quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Martinha e o buraco de ozono

Olá, amigas e amigos do Rochedo, para aqueles que ainda não me conhecem, apresento-me aqui. Se seguirem a etiqueta Intromissões, podem ler todos os posts que já escrevi.
Volto hoje, a pedido do Carlos, para vos falar um bocadinho do ambiente.

Confesso-vos que em miúda não dava importância a essas coisas e achava que eram histórias para nos assustar até um dia em que me disseram que os sprays iam ser proibidos por causa de um senhor chamado Ozono que eu não conhecia de lado nenhum , mas que vi logo que só podia ser americano, porque só os americanos é que têm poder para dar ordens ao mundo.
Vocês imaginam como sofri só de pensar que ia deixar de gozar todas as manhãs o prazer de sentir as cócegas provocadas pelo desodorizante spray? E tudo por causa de um tal de Ozono que deve ser amigo do Bush?
Fiquei furiosa e pus-me a pesquisar sobre esse tal de Ozono, para lhe enviar um mail a protestar, mas nunca consegui encontrar o endereço dele. Só fiquei a saber que o problema dele era estar a alargar um buraco qualquer que, segundo percebi, devem ser as narinas, porque um dia, quando passei numa celulose perto de Aveiro, que cheirava muito mal, o Carlos disse-me “Isto é horrível para o buraco de ozono” . Bem, não sei se foi assim que ele disse, mas foi mais ou menos eu fiquei ainda mais furiosa e perguntei-lhe mas porque é que eles não fecham essa porcaria em vez de proibirem os sprays que tanta falta me fazem? O Carlos olhou para mim com aquela cara de zangado que vocês nunca viram mas eu sei como é e só não me chamou estúpida porque a minha mãe ia connosco. Mas eu é que não me fiquei e quando cheguei a casa fui fazer mais pesquisas e descobri esta notícia do meu país que me deixou preocupada:
“Milhões de chineses ficaram bloqueados com sucessivas e violentas tempestades de neve que cortaram estradas e linhas férreas em mais de metade do país. No princípio da semana havia 1,8 milhões de desabrigados, bloqueados em estações de comboio, como em Guanzhou, quando queriam voltar às suas terras para celebrar o Ano Novo Lunar chinês. O caos provocado pelo pior Inverno dos últimos 50 anos causou pelo menos 60 mortos e prejuízos de 5 mil milhões de euros;232 mil imóveis foram derrubados pelos peso da neve e 862 mil ficaram danificados. Para manter a ordem, Pequim destacou 306 mil soldados, um milhão de milicianos e 65 mil médicos”.

Apesar de já ter vindo para Portugal há muitos anos, as notícias do meu país ainda me deixam muito preocupada, por isso falei com o Carlos que me voltou a falar do tal de ozono. Foi então que lhe perguntei quem era esse gajo e o Carlos, desta vez, cheio de paciência, explicou-me tudo muito direitinho. Foi então que percebi que o Ozono não era um homem , mas uma espécie de protector da atmosfera que impede que os raios de sol nos queimem a pele quando vamos à praia. Desde esse dia comecei a pedir ao ozono, que passei a tratar por senhor embora não seja um homem , nem amigo do Bush , até parece que não gosta nada dele, para me proteger dos raios ultravioletas, para eu continuar a poder ir à praia.
Também foi a partir desse dia que comecei a querer saber tudo sobre quem andava a tratar mal o sr Ozono e que era responsável pela desgraça que ia na minha querida Pátria que é a China. Aprendi muita coisa, fiquei a saber que também nos Estados Unidos, na Índia e até na Europa, ( e se calhar em Portugal, mas não li nada sobre isso) toda a gente o trata mal. Só fico um bocadinho mais descansada, por viver em Portugal, porque parece que por aqui toda a gente trata bem o sr. Ozono, a única excepção são aqueles senhores da celulose lá de Aveiro.
O Carlos falou-me também de uns PIN que estavam a destruir o ambiente mas eu a princípio julguei que ele tivesse comido cogumelos mágicos, como é que os PIN iam sair dos chips dos cartões multibanco para fazer mal ao sr. Ozono alguém me explica? Só quando fui investigar é que percebi que os PIN afinal eram uns negócios de Interesse Nacional que este governo criou para salvar a economia, não sei se salvam, mas fiquei a saber que tratam mal o sr. Ozono e fiquei chateada, mas não posso fazer nada, por isso prontos, só espero que não façam um PIN em frente à minha janela e me tirem a minha vista do quarto para o rio Trancão que dantes cheirava sempre muito mal, mas agora tem dias em que anda mais lavadinho e fica logo com outras cores.
O meu medo é que um dia o sr.Ozono se zangue de vez e enterre a Humanidade nos escombros do seu progresso assente na desigualdade, no livre arbítrio, na indiferença e nessa tremenda vaidade de querer ter sempre mais e melhor ( ai, nem sei como consegui escrever esta frase tão bonita, deve ser dos livros que ando a ler sobre ambiente, mas adiante…).
Pronto, isto tudo para vos dizer que foi graças à proibição dos sprays que eu me comecei a interessar pelo ambiente e agora sou uma pessoa muito consciente.Diz o Carlos que me tornei uma cidadã, mas na verdade eu continuo a viver na província e acho que quando ele diz isso está a gozar comigo, mas prontos, finjo que fico muito contente. Só quero é que não aconteçam mais desgraças no mundo e na China e por isso venho pedir-vos para tratarem o sr. Ozono muito bem. Prometem?

Pronto, agora vou ter de me ir embora, porque continuo a enviar currículos para tudo o que é sítio, a ver se arranjo um emprego, mas isto não está fácil. A princípio ainda pensei que fosse por causa das pessoas que andam a tratar mal o Ozono, mas o Carlos disse-me que era de uma coisa qualquer que se chama recessão, que não sei o que é, mas sei que os senhor Primeiro Ministro não gosta que se fale disso. Pronto, eu faço-lhe vontade, não há crise! Que seja tudo a bem do sr. Ozono e de um emprego que preciso muito, porque já estou farta de trabalhar na loja de produtos chineses da minha mãe que fica lá na Lapa e um dia destes ainda vai ter de fechar, porque os portugueses não gostam de lojas de chineses, e só fazem fila todos os dias à porta da loja da minha mãe, por causa da crise.
Ah, é verdade! O Sebastião e a Brites, que davam um bom almoço lá em casa, se não fosse o Carlos estar sempre a protegê-los, já não voltam aqui hoje. Assim que me viram chegar piraram-se para longe, com medo de acabarem no tacho. Lá vou eu ter de ir ali comprar uns jaquinzinhos para o jantar. Dizem que é proibido, mas eu não acredito. Se é proibido comer, porque é que deixam pescá-los? Adeus , interessem-se por alguma coisa e cuidem do ambiente. Sejam conscientes como eu.
Beijinhos e abraços
Martinha
(Olha, deixei cair um saco de plástico no chão. Prontos, agora fica ali que me doem as costas que é um horror, quando chegar ao super peço outro).


Brites e as boas maneiras

Se o Sebastião fosse um mocho de boas maneiras, eu teria postado antes dele, mas ele não conhece essas regras dos homens e comportou-se como um bicho. Não faz mal, fica registado e na volta lá terá a paga. Mas vamos ao que interessa. Como responsável pelo economato cá do Rochedo, cabe-me dar-vos alguns conselhos. Aqui vão:
- Em casa, mantenha portas e janelas bem isoladas para evitar perda de calor e economizar energia;
- Ao comprar electrodomésticos, como frigoríficos ou máquinas de lavar, certifique-se do seu consumo de energia. Leia o rótulo energético e faça uma escolha amiga do ambiente;
- Tire o melhor partido dos electrodomésticos, fazendo uma boa utilização que lhe permita poupar energia;
- Separe os lixos e cumpra a regra dos 3 R: Reduza, Reutilize e Recicle;
- Quando conduz, evite acelerações desnecessárias, para poupar combustível;
- Mantenha os pneus com a pressão correcta, pois além de evitar o seu desgaste prematuro, poupa gasolina;
- No seu dia a dia não compre, nem consuma, peixes com tamanhos abaixo dos permitidos por lei;
- Não compre peças de vestuário fabricadas com peles de animais. Se o fizer, está a contribuir para a extinção de espécies ameaçadas;
- Não compre rochas nem corais, pois ao fazê-lo está a contribuir para a destruição dos recifes.
Voltarei mais logo, com outras dicas. Por agora, sugiro-vos uma visita à casa do lado, onde este dia também está a ser assinalado.

As perguntas do Sebastião

Vocês sabiam que:

- Uma rede de nylon perdida no mar pode levar mais de 600 anos a degradar-se?
- Milhares de animais marinhos morrem sufocados nestas redes?
- Uma “beata” atirada ao mar demora dois anos a degradar-se, um copo de plástico 50 anos e uma lata de alumínio, nunca se chega a degradar completamente?
- Todos os anos cerca de 40 milhões de toneladas de peixe são deitadas ao mar , por não terem interesse comercial?
- Cerca de 40% da água consumida em Portugal ( 1400 milhões de metros cúbicos) é desperdiçada devido à falta de eficiência das redes de distribuição?
- A água é um recurso ameaçado de extinção dentro de algumas décadas, caso não sejam tomadas medidas para racionalizar o seu uso e evitar desperdícios?
- Existe um bilião de pessoas sem acesso a água potável e dois biliões sem saneamento básico?
- A falta de acesso à água tem sido causa de várias guerras e constitui um dos factores determinantes no crescimento da pobreza?
Informação adicional: No final da manhã passará por cá a Brites, para dar alguns conselhos. Eu volto mais tarde

À guisa de introdução

Hoje é o Blog Action Day. Como avisara, o tema de hoje no Rochedo será o Ambiente. Por aqui passarão, ao longo do dia, o Sebastião, a Brites, eu próprio e talvez a Martinha ( Lembram-se dela?)

Para começo de conversa, sugiro-vos a leitura deste post. escrito em Outubro de 2007.