terça-feira, 3 de novembro de 2009

Embalagem rima com imagem



Haveria muito a dizer sobre os “truques” utilizados na embalagem para seduzir os consumidores. Voltarei ao assunto mas, por agora, interessa responder à pergunta que ontem lancei aqui: porque razão é a embalagem inimiga do ambiente?
Cada português produz, anualmente, mais de 400 quilos de lixo, sendo que mais de metade é constituído por embalagens. São sacos de plástico, o papel que embrulha o fiambre, as embalagens de esferovite da carne ou peixe pré-embalados, os pacotes de leite e sumos, a lata do refrigerante ou da conserva, a pizza, o hambúrguer, a refeição pré-cozinhada e pré- embalada, os papéis de embrulho com que alindamos os presentes, enfim, uma vasta parafernália de desperdício.
A embalagem não é,porém, apenas poluente como produto final, isto é, no momento em que nos desfazemos dela. Antes de aparecer nos escaparates e a recolhermos, para durante algum tempo a albergarmos em nossas casas e depois nos despedirmos dela junto ao caixote do lixo, já a embalagem provocou danos apreciáveis.
O seu impacte ambiental começa na exploração das matérias primas como o petróleo ou o ferro, as florestas que se abatem ou as jazidas a céu aberto e a energia que se consome na sua produção.
Depois de utilizada e se tornar imprestável, a embalagem atirada para o lixo vai libertar substâncias tóxicas que vão infiltrar-se nos lençóis freáticos e poluir as reservas de água potável.
Cada um de nós pode contribuir para a redução do impacte ambiental provocado pelas embalagens. Como? É fácil…
Reduzindo o consumo de muitas destas embalagens e optando por embalagens reutilizáveis. Comprando líquidos em recipientes de vidro ( material reciclável) em detrimento de embalagens de plástico; eliminando os sacos de plástico quando vamos ao supermercado, à farmácia, à livraria, etc.; tendo atenção às características da embalagem. Quer quanto ao material de que é feito, quer quanto às suas dimensões.
Quando compramos determinados produtos( especialmente detergentes, bebidas, perfumes e cosméticos) vale a pena prestar atenção ao facto de muitas das embalagens serem de tamanho desproporcionado para o conteúdo, sendo o seu único objectivo iludir os consumidores. Com isso se desperdiça matérias primas e encarece o produto. Uma recusa de compra desses produtos, ainda que por um curto espaço de tempo, é uma forma eficaz de obrigar as empresas a repensarem o embalamento dos seus produtos.
Felizmente, há cada vez mais empresas preocupadas em acondicionar os seus produtos em embalagens sustentáveis ( com menor impacte ambiental) ,porque uma empresa que proclama a Responsabilidade Social e se promove como “amiga do ambiente”, não pode praticar o desperdício.Mas nem todas agem assim. Devemos denunciar as empresas que, embora proclamem a RS, continuam a utilizar a embalagem como imagem de venda do produto, sem cuidar da sustentabilidade, e convencer os nossos amigos a recusar os produtos de uma empresa que nos mente.
Aproxima-se o Natal, época de desperdício por excelência. Reparem em vossas casas, quando termina a distribuição dos presentes, no amontoado de caixas, papéis, plásticos ou esferovite que se acumulam na sala e aproveitem para reflectir sobre tamanho desperdício. É certo que embalagem rima com imagem e um presente bem encadernado parece logo mais bonito, mas é importante que, neste mundo onde mais vale “parecê-lo” do que “sê-lo”, demos o nosso contributo para mudar essa mentalidade. Para poluir o ambiente, já são suficientes as pessoas muito bem produzidas que, depois de “desembrulhadas”, se revelam decepcionantes.

Ó freguês, atão a taxa?



Em 2001, quando alguns bancos se lembraram de aplicar uma taxa sobre as operações realizadas pelos consumidores nas caixas multibanco, a ideia só não avançou, porque a Caixa Geral de Depósitos se opôs ( Digam lá se às vezes não dá jeito ter bancos do Estado…)
Agora, a reboque da Directiva comunitária que permite aos comerciantes cobrar uma taxa aos consumidores que efectuem os seus pagamentos, com cartões de débito /crédito, é de esperar que os bancos voltem a insistir na aplicação dessa taxa.
Se a medida for para a frente, os consumidores correm o risco de a ver alargada a outras empresas. Aqui deixamos algumas sugestões a empresários de diversos sectores, para a criação de novas taxas a aplicar nesta maravilhosa economia libertária onde vale tudo:

EDP- Taxa por cada vez que ligar um interruptor
EPAL – Taxa por cada vez que abrir a torneira
GDP- Taxa por cada vez que ligar o esquentador
TV CABO- Taxa por cada vez que mude de canal, agravada com uma sobretaxa especial para os casos dos canais a que só se tem acesso mediante pagamentos adicionais
Empresas de telecomunicações- Taxa por cada vez que faça uma chamada e do outro lado do fio ninguém atender, ou o número estiver interrompido.
Empresas de transportes- Redução do preço dos passes mas, em compensação, cobrança de uma taxa por cada vez que entre num autocarro ou no metropolitano.
Restaurantes e cafetarias- Taxa adicional para quem beber café com açúcar, acrescida de uma taxa suplementar, no caso de pretender sentar-se.
Comércio- Taxa por cada peça de roupa provada, agravada em 100% no caso de o consumidor não comprar nenhum produto.
Deixo à vossa imaginação e critério a aplicação de taxas a outros sectores. Por mim, fico expectante. Quero saber qual a reacção dos partidos que exigem a descida dos impostos, se a taxa pretendida pelos bancos avançar...

Tudo em Famiglia


Uma análise às listas dos diversos partidos políticos, nas últimas eleições autárquicas, leva-nos a uma conclusão desconcertante: há cada vez mais listas onde se integram pais e filhos, assegurando assim a permanência da família no poder, através de uma sucessão quase dinástica.
O PSD foi o partido que mais recorreu a esta fórmula, mas creio que nenhum estará isento deste pecadilho.
A freguesia de Santo Ildefonso, no Porto, deve ter sido, porém, aquela que bateu o recorde da consanguinidade. Com efeito, a lista vencedora (PSD/CDS),capitaneada por Wilson Faria, incluia também os nomes da mulher do presidente da Junta e dos dois filhos do casal. É obra!
Disse-me uma joaninha, que a refeição preferida naquele lar do Porto é a "Pizza Napolitana"

Gostei de ler...

Parasimpattias Aqui e ali