
Talvez vos pareça injusto incluir o Pai Natal nesta caderneta de cromos. Na opinião de alguns, seria muito mais apropriado nomear Cavaco Silva, como recompensa pelas tristes declarações a propósito da proposta de lei do PS sobre o casamento dehomossexuais. Fiquem sossegados os desiludidos. O Pai Natal também fala para as câmaras enquanto come bolo rei e não faltarão oportunidades para nomear Cavaco. Há ainda outra semelhança entre o Pai Natal e Cavaco Silva. O primeiro é um dos grandes responsáveis pela transformação do Natal em festa do consumo e o segundo, na campanha eleitoral de 1987,disse aos portugueses que se não votassem nele, lá se iam os frigoríficos e as máquinas de lavar!
De qualquer modo, não é o Pai Natal genuíno, aquele que faz as delícias de muitas crianças, que eu incluo nesta caderneta. São os cromos mal amanhados, responsáveis pela proliferação de “Pais Natal”, que justificam a escolha. Entrar numa loja, num restaurante, ou num supermercado e ver os empregados com barretes do Pai Natal desprestigia a imagem de uma figura que devia ser mais preservada. Claro que há excepções. Se, por exemplo, encontrar uma empregada assim mascarada, ainda sou capaz de a convidar para cear comigo no dia 24…

Agora tropeçar em Pais Natal em cada esquina é contrafacção e isso é uma coisa que me irrita. Prefiro figuras genuínas, sem réplicas, como a que escolhi para
figura da semana. É ela que personifica, efectivamente, o espírito do Natal.