quarta-feira, 11 de novembro de 2009

2012: Apocalipse ou Redenção?


Estreia amanhã em Portugal um filme que vai, certamente, dar muito que falar. Realizado pelo alemão Roland Emmerich, “2012” retoma a velha, mas ciclicamente recuperada, previsão do Fim do Mundo. Depois do falhanço das anteriores previsões, o realizador alemão traz a teoria para as telas, num argumento baseado no calendário Maia que prevê o fim do mundo para o dia 21 de Dezembro de 2012.
Antes de continuarem a ler, quero descansar-vos. Há uns meses, num trabalho de pesquisa sobre os calendários das diferentes civilizações, descobri que a interpretação está errada. Explicarei adiante porquê, mas antes farei uma brevíssima incursão ao conceito de medição do tempo dos Maias.
Todas as civilizações delimitam o tempo entre passado e futuro. Todas… não. A civilização Maia tinha uma concepção de tempo que se confundia com o espaço e se desenvolvia em ciclos repetitivos. De acordo com os analistas, os Maias criaram o calendário mais preciso da História, conseguindo fazer cálculos precisos da rotação da Terra e dos ciclos lunar e solar. Os Maias acreditavam que, conhecendo o passado e aprendendo com ele, poderiam transportar os acontecimentos para idêntico dia do ciclo futuro. Cada ciclo durava 52 anos e era o resultado da combinação do calendário solar (Haab) com a duração de 365 dias e meio e do calendário religioso ( Tzolkin) com a duração de 260 dias.
A verdade é que o calendário Maia- que se sabe hoje, era um calendário ainda inacabado- se desenvolvia em Grandes Ciclos, prevendo com extremo rigor as datas dos eclipses solares e lunares e mesmo a destruição da sua própria civilização. No entanto- e aqui labora o grande erro de “2012”- os Maias não previram, nunca, um fim do mundo, um Apocalipse que exterminasse a vida à face da Terra. Como, aliás, resulta óbvio da sua própria concepção circular do tempo. Mas não é só isso que invalida a tese catastrofista de “2012”. Como é sabido, quando os espanhóis dizimaram os Maias, destruíram todos os livros que encontraram (Pois é, os Descobrimentos foram o primeiro passo para a globalização, mas logo aí se percebeu que globalização era sinónimo de destruição e o progresso não encaixava com preservação da cultura e História de outras civilizações, mas sim com a imposição da vontade de quem dominava o mundo e pretendia apagar os vestígios de outras culturas, ainda que mais avançadas. Bem, mas isso faz parte de uma outra “estória”). Ora, curiosamente, no pouco que sobrou, não se encontra uma única referência ao que acontecerá depois de 2012, data em que termina o calendário Maia, com o fim do quinto Grande Ciclo- aquele em que actualmente nos encontramos.
É a inexistência de uma previsão quanto ao que acontecerá no fim deste Ciclo ( em 21 de Dezembro de 2012) que tem alimentado muitas especulações, transpostas para livros, que enriqueceram alguns dos seus autores. Agora, um cineasta decidiu explorar o filão e, com um orçamento de 150 milhões de euros e a campanha publicitária mais cara da história do cinema, promete pôr o mundo em polvorosa.
No que a maioria dos “especialistas” concordam é que em 21 de Dezembro, de 2012, alguma coisa de importante ocorrerá no Universo, que mudará a vida na Terra. Só que houve uns desmancha-prazeres que, em 2007, apresentaram uma nova teoria. Afinal, a interpretação do calendário Maia, incorre num erro de 4 anos, pelo que o anunciado Apocalipse deveria ter ocorrido em 21 de Dezembro de 2008. Sabem o que aconteceu em Dezembro do ano passado, para além do habitual solstício do dia 21 e da tradicional ceia de Natal da noite de 24? Nem mais nem menos do que a prisão de Bernard Madoff, o maior responsável pela crise financeira do planeta depois de 1929, condenado em Junho a 150 anos de prisão pela justiça americana que é um “bocadinho” mais célere do que a nossa.
Assim sendo, talvez já tenhamos entrado numa nova era pós-capitalismo selvagem e ainda não nos apercebemos. Sejamos optimistas. O futuro pode ser risonho. Pelo menos para Roland Emmerich que vai certamente enriquecer com esta sua obra de ficção.

Sebastião e as florestas

A importância da floresta nos equilíbrios ambientais é vital. As florestas têm uma função de “esponja” por ocasião das estações das chuvas, reduzindo os efeitos das inundações. Constituem, além disso, uma fonte de diversidade genética que é objecto de cobiça por parte das empresas de biotecnologia.
Quer se fale de florestas boreais, temperadas ou tropicais, elas são os pulmões verdes da Terra, ainda não explorados industrialmente, mas que já só representam 7 por cento da área do planeta. E continuam a ser devastadas, pois em cada ano desaparecem cerca de 10 milhões de hectares, à razão de um campo de futebol em cada dois segundos.
Um dos casos mais terríveis é o da Indonésia, que já perdeu cerca de 75 por cento das suas florestas originais.A tomada de consciência do problema por parte dos consumidores será decisiva .Sondagens indicam que 62 por cento dos americanos são de opinião que as empresas não deviam utilizar ou vender madeiras provenientes de florestas antigas. Em França, um inquérito revela que 92 por cento dos cidadãos estariam dispostos a pagar mais por produtos que respeitassem o ambiente. No entanto, apesar desta tomada de consciência, só a generalização de um sistema fiável e independente de certificação pode inverter a tendência que hoje é dominante. A dificuldade consiste em conciliar uma política de transparência dos fornecedores com a aquisição de madeiras cuja origem e método de produção seja conhecido. Com efeito, só um dispositivo que permita seguir o percurso de um produto até à matéria-prima que o origina poderá anular contratos com fornecedores que se recusem a aceitar estas regras.
Começa a ganhar forma um movimento de eco-certificação que, no entanto, ainda é bastante incipiente. No final do ano 2000, a certificação abrangia menos de dois por cento da superfície florestal mundial, ou seja, 80 milhões de hectares, quase inteiramente localizados nos Estados Unidos, Finlândia, Noruega, Suécia, Canadá, Alemanha e Polónia. Durante esta década, a situação manteve-se praticamente inalterada.... Por outro lado, cerca de 90 por cento das florestas situadas em países industrializados são exploradas de acordo com um plano de gestão, enquanto nos países em desenvolvimento essa percentagem é de uns escassos 6 por cento.
Os principais responsáveis por este descalabro são, segundo as organizações ambientalistas, as 150 empresas, na maioria multinacionais, que dominam o mercado mundial de produtos florestais. Na sua maior parte recusam as premissas de um rótulo ecológico para os seus produtos, e muitos especialistas interpretam essa posição como o sinal de uma recusa em explorar novas variedades de madeiras não ameaçadas pela desflorestação. De facto, a maioria das madeiras exóticas ou tropicais que são alvo de uma exploração excessiva são fáceis de trabalhar para fabricar objectos tão comuns como portas, janelas ou móveis. Optar pela exploração de outras madeiras implica uma transformação mais complexa que exigiria novos investimentos de capital. Porque haveriam de fazê-lo se é mais fácil continuar a delapidar, sob o olhar indiferente da opinião pública, recursos florestais que, a prazo, podem transformar o planeta num imenso deserto?

Gostei de ler...

A face oculta está em cada um