terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sebastião defende a Amazónia

"A devastação das florestas tropicais é responsável pelo aumento, em 20%, das emissões de gases do efeito estufa. Mais do que o sector de transportes de todo o planeta", afirma um relatório da Greenpeace.
Intitulado "A farra do boi na Amazónia", o estudo da Greenpeace mostra as consequências da cadeia devastadora da carne bovina, que é responsável por uma série de subprodutos como o couro e a glicerina, além do bife que vai para o prato dos consumidores.De acordo com aquela ONG , é fundamental parar com a devastação para evitar mudanças climáticas catastróficas. Nesse cenário, o gado bovino na Amazónia é tido como o maior devastador do mundo, responsável por um em cada oito hectares destruídos no planeta. Mas quem haveria de dizer que a devastação da floresta Amazónica está também relacionada com a produção de produtos de higiene e beleza , componentes para automóveis e com o fabrico de calçado?
A explicação é simples: o gado processado em frigoríficos industriais também gera subprodutos que vão parar a empresas como Adidas, Audi, BMW, Carrefour, Casino, Colgate Palmolive, Honda, Johnson & Johnson, Kraft, Marks & Spencer, Metro, Morrisons, Nike, Northern Foods, Sainsbury s, Tesco, Toyota, Unilever, VW e Wal-Mart.
O IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor, do Brasil) também já colocara esta questão, ano passado, na sequência de um estudo sobre as implicações do consumo nas alterações climáticas. Na altura comunicou os resultados às empresas, a quem pediu informação sobre as medidas que cada uma delas pretende tomar. Apenas três responderam.
Entretanto, o Ministério Público Federal do Pará apreciou 21 acções pedindo uma indemnização total de R$ 2,1 bilhões às pecuárias e empresas de refrigeração que comercializaram animais criados em fazendas desmatadas ilegalmente. As acções visam reparar os danos ambientais supostamente provocados.

Numa cidade sem carros

Estávamos no último fim de semana de Agosto. Sentado no sofá da sala, Frederico ia folheando o jornal sem entusiasmo, quando deparou com a notícia de que o dia 22 de Setembro seria o Dia Europeu sem Carros. À memória, acorreu-lhe um artigo onde se enumeravam os perigos do monóxido de carbono,- substância libertada pelos automóveis que contribui para o aumento da poluição urbana e é responsável por inúmeras doenças cardiovasculares e respiratórias.
Mas Frederico não é pessoa que se deixe convencer com facilidade, principalmente quando em causa está a sua comodidade. Afinal, de que serve não andar um dia de carro, para além de causar graves transtornos a quem o utiliza como ferramenta de trabalho.?-pensou.
É claro que esse não é o seu caso, pois sai de manhã para o emprego e só deixa o escritório ao fim do dia para regressar a casa. Poderia facilmente fazer o percurso de metropolitano, bastando-lhe para tal andar uma escassa centena de metros a pé, mas Frederico sofre da síndrome de “ carrodependência” e considera os transportes públicos insuportáveis, preferindo gastar mais de uma hora por dia em longas filas de trânsito, a fazer o trajecto entre a casa e o escritório de forma mais rápida e confortável.
Quando à hora do jantar se foi encontrar com Matilde logo puxou para tema de conversa a iniciativa do Dia Europeu sem Carros que, sem delongas, rotulou de demagógica e inútil.Foi com surpresa que constatou ser Matilde uma acérrima defensora da iniciativa, pois embora aquela com quem cada vez mais pensava vir a unir o seu destino sempre se deslocasse para o trabalho em transportes públicos, fora levado a pensar que o fazia por questões económicas e não por pura convicção.
Foi , por isso, com a boca meia aberta que ouviu Matilde defender a ideia de que o acesso automóvel às grandes cidades deveria ser condicionado, alvitrando mesmo a hipótese de que em Lisboa se seguisse o exemplo de outras cidades europeias, como Londres, Roma ou Estocolmo, onde quem quiser entrar de carro é obrigado a pagar portagem.Frederico lembrava-se vagamente de ter lido alguma coisa sobre o assunto e, com ar conhecedor acrescentou:
- Pois, na Noruega também se passa uma coisa semelhante: os carros para entrarem nas cidades pagam uma portagem, que é tanto menor, quanto maior for o número de passageiros, mas isso são países civilizados que nada têm a ver connosco!
Ao ouvir as palavras de Frederico, Matilde quase se engasgava... de raiva!
-Então achas que Portugal, um País que já foi o melhor aluno da União Europeia, que se tem desenvolvido em termos económicos de forma considerável, não deve também progredir em termos civilizacionais? Não te esqueças que durante o Verão a poluição nas nossas cidades passa frequentemente os valores admissíveis e em Lisboa, só no ano passado, foram 261 as vezes em que esse limite foi ultrapassado!
- Está, bem, está bem,! Mas não seria melhor, então, discutirmos a vida nas cidades, em vez de andarmos com este folclore todo? E não me digas que os automóveis são os culpados de todos os males que afectam a vida nas cidades... ou estarei eu, sem saber, a falar com uma fundamentalista?
- Não me venhas com chavões! Claro que não sou fundamentalista, mas também não sou ignorante e preocupo-me com os problemas que afectam o nosso Planeta. Sei perfeitamente que é preciso repensar a vida nas cidades, mas também não ignoro que o automóvel, enquanto erigido a objecto imprescindível se tornou um problema e um obstáculo à melhoria da qualidade de vida urbana. Por isso acho que esta iniciativa do Dia Europeu sem Carros, se não tiver outro mérito, tem pelo menos o de levar as pessoas a pensar a sua relação com o automóvel. E acredito que todos os anos há mais pessoas a deixarem o carro em casa e a optarem pelos transportes públicos, porque pelo menos um dia pararam para pensar. Ou julgas que todos são insensíveis e comodistas como tu, que não dispensas o carro, apesar de teres uma estação de metro a cem metros de casa e outra à porta do escritório?
- Pronto, eu prometo que vou pensar no assunto. Mas agora vamos embora, tomar um copo, que já estou farto de estar sentado...
- Ah estás? Então espero que não te queiras levantar daqui para te meteres no carro até ao sítio onde vamos tomar um copo e depois alapares-te outra vez!...-
-....
- Pois, eu logo vi! Mas olha, hoje eu não vou nessa... Se queres ir beber um copo, vamos a pé!
E foi assim que Matilde e Frederico passaram a dispensar o carro na maioria das suas saídas nocturnas. Agora passeiam os dois de mão dada à beira rio depois do jantar, param para tomar um copo e ao fim da noite apanham um táxi para regressar a casa. E, para surpresa de todos, Frederico tornou-se num dos maiores animadores da empresa para criar programas alternativos no Dia Europeu Sem Carros. E promete iniciativas de grande animação para a cidade. Palavra de Frederico!...

Sugestão do dia

Cão como tu