terça-feira, 15 de setembro de 2009

As vindimas


“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”
( Cântico popular)

As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.Terminei essa vivência, quando tive de procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”.
Ainda hoje recordo, com alguma saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina. Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, uma pequena notícia de jornal devolveu-me estas recordações e deixou-me com um ligeiro amargo de boca. A Real Companhia Velha está a utilizar uma máquina para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas.

* Post publicado em 7/10/2007

Porque não te calas?

Aquilo que mais me preocupa em Manuela ferreira Leite, não é a sua idade física ( Vai fazer 69 em Dezembro). Preocupa-me a sua idade mental. Em cada proposta que faz, é fácil descortinar o retrocesso do país, o seu empobrecimento,o regresso ao tempo em que todos andávamos de burro por caminhos de terra batida.
A minha mãe, quase a completar 95 anos e fiel votante do PSD, já me disse que não irá votar, porque vê em MFL aquilo que eu também vejo: representa o regresso à pior faceta do nosso passado recente e tem uma visão miserabilista da sociedade portuguesa. Cada vez que MFL abre a boca é para dizer uma barbaridade pior do que a anterior.
MFL é, muito provavelmente, uma pessoa mal formada. A frase que atirou a Sócrates no debate ( "Faz-me lembrar aquele que matou o pai e amãe para dizer que é órfão") é própria de uma pessoa sem princípios, sem educação, sem carácter.
A fúria anti-espanhola, além de ser de mau gosto, representa um tipo de pensamento que só alguns trogloditas ainda sustentam. Ainda por cima, o adiamento do TGV representará um enorme prejuízo para o país e isola-o da Europa, como se pode ler aqui.
O futuro que MFL nos promete assusta-me.
Alguém no PSD devia dizer à senhora o que Juan Carlos disse um dia a Hugo Chavez: Porque não te calas?

Vamos brincar à caridadezinha?

Não acredito que os problemas da pobreza se resolvam com a caridade. Nunca recuso comida a quem me bate à porta pedindo-a, ou me aborda na rua dizendo que tem fome. Levo-o ao café ou pastelaria mais próximas e procuro dar-lhe o que ele pede. No entanto, raras vezes dou esmola a um mendigo que me aborda na rua, ou nos transportes. Qualifiquem esta minha atitude como quiserem, mas não me acusem de insensibilidade.
Já embarquei na história da fulana a quem todos os dias faltavam uns trocos para a camioneta; já fui enrolado com a história do sujeito a quem todos os dias roubam a carteira; já me deixei enganar pela mulher com a criança ao colo que pedia dinheiro para comprar leite para o bebé; já me comovi com a história do imigrante que afinal era português e tinha várias casas espalhadas pelo país. Chegou uma altura que decidi dizer BASTA! Conheço demasiados casos de falsos mendigos e, cada vez que um me pede esmola, vêm-me estes e outros exemplos à memória. Ainda há dias o DN noticiava o caso de um falso mendigo que foi preso em Aveiro. São conhecidos casos de mendigos que vendem os lugares onde habitualmente pedem esmola por quantias avultadas, a outros mendigos. Nas imediações do Centro Comercial do Lumiar- como provavelmente noutros pontos da cidade e do país- rebentam com frequência rixas entre “moedinhas” que disputam os melhores lugares. No dia em que um ameaçou riscar-me o carro, se não lhe desse uma moeda, denunciei-o à polícia. Não sei o que se passou depois, mas nunca mais o vi por aquelas paragens.Há já alguns anos, um moedinhas que costumava parar em frente ao Galeto, confessou-me que ganhava, em média, 20 contos por dia!
Não gosto, pois, de dar esmola. Já tem acontecido, porém, que depois de recusar uma esmola, mude de ideias e volte atrás para a dar. Porque “pressinto” que aquele mendigo precisa mesmo de ajuda. Já me terei enganado algumas vezes, mas paciência. Também já caí no “conto do coitadinho”, como vos contei aqui. Acontece a todos. No entanto, como me chateia ser enganado, decidi há uns anos que, para aliviar a consciência, passaria a fazer serviço social, colaborando com instituições que ajudam os mais necessitados. Desde que tomei essa decisão, passei a sentir-me melhor comigo.Sair nas noites frias de Inverno para dar de comer aos sem abrigo, participar nas Ceias de Natal de instituições de solidariedade social, trabalhar como voluntário numa IPSS, são coisas que me dão enorme alegria. Dar esmolas só me aviva o remorso.

Sugestão do dia

Foi desse jeito que eu ouvi dizer