discutem no Facebook? Talvez, mas certamente não é a mesma coisa.
Tenho saudades do tempo em que tinha dias marcados para as tertúlias. Depois de regressar a Portugal, tinha duas tertúlias semanais, com grupos diferentes. Numa discutiam-se filmes, noutra discutiam-se livros. Eram momentos muito ricos. Ambas morreram de morte natural. O mesmo que dizer, estiolaram por falta de quorum. Em minha opinião fazem falta. E vocês o que pensam das tertúlias?

PS: Como escrevi no início, o filme tem várias interpretações, merecendo por isso uma boa reflexão sobre a sociedade em que vivemos. Isso não justifica, porém, a disparidade das sinopses que tenho lido na imprensa. Uma sinopse não é uma crítica nem uma reflexão sobre o filme. É apenas um resumo Os jornais deviam saber isso e deixar de inventar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sex Machine


Em Washington, um casal americano foi acusado de poluição sonora. Ao contrário do que alguns estarão a pensar, a ira da vizinhança contra Caroline e Steve Cartwright não se deve ao facto de o casal se dedicar à “bricolage” a horas impróprias. O motivo da queixa- que valeu a Caroline ser condenada a OITO semanas de prisão ( com pena suspensa)- foi o barulho excessivo do casal durante as suas aventuras amorosas. Para além da bizarria da sentença, fica por explicar a razão que terá levado o Tribunal a absolver Steve… Apenas se sabe que Caroline foi condenada por reincidência, pois não respeitou uma anterior ordem do juiz, que a obrigara a “hábitos mais discretos”.
Agora imeginem a sentença que um juiz do género poderá aplicar a estes tipos...

É assim mesmo!

Aplausos para Bill Gates, pelas suas declarações em relação ao caso que opõe a Google à China e levou à estapafúrdia intervenção do governo americano.É evidente que uma empresa não tem qualquer legitimidade para criticar a política de um país e pôr em causa as suas leis. Se não estão bem, mudem-se. Bill Gates pôs os pontos nos “is” e fez muito bem. Chapeau!

Novo ano, siglas novas...

Em 2010 vamos ter de nos habituar a novas siglas. Depois da cimeira de Copenhaga, a sigla BRIC com que eram identificados os quatro países emergentes ( Brasil, Rússia, Índia e China) passou a BICA ( com a saída da Rússia e a entrada da África do Sul) e agora, graças ao Deutsche Bank , Portugal deixou de pertencer a uma das siglas mais detestáveis utilizada na União Europeia: PIGS. Esta sigla designava os países ( Portugal, Itália, Grécia e Espanha) problemáticos, capazes de colocar em risco a unidade europeia. Ora o Deutsche Bank veio incluir a Irlanda na lista desses países, pelo que a sigla passou a ser PIIGS.
Não é que estejamos melhor, mas pelo menos deixámos de ser tratados como um dos países europeus pertencentes ao grupo dos porcos. Pelo menos em teoria…

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Caderneta de cromos (13)


São demasiadas confusões e embrulhadas para um ainda tão curto mandato. Depois das indecisões quanto à inclusão de casais homossexuais nas cerimónias dos casamentos de Santo António, ficou a saber-se que António Costa desconhece os termos do protocolo que assinou com a Red Bull. Pior… parece ter ficado surpreendido quando a oposição lhe demonstrou que o negócio era ruinoso para a Câmara.
Desde a candidatura à Câmara de Loures, em que protagonizou aquela corrida entre o burro e o Ferrari, percebi que António Costa tem uma noção circense da política que me desagrada. Entretanto, como passaram vários anos, acreditei que tivesse crescido. Enganei-me.
O presidente da maior autarquia do país ainda pensa que as pessoa querem é circo. Não é. António Costa fez da palavra "Rigor" o mote da sua campanha e prometeu que, postas as contas em dia, resolveria os problemas da cidade. É isso que os lisboetas também querem, e de forma célere. No entanto, disciplinadas as contas, continuam à espera. Os lisboetas estão-se marimbando para os aviões. Querem é maior disciplina no trânsito, melhores transportes públicos, parques gratuitos nos terminais do Metro e a aplicação das 10 medidas que prometeu resolver em 100 dias, quando foi eleito pela primeira vez em 2007. Os lisboetas esperam e desesperam. Pelo Rigor e pelo cumprimeno das promessas.Por isso, pedem-lhe menos folclore e mais acção.
Como é o caso da (para muitos desconhecida) figura da semana.

Crying Games

Era um belo dia de Abril. Dois irmãos ingleses, de 11 e 12 anos, estavam em casa aborrecidos, sem nada para fazer. Foi então que um deles teve uma ideia. Foram ao encontro de dois outros miúdos, com 9 e 11 anos, e convidaram-nos para “brincar”. Eles aceitaram. Deixaram-se conduzir até um local ermo e aí foram agredidos violentamente pelos dois irmãos e obrigados a abusar sexualmente um do outro. Não satisfeitos, estes amorosos manos ainda enfiaram com um lavatório na cabeça de um dos companheiros de "brincadeira".
Presentes a tribunal, as adoráveis criancinhas, sem ponta de remorso,lá justificaram a brincadeira com o aborrecimento. Compreende-se… isto de ser criança e não ter nada para fazer é muito chato. Principalmente quando se pertence a uma família disfuncional, onde o pai é violento, e o único prazer que tinham em casa era ver filmes pornográficos e fumar cannabis na companhia dos pais. O juiz também deve ter compreendido a situação, por isso aplicou-lhes uma pena de cinco anos numa casa de correcção.
Dizem os psiquiatras que os irmãos têm personalidades anti-sociais, sem retorno. Eu pergunto: então, quando saírem da casa de correcção, como vai ser?
O facto de pertencerem a uma família disfuncional não explica tudo, até porque dos outros cinco irmãos não se conhecem proezas idênticas.
Não será, obviamente, fácil a um juiz fazer mais do que fez. Para já aplicou-lhes cinco anos e no final da pena logo se vê. Pois, aí é que está o problema…

domingo, 24 de janeiro de 2010

Relativismo, é isto...

Esta notícia fez-me lembrar esta história.
Se fosse o autocarro do SLB e o carro de LFV, "A Bola" escreveria logo: "adeptos do FC do Porto tentaram matar Luís Filipe Vieira".

Se for loiro, não leia...

Com a lei da paridade, apareceu finalmente a primeira anedota sobre homens loiros!

Um japonês, um baiano e um loiro estavam trabalhando na construção de um edifício de 20 andares. Eles começaram a abrir suas marmitas para almoçar e o japonês disse,irritado:
-Sushi com sashimi de novo! Se eu abrir essa maldita marmita amanhã e encontrar sushi com sashimi me jogo desse prédio!
O baiano abriu sua marmita e gritou:
- Vatapá de novo! Se amanhã meu almoço também for vatapá, me jogo daqui!
O loiro abriu a sua e disse:
- Sardinha de novo! Não !!! Se meu sanduíche amanhã for de sardinha de novo, me jogo também!
No dia seguinte o japonês abriu sua marmita, viu o sushi com sashimi e pulou para a morte.
O baiano abriu sua marmita, viu o vatapá e pulou também.
O loiro abriu o sanduíche, viu que era de sardinha e também se jogou do prédio.
No enterro, a mulher do japonês chorava sem parar, dizendo:
- Se eu soubesse o quanto ele estava cansado de comer sushi com sashimi, eu nunca mais teria posto na marmita dele!'
A mulher do baiano também chorava e lamentava:
- Eu poderia ter feito acarajé ou cuscuz! Não percebi o quanto ele estava odiando comer o vatapá!'
Todos se voltaram e olharam para a esposa do loiro que logo se defendeu dizendo:
- Ei, nem adianta olharem p'rá mim, ele sempre preparou a sua marmita sozinho.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Crónicas de Graça # 8

A pontualidade
Todos sabemos que a pontualidade não é propriamente um atributo dos portugueses. Aliás, na forma de viver lusa, o relógio não serve para ver as horas, mas sim de objecto decorativo. Seja ele de pulso ou de parede, o importante é que seja bonito, “fashion”, ou “fique mesmo bem em cima daquele móvel da sala”. É este apego pelo relógio, como elemento decorativo, que justifica o grande sucesso da “Boutique dos Relógios” onde se pode comprar um relógio por 240 mil euros. Convenhamos… qual é o interesse de comprar um relógio daquele preço para ver as horas, se qualquer computador ou telemóvel – objectos omnipresentes no nosso quotidiano- trazem um de borla?
Querem mais uma prova de que o relógio é um objecto ultrapassado? O Museu do Relógio em Serpa. Se o relógio não fosse um objecto obsoleto, como se explicaria a existência deste Museu?Na verdade, temos de reconhecer o sentido prático dos portugueses. Somos como somos e embora isso irrite muito os ingleses e os cidadãos de outros países da UE, somos felizes assim e faço votos para que não venha agora uma qualquer Directiva Comunitária obrigar-nos a cumprir rigorosamente os horários. Já basta a sardinha certificada para nos encher de orgulho, não precisamos agora de uma Directiva que nos promova a cidadãos pontuais. Por outro lado, quem anda num vaivém pelos corredores de Bruxelas,em ritmo ofegante à procura da sala onde se reúne a comissão de cujo nome já nem se lembra bem, mas que facilmente identifica porque dela faz parta uma italiana boazona, sentiria um certo desconforto se chegasse à sala e não ouvisse alguém dizer:
Pronto, já podemos começar a reunião. O português já chegou!”
Compreende-se. Se não fosse a nossa peculiar falta de pontualidade, ninguém nas comissões se apercebia que lá estavam portugueses.Por isso, senhores da Europa, deixem-nos ser felizes e continuar a não ser pontuais.É muito mais lógico e útil para os portugueses, que o significado da palavra “pontualidade” continue a ser “coisas pontuais”. Vai melhor connosco, com a nossa capacidade para improvisar e incapacidade para planear as coisas a médio ou longo prazo. É muito mais genuinamente português não planear nada e, por milagre, aparecerem alguns fora de série que conquistam medalhas olímpicas, do que planear tudo muito bem e, quando chega a hora da verdade, acontecer o fiasco.

Se planeássemos e fracassássemos,onde é que iríamos arranjar desculpas? Ainda nos JO de Pequim ficou bem demonstrada a nossa aversão ao planeamento. Tudo programado para trazermos uma catrefa de medalhas e quase toda a gente falhou, lançando o mau estar no seio da selecção olímpica e os ataques da comunicação social. Tudo se teria evitado, se a delegação portuguesa tivesse deixado correr o marfim sem grande preocupações.
Vejam o exemplo de Marcos Fortes, eliminado logo nas provas de qualificação. O rapaz estava habituado a treinar só de tarde e marcaram-lhe as provas para de manhã, claro que chegou atrasado e ensonado. Ora isso é natural, o que não é normal é que obriguem os nossos atletas a competir fora dos horários a que estão acostumados. Como se não bastasse terem de defrontar a diferença de fusos horários…
O português arranja justificações para tudo, adora improvisar,exulta com as acções pontuais, mesmo que desprovidas de qualquer lógica, porque sublinham a sua criatividade. É nesse ritmo de vida que se sente bem.Sendo o improviso uma das características marcantes do português, não é de estranhar que ao chegar atrasado a um encontro, tenha na ponta da língua a justificação adequada. Na verdade o português nunca se atrasa… chega atrasado, porque o autocarro teve uma avaria, o trânsito estava infernal, a tia avó teve uma doença súbita, a gata passou a noite com cólicas, porque estava calor, ou estava frio, chovia ou estava sol. Por isso se explica que, apesar da crise, o nosso primeiro-ministro ( um atrasado incorrigível) continue optimista. Havemos de encontrar uma solução e lá nos desenrascaremos. O importante é ter calma.

A falta de pontualidade dos portugueses já não me irrita, porque me deixa os nervos em franja. Por isso delirei quando, há tempos, o António Fagundes impediu que os retardatários vissem o seu espectáculo no Pavilhão Atlântico mas, dois dias depois, mergulhei numa grande depressão, quando fui ao cinema e me obrigaram a levantar meia dúzia de vezes, após o começo do filme, para deixar passar os atrasados.
Em Portugal nada se faz a horas: perdem-se tempos intermináveis em consultórios de médicos pagos a peso de ouro; desespera-se pela entrega da mobília, do televisor, da peça de roupa, ou de um simples par de óculos,certamente porque as empresas que fornecem estes produtos são como algumas pessoas finas que gostam de chegar atrasadas a todo o lado, para dar nas vistas.
Saúdo,pois, a iniciativa de um grupo de cidadãos que decidiu apresentar uma petição na Assembleia da República, no intuito de tornar os portugueses mais pontuais. O problema é que, graças à falta de pontualidade dos nosso deputados, ainda não houve tempo para a analisar.
Já agora, se chegarem atrasados a um encontro, porque estiveram a ler esta insípida CG, podem atirar as culpas para cima de mim à vontade. Com uma condição: têm de obrigar a pessoa que fizeram esperar, a lê-la.
Já agora, digam-lhe também para ler a da minha parceira, que deve ter muito mais graça do que esta.

Estou pendurado e ...sem graça!

Mas hoje não é dia de Crónicas de Graça? Perguntarão alguns dos leitores mais fiéis desta parceria, que ao bater da meia noite das sextas-feiras "sim" ( aquelas em que as CG são publicadas) nos vêm visitar.
Na verdade hoje é mesmo dia de CG mas, se por aqui ou pelos Ares, ainda não há sinal delas,isso deve-se a factores exógenos alheios à minha vontade.Estejam tranquilos, porque nenhum de nós está de ressaca.Os festejos do 2º aniversário do Ares foram muito animados, mas toda a gente se comportou dentro dos parâmetros exigíveis, no que toca ao consumo de álcool. No aspecto gastronómico também não houve excessos, pois todos nos solidarizámos com o período de privação gastronómica da PresidentA, pelo que não há dores de barriga nem diarreias a registar.
O que se passa é que PresidentA que se preze, não pode ser sempre pontual.Se o nosso Primeiro chega atrasado a tudo quanto é sítio, porque razão não havemos de perdoar um"piqueno" atraso de 12 horas à nossa PresidentA?
Portanto, minhas amigas e meus amigos, hoje as CG só vão para o ar ao meio-dia e um minuto.Façam o favor de ter paciência, desculpem o atraso, e sejam pontuais nos vossos comentários. Quanto a nós, prometemos compensar-vos pelo atraso. Até já!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uff! Consegui...

Ena, pá, estou feito num OITO! Andei o dia inteiro à procura de uma lembrancinha para a PresidentA ( graxa, claro, para ver se não me aplica mais coimas), mas só agora é que encontrei. Foi preciso vir quase até Espanha para encontrar um apara lápis decente, merecedor de adelgaçar os lápis da PresidentA! Espero que ela goste, caso contrário da próxima leva um aguça.
Não sabem o que é? Pronúncia do Norte...

Happy Birthday to you!


Muitos dos leitores do Rochedo já sabem como conheci esta Senhora e as razões que me levam a gostar tanto daqueles Ares, pelo que não me vou repetir. Aos leitores mais recentes recomendo a leitura deste post.
Hoje- até porque o tempo é pouco- queria apenas acrescentar que me orgulho de a ter como parceira em sextas –feiras alternadas e enviar-lhe um grande beijo de parabéns pelo segundo aniversário do Ares .Consta-me que devido ao período de privação gastronómica da aniversariante, não teremos bolo nem champagne para celebrar mas, amanhã, aqui estaremos novamente com mais uma Crónica de Graça.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Gozar com o pagode

“Luís Sepúlveda tem um novo livro e confessa que é um optimista” , leio hoje na primeira página de um diário. Como não falho um livro do autor chileno, corri para a página 14. Aí chegado a decepção ao ler a entrada da notícia .“ A sombra do que fomos”, o novo livro do escritor chileno Luís Sepúlveda, já chegou a Portugal”.
Novo? Já chegou? Mas eu li-o em Outubro , comprei-o em Lisboa e vêm agora dizer-me que o livro é novo e já chegou a Portugal?Se queriam fazer publicidade encapotada ao livro, ou apenas chamar a atenção para uma mini entrevista com Luís Sepúlveda, não precisavam de enganar os leitores, bastava que escrevessem “ O último livro…”.
Esta “pérola” vem no jornal gratuito “Metro” e é um insulto ao jornalismo e aos jornalistas. Chamar para primeira página uma notícia com três meses, num jornal diário (mesmo gratuito) não cabe na cabeça de ninguém. É verdade que não me devia espantar. Os jornais gratuitos vendem mais publicidade do que notícias e é essa a razão da sua existência. Devia era preocupar-me com o que uma camarada ( sim, ainda sou do tempo em que os jornalistas se tratavam por camaradas) me contou há uns dias.
Numa acção de formação perguntou a jovens jornalistas se liam jornais diariamente. Todos disseram que sim, mas a maioria deles lê apenas um jornal gratuito, para passar o tempo nos transportes públicos.
Belo retrato do jornalismo do futuro, sem dúvida. Depois queixam-se que os jornais não se vendem. Pudera!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Mentira piedosa


Almoço em passo de corrida, entre uma conversa com imigrantes de Leste e uma visita a uma comunidade cigana. Quando a adrenalina está no auge, porque as reportagens me empolgam e os prazos para entregar os trabalhos se aproxima do limite, o período que diariamente consagro ao almoço - sem hora certa mas com um generoso intervalo para saborear calmamente a comida, fumar a cigarrilha e, quando possível, cochilar * dez minutos – reduz-se drasticamente. Mal saboreio a comida e qualquer coisa me serve para enganar o estômago. (De tantas vezes se sentir enganado, por vezes revolta-se, mas isso é outra história).
Este mês, raras vezes tive o prazer de um almoço prolongado e, no dia a que se reporta esta CENA, o tempo foi de tal maneira exíguo que decidi aportar a um desses locais de comida a peso, onde normalmente se paga na razão inversa da qualidade. Sentei-me na companhia de um linguado deficientemente grelhado e uns legumes cozidos a vapor, sentindo a falta de um copo de vinho que abrilhantasse o elenco, prazer a que apenas me entrego, à hora do almoço, quando o palco é a minha casa.
Na mesa ao meu lado, sentou-se um distinto cavalheiro, na casa dos setenta. Reparei que olhava com enlevo para o seu prato, onde acamavam quatro suculentas fatias de picanha, bocados de banana frita, uma salsicha grelhada e uma generosa dose de batatas fritas, num apetecível bacanal gastronómico. Pressenti, no seu olhar guloso, a iminência do pecado. Suspeitei que aquela refeição não respeitasse os cânones dos seus hábitos alimentares. Olhando-o discretamente entrevi, por detrás das lentes grossas, o relato de uma fuga à prescrição médica, aconselhando evitar fritos e carnes vermelhas.
Terminado o linguado, pedi café. O telemóvel do cavalheiro tocou. Atendeu lesto.
- Só vim aqui comer qualquer coisa, vou já para aí. Não te preocupes, sabes que o médico está sempre atrasado.
Do lado de lá alguém lhe deve ter perguntado o que estava a comer.Sem hesitar, respondeu.
- Um linguadinho grelhado com legumes cozidos.
- …?
- Não, batatas não, sabes que não devo comer . Olha, vou desligar que estou com pressa.
Desligou. Olhou-me de soslaio. Fez sinal à empregada que dá apoio às mesas e pediu:
- Traga-me meia garrafinha de vinho, faz favor.
Atirou-se à picanha e às batatas fritas. Com prazer e sem remorsos. Bem haja!
* O computador informa-me que cochilar não existe. É um ignorante, coitado. Nem imagina como é bom passar pelas brasas a seguir ao almoço.

O que é nacional é bom...lá fora|

O amigo Ferreira-Pinto levanta neste post uma questão muito pertinente.
Desdenhamos os produtos nacionais que os turistas procuram, porque somos um bocado pacóvios, embasbacados com as maravilhas que vêm da estranja.
Catarina Portas - que acaba de abrir uma loja no Porto depois do sucesso alcançado em Lisboa- bem nos tenta despertar para aqualidade dos produtos nacionais mas, ao que julgo saber, os seus melhores clientes são os turistas. Nós, como escreve nas entrelinhas o Ferreira-Pinto, continuamos a ir até lá fora para encher as malas de cheirinhos com "pedigree".

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um fosso cada vez mais largo

Neste ano de 2010, que a União Europeia declarou de “Luta Contra a Pobreza e a Exclusão” vieram lembrar-nos, uma vez mais, que somos dos países europeus com maior risco de pobreza. Risco que aumentou no último ano, passando de 18 para 23 por cento nos jovens e crianças até aos 17 anos e atingindo os 22 por cento nos idosos com mais de 65 anos.
Não sendo uma novidade, continua a causar-me algum incómodo que nos últimos 20 anos de Democracia,a situação se tenha sucessivamente agravado, aumentando o risco de pobreza e o fosso entre pobres e ricos. Ora, fazendo as contas, facilmente se conclui que a entrada de Portugal na União Europeia não conseguiu diminuir esse fosso. Ou seja: apesar de diariamente entrarem em Portugal milhões de euros para ajudar o país a reduzir as assimetrias com os restantes parceiros da UE, a verdade é que não o conseguimos.
Não é razão para espanto. Além de uma megalómana rede de auto-estradas, muito desse dinheiro foi aplicado em jeeps e casas com piscina, campos de golf e infra-estruturas que apenas criaram emprego pontual. Apostámos em obras de encher o olho, mas que não enchem barriga nem ajudam a combater as assimetrias sociais. Os nossos governantes comportaram-se como pacóvios. Não é difícil perceber a quem devem ser assacadas as culpas mas, mesmo assim, os portugueses teimam em escolher, para gerir os seus destinos, os partidos responsáveis pelo estado a que chegámos.

Caderneta de cromos ( 12)


Mais uma vez hesitei bastante na escolha do cromo da semana, pois havia outros dois fortes candidatos . No entanto, como aos outros dois não faltarão oportunidades para integrarem esta caderneta, optei por João Rendeiro.
Fundador, administrador e responsável pela insolvência do BPP, que está a custar milhões de euros aos contribuintes portugueses, João Rendeiro teve o topete de publicar um anúncio de página inteira num jornal diário, onde tenta lavar a face. Demarcando-se de quaisquer responsabilidades, na fraude que levou centenas de pessoas a perder as economias de uma vida inteira, o ex- administrador ainda tem a distinta lata de vir acusar o Estado de ser o responsável pelo não pagamento das dívidas do BPP aos depositantes ludibriados por promessas falsas de “ investimento com retorno garantido”.
Se João Rendeiro fosse o nome de um chefe de família atingido pelo desemprego e, desesperado pela impossibilidade de sustentar a família assaltasse um supermercado, para roubar alimentos, já teria sido preso e condenado. Mas este João Rendeiro pertence àquela estirpe de portugueses que podem vigarizar, roubar, corromper e ser corrompidos à vontade, porque para eles o crime compensa. Há quem diga que é por serem filhos de boas famílias mas, cá para mim, boas famílias, são aquelas a que pertence a figura da semana.

As minhas manias


O Carlos lançou-me um desafio tramado: indicar cinco manias que fazem parte da minha vida. O pior que pode acontecer a alguém é pensar que não tem manias e eu sou dos que tento sempre encontrar explicação para justificar que alguns tiques, vícios ou paranóias, são a coisa mais natural do mundo. Não é por isso razão para espanto, a enorme dificuldade que senti para responder ao desafio. Depois de muito matutar, aqui ficam então cinco mas, provavelmente, terei muitas mais de que não me apercebo ou não consegui recordar:
1- Pontualidade. Detesto esperar, ou fazer esperar, por isso chego sempre antes da hora marcada.
2- Não conseguir deitar-me sem escrever
3- Tomar o pequeno almoço fora de casa ao sábado, rodeado de imensos jornais e revistas. A maioria deles acaba no caixote do lixo, sem que os tenha lido.
4- Caminhar pelo menos durante uma hor,a antes de começar a trabalhar.( Neste mês de Janeiro o clima não me tem permitido fazê-lo diariamente, o que me deixa à beira de um ataque de nervos)
5- Ir à Bertrand ( não é publicidade, é mesmo vício) todas as segundas-feiras. Vou sempre com a intenção de apenas ver as novidades, mas nunca de lá saio com as mãos a abanar.

Concluído o desafio, devo passá-lo a cinco blogues. Outra tarefa difícil. Escolhi cinco blogs (de uma extensa lista) que não constam ainda da coluna da direita deste Rochedo (e não foram desafiados por outros vizinhos). Apenas por falta de tempo ou preguiça, porque já lá deviam estar há muito tempo. Prometo que, no próximo mês, quando o trabalho tiver acalmado, vou incluí-los e dar-lhes o merecido destaque. Aqui vão:

- 2711 ( Daniel Santos)
E agora nada de baldas, ok?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Brites nas Caraíbas



Olá!
Já sei que há por aí muita gente que tem sentido a minha falta. Ao que li, até o dono do Rochedo que, não sendo pessoa de dar o braço a torcer, foi obrigado a reconhecer que precisava de mim neste período em que anda tão entusiasmado com o trabalho, que mal tem tempo para escrever coisas de jeito. Aliás, nota-se… este ano está farto de “encher chouriços”, com posts sem piléria nenhuma. Eu já lhe mandei um SMS a dizer para voltar a postar algumas daquelas Cenas giras que ele escrevia em tempos, porque sempre são melhores, mas não me deu ouvidos. Pronto, está bem, isso é lá com ele e eu vim aqui para vos dar notícias minhas, não foi para falar do Carlos.
Só vos digo uma coisa:estou que nem posso! Durante as festas devo ter engordado cem gramas e nem consigo ver-me ao espelho. Fartei-me de fazer exercício durante o revéillon, mas nem assim consegui emagrecer. Como é que eu podia? Com a Lili Caneças sempre a enfiar-me champagne pelo bico, a Cinha Jardim a apaparicar-me com doces, o Tony Carreira a cantar aquelas canções dengosas no MP3 da Pimpinha e este calor danado, só dá mesmo para o ripanço. Só faço exercício quando a cadela Juanita ( uma mimada do caraças) se põe a ladrar e a ganir. Acontece sempre à noite quando as meninas vão curtir para as discotecas e a deixam sozinha. Durante o dia não me liga nenhuma, mas à noite é só ternuras. Não tenho paciência para a aturar e passo a noite a fugir dela como o diabo da cruz.
Um dia destes apareceu por aí um chinês. Parece que é jogador de ping-pong e trazia uma medalha ao peito, que ganhou nos Jogos Olímpicos de Pequim. (Será que a Martinha o conhece?) Ora o Ma Lin - é como se chama o moço-apaixonou-se pela empregada do bar e não sai de lá. Quando eu pensava que aquilo ia acabar com cerimónia na Igreja e já me estava a fazer a um convite ( adoro casamentos e baptizados) rebentou a bronca. O Ma Lin afinal é casado há cinco anos com uma actriz chamada Zhang Yi. Quando a miúda soube partiu-lhe a garrafa de vinho de arroz na tola e foi para o quarto debulhada em lágrimas.
O melhor, é que o rapaz jura, pela alma do canário que traz sempre com ele ( uma brasa que põe a um canto aquele tipo da Nespresso) não saber de nada!. Eh pá, há gajos muito distraídos, não acham? Ou será que este ar das Caraíbas tolda o juízo aos humanos?
Pronto, isto hoje fica por aqui. Em Fevereiro regresso ao Rochedo. Para dizer a verdade já tenho saudades do Sebastião e sei que ele anda muito deprimido depois daquela cena na Dinamarca. Anda a precisar de miminhos, coitado.
Bicadinhas para vocês todos e até breve.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Serviço de Urgência ( especial fim de semana)

Jesus Cristo, certo dia, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar à terra para fazer o bem.
Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço.
Para não atrair as atenções , decidiu ir vestido de médico. Entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico.
Os pacientes viram e comentaram:
- Olha, vai mudar o turno...
Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, decidido, gritou:
- O PRÓXIMO !
Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas.
Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:
- LEVANTA-TE E ANDA!
O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas.
Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:
- Que tal é o médico novo?
- Igualzinho aos outros... nem examina a gente...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os aeroportos são locais de perversão?


Começaram por nos apalpar.Agora já nos despem e,em breve, prometem os alemães, vão começar a cheirar-nos. Quando é que começam a lamber-nos?

Lisboa tem um "Muro da Vergonha"


Durante cinco anos, este estaleiro (foto) das obras da estação do Metro Saldanha II, cortou ao meio a Av. Duque d’ Ávila, no cruzamento com a Av. da República. Uma barreira quase intransponível, impediu a circulação automóvel naquela artéria e dificultou a vida de moradores e transeunte.
Para qualquer peão, atravessar a Av. da República, entre o Saldanha e a João Crisóstomo, tornou-se tarefa ( quase) impossível. Os mais afoitos atravessavam à superfície, correndo o risco de atropelamento, outros iam até à João Crisóstomo, ou atravessavam pelos túneis do metro do Saldanha, única passagem em funcionamento. No entanto, chegados ao outro lado, deparavam com autênticos labirintos que os obrigavam a percorrer enormes distâncias (só para atravessar a Duque d’Ávila de um passeio para o outro, era necessário ir até à Defensor de Chaves e voltar a percorrer o caminho inverso).
Os mais prejudicados com estas obras foram os comerciantes, que viram fugir-lhes uma boa parte da clientela, cansada de tantos trajectos labirínticos para ir aos estabelecimentos aí existentes. É verdade que não me apercebi do encerramento de nenhum dos estabelecimentos mais emblemáticos da zona, mas ouvi muitas vezes os lamentos dos comerciantes, receando o seu futuro. Apesar dos incómodos e prejuízos provocados pelas obras, todos concordavam que, com a abertura da estação Saldanha II, a zona seria revitalizada. Só que…
Em Agosto de 2009, com quase três anos de atraso em relação ao previsto, foi inaugurada finalmente a Saldanha II, cujos benefícios já aqui salientei. Acontece, porém, que o muro continua a existir, impedindo a circulação de peões e automóveis, entre as duas margens da Av. da República . Muitos comerciantes não calam a sua revolta. Continuam encerrados numa espécie de “guetto”, separados por um muro que lhes prolonga a agonia. Os transeuntes continuam a ter de atravessar a Avenida pelas passagens subterrâneas do metro , embora disponham agora de mais escolhas e tenham sido derrubados os taipais que os obrigavam a percursos labirínticos. Os automobilistas é que devem estar satisfeitos pois, com a retirada dos estaleiros, surgiram muitos novos lugares de estacionamento gratuitos, avidamente disputados ao longo do dia.
Perguntei a vários comerciantes o que está projectado para a zona, mas ninguém sabe. Alguns afiançaram-me que estão fartos de telefonar e enviar exposições para a Câmara, mas não obtêm qualquer resposta. Não sabem quanto tempo mais vai durar este inferno, nem se o muro da vergonha que divide a Duque d’Ávila, algum dia será derrubado. Continuam a penar, perante o silêncio da autarquia que se comporta de uma forma vil, desprezando o direito dos munícipes à informação. Até que alguém se digne dar explicações, Lisboa continuará a ter os seus “Muros da Vergonha”. No plural, para lembrar que na mesma Avenida, junto ao "El Corte Inglês", existe uma situação idêntica. Apenas com uma diferença. O Plano de Requalificação da zona é conhecido e está em marcha.O que torna ainda mais estranho o silêncio sobre este trecho da Duque d'Ávila.

Relógio do Apocalipse

O Relógio do Apocalipse foi ontem acertado. Em 2002,depois do atentado às Torres Gémeas,marcava as 11h53m, assim tendo permanecido até 2007, quando foi adiantado para as 11h55m. Ontem passou a indicar as 11h54m. o que parece indiciar que o mundo está agora menos perigoso do que há dois anos.
O momento em que o relógio esteve mais perto da meia -noite ( Hora do Apocalipse, simbolicamente realcionada com o início de uma guerra nuclear) foi em 1953, quando os EUA fizeram os primeiros testes com a bomba de hidrogénio. O relógio foi então adiantado para as 11h58.
Em 1991, depois da queda do Muro de Berlim e com o fim da Guerra Fria, o Relógio do Apocalipse recuou para s 11h43m, mas desde então tem vindo a aproximar-se da meia -noite.
O relógio foi criado em 1947, marcando na altura as 11h53m.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Porto ( cidade) soma e segue...


Depois deste sucesso trago aqui, em homenagem aos meus fiéis leitores do Porto, mais uma boa notícia: o restaurante Buhle – de que são proprietários os ex-jogadores portistas Vítor Baía e Pedro Emanuel e o piloto portuense Tiago Monteiro- está entre os cinco finalistas do concurso “Best New Restaurant” , promovido pela influente revista britânica “Wallpaper”. O vencedor será conhecido hoje mas, seja qual for o resultado, figurar entre os cinco finalistas á nível mundial, é já uma honra imensa.
Conheci o “Buhle” ( então Bule) quando ainda era apenas uma conceituada casa de chá. Numa próxima ida ao Porto, vou desfrutar aquela fabulosa vista sobre o mar da Foz e experimentar as iguarias deste novo ícone da cidade.

Não sei, não...

Pedro Passos Coelho, candidato à liderança do PSD, almoçou ontem com alguns bloguistas e anunciou que vai formar um "governo sombra". Com a falta de Sol que anda por aí, não sei como irá cumprir a promessa...

Os cientistas dão uma ajuda

Aqui está uma boa desculpa para quem chegar a casa fora de horas e com um grãozinho na asa.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nascidos para sofrer...




O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente (1804), depois de ferozes lutas com os colonizadores franceses. Hoje, além de ser um dos países mais pobres do mundo, a sua História, é feita de períodos muito conturbados, com muitos dos seus governantes a serem depostos e assassinados, quer pelas potências colonizadoras ( França e Espanha ), quer pelas forças de oposição ao regime.
Os EUA ocuparam o território durante quase 20 anos (1915/1934), sob o pretexto de protegerem os interesses norte-americanos na ilha ( um must dos americanos em toda a América Latina, quando os governos dos países vizinhos não são do seu agrado).
Em 1957, François Duvalier, que o mundo inteiro ficou a conhecer pelo sugestivo nome de Papa Doc, foi eleito presidente do Haiti. Instalou uma demoníaca ditadura, cuja figura mais sinistra era a sua guarda pessoal ( os tonton macoute). Em 1964, perante a indiferença ocidental, proclamou-se presidente vitalício, mas morreria em 1971.
Deixou o país como “herança” ao seu filho Baby Doc que governou até 1986, ano em que teve de fugir para França, onde se exilou. Após a eleição democrática de Aristide, em 1990, o Haiti viveu um período muito semelhante ao que hoje se vive nas Honduras. Depois de Aristide ter sido deposto por um golpe militar em 1991, as instâncias internacionais, encabeçadas pela OEA, impusram sanções económicas ao país, tendo-se iniciado uma forte corrente migratória dos haitianos, para os Estados Unidos. Desde então, nunca mais o Haiti viveu em paz, nem pôde ser um estado soberano, dada a presença de uma força de segurança da ONU que assumiu os destinos do país, considerado uma ameaça à paz.
Como se tudo isto não bastasse, o Haiti foi agora assolado por um violentíssimo terramoto que provocou mais de cem mil mortos ( números ainda provisórios) e afectou a vida de três milhões de pessoas ( um terço da população do país).Leio as notícias. Vejo imagens desoladoras. A recente leitura de Caim atiça-me os neurónios. Blasfemos, é o que eles são ( os neurónios, é evidente…)

As convicções da justiça

Li no “Público” ( sem link) que o Ministério Público está convencido que Armando Vara recebeu 25 mil euros ( e não 10 mil, como vinha sendo afirmado na comunicação social) do empresário Manuel Godinho. Li e espantei-me, porque entre a convicção e a prova vai uma grande distância e pensava que não seria possível constituir uma pessoa como arguido com base apenas em convicções.
Mas eu devo ser ingénuo, porque também arregalei os olhos quando li, há dias, que no processo Casa Pia, o MP alterou algumas das acusações formuladas contra alguns dos arguidos. Durante cinco anos, o MP defendeu que alguns actos de pedofilia teriam ocorrido num determinado local e em datas precisas. Foi com base nesses dados que sustentou a acusação. Cinco anos depois vem dizer que afinal os casos ocorreram noutro local e noutras datas…
Acredito que se trate de uma situação normal, mas assusto-me só de pensar que uma pessoa pode ser constituída arguida, ficar parcialmente privada da sua liberdade e sob suspeita durante anos, com base em convicções e, no momento em que acredita que vai ser considerada inocente, o MP altera os pressupostos da acusação. Pode ser normal, repito, mas lá que também deve ser incómodo, não duvido.

Arca de Noé


Imagem roubada ao Blog do Rebolinho


Como a maioria dos leitores do Rochedo saberá adoro animais, particularmente cães e gatos. Tenho lido, nos blogs de alguma vizinhança, histórias deliciosas, comoventes ou bem humoradas sobre animais e tenho guardadas, num recanto da minha memória, algumas histórias sobre cães que fizeram parte da minha história de vida, que um dia começarei a compartilhar convosco.
Serve este preâmbulo de aviso a quem pensar que o relato que se segue resulta de uma eventual animosidade da minha parte para com os animais. Nada disso... No entanto, aAesar de gostar muito de animais, dispensava a sua companhia numa viagem de avião, como me aconteceu na última ida a Paris.
À minha volta ( fila dianteira e traseira) viajavam quatro simpáticos exemplares da raça canina. Três deles viajavam em sacos com rede. Assim que o avião começou as manobras para levantar voo, os animais iniciaram um incomodativo concerto de gemidos mas, pelo menos duas das proprietárias dos cachorros, foram lestas acomodá-los de forma conveniente, tendo de imediato terminado os queixumes. Atrás de mim, no entanto, uma senhora- perante a complacência das hospedeiras- recusou-se a acondicionar o seu cão na casota improvisada e iniciou um diálogo com o seu “Bobby”, tentando acalmá-lo.Durante toda a viagem tive de suportar diálogos tão ridículos, que me fizeram suspeitar da sanidade mental da senhora.
Não vou criticar o transporte de animais em aviões, nem exigir a sua proibição mas, caramba, não viajei numa low cost, por isso sinto-me no direito de exigir uma viagem tranquila. Nunca tinha tido experiência semelhante mas agora, que a vivi, chegou a altura de a repudiar de forma veemente. Não está em causa o direito de os animais viajarem em aviões ( embora ninguém me convença que perante tantas medidas sanitárias de mau gosto decretadas pela União Europeia, seja aceitável que os animais viajem livremente ao lado dos passageiros, farejando-os durante toda a viagem, ameaçando uma chichizada espontânea). Sinto-me, porém, no direito de exigir às transportadoras aéreas que juntem as pessoas que viajam com animais numa determinada zona do avião, evitando assim incómodos a todos os passageiros.
Já agora, seria também oportuno estabelecer quotas para animais, caso contrário, um dia ainda entro num avião e penso que vou viajar na Arca de Noé.
Talvez tenha ficado sugestionado pelo facto de ter escolhido para livro de leitura, durante a viagem, o Caim, do Saramago ( leitura diversas vezes interrompida pelas investidas do Bobby e pelos monó(diá)logos espasmódicos da sua proprietária) mas vai ser difícil convencerem-me a voar novamente na Aigle Azur.

Bolsa de Valores Sociais

Neste Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão, há uma nova Bolsa de Valores de que vale a pena falar: a Bolsa de Valores Sociais (BVS)Depois do Brasil, em 2003, Portugal é o segundo país do mundo a criar a BVS, cujo objectivo é o financiamento de projectos de luta contra a pobreza e a exclusão.A iniciativa é da ATITUDE (Associação pelo Desenvolvimento do Investimento Social ) e tem o apoio da Euronext e das Fundações EDP e Gulbenkian.Na altura da apresentação foram lançados em Bolsa quatro projectos, dos quais o mais mediático é “Rir é o Melhor Remédio” da Operação Nariz Vermelho. “As boas acções estão sempre em alta” é a frase chave da BVS, que pretende elevar a qualidade de resposta aos problemas da pobreza e da exclusão social, apoiando o desenvolvimento de soluções inovadoras .Os projectos só são cotados em bolsa depois de um exigente processo de selecção e avaliação, que permita à BVS garantir a eficácia dos investimentos e a possibilidade de acompanhar os resultados por parte dos investidores.
Se quer investir num projecto , vá a http://www.bvs.org.pt/ e torne-se um investidor social. O retorno é garantido (no mínimo) pela satisfação de estar a ajudar quem precisa.

Formiguitas assexuadas

Está explicada a razão de as formigas serem tão trabalhadoras. Um grupo de cientistas americanos e brasileiros descobriu uma espécie de formigas que se reproduz sem fazer sexo. Não sei qual é o interesse, mas presumo que lhes tenha aumentado a produtividade...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Das Gorbypizzas,ao professor Bambo

Quando Gorbatchev, depois de dar por concluída a sua missão na ex-URSS, deu o nome a uma pizza, muitas pessoas se escandalizaram e criticaram a ligação espúria entre o poder e o grande capital. Só que, como acontece com muitas outras coisas na vida, certas relações no início estranham-se, mas depois entranham-se. Por isso se explica, por exemplo, que ninguém tenha estranhado o facto de o vice-presidente americano, Dick Cheeney, estar intimamente ligado ao Carlyle Group, um dos maiores produtores americanos de armamento.
Bem, isto era o que eu pensava até ontem…mas descobri que estava enganado. Afinal as pessoas também se escandalizaram quando souberam que Tony Blair - o ideólogo da Terceira Via e destacado membro da banda "War Boys” que nos Açores acordou a invasão do Iraque, que haveria de incendiar o mundo e conduzir-nos a esta triste situação- virou vendedor de malas da Vuitton. Curiosamente, também se escandalizaram quando souberam que o primeiro-ministro da Letónia, Valdis Dombrovskis, foi consultar uma adivinha, para tentar saber o futuro do país, mas saiu de lá muito desiludido, porque a mulher falou como uma pitonisa.
Resumindo: continuamos a ficar com aquele olhar pasmado, cada vez que um político estrangeiro manifesta o seu apoio à iniciativa privada. Só não nos espantamos quando os nossos ministros, assim que abandonam os cargos, se tornam consultores, administradores, ou CEOs de uma qualquer empresa que estava sob a sua tutela, porque se tornou tão banal e corriqueiro que deixou até de ser notícia. Só nos voltaremos a espantar quando Sócrates ( ou Cavaco) chamar a S. Bento ( ou a Belém) o professor Bambo, pedindo notícias sobre o futuro do país.

i-pod(e)?


Quando a política de defesa do consumidor começou a fazer carreira nos Estados Unidos, ficou célebre o caso de uma viúva que apresentou queixa, em Tribunal, contra uma empresa de armas. Alegava a senhora, cujo marido se suicidara, que o livro de instruções da arma não informava que, se alguém premisse o gatilho com a arma voltada contra si, poderia morrer, vítima de uma bala alojada na câmara. A verdade é que a senhora ganhou a causa e recebeu uma choruda indemnização.
Desde então, tornaram-se frequentes as queixas apresentadas por consumidores americanos contra empresas. Uma das querelas mais mediáticas redimidas nos tribunais americanos teve início nos anos 80 do século passado, opondo grupos de consumidores às empresas tabaqueiras. Num país onde os maços de tabaco faziam parte da ração diária fornecida aos soldados, a queixa contra as tabaqueiras causou estranheza, mas a verdade é que depois de episódios rocambolescos – que serviram inclusivamente de tema a um filme com Al Pacino e Russel Crowe ( O Informador)- as tabaqueiras foram condenadas a indemnizações astronómicas e teve início a guerra anti-tabágica.
Mais recentemente, um grupo de consumidores apresentou uma queixa contra a Apple, alegando ter sofrido perdas auditivas pela utilização do i-Pod. Ganharam a causa em primeira instância mas soube-se, por estes dias, que um tribunal da Califórnia apreciou o recurso apresentado pela Apple, ilibando-a de qualquer responsabildade, pois os livros de instruções do i-Pod advertem os consumidores para o perigo de perdas auditivas, no caso de o aparelho ser utilizado indevidamente.Ao ler há dias o Libération, fiquei a saber que, em França, a Apple enfrentou um processo idêntico em 2002 e foi obrigada a baixar o volume máximo dos i-Pod para 100 decibéis, de modo a ficar conforme com o código de saúde pública.
Estes casos levam-me a suscitar algumas questões que me parecem pertinentes. Fico-me por esta: se um destes dias um grupo de consumidores apresentar uma queixa contra uma marca de automóveis, acusando-a de ser responsável pelas multas que foram obrigados a pagar, por circularem numa auto-estrada a mais de 120 kms/hora, invocando que no livro de instruções não se encontra o aviso de que não devem exceder a velocidade imposta por lei, como decidirão os tribunais?

Mrs Robinson

Desde manhã que esta música dos Simon and Garfunkel não me sai da cabeça. Por arrasto, vem o filme a que está associada: "The Graduate". Esta fixação terá alguma coisa a ver com esta bela crónica de Ferreira Fernandes e a estória que lhe serve de pretexto?
Adenda: Sobre este momentoso assunto, o Pedro Coimbra faz novas revelações( ao que parece Mrs Robinson é uma profissional na arte da traição) e a nova versão do celebrizad êxito. Vale a pena ir lá ver...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Caderneta de cromos (11)


Isilda Pegado é uma figura bizarra da nossa Democracia. Enquanto em todo o mundo democrático vão sendo reconhecidos os direitos das minorias e a maioria luta por mais direitos, ela luta contra os direitos de alguns. Lutou contra a despenalização do aborto, exige um referendo sobre a liberdade de casamento entre homossexuais e um dia destes, provavelmente, vê-la-emos na linha da frente a protestar contra a eutanásia. Não se pode dizer que a senhora não seja uma lutadora, mas vale a pena lembrar-lhe que há mais de um século, milhares de mulheres lutaram – e muitas morreram- pela igualdade de direitos com os homens e em Portugal, antes do 25 de Abril, as mulheres só podiam trabalhar, ou deslocar-se ao estrangeiro, com autorização do marido. Já depois do 25 de Abril, mulheres que lutaram pela liberdade, foram enxovalhadas por grupos de machões no Marquês de Pombal, que as apalpavam e insultavam.Se não tivesse havido mulheres a lutar pela dignidade, Isilda Pegado ainda não teria direito a votar e talvez estivesse a tomar chá com as amigas, realizando-se em reuniões de "tupperware".
Eu só queria perceber o que leva Isilda Pegado a esta luta desbragada contra os direitos dos outros. Em que medida é que os seus direitos são afectados com a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Porquê palavras tão azedas e anti democráticas contra os direitos dos homossexuais?
Quando alguém me explicar, com razoabilidade, as razões da luta de Isilda Pegado, talvez eu retire o seu nome desta caderneta de cromos. Até lá fica aqui muito bem. Como também ficariam aqui alguns homofóbicos, mas isso é outra história. Eu prefiro mulheres que lutam e ficam na História. Ou mulheres como a que escolhi para figura da semana.

O comentário virou post

Não é a primeira vez, mas raramente destaco comentários dos leitores. Parto do princípio que, quem por aqui passa, costuma ler a caixa de comentários e, por isso, o destaque torna-se repetitivo.
No entanto, desta vez não resisto a reproduzir este comentário da Turmalina ao meu post sobre a figura da década, aqui publicado na última semana. Não só pela qualidade do comentário e pelo conceito de democracia que dele ressalta e enaltece a sua autora, mas também porque as palavras que ela escreve se poderiam aplicar integralmente à realidade portuguesa, este comentário é para ler e meditar.

"........concordo que Lula seja a Figura Internacional da Década e graças à ele, somente ele com sua carismática figura, temos um reconhecimento internacional até que invejável.Seu discurso carismático me conquistou ainda na universidade. E acreditando em um país econômica, social e politicamente melhor votei nele na primeira vez que foi eleito Presidente.O mesmo, conscientemente, não pude fazer na reeleição.Pela primeira vez na vida me abstive de votar e justifiquei minha ausência porque eu não tinha um candidato.E eu não voto em qualquer um.
A economia passa por uma falsa sensação de estabilidade. Não existe mais governo e oposição, depois de tantos conchavos, todos os políticos estão em todos partidos. E lembro o caso Sarney para afirmar que a corrupção aqui é consentida.
Socialmente vivemos num consumismo ilusório.Enquanto as classes dominantes continuam no mesmo ritmo, a classe média e a baixa nunca trabalharam tanto para sobreviver. A ilusão de poder comprar um televisor de LCD em 10 vezes sem juros coloca o trabalhador num trabalho extenuante e altamente estressante. As leis trabalhistas nunca foram tão respeitadas, mas por outro lado, nunca tantos trabalhadores precisaram de dois empregos para pagar as contas.O sistema de educação está em frangalhos, a qualidade de ensino vai de mal a pior. Mas os números não mentem e nunca tantas crianças frequentaram a escola.E talvez saiam mais ignorantes do que entraram.Na saúde, crianças continuam morrendo de diarréia por falta de saneamento(necessidade básica)mas os pais se dizem felizes com a Bolsa Família.
Eu ainda acredito num povo com expectativas reais, educação e saúde de qualidade, trabalho justo e principalmente dignidade.E não será com a continuidade desse governo que aí está.Governo este que, hoje, não é mais o Lula.E honestamente acho que ele merece, ao final deste mandato, um lugar de destaque na política internacional.Afinal, nesta área e até em algumas outras, ele fez muito pelo país!"

domingo, 10 de janeiro de 2010

Campeões à força


Como escrevi na última CG, da passada sexta-feira,nada tenho contra os leitores de revistas cor de rosa e muito menos contra os cabeleireiros, pessoas estimáveis que muito considero.
Chegou agora a altura de vos confessar que também tenho uma faceta de voyeur que não se manifesta através da leitura de revistas cor de rosa mas sim, como aqui lembra a Brites, pelo prazer que sinto na leitura de biografias. Concedo que estas leituras também revelam uma faceta voyeurista, mas há uma pequena diferença. Estou-me borrifando se a Cinha Jardim passa férias em Porto Rico com a cadela ou em Alcabideche, mas já me desperta alguma curiosidade saber pormenores da vida de um político como Churchill ou Fidel de Castro, por exemplo. Ao ler as suas biografias, fico a perceber melhor a História Contemporânea, o que de alguma forma me enriquece.
Mais difícil será explicar-vos a razão de ter ficado empolgado ao ler hoje, na “Pública”, excertos da autobiografia de André Agassi.Tão empolgado, que me apeteceu ir a correr comprá-la. Talvez isso tenha a ver com o facto de Agassi ser um campeão contranatura, obrigado pelo pai a “trabalhos” forçados para atingir o estrelato. Agassi conseguiu-o mas, por trás do sucesso, há uma história de ódio ao ténis que me interessou.
Até que ponto os pais podem condicionar os desejos dos filhos em prol da sua própria vaidade?Será legítimo um pai obrigar um filho a ser vedeta, contrariando a sua vontade? No mundo do desporto ou do espectáculo há centenas de casos como o de Agassi, mas gostava de saber a vossa opinião sobre as dúvidas que aqui coloco.

Inferno e Paraíso

O Paraíso é aquele lugar onde o humor é britânico, os cozinheiros são franceses, os mecânicos são alemães, os amantes são portugueses e tudo é organizado pelos suíços.
O Inferno é aquele lugar onde o humor é alemão, os cozinheiros são britânicos, os mecânicos são franceses, os amantes são suíços e tudo é organizado pelos portugueses.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Crónicas de Graça # 7

Revistas cor de rosa
Qual é a coisa qual é ela que ninguém compra, ninguém lê, mas que serve de pretexto às conversas nos cabeleireiros ? A resposta está no título desta CG.
As revistas cor de rosa ( que alguns também apelidam de revistas do coração) são um fenómeno desconcertante. Vendem-se como pãezinhos quentes, mas (quase) ninguém admite comprá-las. A maioria soube das notícias que lá vêm através de uns amigos, ou porque enquanto estava num consultório médico ou no cabeleireiro, à espera de vez, se entreteve a folheá-las, para “passar o tempo” . Ora todos sabemos “o tempo” que os portugueses passam anualmente em cabeleireiros e consultórios médicos, por isso não admira que , no metro, ouça com frequência conversas sobre o mundo do “jet set”.
Foi assim que fiquei a saber, por exemplo, que Cinha Jardim foi passar o Natal a Porto Rico na companhia das filhas e da cadela. Segundo afiançava uma das senhoras sentada à minha frente, terá ido aliviar o desgosto da traição de uma amiga que a terá “empalitado” com Santana Lopes, mas não vos posso afiançar que estas notícias sejam verdadeiras. Limito-me a reproduzir o que ouvi, porque o “passa palavra” é outro método de propagação das notícias da imprensa cor de rosa. Comprar, para ler, é que ninguém compra. Ainda ontem, quando cumpria o ritual de ler as gordas da imprensa matutina, antes de comprar o jornal, no “sítio do costume”, vi uma senhora de idade indefinida, (porque abundantemente maquilhada) mas que generosamente rotulei de septuagenária, recolhendo do escaparate um exemplar de cada uma das revistas da especialidade. Olhei-a de soslaio, mas ela apercebeu-se e apressou-se a dizer à funcionária:
- Sabe, não são para mim, é para levar ao meu marido que está no hospital, coitadinho, e não tem paciência para ler livros. Isto ao menos distrai-o um bocadinho…
Estas cenas explicam, em boa parte, as generosas tiragens e a variedade de títulos à venda em Portugal. Se pensarmos no número de cabeleireiros , de consultórios médicos e na quantidade de pessoas acamadas nos hospitais, compreendemos a razão das generosas tiragens de cada uma destas revistas. Isso também justifica que a imprensa denominada “ séria” não dispense umas páginas de fofoquice , na tentativa de angariar mais leitores. Isto anda tudo ligado…Não percebo, porém, a razão de toda a gente, “apanhada” a comprar revistas do coração, sentir necessidade de dar uma justificação. Bem, talvez a Brites e a Amelinha não necessitem de se explicar e assumam, galhardamente, o seu gosto por este tipo de leituras. São a excepção que confirma a regra.

Nada tenho contra os(as) leitores(as) de revistas cor de rosa, mas tenho alguma dificuldade em compreender o interesse que este tipo de imprensa provoca nos portugueses. Pensei, por isso, que deveria pedir à Brites que me substituísse nesta CG. Azar meu, tal pretensão foi por água abaixo, no dia em que cheguei de Paris, decidido a incumbi-la desta missão.
Ao chegar ao Rochedo, tinha um post-it da Brites afivelado na porta do frigorífico, onde ela me comunicava ter ido passar o fim de ano às Caraíbas, porque já não aguentava tanta chuva. (Só cá entre nós, estou convencido que a decisão da Brites foi influenciada pela leitura das revistas cor de rosa. Palpita-me que esteja em Porto Rico com o trio Jardim e a cadela…)
Frustrada a tentativa de delegar na Brites a missão de escrever esta CG, não tive outro remédio senão pôr os neurónios a funcionar e deixar que comandassem os meus dedos pelo teclado. É assim, com enorme satisfação, que vos comunico o seguinte:
Os portugueses dividem-se em dois grupos: os que gostam de fofoquices e os que gostam de as alimentar, tornando-se seus protagonistas. Tanto bastou, para que de entre estes dois grupos emergissem alguns elementos decididos a ganhar a vida alimentando o voyeurismo dos portugueses. Inicialmente chamaram-lhes colunistas sociais. Mais tarde, por razões que não consigo descortinar, passaram a chamar-lhes jornalistas. Porreiro, pá!
O problema é que, apesar existirem muitos portugueses que adoram ver a sua vida devassada na praça pública, não são em número suficiente , nem têm histórias assim tão interessantes para contar. Vai daí, por vezes é preciso inventar, lançar boatos sobre amores fictícios , rupturas ou infidelidades inexistentes. Mais ou menos como acontece com o jornal “A Bola”, mas com uma pequena diferença. Nem os leitores das revistas cor de rosa, nem os jornalistas que as fazem, são todos do Benfica!
Mas há algumas vítimas ( inclusivamente do Benfica, o que só é mesmo possível na imprensa cor de rosa) que ficam chateadas e reagem, provocando alguns danos.
Pronto, caros leitores e amigos, foi isto que os meus neurónios- esta noite um pouco lerdos- me ditaram. A Brites teria feito muito melhor e dar-vos-ia uma perspectiva, certamente diferente e mais realista, da imprensa do coração, mas foi o que se pôde arranjar.
Em jeito de compensação, sugiro-vos que leiam o que tem a minha parceira a dizer sobre este assunto. Será que ela gosta de revistas cor de rosa? Ou será que foi a Amelinha que me saiu outra vez na rifa? Vou lá ver, porque estou curioso…

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Figura Internacional da década


Porfiou e conseguiu. Em Janeiro de 2003 Lula da Silva era investido presidente do Brasil, depois de cinco tentativas falhadas. Olhado com desconfiança nos meios económicos internacionais, obrigado a enfrentar alguns escândalos dos seus correligionários do PT, que poderiam ter minado a sua credibilidade, Lula da Silva impôs-se à opinião pública internacional, pagando as dívidas ao FMI, reformando as finanças do Brasil e lançando variados programas sociais de combate à pobreza.
Na cena política internacional. o Brasil já não é o país que aparece na posição de pedinte privilegiado, que concita a simpatia geral. Lula ganhou peso negocial e marca presença nos principais eventos mundiais. Obama não dispensa a sua opinião.
Talvez nenhum presidente brasileiro tenha sido tão escrutinado como ele, mas Lula da Silva não só criou uma imagem de seriedade pessoal, impondo-se no Brasil com uma popularidade próxima dos 80%, como conseguiu projectar a imagem do Brasil no seio da comunidade internacional. Se o Brasil é hoje um dos quatro países emergentes mais falados no mundo inteiro, a par da Índia, China e Rússia, muito deve à forma hábil como Lula da Silva comandou os destinos do país durante os últimos sete anos.
Lula é a imagem do Brasil de progresso. Do Brasil que deu o salto em frente e se tornou protagonista privilegiado na cena in ternacional. Ainda recentemente, em Copenhaga, manteve uma posição dura nas negociações durante a Cimeira sobre as Alterações Climáticas. A capital dinamarquesa revelou-se um talismã para Lula em 2009, pois foi lá que foi atribuída ao Brasil a organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula contribuiu igualmente para construir uma imagem diferente da América Latina no mundo. Mais solidária, mais actuante, mais comprometida com o futuro, mais ambiciosa e mais democrática.
Em Dezembro Lula da Silva terminará o seu segundo mandato e não poderá recandidatar-se. A sua imagem e prestígio deverão, no entanto, assegurar-lhe um cargo de relevo na cena política internacional.
O operário metalúrgico que um dia chegou a Presidente e se tornou figura incontornável nos palcos internacionais, onde expõe com firmeza as suas convicções, personifica o enredo de uma telenovela em que o Brasil é fértil. Só que desta vez, o conto de fadas virou realidade. E, visto do hemisfério norte, apenas me apetece dizer: ainda bem!

Postais de Paris (3)- À mesa com Gerard Depardieu

No dia de Ano Novo, cerca do meio dia, começaram a cair do céu uns finos flocos de gelo, que me salpicaram a roupa e conferiram o aspecto de árvore de Natal andante. Caminhava a essa hora pela Rue Saint Denis em direcção ao Fórum Les Halles onde, por estes dias, a imagem – e o cinema em particular- é rainha.Vencido pela temperatura gélida procurei abrigo num pequeno bistrot para um chá e um “amuse bouche”. Já meio desfalecido sentei-me na esplanada e peguei na lista. Passados breves instantes, uma voz pergunta o que quero tomar. Levanto os olhos e quem vejo diante de mim? Nada mais nada menos que Gerard Depardieu, no papel de Obélix!
A aparência física, o ar alapardado, a voz abrutalhada, tudo combinava na perfeição com a figura do gaulês. Procurei em redor, mas não encontrei o Astérix. Fiquei convencido que este exemplar de Obélix saíra nessa manhã do Fórum Les Halles, no intuito de atrair turistas para a exposição de Henry Bresson e a“Cidade das Imagens” .
Espero que não se cumpra o que diz a tradição, caso contrário vou passar o ano inteiro com alucinações ...

A frase do ano

'Um dia li que fumar fazia mal, deixei de fumar;no outro dia li que beber fazia mal, deixei de beber; quando li que fazer sexo fazia mal, deixei de ler'.
(Anónimo)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Assim não vamos lá...

Ora aqui está um bom exemplo daquilo a que se pode chamar um argumento pífio. Ao justificar a necessidade de restringir a progressão na carreira, com o facto de 80 por cento dos professores terem sido classificados com “BOM” , a ministra Isabel Alçada esquece que uma boa percentagem desses professores teriam melhor classificação, no caso de não existirem as quotas para “Muito Bom” e “Excelente”, pelo que estão a ser prejudicados.
Por outro lado, se a ministra afirma que a percentagem de docentes classificados com “Regular” ou “Insuficiente” é muito pequena, está a admitir que a qualidade do ensino é pior do que se pensa e a insinuar que muitos dos docentes classificados com "BOM" estão a ser beneficiados. Não será com este estafado argumento( já utilizado pelo governo para restringir a progressão dos funcionários públicos) que Isabel Alçada irá convencer os sindicatos. É certo que o sistema em vigor, de progressão automática, é injusto para quem mais trabalha e se empenha, mas há outras maneiras de garantir uma progressão justa.
Ao recuperar as propostas de Maria de Lurdes Rodrigues, com uma ou outra afinação de circunstância, a ministra da educação está a convidar os sindicatos ao confronto. Não lhe auguro grande futuro…

Pelo país dos blogs (50)

Confirmando as animadas movimentações blogueiras de início de ano, nasceu hoje mais um blog que promete: Albergue do Espanhol. Título sugestivo e uma equipa de luxo auguram bons momentos blogosféricos. Os meus votos de sucesso para o neófito Albergue onde certamente pernoitarei muitas vezes.

O Século Chinês- Divagações sobre uma viagem ao futuro com resquícios do passado (e epílogo no Porto)

Aviso: este é um texto de ficção. O autor ainda não enlouqueceu ( mas para lá caminha…). Se lerem tudo até ao fim, não digam que não avisei!
Em 1931 foi inaugurado, com pompa e circunstância, mas também sob uma chuva de críticas, o Empire State Building, um majestoso edifício de 443 metros de altura destinado a escritórios, com 102 andares. Porém, o fausto do edifício não se coadunava com a crise que se vivia e os escritórios ficaram às moscas, o que levou os americanos a apelidá-lo de Empty (Vazio) State Building.Seria até 1972, data da inauguração do World Trade Center, o edifício mais alto do mundo. Recuperaria o seu estatuto em 2001, na sequência do atentado da Al Qaeda.
Pouco depois da destruição do WTC, começou a ser planeada a construção da Freedom Tower, um edifício de 108 andares e 541metros de altura, que será inaugurado em 2011. À época pensava-se que seria o edifício mais alto do mundo quando terminasse a sua construção, mas tal não virá a acontecer . Com efeito, foi inaugurado ontem o Burj Dubai que, com os seus 169 andares e quase 800 metros de altura, passará a ostentar esse título.
Há algumas comparações curiosas entre o Empire State e o Burj Dubai. Ambos foram considerados projectos megalómanos e foram construídos em época de grave crise económica( O Dubai ainda está ameaçado de falência). Se o ESB ficou anos às moscas, o Burj Dubai corre o mesmo risco pois, apesar de a maioria dos 900 apartamentos estarem “apalavrados”, muitos dos promitentes compradores poderão vir a desistir do negócio. Já quanto aos 37 andares destinados a escritórios é que não restam dúvidas. Não há procura, em virtude da crise financeira.
De qualquer modo, é natural que dentro de alguns anos, os 527 mil metros quadrados do edifício estejam a regurgitar de gente, discutindo animadamente as cotações da bolsa de Xangai, Hong Kong ou Singapura, o New Deal proposto pelo primeiro ministro chinês Hu-Jin- Ling, que terá acabado de suceder a Hu-Jin-Tao, ou o best-seller mundial “ A Leste Nada de Novo” da autoria de um reputado escritor coreano, cujas teorias anti-belicistas suscitarão viva polémica.

Não é previsível que surja, a Oriente, uma nova Agatha Christie, nem uma Miss Marple mas, robotizadas actrizes nascidas nos estúdios da indiana Bollywood, deixarão os japoneses, reunidos na sala de espectáculos do Burj Dubai, com o coração aos pulos e os olhos em bico. Todos, sem excepção, se deslocarão nos seus monolugares telecomandados e movidos a laser, baptizados com o sugestivo nome de “ Alegria do Povo”, para assistir à estreia do filme de Ang Lee E Tudo o Oriente Levou” baseado no livro, de um escritor cambojano, com o mesmo título.
O objecto que faz as delícias dos consumidores de todo o mundo chama-se MP- 12. Para além das funções do MP-4, este aparelho inventado pelos japoneses traz incorporado um Karaoke, a Bimby, uma televisão digital de imagem tri-dimensional, telescópio, computador pessoal com ligação a 179 redes sociais, “scanner” com capacidade para digitalizar a biblioteca do Pacheco Pereira na Marmeleira, em apenas 39 segundos e detector de terroristas. Todos os compradores têm direito, como brinde, a um bonsai com garantia de cinco anos e a um telemóvel, objecto que em todo o mundo oriental caiu em desuso, desde a invenção do “Telepat”, um aparelho que lê os pensamentos, evitando a troca de palavras entre as pessoas.
Entretanto, num casino recentemente inaugurado em Macau, onde o jogo da moda é um “remake” do “scrubble” que animou os anos 30 do século XX no Ocidente, actuará a mop-star virtual Sun Li.
Nos Estados Unidos, o filho de Al Gore iniciará a “Grande Marcha Verde” que irá conduzir à vitória dos ambientalistas americanos. Na chegada a Seattle prometem uma taxa de emissões Zero, perante os aplausos de uma multidão entusiasmada.
A União Europeia, presidida pela filha de Mussolini, será nessa altura constituída por 39 países, que procuram há sete anos um entendimento sobre o Tratado que irá substituir o Tratado de Lisboa. A Europa tornou-se o maior exportador do mundo, mas os chineses acusam os europeus de concorrência desleal, por praticarem salários de miséria. Os europeus emigram para a Ásia e América Latina, em busca de melhores condições de vida. Mas a Europa continua a dar cartas no desporto. No futebol, por exemplo, a Suíça sagra-se campeã mundial.
Na América Latina, a democracia finalmente venceu. Hugo Chavez prepara-se para cumprir o seu 10º mandato e continua a guerra surda com Uribe que vendeu aos chineses as bases dos americanos. Na Patagónia argentina, a construção sofreu um boom espectacular, graças aos investimentos sul-coreanos. Um hotel de 7 estrelas foi construído em Península Valdez, tendo todos os quartos, equipados com piscina, vista para as baleias e restante fauna marítima, que está quase em vias de extinção. O património natural da Terra do Fogo foi devastado pela indústria farmacêutica, que aí encontrou a substância necessária para o fabrico da vacina contra o vírus da Gripe Z, com origem na Indochina. Os vestígios do Perito Moreno continuam a ser visitados anualmente por milhões de turistas orientais, enquanto os chineses acabam de estabelecer um consórcio com Angola e a África do Sul, para a exploração de minérios raros em Machu Pichu, no Peru.

O governo brasileiro, entusiasmado com o sucesso da “Grande Marcha Verde”, alia-se aos americanos e compromete-se a preservar os ainda inexplorados 500 hectares da Amazónia. Do acordo faz parte a transformação da parte brasileira das cataratas de Iguaçu ( decorrem negociações com a Argentina, que se mantém renitente) em estância termal.
África pouco mudou. Apenas as rotas da emigração, que agora apontam para o Oriente próspero e desenvolvido. Aos 96 anos, o presidente da África do Sul acaba de anunciar o seu undécimo casamento. Desta vez, a esposa escolhida é uma zulu de 15 anos. Em Angola, a filha de José Eduardo dos Santos sucede ao pai, depois de uma luta renhida com a candidata da Unita, que reclama ter havido fraude eleitoral. Moçambique conquista o título mundial de hóquei em patins.
Por cá, a Justiça anuncia finalmente a condenação de três réus do caso Casa Pia, entretanto falecidos. Os casos Freeport e Face Oculta aproximam-se das alegações finais e o Primeiro Ministro Paulo Rangel anuncia a construção da 7ª travessia sobre o Tejo, ligando a estância balnear do Bugio ao Forte de Caxias. Há mais seis acusados na Operação Furacão. Dias Loureiro e Armando Vara reformaram-se há vários anos, mas os seus processos continuam em segredo de justiça.
Na cidade do Porto, este edifício que em 2009 foi classificado pelo Times como o 5º edifício mais belo da década, será visitado por milhões de turistas, maravilhados com a “loucura e perversão” da sua arquitectura basista. O mundo parece querer voltar às construções térreas, depois de umas décadas a pensar e trabalhar a centenas de metros de altitude. Escritórios em edifícios de um único piso são agora a grande moda. Descer à terra, talvez nos safe de uma nova guerra, mas esta crónica nunca teria sido escrita, se eu não estivesse de visita ao Dubai e não me tivesse instalado numa penthouse do 167º andar do Burj Dubai.