quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ljubliana revisitada

Cheguei a Ljubliana numa tarde tórrida de Junho, com a temperatura a rondar os 40º. Saíra de manhã cedo de Split, na Croácia, preparado para perder algumas horas na fronteira. As longas filas de automóveis que encontrei faziam, porém, o caminho no sentido inverso. Eram às centenas os carros de turistas alemães, italianos, austríacos, húngaros e checos, em demanda das praias da costa croata. Alguns levavam barcos atrelados e o seu destino seria muito provavelmente a ilha de Hvar ou uma das centenas de ilhas ainda por descobrir pelo turismo de massas, ao largo da costa adriática.
As formalidades na fronteira foram rápidas. Pouco mais de 10 minutos. Decidi, por isso, visitar as maravilhosas grutas de Postojna e o castelo de Predjama de onde se desfruta uma paisagem invejável de matizes verdes, impecavelmente limpas e tratadas. Agradeci mil vezes à recepcionista do hotel em Split, que me aconselhou a alugar um carro com ar condicionado pois, em virtude da diferença de preço, estava tentado a prescindir desse luxo . Teria certamente esturricado durante a viagem tal era a canícula que se fazia sentir.
Como disse, cheguei a Ljubliana perto do final da tarde. Tempo para ir ao hotel , tomar um duche e apanhar o elevador até ao castelo, de onde se pode abarcar uma magnífica vista da pequena capital eslovena. Lá em baixo, o rio Ljublinica , a ponte dos Dragões , a ponte Tripla, a praça Preseren e gente. Muita gente, maioritariamente jovem, sentada nas esplanadas, desfrutando a leve brisa que começara a soprar .
Desci em direcção ao centro histórico. Sentei-me numa esplanada a programar as visitas do dia seguinte, porque Ljubliana é uma cidade rica de cultura. Comi um Cevapi e fui entrando em vários bares. Pelo prazer da descoberta.
Acabei por me sentar num bar com menos bulício, onde a música me agradou. Sem perceber muito bem como, ao fim de pouco tempo estava a conversar com meia dúzia de pessoas. A noite estendeu-se para além do que previra e, no regresso ao hotel, não pude deixar de fazer uma viagem ao passado.
Tinham passado mais de 20 anos sobre a minha passagem por Ljubliana. Na altura ainda era apenas uma pequena cidade da Jugoslávia e o meu destino era Split. O contraste é gritante. Hoje, a capital da Eslovénia é uma cidade cosmopolita, transbordante de alegria, onde a juventude parece maioritária. Tão diferente desta Ljubliana que conheci nos anos 80…

Força na verga!


Afinal em que ficamos… sacos de plástico ou de papel?
Eu diria que nem uns nem outros, porque ambos têm os seus inconvenientes.Os sacos de papel, embora biodegradáveis, são feitos a partir de fibras extraídas da madeira. O seu fabrico exige grande consumo de água e energia. Por outro lado são pouco resistentes ao calor, facilmente inflamáveis e degradáveis, facilmente permeáveis à água. Mesmo os sacos de papel reciclado apresentam os seus inconvenientes.
Quanto aos sacos de plástico, cuja utilização já foi proibida em países como Irlanda, têm como principais inconvenientes serem produzidos a partir de derivados de produtos petrolíferos, (como a resina virgem, cuja queima é uma das causas do aquecimento global) e não serem biodegradáveis. Por outro lado, muitas vezes os sacos trazem os logotipos das empresas que os fornecem, contendo corantes, estabilizantes e matérias plastificantes.
O abandono de sacos de plástico, na natureza, provoca também diversos inconvenientes sendo porventura os mais dramáticos, o retardamento da decomposição de materiais biodegradáveis e a possibilidade de provocarem entupimentos em bueiros (sarjetas) que podem originar cheias. Por outro lado, quando “desaguam” no mar contaminam os peixes e lançados a céu aberto são responsáveis, anualmente, pela morte de milhares de animais. É que os sacos de plástico também são uma atracção para muitos animais que não resistem a dar-lhes umas dentadas, acabando por morrer sufocados.

Qual é então a alternativa? Nada mais , nada menos, do que recuperar as tradições dos nossos avós e utilizar os sacos de verga. Há sacos de verga lindíssimos e a sua utilização poderia contribuir para reanimar uma actividade artesanal quase em vias de extinção. Mas como os produtos que compramos não devem ser espalhados arbitrariamente dentro de cestos de verga, porque não utilizar sacos de pano?
Lembro-me de a minha irmã, com a preciosa ajuda da minha mãe, fazer uns lindíssimos sacos de pano, onde bordava, em ponto de cruz, motivos variados, indicando os produtos que neles deviam ser transportados ( pão, fruta, bolos, etc). Depois vendia-os e o comprador ainda tinha direito a ver bordado o seu nome. Portanto, meus amigos e amigas, força na verga e criatividade em acção.
Recuperar antigas tradições pode ser divertido, amigo do ambiente e, ainda por cima, permitir ganhar uns trocados. Já agora, porque não aproveitar a ideia para presentes de Natal?
Se quiserem sugestões, façam uma visita a estas vizinhas.

Gostei de ler

Heimlich, no Jugular