sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Estragam-me com mimos

O último presente de 2010 chegou à minha caixa de correio há dois dias, poucas horas antes de rumar ao Sul, mas ainda a tempo de fazer um pré agendamento para o exibir aqui. Obrigado Ana Paula.
Volto no primeiro minuto de 2011 para desejar a todos um Ano Feliz. Espero que gostem da imagem que escolhi para vos receber.

Parabéns bem temperados


Faz hoje um ano que o Rogério começou a conversar connosco. Ele diz que tem uma conversa avinagrada mas eu afianço - a quem ainda não conhece- que as conversas dele são sempre muito bem temperadas.

Apesar de estar longe e não querer nem ver um computador à frente nos próximos dias, deixei previamente endereçado este galheteiro conversador para ser entregue ao Rogério, neste dia do seu primeiro aniversário virtual. Espero que chegue a horas e não se estrague... (Quem adivinha qual é o ganso do Vinagre? )Que conte muitos, amigo, e eu possa estar cá para o continuar a ler com o prazer de sempre.

Aviso: Deixei posts agendados para os próximos dias, não pensem que desertei...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Adivinhas de fim de ano

Quantas leis é que Cavaco Silva promulgou este ano, afirmando que o fazia contrariado? Mais difícil ainda... se não estava de acordo com elas porque as promulgou? A pergunta do milhão: afinal para que é que serve este PR?

A figura internacional do ano

Muhammad Yunus
Quando em 1983 fundou o Banco Grameen, para criar o microcrédito, poucos lhe deram importância. Hoje, todos reconhecem que com a sua iniciativa tirou milhares de pessoas da pobreza. Mais importante ainda, conseguiu difundir o conceito do microcrédito a nível mundial, o que conduziu ao aparecimento de organizações em todo o mundo que lhe copiaram o exemplo. Muitos bancos passaram também a incluir nos seus serviços esta modalidade de crédito, que apoia pequenos investimentos a juros baixos.
Prémio Nobel da Paz em 2006, agraciado por Obama com a Medalha da Liberdade em 2009, Muhamamad Yunus esteve no início de Dezembro em Portugal, para apresentar uma nova proposta de combate à pobreza: o negócio social.
Foi praticamente ignorado pela comunicação social portuguesa, talvez aturdida com a desfaçatez da utopia. Nada de espantar, porque a comunicação social portuguesa já se rendeu há muito ao capitalismo selvagem, cujos protagonistas são capa de primeira página quando dão um arroto na China ou na Austrália. Na comunicação social resta pouco espaço para quem acredita na utopia da solidariedade no mundo dos negócios.
E, na verdade, poderá parecer a muitos uma utopia, esta proposta de refundação do capitalismo, assente num novo conceito de lucro social. Muhammad Yunus deposita no negócio social ( de que vos falarei mais detalhadamente nos próximos dias) a mesma esperança que teve quando criou o “utópico” microcrédito. Ganhou a primeira aposta, esperemos que vença também este desafio. Porventura mais difícil de concretizar, mas não impossível.
Porque acredito que o primado das pessoas se há-de sobrepor, mais tarde ou mais cedo, à ganância, escolhi Muhammad Yunus como figura internacional do ano.
E vocês, quem escolheriam?

Esquina da Memória (12)

Quando Cavaco Silva diz que não quer "campanhas sujas" sabe do que fala, pois é perito na matéria. Ou pensa que nos esquecemos desta cena? Ou do silêncio a que se remeteu, depois de lançar suspeitas sobre as escutas?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Porque não se calam?

Falam, falam, falam, mas não fazem nada. Refiro-me, obviamente, aos economistas e financeiros, ex- governantes, profetas da desgraça que não souberam prever a crise, mas nos chagaram o ano inteiro nos jornais, na rádio e na televisão, anunciando a catástrofe quando ela já se tinha abatido sobre nós.
Criticaram o ponto a que o país chegou, zurziram no governo, nos partidos e no comportamento dos portugueses, apontaram remédios para a crise, mas nenhum foi capaz de reconhecer, humildemente, que também é co-responsável pela crise, porque enquanto esteve no governo não tomou as medidas necessárias para que Portugal mudasse o rumo que, com ou sem crise, nos conduziria mais tarde ou mais cedo a uma situação insustentável.
Não é preciso ser economista para ter percebido, há muitos anos, que os portugueses viviam acima das suas possibilidades. No entanto, Cavaco Silva, João Salgueiro, Vítor Constâncio, Eduardo Catroga ou Daniel Bessa, nunca puseram travão às mordomias dos gabinetes ministeriais, nunca se preocuparam com o crescimento da desppesa pública, nunca refrearam o endividamento desmedido das famílias portuguesas, nunca alertaram os portugueses para os riscos que corriam ao empenhar o seu futuro com o recurso ao crédito. Pelo contrário, recordo bem como João Salgueiro ou Vítor Constâncio desvalorizaram, desde o início dos anos 90, os riscos de endividamento excessivo e defenderem que era bom para a economia.
Também nunca ouvi Mira Amaral, Manuela Ferreira Leite ou Cavaco Silva reclamarem contra a injustiça da acumulação das reformas milionárias que auferem e contribuíram para desequilibrar as contas da segurança social.
A verdade é que a crise começou a anunciar-se ainda no segundo mandato de Cavaco Silva, com maioria absoluta. Nada foi feito por ele, nem pelos ministros das Finanças que nos últimos 20 anos geriram as contas do país. Foram eles os grandes responsáveis por esta crise. Se tivessem um mínimo de decência calavam-se ou pediam desculpa aos portugueses por terem sido tão incompetentes. Não o fazendo apenas demonstram que, além de inúteis, são irresponsáveis e sem vergonha.
Os portugueses não precisam, em 2011, de papagaios que contribuam, ainda mais, para a destruição da sua auto-estima. Que se calem para sempre, porque são o pior exemplo da malandragem que se serviu da política para enriquecer, contribuindo para a descredibilizar.
Aos portugueses compete fazer o resto. Votar em políticos que se preocupem com Portugal e estejam sinceramente empenhados em mudar o rumo das coisas. Que não sejam escravos do cifrão e respeitem mais quem trablaha.

O falhanço da Luta Contra a Pobreza

Está a chegar ao fim o Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão. Por estes dias, a pobreza tem sido pretexto para troca de alfinetadas entre candidatos à PR e José Sócrates também decidiu entrar no desafio.
Sempre desprezei quem anda continuamente com a pobreza na boca, se serve dela de forma farisaica, mas fica à espera que a caridadezinha resolva os problemas, enquanto continua a usufruir de forma escandalosa, de prebendas pagas pelos contribuintes. Ou não se coíbe de distribuir carros e motoristas à fartazana pelos assessores, que os utilizam para a sua vida particular, com a maior desfaçatez.
Contrastando com países ricos como a Noruega, Finlândia, ou mesmo Inglaterra, onde os membros do governo não utilizam automóveis, a não ser para cerimónias oficiais, por aqui os carros distribuídos pelos gabinetes ministeriais e pelo palácio de Belém servem para levar os filhos à escola, ir jantar com os amigos, levar as esposas aos seus empregos e até a empregada doméstica ao supermercado para fazer compras.
Não tenho quaisquer expectativas que as coisas se alterem mas, em jeito de balanço ao Ano Euopeu, aproveito para lembrar que Portugal é um dos dos países europeus com maior risco de pobreza. Risco que aumentou no último ano, passando de 18 para 23 por cento nos jovens e crianças até aos 17 anos e atingindo os 22 por cento nos idosos com mais de 65 anos.
Não sendo novidade, continua a causar-me algum incómodo que, nos últimos 20 anos de Democracia,a situação se tenha sucessivamente agravado, aumentando o risco de pobreza e o fosso entre pobres e ricos. Ora, fazendo as contas, facilmente se conclui que a entrada de Portugal na União Europeia não conseguiu diminuir esse fosso. Ou seja: apesar de diariamente entrarem em Portugal milhões de euros para ajudar o país a reduzir as assimetrias com os restantes parceiros da UE, a verdade é que não o conseguimos.
Portugal não é um caso isolado. Em países como a China ou a Índia, cujo desenvolvimento económico justifica a inclusão no grupo dos que mais têm crescido e vão continuar a crescer na próxima década, têm-se acentuado as desigualdades e cavado o fosso entre ricos e pobres. Esta realidade contraria, na prática, a tese dos que defendem ser o enriquecimento dos países, uma garantia de combate à pobreza e à exclusão. `
Se o enriquecimento dos países não se traduz numa diminuição da pobreza, se a globalização não conseguiu diminuir as desigualdades e se o Estado Social é incapaz de garantir por muito mais tempo o apoio aos cidadãos, chegou a altura de repensar tudo. Neste Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social era preciso, em primeiro lugar, acudir aos problemas de pobreza extrema, mas tinha sido importante, igualmente, colocar o tema no centro da agenda política, levando a sociedade civil a fazer uma reflexão profunda sobre os novos pobres. Por outro lado, em vez dos sucessivos discursos lamuriosos dos governantes e das declarações factuais do PR, teria valido a pena tomar medidas para impedir o aumento da pobreza em escalões etários e classes sociais que, há uma década, julgávamos incólumes. Quer a pobreza resultante do modelo de desenvolvimento iníquo das sociedades modernas, quer a pobreza que ameaça afectar um número indiscriminado de velhos, apanhados de surpresa com a falência do Estado Social, incapaz de garantir as pensões de reforma que prometeu durante mais de 30 anos, são problemas que não podem ser ignorados.
Se o debate não se fizer, a Europa (e particularmente Portugal) irá enfrentar um grave problema.O aumento da expectativa de vida não pode significar diminuição da qualidade de vida. Voltar a olhar para os velhos como um estorvo é um retrocesso inaceitável, mas essa parece ser uma realidade incontornável, no momento de fazer o balanço do Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza.
Em tempo: recomendo a leitura do muito bem documentado post da Ana Paula Fitas sobre este tema, que nos deve merecer uma séria reflexão.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O menino da Radio


Alguns leitores duvidaram da veracidade deste post. Pois informo-vos que é mesmo verdade, mas isso não quer dizer que não tenha sabido o que se foi passando pelo mundo. Então e a Radio? Já ninguém ouve noticiários na Radio? Pois eu sou fã! São curtos e dizem o essencial.
Durante a viagem de ida e volta ao Porto, onde passei o Natal, longe de televisões, jornais e internet, os noticiários radiofónicos foram a minha única fonte informativa. Hoje voltei a comprar jornais mas, a partir de quinta-feira, entrarei em novo período de nojo. Desta vez mais prolongado, pois só poderei ler jornais portugueses através da Internet e duvido que o faça. Mas, da próxima vez que os ler, vou seguir este conselho...

Quase, quase...

Por um nadinha tinha acertado em cheio nesta previsão. Mas andei lá perto....

Twilight Zone

-Olá, T. há quanto tempo! Está tudo bem contigo?
-Nem me fales, meu querido, ando de rastos!
-Nas compras de Natal, não é?
-Quais compras qual carapuça, nem tempo tenho para isso. Este governo dá cabo de mim. Esmifram-me até ao tutano, os sacanas! Estou farta destes gajos, só te digo!
-Já não estás a dar aulas na Faculdade?
-Estou, pois...
-Pensava que gostavas e que te dava uma certa liberdade de movimentos…
-E dava, o pior é o resto. Imagina que agora também sou directora –geral aí num organismo público.
-Ah, bom, assim as coisas já se complicam um bocado, não é?
-Pois …e ainda por cima estou como vogal não executiva da…
-Mas isso não é uma empresa pública?
-É… mas aquilo nem me ocupa muito tempo, o problema é que também faço parte de um grupo de trabalho e os gajos reúnem todas as semanas.
-Pois, isso é capaz de ser chato...
-Vê lá tu que passo lá uma tarde inteira e recebo uns míseros 300 euros. Vida de mulher a dias, é o que é…
-Deixa-me recapitular: professora na Faculdade, Directora Geral, vogal não executiva de uma empresa pública e 300 euros por cada reunião de um grupo do Portugal Sentado. Além de ganhares uma pipa de massa tens trabalho que dava aí para umas quatro famílias viverem bem. Se estás tão cansada, porque é que não abdicas de um ou dois? Sempre reduzias o número de desempregados....
-Deves estar maluco. O dinheiro faz-me imensa falta! E tu que fazes?
-Faço uns biscates. Aquilo que aparece. Fui despedido e com esta idade não vou encontrar emprego, como deves calcular.
-Mas recebes subsídio de desemprego, não?
-Não, já terminou. Felizmente recebi uma indemnização jeitosa e vou-me aguentando a fazer uns trabalhos como correspondente, o que sempre me permite viajar um bocado.
-Tu é que a levas bem, pá! Olha, tenho de ir porque está um cliente à minha espera no escritório. Um caso complicadíssimo de divórcio litigioso. Gostei de te ver. Bom Natal! Um dia destes falo-te para bebermos um copo. Vais-me contar como fazes para levar essa vidaça!
-Não te preocupes T. Eu ando por aí muito atarefado à procura de trabalho, não sei se vou ter tempo…

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Período de nojo

Já não leio jornais, nem vejo noticiários, desde quarta-feira. Esta manhã ia retomar o hábito de comprar o jornal mas, ao aperceber-me do acto mecânico, decidi prolongar o período de nojo por mais uns dias.

Nós por cá todos bem


Passou o Natal e aproxima-se o fim do ano, semana propícia a balanços.
Na Grécia o caos instalou-se nas ruas de Atenas. Multiplicaram-se as greves gerais, os confrontos com a polícia, houve agressões a um ex-ministro conservador, agora investido em deputado europeu.
Os ciclotímicos italianos elegeram Berlusconni num dia, e no dia seguinte saíram à rua para escaqueirar tudo, chateados com Berlusconni.
Em França, Sarkozy enfrentou a ira popular depois de aprovar uma Lei que obriga os franceses a trabalharem até aos 67 anos.
Em Inglaterra os estudantes protestaram violentamente contra o aumento das propinas, que Cameron prometera não aumentar. No meio da refrega, o Príncipe Carlos escapou por um triz a um ajuste de contas com os estudantes enfurecidos.
Nós por cá todos bem, com a graça de Deus Nosso Senhor. Como chihuahuas amestrados, arreganhamos os dentes e ladramos, ao ritmo das notícias dos jornais, mas comportamo-nos com a civilidade dos brandos costumes. Reduziram-nos as reformas, as comparticipações na saúde, cortaram-nos os salários, o subsídio de desemprego e transformaram os trabalhadores em participantes num jogo de roleta russa, onde só o patrão sabe onde está a bala? Paciência. Cantamos o Fado "Foi por Vontade de Deus", agradecemos a protecção de Nossa Senhora de Fátima , vibramos com o Futebolês e elegemos, sem complexos, candidatos autárquicos condenados por corrupção.
Bendita sejas, Pátria amada.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Porque um futuro melhor é possível

Tenho andado ausente da blogosfera por estes dias. Por isso, só hoje soube que a Teresa me oferecera este anjo de presente. Muito obrigado, amiga.
Muito obrigado também a todos que por aqui passaram nestes dias, desejando-me Festas Felizes. Espero que recebam , em dobro, a generosidade com que me contemplaram. Bem hajam. Não poderei ser muito assíduo nas minhas visitas durante os próximos tempos, mas tentarei compensar-vos com um CR renovado que, espero, seja do vosso agrado.

Em 2011 tenciono dedicar mais tempo às crónicas,trazer novas rubricas ao CR e recuperar algumas que com o tempo se foram perdendo, mas que constatei serem do agrado da maioria dos leitores, como é o caso do Rochedo das Memórias.

Para contariar a onda de pessimismo que parece ter-se abatido sobre os portugueses, tentarei tornar o CR um espaço onde prevaleça o optimismo e haja lugar à esperança num futuro melhor. Porque isso é possível. Basta acreditarmos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Pai Natal esteve no Rochedo

Este ano, devido à crise, não atribuirei os prémios Escorpião de Ouro. Não podia, porém, deixar de oferecer algumas prendinhas a pessoas que, ao longo do ano, demonstraram merecê-las.
Cavaco Silva- “O Conserto do Mundo” ( Vários autores). Como o homem não lê jornais, pode ser que ao menos leia um livro e perceba que não deve andar a brincar com a pobreza .
Maria Cavaco Silva- “Manual das Boas Maneiras” da Paula Bobone ( inclui o suplemento “Ensine o seu marido a comer bolo-rei enquanto fala com os jornalistas”)
Sócrates- “A Laranja Mecânica” ( o filme) – Stanley Kubrick
Pedro Passos Coelho- “ O nome da Rosa”- Umberto Eco
Paulo Portas- “ The yellow submarine”- The Beatles
Francisco Louçã- Compacto do “Conta-me como foi”
Jerónimo de Sousa – “O General no seu Labirinto”- Gabriel Garcia Marquez
Manuel Alegre- “Em busca da Identidade”- José Gil
Defensor de Moura- “Eu não tenho nada a ver com isso” – Toquinho
Francisco Lopes- “ A minha História não acaba aqui”- Fresno
Alberto João Jardim- " Hoje há Palhaços" - Maria Alberta Meneres e António Torrado
Judite de Sousa- “ O Confessionário” – Robert Lepage
Manuela Moura Guedes- “ As Aventuras de Merlin” ( Compacto obviamente comprado numa loja do Freeport)
Mário Crespo – “Voando sobre um ninho de cucos” – Milos Forman
José Mourinho- “ O Principezinho” –Saint Exupéry
Cristiano Ronaldo- “Tudo sobre a minha Mãe”- Pedro Almodovar
Cinha Jardim- "Vovó Donalda".Depois de ter afirmado que vai ser uma avó galinha, foi a melhor oferta que encontrei disponível no mercado.
Lili Caneças- "O Banqueiro Anarquista". Decisão tomada, depois de a senhora ter afirmado que há quem a veja como um cifrão.
Paris Hilton- "1o Conselhos para a saúde dos seus olhos". Para não voltar a confundir cocaína com pastilha elástica.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL


Como já devem ter reparado, nos últimos tempos a imaginação tem andado um pouco arredia deste Rochedo.
Limito-me, por isso, a desejar a todos os leitores que por aqui passam e têm a pachorra de me aturar, um Feliz Natal com muita amizade e amor.
Volto no dia de Natal para divulgar as prendas que o Pai Natal deixou cá em casa. Até lá.

Inadmissível

Esta decisão da Igreja Católica

Prenda de Natal


Do lado de lá do Atlântico, recebi esta prenda de Natal antecipada, que me desvaneceu. Muito obrigado, Cogumelo !

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Quando as máquinas têm razão...

Na reportagem , emitida em horário nobre e canal aberto, um jovem é entrevistado à porta de uma discoteca. Com o ar triunfante de quem vai dizer aos amigos “vejam a entrevista que dei para a televisão”, pergunta sem qualquer rebuço:
Se vier para a noite e não beber, que venho cá fazer?” Outro assegura “sei muito bem até onde posso ir” e outro ainda, incrédulo face à fiabilidade das novas tecnologias e escarnecendo da legislação em vigor, garante “a máquina pode acusar, mas que me interessa, se estou perfeitamente sóbrio?”.
Nessa mesma noite de terça-feira, o trânsito é escasso. Na Avenida da República, a Brigada de Trânsito intercepta um condutor que acabou de fazer uma manobra perigosa a altíssima velocidade. O condutor tem 19 anos e faz-se acompanhar de alguns jovens com idades aproximadas. Tenta convencer o agente que está perfeitamente sóbrio - “apenas bebi umas cervejas na festa de anos de um amigo”-, mas este não se deixa iludir. Feito o teste, o resultado é de 1,3 mg. A viagem continuou, mas noutro meio de transporte e com outro condutor, para um destino que os jovens não tinham planeado para aquela noite.

Pelo país dos blogs

Hoje proponho-vos uma viagem até ao Brasil, para ouvir estes barulhos. Não, não são ruídos, são mesmo barulhos melodiosos que me fazem lembrar o gorgeio das aves na Primavera.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Monopoly Games (2)


Há quase duas décadas que a China é uma observadora meticulosa destes Monopoly Games. Atenta aos comportamentos dos jogadores que se sentaram em volta do tabuleiro, percebeu depois de Tian An Men que ganharia facilmente o jogo se utilizasse a sua principal arma: a paciência.
Não precisou de muito tempo para compreender que a globalização era um jogo viciado que, a curto prazo, permitiria aos mais ricos engolir os mais fracos. Inteligentemente, foi jogando dos dois lados. Apoiando os ricos que lhe poderiam vir a fazer frente quando decidisse entrar no jogo e defendendo os mais fracos da gula dos mais vorazes. Foi esta estratégia que a levou a comprar, inicialmente, parte da dívida dos EUA..Quando a luta ameaçava reduzir-se a dois, pensou que seria a altura de ir a jogo. Apoiou pouco discretamente alguns jogadores em risco de cair na bancarrota, porque lhe interessava mantê-los em jogo. Depois começou a fazer as suas jogadas. Marcou posições no tabuleiro comprando portos, bancos , hotéis e empresas estratégicas no sector da energia.
Antes de começar a construir blocos de apartamentos e arranha céus, vai ficar à espera que os adversários caiam nas suas propriedades e lhe paguem chorudas rendas. Não tem pressa. Sabe que o tempo joga a seu favor e que a vitória está garantida, porque os adversários estão ensonados e ainda não perceberam que a estratégia da China não é a convencional, adoptada pelos jogadores ocidentais.

A grande dúvida

O actual e futuro PR será Pinóquio, ou sofre de Alzheimer?

A Bela e o Monstro


Deixou a terra Natal para vir trabalhar para Lisboa. Foi viver sozinha, mas mantinha contactos diários com a família. Um dia, num desses atalhos da vida, encontrou um príncipe encantado. Apaixonou-se. Contou vagamente aos pais a sua paixão.
Um dia não telefonou. No dia seguinte, também não. Ao terceiro dia os pais estranharam a falta de notícias e entraram em contacto com a PJ que, apesar dos escassos dados fornecidos pela família, conseguiu encontrá-la. Estava no apartamento do seu príncipe.
Tudo acabaria bem, se a estória terminasse aqui, mas…
A mulher terá percebido que afinal o alvo da sua paixão não era propriamente um príncipe e acabou com a relação. Despeitado, o príncipe tê-la-á conseguido atrair a sua casa. Sequestrou-a. Durante três dias, espancou-a e violou-a. Quando a PJ chegou ao local, em vez de um casal apaixonado, encontrou um cenário de violência, bem visível no corpo da mulher. O agressor era conhecido por antecedentes criminais e foi detido mas a mulher, em pânico, gritava:
“ Eu vivo sozinha em Lisboa. Ele vai matar-me, ele vai matar-me”.
A PJ tentou acalmá-la e prometeu que tudo iria acabar em bem. Aparentemente, assim foi. Presente ao juiz de instrução criminal, este decretou a prisão preventiva do agressor.Resta saber se será suficiente para a mulher ficar descansada. Na melhor das hipóteses , o mais provável é estar cá fora daqui a um ano. E depois?
(Post escrito a partir de uma notícia do DN)
Contra a violência doméstica, apoio esta proposta.

Ah, pois é...

Se estes dois decidem começar aos tiros, todos vamos olhar para a crise como uma minudência.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tá caladinho, ou lebas no focinho

O governo está a pensar mandar os desempregados trabalhar para as obras. Os patrões concordam.Daqui para a frente, estão autorizados a ameaçar os trabalhadores:
- Ou te portas bem e fazes tudo o que eu te exijo, ou vais para o desemprego. Vê lá se queres ir trabalhar para as obras!

Caderneta de Cromos (23)


Carlos Encarnação resignou ao cargo de Presidente da Câmara de Coimbra. Li, em qualquer lado, que a saída estava prevista ainda antes da sua reeleição, em 2009.Na cerimónia de despedida disse que se ia embora, porque estava farto deste Governo. Não é o único, mas não tem o direito de renunciar a um cargo para que foi eleito, só porque está farto. Ao fazê-lo traiu a confiança de quem o elegeu e colocou a sua má diposição à frente dos interesses de Coimbra.
Há tempos o deputado Branquinho ( também do PSD) renunciou ao cargo para ir trabalhar para a Ongoing.
São exemplos destes que minam a confiança dos eleitores e os afastam das urnas. Ou a lei muda e, sempre que um candidato renunciar ao cargo, terá de haver novas eleições ( o exemplo deveria ser seguido também nas eleições para legislativas, só sendo permitida a substituição por períodos curtos, ou em caso de os deputados eleitos passarem a exercer funções governativas) , ou a abstenção continuará a aumentar. Se os candidatos renunciam de ânimo leve aos seus cargos, só porque estão fartos do governo, é natural que os eleitores respondam com a abstenção, para demonstrar que estão fartos de políticos que não respeitam os seus compromissos com os cidadãos.

Pelo país dos blogs

Este post não é uma revelação da Wikileaks. Será por isso que a comunicação socila finge que não existe?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Diz-me com quem andas...

O MMS foi um daqueles partidos, mais ou menos irrelevantes, que surgiram ano passado com propostas para credibilizar a política em Portugal. No seu manifesto declarava ser “ Um partido político da frente” porque não se revê na “lateralidade” que estabelece diferenças entre direita e esquerda e definia como sua ideologia “a qualidade de vida das pessoas”. O “slogan”, relembro, era “Mudar Portugal”.
Sempre pensei que o objectivo fosse mudar para melhor mas há dias, uma pequena notícia no “Público” deu-me oportunidade de rever a minha posição.Com efeito, o Tribunal da Lourinhã condenou o candidato do MMS à câmara da Lourinhã por ter mentido à GNR e em Tribunal, “ao dizer-se vítima de agressões físicas e roubo por um adversário político”. Não satisfeito com isso, o candidato do MMS pegou num megafone e desatou a insultar as pessoas do partido a que pertencia o acusado.
Para dar mais credibilidade à cena, João Nunes Alves declarou ter sofrido lesões na cabeça e nas costas, facto que foi desmentido por uma perícia médico-legal.Perante a confirmação da calúnia, o Ministério Público ordenou a abertura de um processo crime contra o candidato do MMS, “por denúncia caluniosa e perjúrio”.
Não se pode daqui inferir qualquer suspeição sobre o MMS, mas vale a pena dizer aos responsáveis do partido que antes de apresentarem a candidatura de um dos seus membros a um cargo político, tenham o cuidado de investigar a sua conduta e comportamento cívico.

O mundo mudou mesmo... desde Hannover

Quando fazia pesquisas para um trabalho sobre o desenvolvimento sustentável e os modos de vida urbano, encontrei a Declaração de Hannover, um documento assinado em 2000 por cerca de um milhar de presidentes de municípios europeus durante a III Conferência Europeia das Cidades Sustentáveis.
Não resisti a transcrever este pequeno excerto do apelo dos munícipes inscrito na Declaração de Hannover e que, em minha opinião, traduz de forma bem explícita algumas importantes mudanças verificadas na última década. Em relação ao poder local, à ideia de construção europeia e ao conceito de desenvolvimento sustentável.

" NÓS, PRESIDENTES DE MUNICÍPIOS DA EUROPA E REGIÕES VIZINHAS REUNIDOS EM HANNOVER, APELAMOS À COMUNIDADE INTERNACIONAL PARA:

(...)
b) parar o "dumping" laboral e ambiental incorporando em acordos de comércio internacional e multilateral normas sociais e ambientais, contribuindo assim para a redução da pobreza;(c) eliminar as dívidas externas de países terceiros, através de programas de redução da dívida;
(d) encorajar maior autonomia do governo local e apoiar o desenvolvimento de políticas ambientais locais através de acordos multilaterais;
(e) proporcionar fundos adequados para as organizações financeiras internacionais para o desenvolvimento sustentável, em particular, estabelecendo um fundo para o desenvolvimento urbano sustentável no âmbito do programa "Global Environmental Facility"."

Uma prenda de Natal



O Rogério, com a generosidade que lhe conhecemos, ofereceu a todos os participantes no conto colectivo de Natal promovido pela Fê, esta belíssima árvore de Natal que não resisti a partilhar convosco. São estes gestos que distinguem a blogosfera e incentivam a permanecer por cá. Obrigado amigo!

sábado, 18 de dezembro de 2010

Shame on you!

A AHRESP lançou a campanha “Direito à Alimentação”, que irá permitir aos restaurantes doar as sobras a instituições. Iniciativa louvável que há muito devia estar em prática, mas cuja concretização estava inviabilizada por uma daquelas medidas higieno-sanitárias que desprezam a pobreza.Cavaco, em plena campanha eleitoral, apadrinhou a iniciativa. Declarou, solene, que o país devia sentir vergonha perante a pobreza. De acordo. Pena foi não se ter envergonhado de apadrinhar uma iniciativa destas durante uma cerimónia cheia de pompa e circunstância realizada no Casino do Estoril.

Quem tem amigos, não morre na cadeia

Há dois anos escrevi um cartão de Boas Festas a este homem, solidarizando-me com a sua má sorte, mas augurei-lhe um futuro auspicioso. Há dias, quando o vi sentado no banco dos réus, lamentei não ter tido tempo para lhe escrever outro este ano. No entanto, não quero deixar de lhe dizer que não perca a esperança. Tem amigos bem relacionados cá fora que tudo farão para que as coisas corram bem, desde que não dê com a língua nos dentes e os incrimine. Daqui a uns tempos será ilibado, ou condenado a uma pena suspensa, e partirá finalmente para o seu exílio dourado. Em paz e sossego, como merecem "as pessoas de bem"...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Calendar Girls

Já vos expliquei aqui a minha difícil relação com a época natalícia e o mês de Dezembro.
Este ano o sentimento de angústia agrava-se porque, de antemão, já sei que ao bater das 12 badaladas do dia 31 de Dezembro, passarei a viver num país com mais desigualdades, mais injustiças, pior saúde, reformas mais baixas e agravamento da qualidade de vida.
Por tudo isso, mas também porque um inesperado afluxo de trabalho, a necessidade de fazer alguns exames médicos e de me deslocar diariamente ao hospital para visitar um familiar me têm provocado alguma ansiedade e impaciência que se reflecte no quotidiano.
Tenho, pois, lidado muito mal com os assédios diários de que sou alvo nos hospitais e nos locais onde tenho de me deslocar para fazer exames médicos, ou para os levantar.
Todos os dias, senhoras de boa vontade me interpelam nesses locais pedindo um contributo para a associação X, Y, ou Z. Já reparei que estas instituições se revezam, trocando de locais semanalmente, o que torna inviável a desculpa do “já dei”. Na verdade, já não sei quais foram as instituições para que contribuí no último mês.
Todos os anos a cena se repete. Não costumo recusar o donativo, mas a multiplicação de instituições que fazem peditórios, em época natalícia torna imposível acudir a todas. Pelo menos, é essa a minha sensação e a da minha modesta bolsa.
Tenho o máximo respeito pela maioria destas instituições e pelas pessoas que lá trabalham em regime de voluntariado. Há algumas instituições que apoio ao longo do ano , quer com donativos, quer com trabalho voluntário. Mas este ano, talvez fruto das circunstâncias da minha vida pessoal e familiar, já reagi mal duas ou três vezes. É que não me parece que os hospitais e os estabelecimentos onde vamos porque estamos doentes, ou visitar alguém que nos é querido, em sofrimento, sejam os locais ideais para fazer estes peditórios. Acresce que, embora considere estes peditórios essenciais para a sobrevivência de algumas instituições, cujo trabalho merece o meu reconhecimento, não acredito que os problemas se resolvam com caridadezinha do género “toma lá um boneco e passa para cá 5 euros, ou o que quiseres (puderes) dar”.
No domingo à noite, depois de terminar o meu trabalho, sentei-me um bocado diante do televisor, a fazer “zapping”. Parei na RTP 1 e fiquei a ver o filme Calendar Girls. Baseado numa história verídica, passada numa recôndita aldeia inglesa do Yorkshire, o filme relata a história de um grupo de mulheres já bem entradas na idade. Cansadas de angariar fundos para uma instituição a fazer doces, tricô ou arranjos florais, decidem fazer um calendário , onde mostram as suas habilidades domésticas, no intuito de angariar fundos para o hospital local. Numa decisão controversa e arrojada , dispõem-se a revelar, a par das suas habilidades, um pouco da sua nudez (como podem ver na foto).
Não estou a sugerir que as instituições portuguesas sigam o exemplo, apenas peço que tenham alguma sensibilidade e não façam os peditórios em locais onde as pessoas que por lá passam estão em sofrimento. E se puderem ser um pouco mais criativas, melhor ainda...
Desculpem o desabafo.

Pelo país dos blogs (Especial Natal)

Hoje, como se aproxima o fim de semana e o Natal está à porta, recomendo-vos mais do que um blog. Para começar, vão aqui ler um interessante conto de Natal colectivo.
Depois leiam com atenção os 10 contos de Natal que se apresentaram a este concurso ( Tive muita pena, mas não pude concorrer, embora fosse essa a minha intenção).
Finalmente, convido-vos a observar com atenção estes belos exemplares de ovelhas de presépio.
Tenham um bom fds. Eu volto logo, depois das compras. Até já...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Fantasma da Ópera


Indiferente às críticas, a Sony anunciou para breve o lançamento de mais um disco com inéditos de Michael Jackson. De imediato me veio à memória "O Fantasma da Ópera".

Natal, ou Carnaval?

Parece que estamos no Natal mas, depois de ler as medidas anti-crise, creio que estamos no Carnaval. Se o governo tivesse assumido que tomou aquelas medidas pressionado por Bruxelas e pelo FMI, ainda era capaz de engolir em seco, lamentar, mas compreender. No entanto, ao ouvir José Sócrates afirmar que se trata de uma decisão do governo, só posso concluir que um grupo apoiante do grande capital, indiferente aos problemas da pobreza e ao drama dos desempregados, se mascarou de socialista e assaltou o PS, enganando o Povo.

Ainda há cavalheiros?


Parou o carro e saiu apressadamente para abrir a porta à jovem senhora que o acompanhava. Ela saiu com um sorriso estampado na cara, embevecida com o tratamento cavalheiresco. Deu-lhe um beijo rápido na face e murmurou qualquer coisa imperceptível. Ele deve ter-se sentido lisonjeado e deixou escapar um sorriso. Depois deu-lhe o braço e acompanhou-a até à porta do edifício. Tentou um beijo mais ousado, mas ela esquivou-se com uma gargalhada. Ele regressou ao carro, fez-lhe um último aceno, esperou que ela entrasse e, finalmente arrancou, estimulado por um coro de buzinas.
Teria sido uma bela cena, digna de figurar nos manuais de etiqueta, não se desse o caso de o príncipe encantado ter estacionado em segunda fila, na faixa lateral da Av da Liberdade.No melhor pano cai a nódoa...
Enquanto caminhava paralelamente a esta cena, na rádio da minha imaginação ouvi perfeitamente os acordes de “Construção”:
“ Morreu na contramão atrapalhando o tráfego…”

Pelo país dos blogs

Vejam lá só o que pode acontecer quando alguém, habituado a andar de carro, se vê privado dele por uns dias.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O outro debate

Não vi o debate entre Fernando Nobre e Francisco Lopes. Com pouco tempo, tenho de ser selectivo. Vi um bocado do debate (?) entre Mário Soares e Freitas do Amaral.
Não, não foi na RTP Memória, foi na TVI 24. Não foi em 1986, foi ontem e em discussão estava o futuro da Europa, não a candidatura às presidenciais. Enquanto via, não pude deixar de recordar o aceso debate de 86 e compará-lo com a sintonia dos dois candidatos ontem. Ambos malharam forte e feio na senhora Merkel e em Sarkozy e alertaram para os efeitos perniciosos para a Europa, resultantes da dupla franco-alemã. Já aqui escrevi sobre o assunto, mas vejo pouca gente a preocupar-se com ele. Fazer como a avestruz e fingir que não passa nada pode terminar com um despertar amargo.
Mas o que mais me impressionou, nos minutos a que assisti, foi a clarividência política de Soares e Freitas. Se os compararmos com os actuais líderes políticos, percebemos melhor as razões que conduziram este país à perda de valores, à descrença absoluta na política,ao marasmo ideológico e ao absentismo.

Leitura recomendada

" O jornalismo de salão e os idiotas úteis - às vezes, confundem-se e eu próprio já não os distingo, peço desculpa - começaram por não ficar impressionados com as revelações até agora trazidas a público e contrastadas por cinco dos mais prestigiados órgãos de informação mundiais.
"Já se sabia", disseram.
Percebe-se o incómodo: os idiotas úteis e o jornalismo de salão convivem sempre melhor com a mentira oficial do que com a verdade revelada. São hábitos que ficam das intrigas do Portugal sentado ou das conferências, cimeiras e passarelles político-jornalísticas entretidas a analisar e descodificar acordos, consensos e convenções que, percebe-se agora, servem para pouco ou coisa nenhuma."
Miguel Carvalho na Visão ( recomendo a leitura completa)

Pelo país dos blogs

Já vos disse que gosto muito de Cirandar por aqui?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Concurso Ovelhas de Presépio

Quase a terminar o prazo para a entrega de candidaturas ao concurso da Barbearia, encontrei este exemplar na rotunda do aeroporto. Perguntei-lhe a razão do equipamento. Respondeu-me que ia participar no presépio em Belém e lhe tinham recomendado algumas precauções. Esqueci-me de lhe perguntar se ia para Belém, ou vinha para Belém ,mas também não faz mal, porque seja qual for, o melhor é estar preparado para o pior. Pedi licença para lhe tirar uma foto que, de imediato enviei ao sr. Luís. Se não for a vencedora, o júri que se cuide...

Do Céu ( não) caiu uma estrela


A SIC foi condenada a pagar 25 mil euros a uma concorrente do “Ídolos” que se queixou de ter sido enganada pela estação de Carnaxide. Argumentou a concorrente, depois do fiasco de vendas de um disco, que a promessa de notoriedade que lhe fora garantida não se cumpriu, o que lhe terá provocado uma depressão.
Creio que esta notícia também não teve a notoriedade que merecia. É que, enquanto digeria a sentença do senhor doutor juiz, não pude deixar de reflectir um pouco sobre o relevo que tem sido dado a outros casos de figuras de “talk shows”temporariamente mediatizadas pelas piores razões.
Jovens acusados de extorsão, assaltos e sequestro. Tentativas de suicídio. Agressões. Mortes violentas. De tudo isto se pode encontrar quando analisamos o percurso de jovens vedetas que ascenderam ao estrelato, através de “reality shows” como o Big Brother ou de telenovelas como Morangos com Açúcar.
Dito assim, até pode parecer que estou a insinuar que a TVI é um alfobre de delinquentes. Nada disso. A razão que me leva a abordar este assunto, prende-se com os efeitos que o mediatismo exerce em alguns jovens que saltam do anonimato para as capas de revistas cor de rosa graças a séries, novelas, ou outros programas de sucesso na televisão.
Talvez não chegue ponderar nos “castings” os efeitos que uma carinha laroca, um corpo apetecível - quiçá algum talento que o tempo burilará- poderá produzir no aumento das audiências e no merchandising.
Talvez valesse a pena analisar, também, a capacidade que os jovens revelam para lidar com o sucesso, para aguentar a pressão de um mediatismo que os eleva, num ápice, a estrelas constantemente requisitadas para abrilhantar cortejos de Carnaval, romarias de Agosto ou festas natalícias.
Como parece provar-se pelos casos que vêm a lume, alguns destes jovens ou não têm estofo para aguentar a pressão, ou entram numa espécie de euforia mediática que altera os seus comportamentos e os leva a cometer actos que ninguém admitiria que fossem capazes de praticar.
Creio- é apenas uma suposição- que muitos jovens que de repente se vêem a encarnar personagens de ficção são levados a fazer uma conexão perigosa entre fama e impunidade e por isso não medem a dimensão dos seus actos. Acabam por confundir a sua personagem com a sua vida real e está o caldo entornado.
Talvez fosse bom que os media falassem mais sobre isso. Talvez fosse bom que alguém estudasse o assunto.Talvez a jovem que a SIC vai ser obrigada a indemnizar tenha tido sorte, por não ter atingido a notoriedade que lhe prometeram. Talvez...

Pelo país dos blogs

Um novo visual, mas a qualidade de sempre. Em prosa e verso.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Vou andar por aí...

Estou com falta de tempo para escrever e para vos visitar, mas não podia deixar de particpar nesta festa, correspondendo ao amável convite que me foi feito, por isso hoje encontram-me aqui.

Assédios


A Joana andava a ser assediada pelo chefe. Nunca se queixou à APAV, porque achava piada à situação e sabia que podia tirar dividendos dela. Enquanto permitisse as investidas do chefe, correspondendo com um sorriso enigmático e aceitasse um ou outro convite para almoçar, permitindo umas carícias, podia baldar-se à sexta-feira a seguir ao almoço, desleixar um pouco o serviço e até fazer umas gazetas, para ir até à praia.
O chefe, porém, jogava em mais do que um tabuleiro e começou também a assediar a Mariana. Só que Mariana reagiu de forma diferente... Em vez de se aproveitar da situação, avisou- o de que não tolerava os avanços. O chefe insistiu e ela apresentou queixa à APAV. Numa tentativa de conciliação, o chefe prometeu promovê-la e acabar de vez com o assédio.
Quando Joana soube da história, decidiu também apresentar queixa. Alguns colegas apoiaram-na. Outros deixaram de lhe falar e chamaram-lhe oportunista. Qual é a sua opinião?
( texto já editado)

Pelo país dos blogs

Muito se tem escrito e falado sobre Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento, depois de ter sido acusada de adultério e de cumplicidade na morte do marido. Uma Domadora de Camaleões narra-nos uma outra história, que merece mais do que um mero assentimento. Porque é uma história de intolerância religiosa que nos devia provocar idêntica indignação, mas a que o Ocidente tem votado a um confrangedor silêncio.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Era Verão em Estocolmo


Às sete da tarde, a temperatura em Estocolmo era de 24º, convidando a desfrutar, numa esplanada, as soberbas paisagens que a cidade oferece. Atravessei Gamla Stan, em direcção a sul. Subi no elevador até ao bairro de Mosebacke, no intuito de me sentar na soberba esplanada do Södra Teatern, de onde se podem admirar os canais, espreguiçando-se entre o casario, desde Djürgarden até Kungsholmen- o bairro aristocrata, onde vivem os mais endinheirados.
Mosebacke é, por contraste, a porta de entrada para Soddermälm, onde habita a classe operária. Curiosidades…
A esplanada estava a abarrotar, as pessoas acotovelavam-se junto aos balcões para pedir uma bebida, mas lá descortinei uma mesa para seis pessoas, de onde podia gozar todo este esplendor que vêem na imagem.
Estava de máquina aperrada, hesitando em ferir com a minha imperícia de fotógrafo, a imaculada paisagem, quando duas jovens suecas pediram para se sentar. Como é natural, entabulámos conversa, ficaram muito curiosas quando lhes disse que vivera em Estocolmo há 30 anos e fartaram-se de me fazer perguntas sobre as diferenças entre a cidade de hoje e daquela época.A determinada altura uma delas levantou-se, regressando alguns minutos depois com três copos de cerveja. Soltou um desabafo em sueco - que não traduzo - e depois disse em inglês:

- Com a crise, a Suécia está a ficar irreconhecível*. Agora temos que nos levantar para ir buscar bebidas ao balcão! Não seria mais normal que, em plena crise, empregassem pessoas, diminuindo o desemprego? Em Portugal também é assim?
- Não! De maneira nenhuma, minha cara…. Em Portugal os patrões empregam as pessoas, mas depois não lhes pagam os salários ao fim do mês, o que é muito mais cómodo para quem tem trabalho e vencimento asegurado ao fim do mês.
Olharam-me, meias incrédulas e depois soltaram uma gargalhada.
- Estás a brincar, não estás? Aqui, um sujeito desses ia logo prezo e confiscavam-lhe os bens, até pagar as dívidas. Sempre que uma empresa vai à falência, os primeiros credores são os trabalhadores.
- Mais ou menos como em Portugal- respondi tentando esconder o riso.
Bebi um gole de cerveja e desviei a conversa para outro tema menos confrangedor, evitando mostrar-lhes que vivo num país terceiro mundista, onde grassa o egoísmo e os vigaristas são sempre recompensados.
*Na segunda metade da década de 90, do século passado, os trabalhadores suecos foram confrontados com três opções: um aumento dos impostos, a redução do salário, ou cortes nas reformas, que atingiriam os trabalhadores já reformados. Trabalhadores, patrões e Estado chegaram a acordo e a decisão foi reduzir os salários entre 0,1 e 0,5 %, ( de acordo com o vencimento) e aumentar os impostos para os salários mais elevados. Foram igualmente cortadas algumas mordomias dos administradores das grandes empresas, revertendo o valor desses custos anuais, para a segurança social. Ficou assim assegurado o valor das reformas actuais e futuras, durante um período de 30 anos.

Hmmmm!!!


A Carla perguntava-me há dias na caixa de comentários: "o que são amêijoas? "

Minha cara amiga

Nada melhor do que uma foto para lhe mostrar estes magníficos bivalves, baptizados com o nome de amêijoas. Cozinhados à Bulhão Pato, ou na cataplana, põem as minhas papilas gustativas aos saltos e a língua a tocar castanholas com o palato. Nunca experimentou?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Humor fim de semana

Como prometido a semana passada, chegou a hora de vos divulgar como seria dada a notícia nas televisões portuguesas:

Telejornal - RTP 1

"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia"

Jornal da Noite - SIC

"Vamos agora Dar-lhe conta de uma notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da sua avó! Esta é uma história aterradora mas com um final feliz... O Sr. Telespectador não vai acreditar, mas esta linda criança foi retirada viva da barriga do lobo! Simplesmente genial!"

Jornal Nacional - TVI

" Olá, boa noite, eu sou... Onde vamos parar, onde estão as autoridades deste país?! A menina ia sozinha para casa da avó a pé! Não existe transporte público naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?? Isto é uma lambada na cara da actual governação portuguesa."

Boas notícias

Foi através de uma crónica do Manuel António Pina que soube da existência de um jornal on line que só nos traz boas notícias. Nos tempos que correm, a iniciativa não só é louvável, como contribui para levantar o astral. Ora vão lá ver...

Pelo país dos blogs

Ergam-se as taças e afinem-se as gargantas, para celebrar o segundo aniversário do 2711. Parabéns, amigos! têm exactamente menos 100 anos que o Manoel de Oliveira e uma longa vida de sucessos vos aguarda.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

The Go-Between*

Tenho resistido a escrever sobre o Wikileaks e Julian Assange. Por duas razões. Em primeiro lugar,porque a estória ainda agora começou. Aquilo que por ora veio a lume reduz-se essencialmente a tricas de comadres, cuja relevância é diminuta. Os assuntos mais "quentes" como, por exemplo, a acusação de que Dilma Roussef terá participado em assaltos a bancos, ou Joaquim Chissano estar ligado ao narcotráfico, não são em si mesmo notícia. Carecem de prova e confirmação. O mesmo se diga em relação aos voos para e de Guantanamo que terão feito escala em Portugal. Enquanto não for provada a factualidade e veracidade do conteúdo dos telegramas a sua importância é, em minha opinião, muito relativa. Têm tanta relevância como as apreciações sobre o carácter de alguns líderes políticos.
Em segundo lugar, porque me provoca uma forte náusea a posição de alguns comentadores que andam sempre com a liberdade de expressão na boca mas agora ou se remetem a um comprometido e esclarecedor silêncio, ou esgrimem os mais variados argumentos para acusar Julian Assange de ser um criminoso. Recuso liminarmente esta acusação uma vez que, até prova em contrário, o vejo apenas mensageiro na divulgação dos documentos.
Devo,aliás, reconhecer que estou mais interessado em seguir atentamente os próximos capítulos desta telenovela ( as múltiplas tentativas de silenciar o Wikileaks e "matar o mensageiro", ou as verdadeiras motivações de Assange) do que em conhecer o conteúdo dos documentos. É que o modo como o caso for tratado, poderá trazer preciosos esclarecimentos sobre o conceito de democracia de alguns países. Com os EUA à cabeça, obviamente… que não tendo sido competentes para proteger os seus segredos, acusam de criminosos e irresponsáveis aqueles que os divulgaram, não hesitando em recorrer a ameaças típicas de regimes que eles próprios acusam de não respeitar a liberdade de expressão.

* Filme de Joseph Losey, com argumento de Harold Pinter, interpretado por Julie Christie e Alan Bates

Se...bastianismos

Li, durante o feriado, alguns artigos sobre as consequências da morte de Sá Carneiro. Apesar de o ter conhecido bem, por razões que não vou aqui relembrar, recuso-me a especular sobre o que seria a realidade portuguesa se não tivesse falecido naquele estúpido acidente de Camarate que, bem à portuguesa, continua 30 anos depois a ser alvo dos mais variados pretextos para a constituição de comissões de inquérito que não conduzirão a lado nenhum e em nada contribuirão para modificar a opinião que cada português tem sobre o assunto.
Registo, no entanto, esta paranóica maneira de ser português. Andamos sempre à procura de Sebastiões que, se não tivessem morrido, teriam mudado o rumo da nossa História, fazendo de Portugal um país muito melhor. A única especulação que me parece ter algum fundamento, é que se Sá Carneiro não tivesse morrido em 1980, Cavaco Silva provavelmente nunca teria sido primeiro-ministro e não estaria hoje a recandidatar-se à presidência da república. Se isso teria sido melhor ou pior para o país e para o PSD? Talvez… O país seria diferente? Com toda a certeza.
Não queria deixar de lembrar, porém, que o país teria sido igualmente diferente se Mota Pinto não tivesse morrido, se Cavaco não se tivesse lembrado de ir fazer rodagem ao seu Citroen até à Figueira da Foz, se um grupo de militares não tivesse decidido fazer o 25 de Abril, se Salazar não tivesse caído da cadeira, ou se a maioria dos políticos portugueses de qualidade não tivesse abandonado a política, dela desistindo por velhice, estupor ou cansaço.
Poderia avançar com outros exemplos mas, abreviando razões, diria que teria sido bastante D. Afonso Henriques não ter tido aquele amoque de vir por aí abaixo combater os mouros, na expectativa de impressionar o Papa, para hoje não celebrarmos feriados como o 1º de Dezembro ou o 5 de Outubro. Talvez comemorássemos outros, fossemos uma província espanhola e estivéssemos neste momento com os mesmos amargos de boca de “nuestros hermanos” que, depois de um longo período de vacas gordas, se preparam para enfrentar uma crise de consequências por ora imprevisíveis.
A História não é feita de “ses”. É um conjunto de factos, não raras vezes fortuitos, que se sucedem de forma mais ou menos conjuntural. Um povo é um conjunto de homens ( e mulheres) e as suas circunstâncias. Não se apega aos “ses” da vida para justificar as suas fraquezas, ou os seus insucessos. Vai à luta, em vez de ficar à espera que alguns lutem por ele. Era isto que eu gostava que os portugueses fossem: lutadores. Por azar, preferem ser lamechas, carpir sobre a má fortuna, criticar quem estiver no governo ( seja de que partido for) e ficar sentados diante do televisor a ver o que a telenovela da vida lhes reserva. Assim, parece-me que não vamos lá. Mesmo que nos próximos dois séculos não morra nenhum político. Enterremos de uma vez os Sebastiões e façamo-nos à vida, porque os euros não nascem nas árvores, a dignidade não se compra nos centros comerciais e nada se conquista sem esforço e luta.
Era isto que eu devia ter dito a este homem naquela noite, mas na altura não me ocorreu...

Pelo país dos blogs

Este concurso, que há cinco anos consecutivos anima a blogosfera em época natalícia, é uma excelente e divertida iniciativa do sr. Luís. Até dia 15 ainda podem participar. Dêem asas à vossa criatividade e enviem as vossas propostas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Importam-se de me explicar?



Há notícias que leio duas e três vezes, mas não consigo entender. Provavelmente, serei muito burro ou... analfabeto funcional. Peço por isso a vossa ajuda. Expliquem-me, por favor, como é que a substituição da calçada portuguesa, por outro tipo de pisos, "vai ajudar à fixação de mais famílias e empresas em Lisboa."

Já agora, sem querer abusar da vossa paciência, agradecia que me esclarecessem outra coisa. Se a perspectiva é reduzir a área da calçada portuguesa na próxima década, como se justifica que a CML esteja a pavimentar a Duque d'Ávila com essa calçada desde o "El Corte Inglês" até ao Arco do Cego?

Quem atira a primeira pedra?


Hoje é o Dia Internacional do Combate Contra a Corrupção e, como é hábito, foi revelado um estudo da Transparency International sobre o estado da corrupção no mundo.
Os portugueses- como seria de esperar- elegeram os políticos como os mais corruptos. Confesso que tenho as maiores dúvidas sobre esta apreciação dos portugueses. Se cada um olhasse para dentro de si, chegaria à conclusão que, nos seus comportamentos diários ( quando aldraba as Finanças na declaração do IRS, não passa facturas, presta declarações falsas para receber subsídio de desemprego , apresenta atestados médicos quando está são como um pêro, insiste com o polícia para lhe perdoar a multa, etc.etc.etc . está a ser actor de um acto de corrupção).
O que mais por aí há, infelizmente, são corruptores e corrompidos. Eu próprio já vos confessei que fui corrompido. De forma involuntária, mas fui. Por isso, neste dia, convido-vos a (re) ler a minha confissão sobre as circunstâncias em que fui corrompido.

Cavaco contorcionista


A decisão de Carlos César recorrer a verbas do governo regional para compensar os funcionários públicos que ganham entre 1500 e 2000 euros é ilegal? Talvez...
Reagiria Cavaco Silva da mesma forma se a decisão tivesse sido tomada por Alberto João Jardim? Obviamente que não.
Afirmo-o sem qualquer hesitação, baseado em factos. Lembro apenas, à guisa de exemplo, que depois de ter sido enxovalhado por AJJ, o PR foi à Madeira e achou normal ter sido impedido de visitar a Assembleia Regional. Também não reagiu à suspensão do Parlamento madeirense durante uma semana e considerou o facto de Alberto João Jardim ter afirmado que a Assembleia Regional estava cheia de loucos “uma situação normal em política”.
Quando AJJ decidiu classificar todos os professores com “Bom”, zombando das regras de avaliação determinadas pelo governo, Cavaco Silva não se lembrou da Constituição, nem de reclamar igualdade de direitos para todos os portugueses, preferindo remeter-se mais uma vez ao silêncio , mas enxofrou-se com o Estatuto dos Açores, por lhe retirar poderes.
Eu sei que o Natal é época de circo, mas o que eu menos desejava, neste momento, era ver o PR a desempenhar o papel de contorcionista. Agora já não me admiro se , no Carnaval, Cavaco for à Madeira desfilar ao lado de AJJ. Só tenho dúvidas é quanto à máscara que irá usar. Mas tenho um palpite...

Pelo país dos blogs

Quando regressei, tinha na minha caixa de correio um convite para tomar um café aqui. Fui com muito gosto e, como esperava, fui muito bem recebido pelo anfitrião e pelo Jorge Palma. Ide lá, porque a vida continua mesmo com esta invernia.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A aula do professor Lehman

Tive um professor , na George Washington University, que um dia lançou um aviso, numa aula, que me tem servido para a vida. Dizia o professor Lehman:
“ Se um dia estiverem indecisos na escolha de um candidato para um lugar de direcção na vossa empresa, perguntem-lhe o que faria se ocupasse esse lugar. Se ele disser que apagava tudo o que o antecessor tinha feito, para começar tudo de novo, livrem-se dele. Uma pessoa que não sabe aproveitar nada do que está feito é um idiota”.

Boas e más ditaduras

As ditaduras militares latino-americanas foram sempre aceites com alguma compreensão pela direita europeia e entusiasticamente apoiadas pelos Estados Unidos e pela Igreja Católica. Nunca os ouvi condenar a censura, os crimes hediondos das ditaduras militares do Chile ou da Argentina, as torturas, a subjugação dos povos indígenas. Pelo contrário, ouvi-os respirar com algum alívio quando Pinochet conseguiu escapar às malhas da justiça, com o seu velado apoio.
Quando os países latino-americanos começaram a tentar libertar-se das ditaduras, a imprensa ocidental começou logo a encontrar ditadores em cada um dos líderes democraticamente eleitos. Não me consta que Chavez tenha torturado e mandado matar os seus adversários políticos. O mesmo não se pode dizer de Uribe, o aliado dos EUA, que perseguiu e mandou matar vários sindicalistas. Não li uma linha sobre isso na imprensa portuguesa.
Curiosamente, também se calou poucos dias depois de uma trupe de militares ter expulso o presidente das Honduras, mas deu grande relevo ao encerramento de algumas rádios locais, ordenada por Chavez.
A Rádio Federal de Buenos Aires divulgou há tempos uma extensa lista de canções, cuja difusão foi proibida pela ditadura militar. Nem uma linha na imprensa portuguesa. Interessa-me pouco a liberdade de imprensa, quando vejo a morte de pessoas que me são queridas ser escamoteada, ou branqueada, com o conluio silencioso da imprensa nacional.
Ou quando não dá o devido relevo ao facto de as grandes multinacionais do desporto , como a Nike ou a Adidas, terem escrito a Hillary Clinton, pedindo “a restauração da democracia nas Honduras” quando perceberam que o apoio aos golpistas lhes estava a provocar incomensuráveis prejuízos.
Não faltam relatos sobre as sanguinolentas ditaduras latino-americanas mas, curiosamente, alguma imprensa portuguesa, especializada no copy paste do que se passa além fronteiras, insurge-se contra pretensos ditadores bolivarianos, cujo único crime é pretenderem libertar os seus povos do jugo americano e da exploração de multinacionais pouco escrupulosas.
Corre-me nas veias sangue de vítimas das ditaduras latino-americanas. Conheci, pessoalmente, alguns dos desaparecidos durante a ignóbil ditadura argentina, que enchia helicópteros com dissidentes, para os lançar nas águas do Atlântico, ao largo de Península Valdez. Isso impressiona-me muito mais do que o encerramento de algumas rádios locais. Penso que aos latino-americanos, também. Não me refiro aos imigrantes, descendentes de europeus, que para lá foram fazer a sua vida. É mesmo dos latino-americanos que falo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A solução para derrotar Cavaco Silva


A única maneira de impedir a reeleição de Cavaco é instaurar o controlo anti doping nas eleições presidenciais. Se o fizermos, teremos a certeza que o vencedor não será Cavaco pois, tal como acontece na Volta à França em bicicleta, o primeiro é sempre desclassificado e a vitória atribuída ao segundo.

Cartão de Boas Festas para o senhor Zé

Aviso: Não sei se vou ter tempo, este ano, para enviar os habituais cartões de boas festas. No entanto, não queria deixar de mandar um ao sr. Zé. Como, apesar da crise ( ou por causa dela...) pouco mudou, não vi necessidade de fazer grandes alterações ao que lhe escrevi no Natal de 2008.
Estimado senhor Zé
Permita-me que personifique na sua pessoa e na oficina de reparação automóvel “ Brisas de Enxofre”, de que é proprietário na Musgueira (Norte), o cartão de Boas Festas que gostaria de enviar a alguns pequenos empresários do nosso país. Refiro-me, obviamente, àqueles que, tal como o meu amigo, andam há anos a clamar contra o Estado por se intrometer nos vossos negócios e a quem acusam de “chulo” por ter a ousadia de vos exigir o pagamento do IVA.
Não falo das contribuições para a segurança social porque a sua empresa, como muitas outras neste país, é um pequeno negócio familiar onde, para além de si e do seu inseparável calendário da Pirelli, trabalha apenas o seu filho, o genro, o cunhado e agora um sobrinho que veio tentar a sorte para Lisboa e a quem o meu amigo, com a generosidade que todos lhe reconhecem, estendeu a mão “por um tempo”, para que ele possa aceder ao subsídio de desemprego, assim que a lei o permita.
“ Depois , com o subsídio de desemprego, o rapaz sempre vai ter tempo para ver se arranja um trabalho, coitadito!” – dizia-me você em 2008.
Tem toda a razão, sr. Zé. A vida é tal qual diz “ladrão que rouba a ladrão…”
Lamento o azar do seu sobrinho, sr. Zé... com a crise foi-se o emprego e o subsídio e lá teve ele de emigrar para a Suíça... Uma janela de oportunidade que se abriu para os dois. Ele vai trabalhar e o meu amigo, seguindo o exemplo do seu amigo Isaltino, não tarda nada está a depositar uns dinheiritos na conta do seu sobrinho, não é verdade? Espero é que já lhe tenha emprestado dinheiro para comprar o táxi, porque é sempre um bom investimento.
Todos reconhecemos a sua generosidade, senhor Zé. Por isso não lhe levamos a mal se, por engano, debita a um cliente um filtro de ar novo, quando afinal o que lá colocou tinha sido subtraído a um carro estacionado ao relento, numa rua da Alta de Lisboa. É por isso que compreendo todos os pequenos empresários, como Você, que clamam contra o Estado por não os deixar ganhar a vida “honestamente”. Como o seu amigo Joca, que tem uma frota de táxis com os taxímetros por homologar, porque aquilo é uma “despesona”. Isto para já não falar da D. Alice, da lavandaria “Enxota Moscas”, que tem uma empregada a quem paga todos os meses em dinheiro “vivo”, sem direito a recibo nem descontos, ou do Zeca estucador que joga consigo à sueca , cuja especialidade é perguntar aos clientes “ quer o trabalho com ou sem IVA”?
Tem razão, já me esquecia da Almerinda do café “O Sol quando nasce é para todos” que, pensando no interesse dos clientes, só paga aos seus fornecedores metade das entregas diárias mediante factura, evitando o pagamento de IVA no remanescente. Pronto, já estava mesmo a ver que me ia falar da Anabela da retrosaria! Coitada da rapariga, aquilo não está a dar nem para tremoços, porque razão é que ela, sendo proprietária da loja, havia agora de prescindir do subsídio de desemprego? Um disparate! Quem a acusa de oportunista são alguns invejosos como o Abel da tasca onde o meu amigo joga à sueca. Aquilo é só despeito por ter sido apanhado pela ASAE a vender vinho a martelo. Claro que ele já arranjou solução e agora , para compensar, é vê-lo correr todos os dias para os supermercados a comprar, a metade do preço, os produtos com etiqueta cor de rosa, que depois vende aos clientes fora de prazo, mas isso não tem importância nenhuma. Ele ainda outro dia me disse que já experimentou dar alguns daqueles produtos aos gatos e que, exceptuando uma “caganeirazita”, não lhes viu nada de anormal.
É preciso ser-se muito esquisito para exigir que os salgados, os sumos, ou a carne para os pregos e bifanas estejam dentro do prazo. Isso não passa de mariquices de gente fina, sr Zé!
Só lhe digo uma coisa. Está cheio de razão! Esses pindéricos que pagam o IVA, o IRS e descontam para a segurança social são uns parvos. Os pequenos empresários como o meu amigo é que interpretam à risca as regras da concorrência. Há dois anos o Estado era um empecilho que só servia para "roubar". Há dias, inflamado, exigia apoios do Estado para evitar a falência.
Aprecio a sua coerência, senhor Zé. É por isso que, neste Natal, não quero deixar de lhe dizer que apoio inteiramente a sua, aliás vossa, luta. Com a crise que anda por aí, o Estado tem de dar uma mãozinha, senão vai tudo à falência e vai ser uma desgraça!
Soube, pela Emilinha bordadeira, que o senhor Zé está muito esperançado no ano de 2011. Ao que ela me contou, o senhor já se inscreveu no curso "Novas Oportunidades" que o Estado lançou para empresários. Parece que está a contar aprender por lá a colocar os seus lucros em "off shores", como fazem os grandes empresários. Não o quero desanimar, senhor Zé, mas com a crise que por aí vai não me parece que isso faça parte da matéria. Se, quando terminar o curso, se sentir desiludido, por não ter aprendido novas formas de ludibriar as finanças e decidir fazer uma manifestação a pedir mais apoios ao Estado, conte comigo!
O Estado tem de apoiar os desfavorecidos. Como já faz com os pobres dos banqueiros, coitaditos, que tiveram aquele azar … Bem, mas sobre isso eu vou mandar um cartãozinho destes a outra pessoa, se não me levar a mal...
Um bom Natal e um Feliz 2011, com muitos apoios do Estado. Para si e para os seus colegas. Vocês merecem, porque dão uma boa imagem do País! Força, senhor Zé!
PS: Há dias o senhor dizia-me que queria fazer uma surpresa à sua esposa no Natal, mas não sabia como. Deixo-lhe aqui uma sugestão. Vá com ela até ao Rossio e divirtam-se...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A crise é mesmo grave

Nos últimos dias percebi a verdadeira dimensão da crise. No Portugal Sentado, ninguém me ofereceu um cafezinho!

Funcionário público é parasita?

Fica bem no pensamento da nossa direita esquizofrénica, culpar o funcionário público pelos males do país. Para alguma gente que por aí escreve em blogs e colunas de opinião, o funcionário público é um parasita que vive à custa dos impostos, desbaratando o dinheiro que os funcionários da coisa privada preferiam gastar em viagens às Caraíbas e festas de espavento.
O funcionário da coisa privada esquece as prebendas de cartões de crédito sem plafonds e os passeios em automóveis topos de gama pagos pelos consumidores que compram os produtos e serviços das suas empresas a preços muito superiores ao seu valor real, para lhes alimentar os luxos.
Os impolutos funcionários da coisa privada, sejam meros respigadores ou altos funcionários, esquecem que todos os dias, quando depositam os filhos na escola pública às 8 da manhã e os resgatam às sete da tarde, obrigando-os a cumprir um horário de trabalho superior ao seu, deveriam estar agradecidos às funcionárias que os recebem de manhã, à porta da escola, com um sorriso, que os segue atentamente durante os tempos de recreio e tem sempre um gesto ou palavra de conforto, quando choram.
O funcionário público não é o mangas de alpaca, calaceiro avesso ao trabalho que muitos portugueses gostam de caricaturar.É o professor que se esforça por dar aos seus filhos uma formação que lhes permita singrar na vida, o director que, preocupado com o sub rendimento escolar de algum aluno convoca os pais para reuniões- a que a maioria falta- onde os procura alertar para as disfunções familiares e sociais que podem influenciar o rendimento educativo dos seus filhos.
O funcionário público é a educadora de infância que substitui as mães atarefadas na sua vida profissional, sem tempo para ouvir os queixumes dos filhos, o médico ou enfermeiro que socorre a criança que teve um acidente na escola, ou o polícia que a livrou de um assalto.
O funcionário público é o homem que nos recolhe o lixo todos os dias à porta de casa, o que ouve com paciência de Job os queixumes de gente desprevenida que se endividou sem nexo e agora procura que alguém a salve dos glutões, exigindo ( quantas vezes mal educadamente) uma solução para a sua incúria.
O funcionário público é aquele que passa os dias a trabalhar na defesa dos direitos dos cidadãos, propondo legislação que permita construir uma sociedade mais justa, ou se esforça a produzir informação sobre ambiente e as armadilhas que a sociedade de consumo reserva aos cidadãos.
O funcionário público é o jurista que os aconselha em momentos de aflição, é o obreiro de um país mais civilizado e mais justo, de que todos nos deveríamos orgulhar. É o funcionário do INEM que nos socorre num momento de aflição, o médico do serviço de urgência, o recepcionista que preenche a ficha de utente.
É contra estes cidadãos que a sociedade portuguesa afila os dentes, exigindo o seu despedimento e a redução dos seus salários. Será justo?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Desde Mar del Plata em ritmo de tango

Mar del Plata é uma cidade com maus humores climatéricos, um bocado esquizofrénica até, e nestes dias de Cimeira Ibero Americana, recebeu-nos com um sorriso envergonhado, temperatura amena ( 25ªC) durante o dia e frio durante a noite ( 12 º C). Não faltou aquele ventinho irritante que, mesmo nos dias de Verão, tanto faz lembrar as praias nortenhas das terras lusas.
Melhor foi a recepção calorosa de Cristina Kirchner, esforçando-se por ocultar a tristeza de uma viuvez recente, atenuada nas palavras emocionadas de Lula da Silva que classificou o ex-presidente da Argentina, como “Maradona da política”. Cristina não escondeu também alguma emoção pelo apoio generalizado às pretensões da Argentina à sua soberania sobre as Maldivas ( Falkland).
A mais importante decisão desta Cimeira Ibero-Americana terá sido, no entanto, a aprovação da “cláusula democrática”, que prevê a adopção de sanções aos países que desrespeitem a ordem constitucional vigente. ( Não agucem os dentes, jornalistas do internacional que escrevem na imprensa lusa e só vêem ditaduras na Venezuela e esquecem as ditaduras de direita...).
Portugal marcou pontos nas relações com os países sul-americanos, tendo assinado importantes acordos que incrementarão as nossas exportações para esta zona do globo, nomeadamente nas áreas das novas tecnologias e das energias renováveis.
Nas reuniões bi-laterais de Cavaco e Sócrates com diversos lideres latino-americanos, destaque para o encontro com Lula da Silva que, vestido com uma túnica branca, uniu as mãos do PR e PM, num apelo velado a uma conciliação que vá para além da “concertação estratégica”.
Os grandes ausentes em Mar del Plata foram Hugo Chavez e Evo Morales.

O primeiro ficou em Caracas, em consequência das inundações que estão a flagelar a Venezuela, enquanto o presidente da Bolívia terá ficado retido em La Paz, por problemas de saúde. Os “mentideros” locais, no entanto, justificam a ausência de Morales com o incómodo provocado pelas declarações de Cristina Kirchner sobre o presidente boliviano, reveladas no Wikileaks.
Quem também não assinou o livro de presenças foi Zapatero, confrontado com uma greve selvagem ( porque não anunciada, como a isso obrigam as mais elementares regras da democracia) dos controladores aéreos. Greve que obrigou Cavaco a antecipar a sua viagem de regresso a Portugal, certamente com muita pena de Maria Cavaco Silva.
Entretanto, para amanhã, a meteorologia anuncia 33º C. Vai um banhinho nesta águas frias do Atlântico, já preparadas para receber as hordas de turistas que começam a debandar estas paragens a partir do dia 20?
Ou preferem que vos convide a beber um "trago" na Alem onde a noite dura até às tantas?

sábado, 4 de dezembro de 2010

Humor fim de semana

Como seria noticiada a história do Capuchinho Vermelho, se tivesse ocorrido em Portugal durante o governo de Sócrates 2005/2009?

Na imprensa:
CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"
JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à Casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"
DIÁRIO DE NOTÍCIAS
" Capuchinho Vermelho devorado pelo Lobo. Pedro Passos Coelho próximo da maioria absoluta"
Revista MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"
LUX
"Na cama com o lobo e a avó"
EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu Salvador".Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.
PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"
O PRIMEIRO DE JANEIRO
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"
CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte:Na banheira de hidromassagem, Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."
MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:"Veja o que só o lobo viu"
SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de Grande influência"
Na próxima semana:
A história vista pelas nossas televisões

Finito

Agora que a FIFA entregou o Mundial de 2018 à Rússia, vão acabar as dicussões em torno do TGV?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um apelo ao boicote

O trio do costume chumbou na AR o projecto do PCP que pretendia tributar já este ano os dividendos, a que algumas empresas habilmente fugiram antecipando a sua distribuição.
Não acuso exclusivamente o partido do governo e os seus dois aliados pela recusa em aprovar um diploma que reporia alguma justiça na repartição dos custos da crise. Compreendo que, se essa medida fosse aprovada, os hipersensíveis mercados reagiriam negativamente, porque alterar as regras a meio do jogo não é próprio de um Estado de bem.
Claro que o governo e os pendericalhos que suportam a sua política não agem com os mesmos cuidados, quando se trata de cortar nos salários da função pública ou alterar as regras das reformas, porque nesses casos os prejudicados são os trabalhadores, esses empecilhos que impedem os glutões de concretizar, ainda mais alarvemente, a sua ganância. Mas isso agora não interessa nada… Importa é lembrar que neste caso de fuga à tributação dos dividendos, quem merece mais duras críticas são empresas como a PT, a Jerónimo Martins ou a Portucel. Porquê? Porque, apesar do seu comportamento revelador de falta de ética e sensibilidade social, continuam a propalar nos seus relatórios de sustentabilidade, o compromisso com a Responsabilidade Social.
Como não há outra forma de pôr essa gente na ordem, proponho que os consumidores reajam contra a política prosseguida por estas empresas, através do boicote aos seus produtos. Deixando de se abastecer no Pingo Doce e transferindo-se da PT para outro operador. Só penalizando as empresas que nos aldrabam, poderemos ter esperança de, algum dia, elas se comportarem de forma civilizada, respeitando os consumidores que as engordam.

Alkimias de Outono

( cenário: Figueira da Foz, numa tarde soalheira de Outono)
O nome ( Alkimia) sublinhado pela palavra “creperie” chamou-me a atenção. Vinha mesmo a calhar um crepe àquela hora tardia para almoçar e ainda temperana para a janta. Entrei, resoluto. A lista contemplava apenas meia dúzia de ofertas. Variedade escassa para uma “creperie”, mas enfim... decidi-me por um crepe tropical ( fiambre queijo e ananás) .
A proprietária, senhora idosa, franziu o sobrolho e perguntou:
- Não prefere um Florestal?
Remirei a lista, mas os ingredientes não me despertaram qualquer salivar . As papilas gustativas mostravam-se indiferentes à proposta.
- Não, prefiro mesmo o Tropical.
A sexagenária hesitou e depois, enfrentando-me “olhos nos olhos” disse de sua justiça:
- Esse não lho posso fazer. Sabe, tinha que abrir uma lata de ananás e depois, se não vierem mais clientes pedir um igual , fico com a lata aberta e tenho que a deitar fora. É muito prejuízo!
Apreciei a sinceridade da senhora ( poderia ter dito simplesmente que não tinha ananás e o assunto ficava por ali). Optou por ser sincera mas, ao mesmo tempo, pôs-me a reflectir sobre a realidade dos negócios familiares em Portugal. Falta profissionalismo, sobra ganância e subsidiodependência. Não é assim que vamos lá...

Danúbio Azul



Naquele triplo bailado de Falcão, fazendo balançar o véu da noiva em paisagem de neve vienense, não foi apenas a gloriosa vitória de 1987, com o efabulado toque de calcanhar de Madjer, que recordei. Foi também uma manhã de Dezembro de 87,em Tóquio, que levou o azul e branco ao pedestal mais alto das vitórias alguma vez alcançadas por equipas lusas, perante os bravos uruguaios do Peñarol.
Talvez seja provinciano, quiçá bairrista, mas se alguém que não vista de azul e branco a sua paixão, fizer prova de uma outra conquista tão gloriosa nos anais da futebolíada lusa, reconhecerei humildemente o meu provincianismo tripeiro.
O adversário de ontem era fracote, é certo, mas foi graças a ele que recordei Artur Jorge e o Danúbio. Sempre azul! E também branco, como a bandeira azul-celeste da minha Argentina.

Pelo país dos blogs

Adoro folhear este Bloco de Notas, à Beira Tejo

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Deixa-me rir!

Os senhores do FMI- com quem Pedro Passos Coelho, seguindo o estilo de Miguel de Vasconcelos, diz estar dipsonível para governar- defendem que a principal causa da crise que estamos a viver é fruto das desigualdades sociais e da injusta disribuição de riqueza promovida pelos Estados.
Curiosa esta postura do FMI que, nos países onde é chamado a intervir, tem precisamente contribuído para o aumento dessas desigualdades, aplicando a receita da diminuição das despesas sociais do Estado e aumentando a riqueza das empresas. Bem prega Frei Tomás...