quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Je t'aime. Moi non plus?


Vi-te hoje na Versailles. Estavas sentada diante de uma chávena de café, com o olhar distante de quem procura ontens no dia de amanhã. Inerte, como se tivesses parado naquela posição desde o dia em que te vi pela última vez, há quase 20 anos. Entre as mãos tinhas um cigarro apagado, em posição de desafio, mas no teu olhar já não existia a expressão lutadora de outros tempos.
Aproximei-me.
O cigarro começou a rolar entre os teus dedos, como se num momento eu tivesse accionado um interruptor que te trouxe de volta à vida.
Sorri.
Devolveste-me um sorriso apagado e estendeste a face para que te beijasse.
Obedeci.
Arrastaste enfim a voz num esforço perceptível. Há quanto tempo!
Sim, há quanto tempo...
Perguntei por ti.
Respondeste-me em palavras enroladas nos sedativos que te mantêm agarrada à vida.
Perguntei por ele.
Deixaste o olhar fugir na procura de uma resposta que te escapou por entre os dedos, no momento em que deixaste cair o cigarro apagado sobre a mesa.
Mudei de assunto.
Tocaste-me na mão ao de leve e pediste para me sentar.
Obedeci, como nos tempos em que éramos apenas um. Passaste-me os dedos pela face como que a querer fazer-me a barba com as costas da mão.
Continuas charmoso.
Silêncio...
Bom, tenho de ir embora.
Pois, tiveste sempre de partir...
Dei-te um beijo de despedida.
Agarraste a minha mão num quase pedido de socorro.
Desprendi-me e levantei-me. Da porta lancei-te um último aceno.
O cigarro voltara a bailar entre os teus dedos, como a substituir a mão que eu te negara.
Saí. Respirei fundo. Que teria sido de mim se não me tivesse libertado de ti?
No cérebro soaram fortes os acordes.« Je vais et je viens, entre tes reins »
E tu :« Tu es la vague, moi l’île nue»
E eu outra vez:«L’amour physique est sans issue»
*Post publicado em 19 de Junho de 2008

Onze minutos ( 2ª parte)

Quando ontem escolhi o post "Onze Minutos", estava longe de imaginar que o seu significado poderia ser muito mais abrangente. Onze minutos foi a duração do discurso do PR, cujas consequências podem incendiar o país.
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