
Foi um dos melhores secretários de estado do ambiente e defesa do consumidor que o país conheceu. Tomou medidas corajosas. Mexeu com interesses instalados, apostou na informação e formação nas áreas do ambiente e defesa do consumidor, publicou legislação relevante no âmbito dos serviços públicos essenciais, das seguradoras e de outros sectores sensíveis. Disciplinou o “time share” e as comunicações de Valor Acrescentado, motivou os funcionários dos serviços que tinha sob a sua alçada, como poucos o fizeram.
Mas o tempo e o poder têm destas coisas. Quando chegou a primeiro-ministro, parece ter esquecido tudo o que de bom fizera uma década antes. Desmotivou os funcionários públicos, criou essa figura inenarrável dos PIN ( Projectos de Interesse Nacional) que são autênticos atentados contra o ambiente, a política de defesa do consumidor passou a restringir-se a uma visão de interesses económicos que pouco ou nada tem a ver com as políticas modernas de defesa do consumidor. Em matéria ambiental, a sua ambição reduz-se, hoje em dia, às energias alternativas, o que é muito pouco para o século XXI.
Não fossem os erros sucessivos, como PM, poderia ombrear com aquele que escolhi para figura da semana. Assim, José Sócrates passa a integrar, com justiça, esta caderneta de cromos.
