domingo, 4 de outubro de 2009

Mistérios do Sul




Tenho aproveitado o fim de semana para algumas releituras, mantendo uma saudável distância da internet e até das notícias.
Hoje,ao final da tarde, acabei de reler “ O cantor de tango” de Tomás Eloy Martinez . Quando acabei, deixei-me ficar alguns minutos a viajar por Buenos Aires. Deambulando pela Corrientes e Santa Fé cheguei à Palermo de Borges, com a renovada esperança de ver o Aleph. Numa cadeia de recordações que nem sempre somos capazes de explicar, lembrei-me de Atahualpa Yupanqui - um dos maiores nomes da música argentina do século XX, estudioso incansável do folclore andino- e decidi ouvir um disco com alguns dos seus sucessos.
Viajei um pouco pelos Andes. Enquanto ouvia, pensei dedicar-lhe o próximo Rostos do Sul,
Começara a escrever sobre o seu nascimento nas pampas mas, na incerteza quanto à idade em que fora viver com a família para Tucuman, decidi consultar o Google. Antes, passei pelo Rochedo para postar os comentários dos leitores. Num desses comentários, a nossa leitora Maria, frequentadora assídua do Rochedo e do Delito, informava-me da morte de Mercedes Sosa. Foi como se me tivessem anunciado a morte inesperada de um amigo querido. Não consegui conter a emoção e recolhi-me, durante uns momentos, para lhe prestar a minha homenagem.
Depois lembrei-me de coincidências. Mercedes Sosa nasceu em Tucuman, a cidade para onde Yupanqui foi viver, no ano em que Mercedes Sosa nasceu. A cidade para onde me levou a releitura de um livro de Eloy Martinez, passado em Buenos Aires, onde a personagem que gera toda a trama se chama… Tucumano.
Nota: Post também no Delito de Opinião

Saturday's night fever

DIÁRIO DELA:
Ele ficou esquisito a partir de sábado à noite. Tínhamos combinado encontrarmo-nos num bar para beber um copo antes de jantar. Andei àscompras a tarde toda com as amigas e pensei que o seu comportamento se devesse ao meu atraso de vinte minutos. Mas não. Nem sequer fez qualquer comentário,como lhe é habitual. A conversa e o sítio não estavam muito animados, porisso propus irmos a um lugar mais íntimo para podermos conversar mais tranquilamente. Fomos a um restaurante caro e elegante. A comida estava excelente e o vinho era um magnífico reserva. Quando veio a conta, ele nem refilou e continuou a portar-se de forma bastante estranha. Como se estivesse ausente. Tentei rodar os assuntos para fazer com que se animasse mas em vão.Comecei a pensar se seria culpa minha.
Quando lhe perguntei, disse apenas que não tinha nada a ver comigo. Mas não me deixou convencida. No caminho para casa, já no carro, disse-lhe que o amava. Ele limitou-se a passar o braço por cima dos meus ombros, de forma paternal e sem me contestar. Não sei como explicar a sua atitude, porque não disse que me queria como faz habitualmente. Simplesmente não disse nada. Começo a ficar cada vez mais preocupada.
Chegámos por fim a casa e, nesse preciso momento, pensei que ele me queria deixar. Tentei fazer com que falasse sobre o assunto mas ele ligou a televisão e ficou a olhá-la com um ar distante,como que a fazer-me ver que tudo tinha terminado entre nós. O silêncio cortado pelo filme era sufocante. Por fim, desisti e disse-lhe que ia para a cama. Mais ou menos dez minutos depois, ele entra no quarto e deita-se a meu lado. Para enorme surpresa minha, correspondeu aos meus beijos e carícias eacabámos por fazer amor. Não foi tão intenso como normal mas ele pareceu gostar. Apesar de continuar com aquele ar distraído que tanto me aflige.Depois, ainda deitada na cama, resolvi que queria enfrentar a situação e falar com ele quanto antes. Mas ele já tinha adormecido. Comecei a chorar e continuei a fazê-lo pela noite dentro, até adormecer quase de manhã.Estou desesperada, já não sei o que fazer. Estou praticamente convencida que os seus pensamentos estão com outra. A minha vida é um autêntico desastre!
DIÁRIO DELE:
O BENFICA perdeu. Pelo menos dei uma queca......