quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Brites num Rochedo Cor de Rosa

Deixaram-me sozinha aqui no Rochedo. O Sebastião foi passear com o Carlos não sei para onde e eu fiquei a tomar conta disto. Pediram-me para escrever umas coisas, mas não me tem apetecido. Estou cansada da política, não me apetece ouvir música, ler nunca foi muito do meu agrado e por isso tenho passado os dias muito chateada. Se ao menos estivesse tempo para voar…
Tinha pensado que quando chegassem nem lhes ia falar, mas esta manhã estava uma rapariga ali na praia, a ler uma revista , que me fez mudar de ideias. Primeiro só olhei para as fotografias da passarada, mas depois comecei a ler uns títulos e percebi que aquilo era cá uma conversa de comadres que me entusiasmou(!). Fiquei a saber a vida toda de muita gente que não conhecia de lado nenhum e fiquei muito curiosa para saber mais. Eu nunca tinha visto revistas daquelas, mas fiquei a saber como se chamam, porque estava eu a ler um artigo muito bonito sobre o Júlio Iglésias, quando chegou um rapaz , deu um beijo na rapariga e perguntou “Estás a ler revistas cor de rosa, môre?”. (Foi então que percebi que eram aquelas revistas que o Carlos ainda gosta menos do que de jornais desportivos e percebi logo que aqui no Rochedo nunca as vou ler) “Não, estou a ler o Proust!”, respondeu ela. (Não sei quem é o Proust, mas como eles se riram muito com a resposta dela, penso que deva ser algum humorista famoso.) Depois começaram aos beijinhos e eu ralada, porque não conseguia ler o resto do artigo sobre o Júlio Iglésias. Felizmente, passado pouco tempo ele passou as mãos por baixo do vestido dela, a revista caiu-lhe do regaço e ficou aberta na areia. Aproximei-me um bocadinho mais e aproveitei para ler mais à vontade, porque eles estavam muito distraídos.
Nem imaginam como estou excitada! É que ao ler aquelas coisas sobre pessoas tão finas e que até parece que são importantes, tive uma ideia. Como já estou farta de escrever sobre política e isto agora não vai ter interesse nenhum porque a D. Manuela se vai embora e é difícil encontrar outro como ela, gostava de escrever sobre esta gente cor de rosa. Vou propor ao Carlos que me deixe escrever, pelo menos uma vez por semana, sobre as histórias desta gente maravilhosa e cheia de "glamour".
É pena não haver nenhum cabeleireiro com vista para a rua aqui ao pé do Rochedo, porque não posso contar que o Carlos me compre as revistas. Vou ali para a janela do consultório e sempre hei-de conseguir ler alguma coisa para depois vos contar. E sabem uma coisa? Até já tenho nome para a minha rubrica. Vai chamar-se Rochedo Cor de Rosa”. Se conseguir encontar argumentos para convencer o Carlos, prometo contar-vos muitas fofocas.