segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Caderneta de cromos (7)


Foi um dos melhores secretários de estado do ambiente e defesa do consumidor que o país conheceu. Tomou medidas corajosas. Mexeu com interesses instalados, apostou na informação e formação nas áreas do ambiente e defesa do consumidor, publicou legislação relevante no âmbito dos serviços públicos essenciais, das seguradoras e de outros sectores sensíveis. Disciplinou o “time share” e as comunicações de Valor Acrescentado, motivou os funcionários dos serviços que tinha sob a sua alçada, como poucos o fizeram.
Mas o tempo e o poder têm destas coisas. Quando chegou a primeiro-ministro, parece ter esquecido tudo o que de bom fizera uma década antes. Desmotivou os funcionários públicos, criou essa figura inenarrável dos PIN ( Projectos de Interesse Nacional) que são autênticos atentados contra o ambiente, a política de defesa do consumidor passou a restringir-se a uma visão de interesses económicos que pouco ou nada tem a ver com as políticas modernas de defesa do consumidor. Em matéria ambiental, a sua ambição reduz-se, hoje em dia, às energias alternativas, o que é muito pouco para o século XXI.
Não fossem os erros sucessivos, como PM, poderia ombrear com aquele que escolhi para figura da semana. Assim, José Sócrates passa a integrar, com justiça, esta caderneta de cromos.

Brites sonha nas alturas

Ontem, à chegada ao aeroporto para apanhar o avião que me trouxe a Copenhaga, na companhia do Sebastião, deparei com uma manifestação. Entre as pessoas que exibiam cartazes muito imaginativos como “Sócrates para a rua” encontrei um,empunhado por uma senhora com boina à Che Guevara e uma t-shirt estampada com o rosto do grande líder , onde se podia ler: “Abaixo a Filosofia, o futuro é da Economia”.
Apesar dos protestos do Sebastião, não resisti à curiosidade e fui ver quem liderava a manif . Para minha grande surpresa, percebi que era a nova líder da extrema esquerda, a Dona Manuela Ferreira Leite! A boina e a t-shirt ficam-lhe a matar, garanto-vos. O que a torna ridícula são as intervenções na AR ao estilo "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço!"
Ainda tentei perguntar-lhe quando é que ela deixava de apoiar e integrar nas suas listas de deputados amigos, nomes como o do arguido por actos de corrupção, António Preto, mas o Sebastião puxou-me por uma asa, gritando que estávamos atrasados para fazer o “check-in”.
Mesmo assim, ainda vi a chegada da ambulância do INEM, que vinha recolher doentes de Alzheimer. A D. Manuela, estrebuchando com um Magalhães na mão, garantia que não era nada com ela e, se alguém tivesse dúvidas, telefonasse para o amigo Aníbal.
Ao ver aquele espectáculo, o Sebastião apenas disse:
-Coitada da D. Manuela! Destruiu o partido e agora, por vingança, quer destruir o país.
Neste momento fui acordada pela hospedeira perguntando-me o que queria beber com a refeição.
Que chatice! Logo havia de ser acordada, no momento em que ia ter o supremo gozo de ver a D. Manuela aliada ao Bloco de Esquerda…