segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Há razão para festejos?

A resposta aqui

Angústia para o jantar

São quase quatro horas da tarde. Arrumo os meus parcos haveres e espero a chegada dos Serviços de Apoio à Emigração. Estive toda a manhã a reflectir na previsão de MFL: "se o PS ganhar as eleições acaba o país". Não sei a que horas acaba, mas já escolhi a minha nova nacionalidade. Espero que cada um possa optar livremente. Estou angustiado. Espero que MFL não escolha a minha e seja a primeira a desaparecer pela fronteira da insensatez, por onde os néscios se vão escapulir. Acredito que todos optem por ser apátridas, embora admita que hoje, na hora de tomar chá na companhia de Cavaco, ou do grupo de amigas com que habitualmente se reúne para se exercitar na nobre arte do mexerico,discutam a possibilidade de se tornarem ingleses. Pesoalmente, preferia que fossem para a Islândia...ou para o Alasca. Agora que a lufada de ar fresco abandonou o cargo, seria uma óptima escolha.

Na hora do rescaldo

Deixarei para mais tarde uma análise mais pormenorizada ( no Delito de Opinião) sobre o futuro que antevejo face aos resultados da noite eleitoral. Por agora, apenas uma leitura aos resultados de cada partido
PS- Foi o vencedor das eleições. Razão suficiente para cantar vitória. Na perspectiva de Sócrates, o facto de não ter ficado refém do BE para uma eventual maioria parlamentar justifica o seu rasgado sorriso, mas não vai ter vida fácil. A vitória desta noite, pode ter significado o seu esvaziamento a breve prazo. Precisará de gerir com pinças os acordos que vier a estabelecer à direita e à esquerda, até que uma moção de censura determine a sua queda.
PSD- O grande derrotado. Quando o maior partido da oposição sobe apenas 0,4%, num momento em que o governo é criticado à direita e à esquerda, demonstra a inabilidade da líder e o falhanço rotundo da sua estratégia. Não se derrota um governo sem propostas concretas e sem credibilidade.
CDS- O grande vencedor. Não tanto pelo crescimento em número de votação ( o BE subiu mais), mas por ter conseguido fazer o pleno dos seus objectivos. Reforço significativo da representação parlamentar e único partido com possibilidade de fazer um entendimento com o PS para a formação de um governo de coligação.
BE- O partido que mais subiu e duplicou a sua representação parlamentar, falhou o seu grande objectivo: obrigar o PS a entender-se com ele. Nem o significativo aumento da votação e o facto de ter eleito deputados em nove distritos, evitam algum amargo de boca na hora do balanço final. Foi um dos grandes vencedores, mas a vitória de nada lhe servirá, se continuar a cometer os erros em que a esquerda europeia persiste. O PS estará à espreita de recuperar muitos dos votos que o BE agora lhe roubou, nas próximas legislativas. Corre o risco de se esvaziar, se continuar a persistir nos mesmos erros. Os eleitores não deixarão de perguntar, para que servem 16 deputados, se o BE não conseguir fazer passar algumas das suas propostas.
CDU- Conseguiu eleger mais um deputado que em 2005 e, apesar de ter passado a ser a quinta força política, continua a ser a formiguinha laboriosa que vai levando a água ao seu moinho. Já muitos lhe decretaram a morte, mas resiste. A explicação é simples. Juntamente com o CDS, é o partido que tem ideologia e princípios programáticos bem alicerçados. Ali há convicções, não há clubites.
MRPP- Como é que um partido com 0,9% pode cantar vitória? Simples... teve mais de 50 mil votos, o que lhe confere o direito a receber uma subvenção anual de 3,33€ por voto! Nada mau...