sábado, 12 de setembro de 2009

Alkimias de Outono

( cenário: Figueira da Foz, numa tarde soalheira de Outono)
O nome ( Alkimia) sublinhado pela palavra “creperie” chamou-me a atenção. Vinha mesmo a calhar um crepe àquela hora tardia para almoçar e ainda temperana para a janta. Entrei, resoluto. A lista contemplava apenas meia dúzia de ofertas. Variedade escassa para uma “creperie”, mas enfim... decidi-me por um crepe tropical ( fiambre queijo e ananás) . A proprietária, senhora idosa, franziu o sobrolho e perguntou:
- Não prefere um Florestal?
Remirei a lista , mas os ingredientes não me despertaram qualquer salivar . As papilas gustativas mostravam-se indiferentes à proposta.
- Não, prefiro mesmo o Tropical.
A sexagenária hesitou e depois, enfrentando-me “olhos nos olhos” disse de sus justiça:
- Esse não lho posso fazer. Sabe, tinha que abrir uma lata de ananás e depois, se não vierem mais clientes pedir um igual , fico com a lata aberta e tenho que a deitar fora. É muito prejuízo!
Apreciei a sinceridade da senhora ( poderia ter dito simplesmente que não tinha ananás e o assunto ficava por ali). Optou por ser sincera mas, ao mesmo tempo, pôs-me a reflectir sobre a realidade dos negócios familiares em Portugal. Falta profissionalismo, sobra ganância e subsidiodependência. Não é assim que vamos lá...
* Post publicado em 8/10/2007