quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Brites e os segredos dos famosos (3)

Quem viu o Superman e quem o vê! Acabou de completar 71 anos e vejam lá quem é que ele vos faz lembrar. Se não fosse a barriga, diria que era o Pinto da Costa. Terão sido separados à nascença?

Rochedo das Memórias (122) - O 25 de Novembro de 75


Enquanto em Lisboa o jovem maoísta Durão Barroso fazia tirocínio no MRPP para líder europeu do século XXI, com discursos apopléticos em RGA’s - onde se exigiam passagens administrativas para os estudantes revolucionários - e investidas ao mobiliário da Faculdade de Direito, eu assinava no Porto, na véspera do 25 de Novembro, o acto constitutivo de uma cooperativa que apostava na formação dos portugueses e na criação de cooperativas de serviços, para combater o desemprego. O PREC não se fazia apenas na rua, nem falava a uma só voz... até havia um governo a fazer greve!
O dia 25 de Novembro deveria ter sido o dia do arranque, de trabalho intenso, mas as notícias vindas de Lisboa desassossegaram-nos. Não tenho qualquer pejo em afirmar que, pela primeira vez na minha vida, tive medo. A guerra civil parecia inevitável. Pensei meter-me ao caminho com um grupo de amigos e rumar a Lisboa. Saíra em Setembro da tropa, em pleno Verão quente de 75, o sangue fervia-me nas veias, se a guerra civil rebentasse eu queria estar em Lisboa e não no Porto, onde os principais líderes partidários se haviam refugiado uns dias antes, amedrontados com a hipótese da tomada de Lisboa, pelo Partido Comunista e algumas forças de esquerda. Já com o carro pronto a arrancar fomos dissuadidos, com o argumento de que havia barricadas na estrada e não conseguiríamos chegar a Lisboa.
Foi por isso no Porto, com um ouvido colado à rádio e outro ao telefone, que fui sabendo as notícias possíveis. Quando tudo acabou tinha a certeza que assistira, à distância, ao último acto da Revolução de Abril. Três meses depois abandonaria definitivamente o Porto, para não mais voltar. O 25 de Abril terminara naquela manhã de terça-feira.
Não vou fazer aqui juízos de valor, para não correr o risco de ser mal interpretado. Lembro apenas que tudo começou a 7 desse mês, quando os estúdios da Rádio Renascença, na Buraca, foram atacados à bomba, a mando do Governo Provisório. Aquela que fora no tempo do Estado Novo a rádio da Igreja Católica, era na época a rádio rebelde e o governo decidiu silenciá-la. Perante os aplausos de alguns que hoje acusam o governo de querer acabar com a liberdade de expressão e silenciar a comunicação social “livre”( risos)
No dia 26 de Novembro, o "Le Monde" perguntava:
"Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à ‘Couraçado Potemkine’?"
Há muitos "mitos" à volta do 25 de Novembro e a verdadeira História está ainda por contar. Pretendeu resumir-se tudo a uma luta entre a democracia e o totalitarismo esquecendo, como sempre, que a vida não é a preto e branco. Hoje, o que se sabe, é que do 25 de Novembro emergiram,como heróis, alguns vultos pardos e foram acusados de cobardia outros que, pela sua postura, evitaram aquilo que poderia ter sido um banho de sangue. A História tem destas coisas. É (quase) sempre feita pelos vencedores e só muitos anos mais tarde se sabe toda a verdade.
Escrevo este post na noite de segunda-feira, quase no final do Prós e Contras. Perante a discussão inflamada sobre o comportamento dos agentes da justiça no processo "Face Oculta", houve momentos em que tive vontade de rir e outros em que fui assaltado pela fúria. Dei o assunto por encerrado quando me lembrei que estava em vésperas do 25 de Novembro. Alguns dos vencedores de 75 ainda não estão satisfeitos. Não lhes chegou a vitória, querem aniquilar os vestígios de democracia que ainda restam. Têm, em alguma comunicação social, aliados de peso. Cuidado com eles!

Gostei de ler...

Voando