segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Deixa-me seduzir-te!


“Deixa-me seduzir-te!” parecem dizer as embalagens nos escaparates, quando percorremos as complicadas artérias de um hipermercado ou de um centro comercial. Latas de bolachas, pacotes de leite, frascos de perfume, garrafas de refrigerantes, caixas de bombons e uma parafernália de produtos tentam seduzir-nos através das suas roupagens enganadoras, utilizadas como estratégia de marketing para atrair a atenção dos consumidores.
Quando optamos pela compra de um produto, nem sempre nos apercebemos do poder que a embalagem tem sobre a nossa escolha. No entanto o seu efeito persuasivo não é inócuo, como o testemunha o facto de existirem revistas especializadas sobre embalagens, feiras, exposições e outros certames para a promover e ter sido criado, nos anos 90, um curso de pós-graduação em embalagens com a duração de três anos.
Para os mais cépticos, sobre o poder da embalagem nas nossas escolhas, lembro uma experiência realizada nos anos 30 do século passado ( a primeira que conheço no género).Uma garrafa com uma bebida, em duas embalagens diferentes, foi apresentada a um grupo de consumidores, omitindo-se, porém que o conteúdo era exactamente o mesmo. Uma das embalagens tinha círculos e a outra triângulos e pedia-se aos consumidores para escolher uma e justificar a opção.A maioria dos consumidores escolheu a embalagem com círculos, alegando que “parecia conter um produto com mais qualidade”. Quando provaram o conteúdo de ambas as embalagens, só 2% dos inquiridos acharam que, afinal(?), a bebida da garrafa embalada numa embalagem com círculos, era pior! Os restantes mantiveram a sua opinião inicial.
A embalagem é um vendedor incansável e omnipresente aos nossos olhos, um manipulador silencioso que nos “ajuda” a optar por determinado dentífrico, sabonete, ou marca de vinho, quando a nossa escolha não está previamente feita em função da publicidade ou de um qualquer desígnio afectivo ou consuetudinário.Algumas embalagens tornaram-se famosas e destacam-se facilmente do conjunto de mais de 10 mil que observamos em pouco mais de uma hora que demoramos a percorrer os corredores de um hipermercado. É o caso, por exemplo, das sopas Campbell’s, das velhas garrafas de Coca Cola e Pepsi, do atum Bom Petisco, do ketchup Heinz, ou dos cigarros Marlboro. Entre estas, há mesmo o caso do frasco de ketchup da Heinz, cujas dimensões obrigaram, em tempos, a “normalizar” as dimensões das prateleiras dos frigoríficos em metade do mundo.
No entanto, apesar deste efeito de sedução, as embalagens são, geralmente, um dos maiores inimigos do ambiente.Amanhã, explico porquê.

Vá a Copenhague e vote sim!

Decorrerá em Copenhague, de 7 a 18 de Dezembro, a conferência da ONU sobre o clima. Atrevo-me a dizer que desde a Cimeira do Rio, em 1992, não se gerava tanta expectativa em torno de uma conferência sobre o ambiente. No centro das discussões estará a negociação do acordo pós Quioto. Os líderes mundiais sabem o que é necessário fazer para reduzir as emissões de dióxido de carbono e evitar que o aquecimento global seja superior a 2ºC até ao final do século, mas as questões económicas poderão boicotar qualquer acordo.
Não podemos ficar de braços cruzados. As ONG farão a sua parte, na tentativa de obrigar a um acordo, mas cabe também a cada um de nós, enquanto cidadãos, cumprir os requisitos mínimos para salvar o ambienet e evitar que os nossos descendentes morram esturricados, como jaquinzinhos, neste planeta que estamos a destruir, atraídos pela fúria consumista geradora do desperdício.
A partir de hoje, tentarei sensibilizar os leitores do "CR" para a importância das suas escolhas de consumo na preservação do ambiente. Por vezes basta um gesto simples, como separar os lixos, outras é necessário ter consciência do papel decisivo que as nossas escolhas podem ter na alteração do comportamento das empresas.
Durante as próximas semanas, com a periodicidade possível, haverá no CR uma nova rubrica sobre "Ambiente", onde vou sugerir alguns temas para reflexão. Recuperando textos que tenho vindo a publicar em diversos órgãos de comunicação social, pedindo ajuda ao Sebastião para divulgar estudos, ou divulgando notícias que mereçam uma reflexão, tentarei lançar alguns alertas sobre temas relacionados com o ambiente.
Todos poderemos estar em Copenhague, unidos pela vontade de salvar o planeta. Basta que, no nosso quotidiano, ponderemos um pouco melhor as nossas escolhas, em favor de um consumo sustentável. Vá a Copenhague e vote sim à defesa do ambiente. Vote pelo consumo sustentável e pelo combate ao desperdício.




Caderneta de cromos (1)


Francisco Van Zeller
“25 euros não resolvem a vida de ninguém…” . Foi com este argumento que Francisco Van Zeller repudiou o aumento do salário mínimo proposto pelas centrais sindicais.
O presidente da CIP ( Confederação da Indústria Portuguesa) é um lídimo representante da mentalidade do patronato indígena. Mesquinhos, sem rasgo e avessos ao risco, um significativo número de empresários portugueses continua a defender que o crescimento da economia e a competitividade das empresas deve assentar na política dos baixos salários, e a esgrimir o papão de que os aumentos provocam desemprego.Uma boa parte dos empresários portugueses é subsidiodependente. Outra parte vive dos serviços que presta ao Estado, sem o qual não sobreviveria. São funcionários públicos disfarçados de empresários, que vivem do “outsourcing” e dos jogos de influência junto do poder . Van Zeller representa-os com dignidade.
Felizmente, há empresários que escapam a esta lógica. Investem, arriscam e pagam bons salários. Pena que sejam uma minoria.

Gostei de ler...

As Folhas de Outono no Há Vida em Marta