
Estreia amanhã em Portugal um filme que vai, certamente, dar muito que falar. Realizado pelo alemão Roland Emmerich, “2012” retoma a velha, mas ciclicamente recuperada, previsão do Fim do Mundo. Depois do falhanço das anteriores previsões, o realizador alemão traz a teoria para as telas, num argumento baseado no calendário Maia que prevê o fim do mundo para o dia 21 de Dezembro de 2012.
Antes de continuarem a ler, quero descansar-vos. Há uns meses, num trabalho de pesquisa sobre os calendários das diferentes civilizações, descobri que a interpretação está errada. Explicarei adiante porquê, mas antes farei uma brevíssima incursão ao conceito de medição do tempo dos Maias.
Todas as civilizações delimitam o tempo entre passado e futuro. Todas… não. A civilização Maia tinha uma concepção de tempo que se confundia com o espaço e se desenvolvia em ciclos repetitivos. De acordo com os analistas, os Maias criaram o calendário mais preciso da História, conseguindo fazer cálculos precisos da rotação da Terra e dos ciclos lunar e solar. Os Maias acreditavam que, conhecendo o passado e aprendendo com ele, poderiam transportar os acontecimentos para idêntico dia do ciclo futuro. Cada ciclo durava 52 anos e era o resultado da combinação do calendário solar (Haab) com a duração de 365 dias e meio e do calendário religioso ( Tzolkin) com a duração de 260 dias.
A verdade é que o calendário Maia- que se sabe hoje, era um calendário ainda inacabado- se desenvolvia em Grandes Ciclos, prevendo com extremo rigor as datas dos eclipses solares e lunares e mesmo a destruição da sua própria civilização. No entanto- e aqui labora o grande erro de “2012”- os Maias não previram, nunca, um fim do mundo, um Apocalipse que exterminasse a vida à face da Terra. Como, aliás, resulta óbvio da sua própria concepção circular do tempo. Mas não é só isso que invalida a tese catastrofista de “2012”. Como é sabido, quando os espanhóis dizimaram os Maias, destruíram todos os livros que encontraram (Pois é, os Descobrimentos foram o primeiro passo para a globalização, mas logo aí se percebeu que globalização era sinónimo de destruição e o progresso não encaixava com preservação da cultura e História de outras civilizações, mas sim com a imposição da vontade de quem dominava o mundo e pretendia apagar os vestígios de outras culturas, ainda que mais avançadas. Bem, mas isso faz parte de uma outra “estória”). Ora, curiosamente, no pouco que sobrou, não se encontra uma única referência ao que acontecerá depois de 2012, data em que termina o calendário Maia, com o fim do quinto Grande Ciclo- aquele em que actualmente nos encontramos.
É a inexistência de uma previsão quanto ao que acontecerá no fim deste Ciclo ( em 21 de Dezembro de 2012) que tem alimentado muitas especulações, transpostas para livros, que enriqueceram alguns dos seus autores. Agora, um cineasta decidiu explorar o filão e, com um orçamento de 150 milhões de euros e a campanha publicitária mais cara da história do cinema, promete pôr o mundo em polvorosa.
No que a maioria dos “especialistas” concordam é que em 21 de Dezembro, de 2012, alguma coisa de importante ocorrerá no Universo, que mudará a vida na Terra. Só que houve uns desmancha-prazeres que, em 2007, apresentaram uma nova teoria. Afinal, a interpretação do calendário Maia, incorre num erro de 4 anos, pelo que o anunciado Apocalipse deveria ter ocorrido em 21 de Dezembro de 2008. Sabem o que aconteceu em Dezembro do ano passado, para além do habitual solstício do dia 21 e da tradicional ceia de Natal da noite de 24? Nem mais nem menos do que a prisão de Bernard Madoff, o maior responsável pela crise financeira do planeta depois de 1929, condenado em Junho a 150 anos de prisão pela justiça americana que é um “bocadinho” mais célere do que a nossa.
Assim sendo, talvez já tenhamos entrado numa nova era pós-capitalismo selvagem e ainda não nos apercebemos. Sejamos optimistas. O futuro pode ser risonho. Pelo menos para Roland Emmerich que vai certamente enriquecer com esta sua obra de ficção.
