quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Contra os chineses, marchar, marchar!


Circula na Internet mais uma daquelas petições disparatadas pedindo o boicote dos produtos chineses e das Olimpíadas de Pequim. Desta vez não se trata de acusar os chineses de explorarem mão de obra barata, nem violarem direitos humanos. Seria demasiada hipocrisia invocar o facto de a China não respeitar os direitos humanos, depois de na Cimeira UE/China os líderes europeus terem mantido um prudente ( apetecia-me dizer cobarde, mas enfim...) silêncio sobre o assunto.
Depois de Manuel Pinho ter ido a Pequim apelar aos chineses para investirem em Portugal porque aqui a mão de obra é barata, o argumento de que na China os trabalhadores são explorados também já não pega. De que se lembraram então os promotores deste novo mail anti-China? Recorreram a algumas imagens onde se procura transmitir a ideia de que os chineses tratam mal os animais.Os europeus em geral - e os portugueses em particular - andam a precisar de tomar alguma coisa que lhes avive a memória, pois já se esqueceram de alguns pormenores que penosamente recordo:
- As torturas praticadas sobre animais em laboratório, para fazer testes a perfumes;
- A forma selvagem como são transportados os animais;
- As práticas regulares de abandono de animais
E fico-me por aqui... porque a hipocrisia desse mail/petição, que me abstenho de reproduzir revolta-me e enoja-me quase tanto, como a falsa piedade com que os seus promotores olham para os animais. É preciso ter muita lata para falar dos outros, esquecendo as nossas práticas...

* Alterei o título deste post, publicado em 18/12/07, porque infelizmente mantém a sua actualidade. Depois de MFL ter atacado os espanhóis a propósito do TGV, esquecendo que logo que deixou de ser ministra foi ganhar a vida como administradora do Santander ( banco espanhol, para quem não saiba), quebrando as regras mais elementares da ética política, foi a vez de Manuel Monteiro vir atacar os chineses.
O líder do PND disse, no "Prós e Contras", que uma das medidas do seu partido seria "acabar com todas as lojas de chineses"!
A xenofobia que se está a instalar em Portugal ( é bom não esquecer os ataques serôdios que MFL fez aos imigrantes ucranianos e e cabo-verdianos) preocupa-me. Quando um líder político ataca imigrantes, esquecendo que Portugal é um país de emigração, não está apenas a ser populista. Está também a ser estúpido! Como reagirão se países como França, África do Sul ou Venezuela, para apenas citar três exemplos de países onde a emigração portuguesa tem forte expresssão, decidirem proclamar, como bandeira de campanha eleitoral, a expulsão de imigrantes portugueses? Esta gente não se enxerga!

Regresso às aulas

A “Pública” lembrou-se de perguntar a jovens estrangeiros que vieram viver para Portugal, as diferenças que encontraram entre as escolas portuguesas e as dos seus países. Achei a ideia interessante e o resultado muito curioso. Respiguei alguns excertos para partilhar convosco:

O mais esquisito aqui é o horário das aulas… Quase não podes fazer mais nada, é como se a tua vida ficasse centrada na escola(16 anos, Brasil)
Na minha aldeia ter boas notas é fácil: compra-se uma prenda ao professor. Aqui temos mesmo de estudar(20 anos, Moldávia)
Os meninos daqui usam as calças descaídas, a mostrar o rabo. No início perguntava-me “ O que é isso são todos gay?” Não gosto dessa moda. Na Ucrânia, na escola, usamos todos fato, com a camisa por dentro das calças(13 anos, Ucrânia)
Os professores aqui são mais exigentes e eu não gosto de pessoas muito exigentes(14 anos, Itália)
No meu país, chumbar é uma falta de respeito pelos pais. Aqui, acho que os pais se estão nas tintas se os filhos chumbam.(17 anos, Moldávia)
Os professores cá têm mais paciência. Lá são mais rigorosos, zangam-se muito.( 16 anos, Bangladesh)
Lá, os alunos são mais bem comportados; não se viram para trás, estão quietinhos a olhar para o professor. Quando alguém entra, levantam-se todos da cadeira e quando sai fazemos o mesmo.Agora aqui, às vezes já me viro para trás durante as aulas para falar.(16 anos , Moldávia)
Há professores que não compreendem que há coisas que eles dizem que acham que são básicas, mas eu nunca aprendi. Há países que estão mais atrasados. Não tenho culpa.(16 anos, Guiné-Bissau)

Foi você que falou de impostos?

A discussão em torno do aumento dos impostos, que tem sido um dos temas de animação da campanha eleitoral, não me entusiasma particularmente. Mais do que estar preocupado com o aumento dos impostos ( questão que afecta essencialmente os endinheirados) gostaria que se discutisse o seu destino.Não me importaria de pagar mais impostos, se tivesse a certeza que seriam utilizados na melhoria das condições de vida dos portugueses.
Estou cansado de ver os meus impostos esbanjados em submarinos e material de guerra - certamente muito úteis para alguns militares se divertirem- mas, face à inexistência de um perigo real de entrarmos num conflito armado, não têm qualquer serventia nem aumentam a minha qualidade de vida. Bem pelo contrário… porque Portugal já gastou milhões de euros em material de guerra que com o tempo se foi tornando obsoleto e foi necessário trocar por material novo. Esse dinheiro, aplicado na saúde ou na educação teriam tido mais serventia.
Eu sei que o sr Dick Cheeney e outros patrões do armamento, criam de quando em vez uns conflitos para incendiar o mundo, mas isso não justifica que Portugal despenda avultada fortunas em desperdícios inúteis. Enfurece-me bastante ver, diariamente, os meus impostos serem derretidos com deputados faltosos, banquetes opíparos de ministros, cartões de crédito sem plafond, ajudas de custo pagas a quem melhor sabe ludibriar a lei, vaidades pessoais, automóveis topos de gama e por aí adiante. Eu queria ouvir os partidos discutir o destino dos impostos. Queria que os meus impostos fossem utilizados na compra de livros para as crianças e jovens do meu país; no pagamento dos medicamentos e das despesas de saúde dos velhos que trabalharam uma vida inteira e não conseguem pagar os medicamentos, porque a reforma que recebem é miserável; na melhor redistribuição da riqueza, no combate à pobreza e à info-exclusão. Sei que vivo num país pobre e de parcos recursos, que não é possível exigir tudo ao mesmo tempo, mas também sei que este país vive há muitos anos acima das suas possibilidades e ninguém põe travão a este estilo de vida de novos ricos, que a sociedade de consumo erigiu a paraíso terreno.
Ando há 30 anos à procura de um partido que me diga claramente como vai aplicar os meus impostos e cumpra as suas promessas. Três deles já deram repetidas provas de serem incapazes. Porque não apostar noutro desta vez? Se um partido me disser que os impostos serão aplicados nas melhorias da saúde e da educação e apresentar medidas concretas em que eu acredite, terá o meu voto. Caso contrário (porque nunca deixarei de votar), talvez dê a oportunidade a quem nunca governou.

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