
Foi difícil a escolha do cromo da semana. Tanto poderia ser um tal Ricardo, do PS, como Maria José Nogueira Pinto, ex- líder do PP, eleita deputada pelo PSD. Optei por MJNP porque ela simboliza melhor a figura do deputado do Estado Novo, convertido à pressa em democrata. Na AR democrática, os apartes são tão vulgares como beber um copo de água, mas MJNP não os suporta. Ela gosta mais dos apartes à moda antiga, onde apenas se ouvia dizer “Muito bem!”. MJNP convive mal com o confronto, como já todos sabíamos desde aquela cena macabra no Congresso do PP em que Paulo Portas retomou a liderança. Por isso achou bem chamar palhaço a um deputado que lhe lançou uns apartes numa Comissão Parlamentar. Não é que palhaço seja insulto, como já em tempos um juiz do Porto sentenciou, mas a linguagem não é própria de deputados da Nação que deveriam elevar o debate e ser um exemplo para os portugueses que lhes pagam os ordenados e as mordomias.
MJNP ( como MFL e alguns mais) estão na AR por engano. O seu perfil adequa-se mais a chazinhos com a D. Supico Pinto, onde se exalta a obra do Movimento Nacional Feminino. Numa AR democrática, fica muito mal na fotografia. Não só denigre a instituição, como as mulheres portuguesas. Há excelentes deputadas jovens na AR, em todos os partidos, e depois há cromos como a Zezinha, sempre prontas a demonstrar que não basta ter a aparência de senhora fina e nome com pedigree para se ser respeitada. Não é possível respeitar uma mulher que afirma, cheia de convicção, que dar 80 euros a um velho de 80 anos "é um insulto e um ultraje, porque vão beber cerveja e comer doces e depois são roubados pelos filhos". Eu diria que um ultraje e um insulto é ter de pagar os ordenados e mordomias a gente como MJNP mas, claro, é só uma opinião. Mesmo assim, aconselho-a a aprender alguma coisa com a figura da semana.
