sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Faîtes vos jeux, messieurs!


Termina hoje a primeira fase da Cimeira de Copenhaga. Sem surpresa, o confronto entre países desenvolvidos e em desenvolvimento marcou a agenda da primeira semana mas, ao contrário do que tem acontecido em negociações anteriores, os países ricos estão dispostos a ceder mais do que inicialmente era esperado. O problema é que os países em desenvolvimento acham pouco... Nestes dois últimos dias tem havido sinais de que talvez seja possível alcançar um acordo razoável,lançado em bases até agora pouco discutidas e de que falarei em próxima oportunidade.

Uma das maiores surpresas desta semana foi a disponibilidade manifestada pela China para reduzir drasticamente as suas emissões. Resta saber se a condição imposta aos EUA, para que a China concretize a sua proposta, será aceite por Obama. Ou melhor: pelo Senado, que terá de aprovar qualquer decisão que venha a ser tomada em Copenhaga.
Obama tem sido, aliás, um dos centros de todas as atenções nos últimos dias. A sua passagem furtiva por Oslo para receber o Nobel tem sido encarada, por alguns sectores, como um sinal de que poderá surpreender com uma proposta no dia 18, que desbloqueie previsíveis impasses. Que tem a ver o Nobel da Paz com a decisão sobre as reduções de CO2? Na opinião de alguns, mais do que possa parecer. Os efeitos negativos provocados na sua imagem, com a justificação pouco convincente de que seria necessário fazer a guerra, para conseguir a paz, poderão ser atenuadaos se Obama anunciar em Copenhaga estar disposto a dar passos concretos na redução de emissões, decisivos para um acordo.
A proposta de George Soros, incitando os países desenvolvidos a abdicarem de parte do montante que, em Agosto, o FMI lhes colocou à disposição para combaterem a recessão e o transformarem em empréstimos “verdes” que poderão ser investidos em projectos para redução de emissões nos países pobres, não teve grande aceitação por parte dos países em desenvolvimento, mas é notória a divisão de opiniões entre os delegados e observadores, nesta matéria.
Os cépticos continuam a clamar que a questão das alterações climáticas é uma aldrabice e uma conspiração científica, mas a resposta de 1700 cientistas que vieram confirmar o valor científico dos estudos realizados e defender que é uma falácia a catástrofe económica anunciada pelos conservadores, no caso de em Copenhaga serem tomadas medidas para combater as alterações climáticas, veio retirar-lhes algum espaço de manobra. Na verdade, a criação de uma “bolsa de carbono” permitirá às empresas aumentar os seus lucros, diminuindo as emissões.
A partir de segunda-feira, os ministros dos 192 países tentarão limar as arestas que obstruem a concretização de um acordo vinculativo, cujas linhas gerais foram delineadas pelos delegados, durante a primeira semana. Terão até quarta-feira para o fazer , porque na quinta e sexta-feira, o que os líderes mundiais anunciarem em Copenhaga, será fruto do trabalho e dos consensos até aí alcançados. Uma coisa é certa. Qualquer acordo que não preveja, até 2050, a redução das emissões em pelo menos 60 porcento, relativamente a 1990, e um financiamento imediato , será decepcionante.