terça-feira, 10 de novembro de 2009

Olha que giro!




«No entanto, se era uma ditadura do proletariado,"não era tudo preto ou branco". Eu era feliz, e não quero esquecer esses 35 anos da minha vida».
Imaginem quem disse estas palavras. Um agente da Stasi? Frio!
Não puxo mais pelos vossos neurónios. Quem disse isto foi a chanceler alemã Angela Merkel, que viveu na RDA de 1954 a 1989. ( Obrigado ao Vítor Dias, Tempo das Cerejas, por me ter lembrado).
Depois de ler tantas opiniões, tantas reportagens, tantos posts sobre o Muro de Berlim e constatar que a maioria das pessoas só consegue analisar as coisas, do lado de cá, estas palavras da chanceler alemã foram um autêntico bálsamo para os meus ouvidos.
Aprendi, em pequenino, que se o Criador nos deu dois olhos, foi para nos permitir ver tudo em duas perspectivas. Já adolescente, estudante de Direito, aprendi a descobrir o lado bom dos criminosos e o lado mau das suas vítimas. Uma das primeiras coisas que aprendi no jornalismo, foi que a notícia tem sempre duas faces. Infelizmente são princípios que se perderam ao longo do tempo, especialmente quando a informação passou a ver o mundo, apenas pelos olhos do ocidente e a descobrir inimigos em toda a parte.
O que ontem escrevi aqui e no Delito de Opinião, pretendia apenas chamar a atenção para o perigo de ver o mundo apenas de um lado. Alguém quer impôr o pensamento único mas, pessoalmente, não estou interessado. Quero ser livre para pensar e poder ver os diversos ângulos de uma situação.
Há quatro pontos cardeais, cada um deles tem a sua razão de existir. O arco íris tem sete cores, não apenas uma. E se os períodos de 24 horas se dividem entre noite e dia, nem todos os dias está sol, nem todas as noites o céu está estrelado. Foi essa reflexão, e esse alerta que quis deixar ontem, nos posts que escrevi ao longo do dia.
Nota: “As cruzadas vistas pelos Árabes”, de Amin Malouf, é um excelente livro que nos permite uma séria reflexão sobre o modo de ver o mundo.

Gostei de ler...

Discurso (pouco) secreto na montanha.