terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quem com ferro mata...


Pensava escrever um post sobre o "Caso Saramago" que está a despertar discussões acaloradas. O mesmo já tinha acontecido com o "Evangelho Segundo Jesus Cristo", que deu a conhecer ao país um imprestável ser (Sousa Lara) que na altura ocupava o cargo de sub-secretário de estado da cultura.
Entretanto, ao ler este post, percebi que ali estava escrito tudo o que eu pretendia dizer. Só me apetece escrever mesmo uma coisinha. Quero saudar as palavras de Saramago, na medida em que elas permitem perceber melhor a indignação dos muçulmanos perante as caricaturas de Maomé ou os “Versículos Satânicos” de Salmon Rushdie e o que significa a liberdade de expressão para muitos dos que não poupam no ataque a Saramago.
Se estes descendentes de Adão e Eva não se tivessem manifestado contra a reacção muçulmana,com a mesma ira de Caim, acusando-os de intolerantes e fundamentalistas, eu poderia compreender as suas críticas. Assim, torna-se difícil.
Pessoalmente, creio que Saramago alcançou o que pretendia: publicidade gratuita ao livro. As suas palavras ofenderam-me tanto como as de Maité Proença em relação a Portugal: NADA.

A segunda morte dos livros?


Há dias, num comentário a um post sobre a Feira do Livro de Frankfurt no ematejoca azul , sublinhava o facto de a China ser o país convidado de honra e questionava se o convite seria bem aproveitado quer pelo Ocidente, quer pelo pais de Hu Jintao , para melhor conhecimento mútuo.
Durante o fim de semana, não vi quaisquer referências na imprensa portuguesa à feira ( embora tenha de reconhecer que não fiz grande esforço, porque quase não li jornais) mas ontem, no DN, havia uma página- com chamada de capa- dedicada ao maior certame do género que anualmente se realiza na Europa.Qual o meu espanto quando constato que sobre a participação da China, eventuais discussões durante a Feira, ou novidades esperadas no mercado português sobre a riquíssima literatura chinesa, apenas havia uma linha, mencionando o facto de a China ser a convidada de honra.O resto do espaço era reservado ao lançamento da livraria “on line” pelo Google e a essa nova estrela das novas tecnologias que dá pelo nome genéico de e-book e fez a sua aparição em Portugal a semana passada, com o Kindle.
Lê-se no artigo que o e-book foi a estrela em Frankfurt e que os livreiros prevêem que dentro de 10 anos as vendas de livros digitais ultrapassarão as vendas do livro em papel. Quanto às vendas, duvido. Creio que a pirataria será idêntica à que já acontece com a música e que fazer o download de um livro se transformará, a breve prazo, num acto tão corriqueiro como abrir a torneira da água, ou ligar o interruptor da luz.
O aparecimento do e-book talvez cumpra, finalmente, a profecia de Mc Luhan, que vaticinava o desaparecimento do livro em papel. As causas é que serão diferentes, pois os receios de Mc Luhan tinham a ver com o aparecimento da televisão, que acusava de matar o gosto pela leitura. Conclusão: não fiquei a saber nada da feira de Frankfurt, mas fiquei a saber imenso sobre o Kindle. Como, por exemplo, que o aparelho custa 250€- equivalente a mais de 10 livros. Não fiquei a saber, mas adivinho, que muita gente o vai comprar, mas isso não significa que aumente o índice de leitura dos portugueses. O prazer de adquirir a última novidade, ultrapassa em muito o prazer de ler, nesta pátria lusa.
Se quiser saber mais sobre a feira de Frankfurt, tenho duas opções. Ou espero pela Ler e pelo JL , ou vou à Internet consultar a imprensa estrangeira, enquanto me rio dos que se queixam que há cada vez menos gente a comprar jornais.
Adenda: o próximo convidado de honra da Feira de Frankfurt será a Argentina. Ó p’ra mim a lamber os beiços!

Sugestão do dia

A Regra do Jogo. É o mais recente habitante da blogosfera e desejo-lhe uma vida longa.