terça-feira, 13 de outubro de 2009

Súplica às mulheres do meu país


Explicai-me, POR FAVOR!!!!!, porque é que a maioria das mulheres que utiliza transportes públicos guarda o passe dentro da mala e na altura de passar as barreiras inicia um bailado circular, volteando a mala no identificador, até conseguir fazer coincidir o chip do passe com o olho mágico que lhe autoriza a passagem?
Porque é que em vez de trazerem os passes na mão como qualquer representante do sexo masculino, nos fazem perder tempo desnecessário? Será uma forma subliminar de marcarem o vosso direito à diferença, ou apenas um pretexto para nos chatearem?

Uma cidade enjeitada


Como todos já saberão, nasci no Porto. Já aqui expliquei a razão porque deixei a cidade e a relação de distanciamento que com ela mantive durante décadas. Na altura de regressar a Portugal, ponderei a hipótese de ir para o Porto, mas nessa altura o Porto não me quis. Não tinha trabalho para mim. Esta segunda rejeição da minha cidade, deixou-me algumas marcas e percebi que afinal a amava mais do que supunha.
Já alguém me disse que a minha relação com o Porto é semelhante à daqueles homens que amam uma mulher, mas um dia trocam-na por outra que, seja qual for a razão, os seduziu. Passado uns tempos querem voltar e, ao serem rejeitados, ficam completamente apanhados e nunca mais a esquecem.
Discordo.
Nunca rejeitei o Porto. Apenas percebi que a cidade se comportava, pelo menos em relação a mim, como aquelas mulheres muito ciumentas que querem que o namorado lhes dê tudo, mas não são capazes de dar nada em troca e, ainda por cima, passam a vida a acusá-lo de traição. O Porto não me deu nada na minha juventude. Era uma cidade demasiado cruel para um jovem que queria Liberdade. Consumia-me a vida em mexericos, padecia de um bairrismo insuportável, mas tinha uma incompreensível falta de ambição. Faltava-lhe mundo, enquistava-se em volta das suas tradições e queria moldar os jovens aos seus padrões de vida- que eu detestava.
Por isso parti.
Primeiro para Lisboa- que amei desmesuradamente- e depois para o mundo. Mas, enquanto andei por fora, pensava mais vezes no Porto do que em Lisboa. Talvez porque a minha relação com o Porto tenha deixado de ser de dependência, para passar a ser mais crítica e distanciada. Por outro lado, Lisboa era uma cidade que eu tinha descoberto, amado e possuído e não tinha segredos para mim.
Este post não tem nada a ver com política mas, enquanto escrevia, fui assaltado por esta ideia. Elisa Ferreira não perdeu as eleições, apenas por ter cometido diversos erros de palmatória imperdoáveis, como ter-se candidatado a Presidente da Cãmara do Porto, deixando ficar um pé em Bruxelas. Perdeu-as por ter mundo, amar o Porto e querer o melhor para a cidade. Não soube transmitir a sua ideia, comportou-se como uma provinciana e perdeu.
Rui Rio não gosta do Porto, mas soube adaptar-se às suas características. Não a hostilizou, finge-se fiel, mas trai-a com frequência. Como Rui Rio é sabidola, o Porto ainda não percebeu que está a ser traído. O progresso que Rui Rio lhe dá é artificial. Corridas de aviões e automóveis, mas zero de cultura. Um desprezo imenso pelo património da cidade e pela sua história, mas valorização do pedantismo dos novos ricos. Rui Rio fez ao Porto uma operação plástica cujo inêxito disfarçou com o recurso à cosmética, mas a seu tempo ficarão visíveis os sulcos provocados pelas rugas e cicatrizes.
Afinal, talvez o Porto não tenha mudado tanto, como eu às vezes penso. Apenas está mais bonito e cosmopolita. Em parte, graças a um grande autarca que vive na outra margem, chamado Luís Filipe Meneses.

Sugestão do dia

No próximo dia 15 de Outubro assinala-se o BlogAction Day. Como acontece todos os anos, as Crónicas do Rochedo associam-se a este evento blogosférico que tem por objectivo alertar a comunidade blogueira para as questões ambientais.
Proponho a todos os vizinhos do blogobairro e a todos os leitores/as que visitam o CR que nesse dia se associem à data, escrevendo um post alusivo ao tema. A Natureza merece que nos lembremos dela e façamos um esforço para a preservar.