quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pai Natal no Facebook?

Em Natais anteriores, escrevi aqui no Rochedo cartas ao Pai Natal, enviei cartões de boas festas e até lhe escrevi um e-mail, alguns SMS e alguns post-it. Este ano não o fiz, porque me disseram que o Pai Natal agora anda pelo Twitter e pelo Facebook e é nessas redes sociais que devemos formular os nossos pedidos. Não estou para aí virado. Assim, convido-vos a ler o e-mail que escrevi ao Pai Natal em 2007, que a maioria dos leitores do Rochedo não terá tido oportunidade de ler. Basta clicar aqui

A solução da pirâmide invertida


É sempre assim… no princípio da segunda semana das Cimeiras, quando começa o período das negociações políticas e entram em acção ministros e chefes de Estado, surgem as notícias de um eventual fracasso. Como já aqui disse, sou “burro velho” nestas andanças e já deixei de dar importância aos jogos de bastidores em que cada uma das partes procura transmitir a ideia de que não está disposta a fazer mais cedências. Faz parte de uma estratégia de negociação paralela , em que a comunicação assume um papel determinante. Admito que a assinatura de um acordo vinculativo, tão necessário e urgente, venha a ser postergada para 2010, mas não me passa pela cabeça que no final a Cimeira se salde num rotundo fracasso.
Para já, há dois países que me estão a surpreender: Canadá e Rússia. O primeiro pela intransigência que vem manifestando mas que, bem vistas as coisas, não é de todo inesperada, já que nos últimos anos vem recuando sistematicamente em medidas pró –ambiente, aproximando-se dos EUA na tese da salvaguarda dos interesses económicos. O segundo, pelo seu silêncio. Tendo assinado tardiamente o protocolo de Quioto, a Rússia parece, desde 2000, empenhada em contribuir para a solução do problema, mas neste momento parece estar jogar na retranca, na expectativa das cedências dos EUA e também da China, que continua a fazer depender a sua proposta da posição americana. Não me espantarei se, entre hoje e amanhã, a Rússia jogar a sua cartada.
Entretanto, há um aspecto que me parece da maior relevância. Foi retomado por Schwarzenegger o conceito- que fez escola desde a Cimeira do Rio- “Pensar globalmente, agir localmente” . O governador da Califórnia lançou à ONU o repto para a realização de uma cimeira sobre o clima , centrada na s cidades. É uma ideia interessante e positiva, que releva o peso do contributo das cidades para a resolução do problema. Na verdade, para além da actividade industrial, o modo de vida urbano tem um enorme peso no cômputo global das emissões diariamente lançadas para a atmosfera. É urgente tornar as cidades mais sustentáveis, apostando num novo conceito de vida urbana que passará, iniludivelmente, por uma revolução nos transportes, redução drástica da circulação automóvel , funcionalidade dos edifícios, que devem tornar-se menos energívoros e uma nova concepção de “escritório”, incrementando o teletrabalho, que revolucionará as relações laborais.
A proposta de Schwarzenneger não é inovadora, mas vem reforçar a ideia de que as questões ambientais só serão eficazmente resolvidas , invertendo a pirâmide das decisões. Em vez de serem os governos a impor medidas, terão de ser as cidades a servir de exemplo e incentivo aos governos. Trata-se de uma aposta no efeito dominó, em que bons exemplos de cidades sustentáveis poderão exercer um efeito de contágio positivo. Uma ideia a explorar e que , na prática, retoma uma proposta lançada em Istambul no ano 2000, a que na altura se deu pouca importância, mas pode ser a chave de resolução de um problema intrincado.